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	<title>Arquivos Ewan McGregor - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Ewan McGregor - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Aves de Rapina &#8211; Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Feb 2020 00:10:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fale o que quiser de Esquadrão Suicida, afinal o filme de David Ayer fez por merecer a péssima fama. O que não pode ser dito é que Margot Robbie (O Escândalo) não tenha saído ilesa do desastre de opinião pública que foi esse projeto de 2016 da DC Comics em parceria com a Warner. Com a célebre personagem dos quadrinhos, a atriz australiana fez um brilhante trabalho de composição, captando o espírito da Arlequina e contornando com carisma os percalços [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fale o que quiser de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Esquadrão Suicida</em></a>, afinal o filme de David Ayer fez por merecer a péssima fama. O que não pode ser dito é que Margot Robbie (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>) não tenha saído ilesa do desastre de opinião pública que foi esse projeto de 2016 da <em>DC Comics</em> em parceria com a <em>Warner</em>. Com a célebre personagem dos quadrinhos, a atriz australiana fez um brilhante trabalho de composição, captando o espírito da Arlequina e contornando com carisma os percalços de um roteiro e uma direção problemáticos. É o tipo de trabalho que destoava de toda a obra e que merecia um ótimo carro-chefe para selar em definitivo a criação da atriz. <em><strong>Aves de Rapina &#8211; Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</strong></em> é esse projeto.</p>
<p>Dirigido por Cathy Yan, realizadora americana de descendência chinesa que ganhou notoriedade em 2018 por um filme chamado <em>Dead Pigs</em>, <em><strong>Aves de Rapina &#8211; Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</strong></em> reúne Arlequina com mais quatro personagens da <em>DC Comics</em>: Canário Negro, Caçadora, a detetive Renee Montoya e Cassandra Cain. As três acabam sendo reunidas por obra do acaso e enfrentam o perigoso Máscara Negra, um chefão do crime de Gotham.</p>
<p>Adotando ocasionalmente em sua abordagem narrativa as tonalidades do universo de Arlequina, <strong><em>Aves de Rapina &#8211; Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</em></strong> é um longa de ação que oferece em dosagens equilibradas elementos que a maioria dos filmes do seu nicho proporcionam. Cathy Yan tem um ótimo senso de ação na concepção das duas cenas de luta e há muito humor no projeto &#8211; mas, graças a Deus, nada que nos lembre aquela abordagem espertinha e autoconsciente da maioria desses filmes, portanto, não espere piadas sobre o fiasco público de Esquadrão Suicida.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12356" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/1437378.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Aves de Rapina - Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/1437378.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/1437378.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/1437378.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O grande acerto do seu projeto entretanto é seu roteiro enxuto e que consegue construir um arco satisfatório para Arlequina, levando-a para lugares diversos daqueles que ocupou em <em>Esquadrão Suicida</em>, e ainda nos apresentar as demais personagens, todas muito bem construídas. A desobediência do roteiro de Christina Hodson a chavões sobre os três atos de uma narrativa é muito bem-vinda, com a inserção de diversos <em>flashbacks</em> que, no lugar de atrapalhar o andamento da história, a tornam ainda mais interessante e dinâmica.</p>
<p>O pecado de <em><strong>Aves de Rapina &#8211; Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa</strong></em> talvez tenha sido não &#8220;abraçar&#8221; escancaradamente a piração que é a cabeça da sua protagonista, mas naquilo que se pretende e como veículo para a criação de Margot Robbie o filme é um acerto de grandes proporções. É difícil para o público esquecer a péssima impressão deixada pelo <em>DC Universe</em> desde 2016, sobretudo em tempos onde cada erro é martelado um zilhão de vezes na rede com um cem número de memes, mas acho que em 2020, com títulos que passam longe do desastre como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-aquaman/"><em>Aquaman</em></a>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-shazam/"><em>Shazam!</em></a>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em> </a>e agora Aves de Rapina já dá para perdoar a <em>Warner</em> por seus pecados e deixá-la seguir com seus próximos filmes da <em>DC Comics</em>.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cathy Yan<br />
<strong>Elenco:</strong> Margot Robbie, Ewan McGregor, Rosie Perez, Mary Elizabeth Winstead, Ella Jay Basco, Jurnee Smollett-Bell, Chris Messina, Ali Wong, David Ury</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/M2LMRXkAZSY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Doutor Sono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Nov 2019 23:50:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aguardado com grande expectativa pelos fãs do terror, Doutor Sono tem como&#8221;sombra&#8221; uma das maiores obras do cinema, O Iluminado de Stanley Kubrick. Também baseado em um romance de Stephen King, o longa é roteirizado e dirigido por Mike Flanagan (Ouija &#8211; Origem Do Mal). Ele já está habituado com o universo do escritor, depois de ter conduzido Jogo Perigoso para a Netflix. Este também é uma continuação dos eventos de O Iluminado. O filme de Flanagan se sai bem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aguardado com grande expectativa pelos fãs do terror, <em><strong>Doutor Sono</strong></em> tem como&#8221;sombra&#8221; uma das maiores obras do cinema, <em>O Iluminado</em> de Stanley Kubrick. Também baseado em um romance de Stephen King, o longa é roteirizado e dirigido por Mike Flanagan (<em>Ouija &#8211; Origem Do Mal</em>). Ele já está habituado com o universo do escritor, depois de ter conduzido <em>Jogo Perigoso</em> para a <em>Netflix</em>. Este também é uma continuação dos eventos de O Iluminado.</p>
<p>O filme de Flanagan se sai bem dessa &#8220;roubada&#8221; ao não se deixa intimidar pelo passado, mas também respeitá-lo e reverenciá-lo sem exageros, entregando ainda um filme que, na maior parte das vezes, é consistente. Sabiamente, <em><strong>Doutor Sono</strong></em> se interessa mais em ser uma adaptação do romance homônimo do que um espelho de <em>O Iluminado</em>. Este é o primeiro &#8220;salto&#8221; do filme, já que poderia lhe trazer sérios problemas.</p>
<p>Neste longa, Ewan McGregor (<em>O Impossível</em>) interpreta a versão madura de Danny Torrance, um homem repleto de traumas ainda a serem superados. Os caminhos de Danny se cruzam com o da garota Abra, que, assim como ele, tem recorrentes visões, um elo muito potente com o sobrenatural. Danny encara a assustadora lembrança do seu pai quando Abra começa a ser perseguida por Rose, a líder de um bando maligno que se alimenta de humanos.</p>
<p>Uma das qualidades do trabalho de Flanagan em <strong><em>Doutor Sono</em></strong> é a maneira como ele entende ser necessário desenvolver gradualmente sua trama e seus personagens, sem forçação ou pressa. O filme nos apresenta primeiro Danny assimilando os eventos vivenciados no Overlook e se tornando um adulto acuado, apegado a vícios. Em seguida, faz ele encontrar formas de colocar a sua vida nos eixos.</p>
<p>Também somos introduzidos à menina Abra, as manifestações do seu dom sobrenatural e a dificuldade que seus pais têm para lidar com o assunto. Por fim, <strong><em>Doutor Sono</em></strong> nos introduz Rose, a maligna que traz para a sua órbita um grupo de seguidores obcecados pela vida eterna. A maneira como Flanagan explora cada um desses pontos da sua trama, construindo &#8220;terrenos&#8221;, fazendo economia do clímax, conduzindo passo a passo o destino dos seus personagens até suas vidas entrelaçarem-se é exemplar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11756" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/4772706.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Doutor Sono" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/4772706.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/4772706.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/4772706.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O filme tem como alicerce a interpretação de Ewan McGregor, ótimo na maneira econômica com a qual emula em grau mais elevado a introspecção do Danny que conhecemos em <em>O Iluminado</em>. Adulto, o Danny de McGregor é um sujeito avesso a protagonismos sociais, não quer ser notado. É um homem cheio de sequelas e que teme qualquer tipo de enfrentamento público dessas questões, preferindo o isolamento aos riscos do convívio social.</p>
<p>A qualidade da performance sutil, complexa e quieta de McGregor contrasta com a interpretação de Rebecca Ferguson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-nacao-secreta/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Missão Impossível &#8211; Nação Secreta</em></a>) como Rose. Claro que a personagem da atriz acaba não sendo o grande vilão do filme. Ela acaba se mostrando apenas um obstáculo que Danny encontra pelo caminho para enfrentar o seu verdadeiro algoz, os medos que cultiva na sua psiquê.</p>
<p>No entanto, como durante boa parte do longa Rose é o mal a ser combatido na jornada do protagonista, essa cruzada perde um pouco do seu impacto na medida em que Ferguson não transmite autoridade e o senso de perigo necessários à sua personagem. A atriz não consegue contornar as limitações físicas que não estão a seu favor, como seus traços delicados e sua juventude, interpretando Rose com unidimensionalidade através de &#8220;caras e bocas&#8221; de ira. Não chega a ser algo que compromete severamente o filme, mas traz impactos consideráveis na atmosfera de horror da trama.</p>
<p>À medida em que a história avança, <strong><em>Doutor Sono</em></strong> deixa claro como toda a trama em torno da perseguição de Rose e seu bando à Abra é um motivo para fazer com que Danny encare seus traumas de infância, um tema recorrente na obra de King. Acaba sendo um longa sobre esse personagem e sobre sua redenção. Tudo isso a partir do instante em que ele consegue compreender a necessidade de contornar os anos de repressão à sua espontaneidade infantil.</p>
<p>Por anos, Danny encarou sua &#8220;iluminação&#8221; como algo contra o qual precisava combater ou conter. A partir do instante em que o personagem compreende que a melhor forma de lidar com suas manifestações é através do acolhimento, tudo se transforma. Essa reescrita da história de Danny e sua redenção é vivenciada também pela menina Abra. Ela encontra uma forma de não repetir a história do amigo, se aceitando e compreendendo a &#8220;iluminação&#8221; como um traço pessoal e não uma maldição.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mike Flanagan<br />
<strong>Elenco:</strong> Ewan McGregor, Rebecca Ferguson, Kyliegh Curran, Carel Struycken, Carl Lumbly, Emily Alyn Lind, Cliff Curtis, Zahn McClarnon, Bruce Greenwood, Jacob Tremblay</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/oM4Jp05zI7E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>4 filmes recém lançados na Netflix!</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/feriado-4-filmes-recem-lancados-no-netflix/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Jun 2017 18:56:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pastoral Americana Adaptar uma obra do escritor Philip Roth é tarefa ingrata. Como acontece com o trabalho de qualquer autor cultuado que vai para as telas, Pastoral Americana convive com esse comparativo. Qualquer cineasta que se aventura em uma empreitada como essa sempre terá que lidar com as injustas comparações com o material de origem. Estando ciente que nenhum realizador cinematográfico conseguirá conferir a fidelidade precisa à escrita do autor, o debut de Ewan McGregor como diretor poderia ter sido visto com olhos mais compreensivos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Pastoral Americana</strong></p>
<p>Adaptar uma obra do escritor Philip Roth é tarefa ingrata. Como acontece com o trabalho de qualquer autor cultuado que vai para as telas, <i>Pastoral Americana </i>convive com esse comparativo. Qualquer cineasta que se aventura em uma empreitada como essa sempre terá que lidar com as injustas comparações com o material de origem. Estando ciente que nenhum realizador cinematográfico conseguirá conferir a fidelidade precisa à escrita do autor, o <i>debut </i>de Ewan McGregor como diretor poderia ter sido visto com olhos mais compreensivos quando estreou no Festival de Toronto ano passado. No longa, McGregor dá vida a um ex-atleta sueco que possui todos os predicados para construir uma vida perfeita nos moldes americanos. Ele se casa com a ex-miss New Jersey, se muda para o interior do país, tem um negócio estável&#8230; O casal, no entanto, tem uma linda filha chamada Merry, que acaba representando a derrocada de todo esse sonho americano. Desde que viera ao mundo, Merry não era &#8220;perfeita&#8221;, sofria de gagueira e na adolescência vivida nos anos de 1970 em plena guerra do Vietnã passa a nutrir ideais muito fortes e discrepantes do protótipo de vida ambicionado por seus pais. No seu conto sobre a derrocada do sonho americano, <i>Pastoral Americana </i>é implacável em todas as suas frentes e com todos os seus personagens, todos eles desconstruídos em suas crenças e ideais aos olhos do público. A adaptação de McGregor perde um certo vigor entre  o final do seu segundo ato e início do terceiro, mas não deixa de ser notável o desempenho dele como diretor, sublinhando a crítica social do trabalho-fonte sem torná-lo panfletário e excessivamente didático.</p>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-7793 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/a-monster-calls-tiff-2.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Sete Minutos depois da Meia-Noite</strong></p>
<p>Não há alívios para o espectador em <i>Sete Minutos depois da Meia-Noite</i>. Mesmo quando a mais recente empreitada do diretor J.A. Bayona (de <i>O Impossível</i>, <i>O Orfanato </i>e da futura sequência de <i>Jurassic World</i>) deseja ser terna, ela é implacável e realista sobre um episódio de dor extrema na infância. O longa baseado no romance de Patrick Ness (que também roteiriza o filme) traz a história de um garoto visitado constantemente por um monstro às zero horas e sete minutos. A intenção da criatura é ajudar o menino a suportar o avanço da doença da sua mãe e entender porque muitas vezes a vida é tão dura conosco. Nesse conto de fantasia com lições morais, o jovem protagonista interpretado com sensibilidade pelo garoto Lewis McDougall aprende como a natureza humana é complexa  e que, em momentos extremos, muitas vezes, somos tomados por demônios que precisam ser liberados de alguma forma. Sem suavizar sua história e facilitar a vida do seu protagonista, Bayona encontra um equilíbrio interessante entre o reforço do drama dos seus personagens e uma atmosfera sombria, algo que beneficia e muito a sua mensagem.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7794" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/experimenter.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>O Experimento Milgram</strong></p>
<p>Polêmico até os dias atuais pelos resultados da sua pesquisa e por seus métodos, Stephen Milgram revolucionou os estudos da psicologia social ao tentar encontrar respostas para a obediência coletiva nas relações sociais. Inspirado pelo evento que antecedeu sua investida acadêmica, a Segunda Guerra Mundial, Milgram tentou demonstrar como há situações nas quais autoridades são obedecidas mesmo que tais ordens contradigam desejos pessoais. O filme de Michael Almereyda (também roteirizado pelo próprio) tem o mérito de levar a público a trajetória intelectual de Milgram. Ainda que traga informações sobre a vida pessoal do biografado, o filme prefere adotar um certo afastamento emocional e se concentra na pesquisa de Milgram. Por um lado, tal decisão é bem-vinda pois Almereyda encontra formas criativas de tornar interessante o percurso exploratório de Milgram em sua questão de pesquisa, como o uso de projeções no lugar de cenários ou a quebra da quarta parede com o excelente Peter Sarsgaard sempre se dirigindo à câmera e, consequentemente, ao espectador. Contudo, a relação do protagonista com sua esposa interpretada por Winona Ryder é deixada para segundo plano, o que torna sua presença uma incógnita no filme, afinal, algumas questões desse relacionamento estão lá, mas jamais são exploradas a contento.  Assim, <i>O Experimento de Milgram </i>mostra-se didaticamente exemplar, porém dramaticamente vacilante.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7795" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/catfight-tiff.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Catfight</strong></p>
<p>A tal da rivalidade feminina parece ter sido uma constante em 2017. Na TV tivemos <i>Feud: Bette e Joan </i>e <i>Big Little Lies</i>, no cinema aquele catastrófico e esquecível <i>Paixão Obsessiva </i>com Rosario Dawson e Katherine Heigl no elenco. <i>Catfight</i> explora com ironia essa temática em um filme de pretensões modestas, mas com um tratamento curioso ao optar pelo humor como chave de condução e por ter atrizes do calibre de Sandra Oh e Anne Heche, que nem sempre recebem as oportunidades que merecem na indústria. Oh e Heche interpretam duas colegas de escola que se detestam e que a partir de uma briga violenta têm suas vidas transformadas drasticamente. O filme de Onur Tukel tem uma mistura interessante de fantasia, humor negro e drama social que pode soar estranha e incomoda para muitos, afinal é, sem o menor vestígio de dúvidas, completamente &#8220;fora da casinha&#8221;. As cenas de agressão entre Oh e Heche são inteiramente absurdas e bem inquietantes por seu flerte sem concessões com a violência. A partir de certo ponto da história fica claro para o espectador que com todo aquele show de excentricidade Tukel quer lançar um holofote para a imaturidade de uma rivalidade que não tem fundamento pois suas duas protagonistas parecem feitas do mesmo &#8220;barro&#8221;. O público ainda vai se deliciar com uma ótima participação de Alicia Silverstone como a namorada da personagem de Heche.</p>
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		<title>Crítica: T2 Trainspotting</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Mar 2017 23:18:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Danny Boyle]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nem que se dedicasse ao extremo, o diretor Danny Boyle conseguiria em T2 Trainspotting um resultado semelhante ao do filme cuja história dá prosseguimento, Trainspotting: Sem Limites, de 1996. O impacto cultural daquele longa de vinte anos atrás não é resgatado por esta continuação, afinal o Boyle de hoje (vencedor do Oscar por Quem quer ser um Milionário? e requisitado pela indústria) não é o mesmo diretor indie da década de 1990, nem o cinema é o mesmo daquela época, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Nem que se dedicasse ao extremo, o diretor Danny Boyle conseguiria em <i>T2 Trainspotting </i>um resultado semelhante ao do filme cuja história dá prosseguimento, <i>Trainspotting: Sem Limites</i>, de 1996. O impacto cultural daquele longa de vinte anos atrás não é resgatado por esta continuação, afinal o Boyle de hoje (vencedor do Oscar por <i>Quem quer ser um Milionário? </i>e requisitado pela indústria) não é o mesmo diretor <i>indie</i> da década de 1990, nem o cinema é o mesmo daquela época, fazendo com que o que fora apresentado como arrojado tempos atrás em <i>Trainspotting </i>seja considerado repetição atualmente. Com uma trama baseada no livro homônimo de Irvine Welsh, o filme de 1996<i> </i>contava a história de um grupo de rapazes de Edimburgo na Escócia viciados em heroína, construindo uma jornada de recuperação de um deles, Renton, papel de Ewan McGregor. O filme é cultuado até hoje por conseguir captar o espírito de uma geração e dimensionar para as telas o vício pelas drogas, com imagens lisérgicas e montagem &#8220;nervosa&#8221; que acompanhava uma câmera igualmente inquieta.</p>
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<p>Tentando explorar o consumo do sexo (prostituição, pornôs na internet etc.) como a compulsão dos nossos tempos, <i>T2 Trainspotting </i>até deixa a desejar nesse quesito, já que usa isso apenas como pano de fundo para o seu interesse primeiro, seus personagens. Baseado em <i>Pornô, </i>também de Irvine Welsh, o esforço de dimensionar sensorialmente um vício cede lugar para a narrativa desse grupo de agora quarentões tentando ajustar mágoas e dívidas do passado. Acontece que, ainda que explore pouco esse universo do comércio sexual que o cerca, sendo bastante tímido nesse departamento, a continuação dirigida por Danny Boyle não deixa de ser menos interessante por demonstrar um engajado movimento de levar seus personagens a lugares nunca antes visitados, oferecendo um ponto de vista amadurecido sobre suas vidas, escolhas, relações, um mergulho profundo e consciente que talvez a juventude de vinte anos atrás não poderia proporcionar</p>
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<p>Em <i>T2 Trainspotting</i> acompanhamos Renton retornando a Edimburgo com a vida refeita e livre das drogas. Após os eventos do primeiro filme, os demais rapazes não tiveram o mesmo destino, lidando com atividades clandestinas, passando por dificuldades para superar o vício e cheios de problemas familiares. Na medida que Renton retorna ao convívio social com seus amigos, ele revela o verdadeiro motivo da sua volta.</p>
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<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-7512 size-thumbnail" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/03/t2-jb-01780-edit-610x343.jpg" alt="" width="610" height="343" /></p>
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<p>Em seus aspectos formais, <i>T2 Trainspotting </i>resgata a abordagem do longa de 1996, abusando de uma montagem acelerada e de diversificadas propostas de câmera. Enquanto lá isso tudo surgia como um experimentalismo de Boyle, que bebia da proposição de um cinema inclinado para a estética clipeira, aqui esses artifícios surgem como uma forma de demarcar o território para que o espectador reconheça aquele <i>modus operandi </i>de contar uma história nos moldes <i>Trainspotting</i>, algo que, inclusive já foi exaustivamente apropriado. Como já destacado, <i>T2 Trainspotting </i>cresce aos olhos do espectador pelo olhar que tem para seus personagens e sua história vinte anos depois, uma perspectiva que retoma o passado para avançar na sua reflexão a respeito de novas preocupações, entre elas a paternidade e o legado que esses personagens deixarão para os seus filhos.</p>
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<p> No lugar de uma continuação que resgata tramas e sujeitos por mero fetiche nostálgico, o longa tem como mérito trazer os mesmos personagens de antes porém com uma perspectiva diferente de si, algo que acaba justificando a existência da sequência não apenas por um ponto de vista mercadológico ou pelo apelo afetivo  que o primeiro longa tem com seus fãs. Em <i>Trainspotting</i> e ao longo da própria carreira de Danny Boyle, o que antes era anarquia estética e narrativa, hoje é cosmetizado pelo próprio cineasta, foi banalizado por um incontável número de filmes que o sucedeu e é usado aqui como assinatura. Diferente do longa de 1996, <i>T2 Trainspotting </i>não afirma seu brilho pelo arrojo formal, mas pela sua narrativa, demonstrando uma compreensão mais madura de Boyle para aqueles personagens que ajudou a dar forma vinte anos atrás com os icônicos desempenhos de Ewan McGregor, Ewen Bremner, Robert Carlyle e Jonny Lee Miller (ainda ótimos), uma mudança de prioridade válida, pertinente e bem aplicada pelo cineasta.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/pFHOzN3Yk1M" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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