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	<title>Arquivos ETV - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos ETV - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>28º Festival É Tudo Verdade: Amanhã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 01:46:25 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[28 É Tudo Verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Através de uma espécie de experimento social, o diretor Marcos Pimentel decide, em Amanhã, filmar a interação entre crianças de diferentes nichos sociais, em 2002, em Belo Horizonte. Na Barragem Santa Lúcia, de um lado, há um conjunto de favelas e, do outro, um bairro de classe média alta. Neste contexto, para ambientar o espectador, o filme gasta um bom tempo da projeção mostrando imagens de 20 anos atrás, de como o trio, mesmo com as divergências sócio-econômicas, relacionam-se, brincam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma espécie de experimento social, o diretor Marcos Pimentel decide, em <strong><em>Amanhã</em></strong>, filmar a interação entre crianças de diferentes nichos sociais, em 2002, em Belo Horizonte. Na Barragem Santa Lúcia, de um lado, há um conjunto de favelas e, do outro, um bairro de classe média alta. Neste contexto, para ambientar o espectador, o filme gasta um bom tempo da projeção mostrando imagens de 20 anos atrás, de como o trio, mesmo com as divergências sócio-econômicas, relacionam-se, brincam e criam um laço que parece intenso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente depois de algumas sequências é que o público é levado a conhecer o que aconteceu com alguns deles, já com imagens de 2022. O documentário traça paralelos sobre a infância, maturidade, dificuldades e superação dos irmãos Júlia e Cristian, moradores da favela Papagaio. É curioso observar como Pimentel consegue construir aproximações com as experiências da dupla e de suas relações tanto com a mãe deles, como com o mundo como um todo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta lógica, é possível acompanhar planos longos da família assistindo as filmagens feitas em 2002. Cada reação dessas personagens potencializa o fomento da empatia, que já havia sido posta no início do doc, através das gravações das crianças brincando. Mas, o longa-metragem vai além da simples investigação temporal e comparativa. Pimentel consegue, de forma simples, convocar debates políticos e sociais, utilizando os próprios recursos e situações que surgiram durante seu processo de criação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é a pauta sobre a ausência de Zé Tomás, um dos meninos filmados em 2002. Agora, um homem, com encaminhamentos políticos duvidosos, ele se recusa a participar de um encontro com Júlia e Cristian. Este acontecimento não apenas abala os irmãos, como também interfere no que Pimentel queria com o documentário. Apesar desta lacuna atrapalhar a obra de forma direta, de maneira indireta, diálogos são criados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elitismo, o preconceito, a falta de empatia e o descaso da classe média alta brasileira está estampada ali e não era necessário dizer mais nada, inclusive. O não aparecimento de Zé Tomás já é forte o suficiente. Mesmo assim, a produção insiste em anunciar este fato quase que didaticamente. Esta lógica acaba sendo positiva aqui, justamente porque eleva a tensão e deixa ainda mais explícito este comportamento de um tipo específico de pessoa que existe no país e as consequências que suas ações podem gerar, ainda que numa esfera micro, que é o das relações pessoais.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16675" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5821_g.jpg" alt="Amanhã" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5821_g.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5821_g-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5821_g-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/04/5821_g-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, o filme deixa nítido que pessoas como Zé Tomás não são uma novidade dos tempos atuais. Elas sempre estiveram ali. Além disso, todas as dificuldades e tormentos de quem vive do outro lado da barragem são evidenciados. No entanto, <strong><em>Amanhã</em> </strong>também convoca momentos felizes de Júlia, Cristian e a mãe deles. Esta estratégia é positiva, porque acaba equilibrando o resultado geral. Existe muito peso na trajetória dos irmãos e vê-los alegres, alivia o contexto trágico presente em suas vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, é incômodo que Pimentel não consiga convocar tantos recursos criativos para a narrativa. Há muita estratégia repetida, que acaba por deixar a sessão cansativa, com quedas rítmicas. Contudo, Marcos Pimentel justifica alguns problemas presentes no longa, sendo eles principalmente referentes aos entraves que ele encontrou neste resgate do encontro entre estas crianças, crescidas no início dos anos 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto Zé Tomás tem receio de vincular a sua figura com a de pessoas de outra classe social, que moram em uma favela, Júlia e Cristian enfrentam seus próprios monstros internos e externos, com questões psicológicas, financeiras etc, fazendo com que eles não estivessem disponíveis para filmar junto com a equipe do longa em todos os momentos que a equipe precisava. Ainda assim, tanto a pessoa que montou como o diretor poderiam ter evocado outros recursos, que não fossem apenas as gravações de 2002 e 2022. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, <strong><em>Amanhã</em> </strong>é provocativo, principalmente nos offs feitos por Pimentel e nos cortes sugestivos, que conectam os paralelos dos últimos 20 anos, na vida dos protagonistas e do Brasil. Com um discurso profundo sobre as questões socioeconômicas e políticas do país, existem muitas camadas presentes nas histórias daquelas personagens. Mas, a riqueza que habita os fatos não é o suficiente para que haja um resultado realmente bom ou coeso. O que vale mesmo é acompanhar a dinâmica de Júlia e Cristina, tentar entendê-los e torcer por eles diante de todas as adversidades que eles encontram e ainda vão encontrar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Marcos Pimentel</span></p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: O Processo – Praga 1952</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2022 00:26:55 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[O Processo – Praga 1952]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Após a Segunda Guerra Mundial, um outro momento de tensão e medo marcou a antiga Checoslováquia. No auge do período stalinista e do país sob um regime comunista, aconteceu um julgamento, no ano de 1952. Com 14 homens indiciados injustamente e torturados para que confessassem que eram contra o governo, uma espécie de circo foi criado. Nele, Rudolf Slansky e mais 13 companheiros de crime forjado foram treinados para mentir, por conta ameaças, obviamente. Este é o foco de O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Após a Segunda Guerra Mundial, um outro momento de tensão e medo marcou a antiga Checoslováquia. No auge do período stalinista e do país sob um regime comunista, aconteceu um julgamento, no ano de 1952. Com 14 homens indiciados injustamente e torturados para que confessassem que eram contra o governo, uma espécie de circo foi criado.</p>
<p>Nele, Rudolf Slansky e mais 13 companheiros de crime forjado foram treinados para mentir, por conta ameaças, obviamente. Este é o foco de <strong><em>O Processo – Praga 1952</em></strong>, que reconstitui todo este ocorrido através de imagens encontradas em 2018, por operários. Juntamente com este material, há também relatos dos filhos e netos de Artur London, Slansky e Rudolf Margolius. Os três fazem parte da lista dos 14 comunistas injustiçados em Praga.</p>
<p>Assim, é formado o horizonte e o enfoque do documentário que, em seu clima, carrega uma atmosfera de tensão, angústia e pavor que rondava a região naquele período. O motivo principal para que seja instalada esta ambientação sufocante e de suspensão são estas filmagens feitas na época do julgamento, como um tipo de material de propaganda para Stálin. O ganho da equipe é saber utilizar estas sequências.</p>
<p>A seleção de qual trecho será exibido e em que duração ele será colocado é uma das maiores estratégias para transmitir progressão e as possíveis emoções das personagens centrais. O tempo de tela garante que o público enxergue as emoções dos acusados e possa ver e sentir no tom de suas falas toda aflição que passavam. É bem nítido, aos olhos de espectadores distanciados, que aquela ação ali registrada é encenada.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15430" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/03-Les-accuses-debout.jpg" alt="O Processo – Praga 1952" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/03-Les-accuses-debout.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/03-Les-accuses-debout-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/03-Les-accuses-debout-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/03-Les-accuses-debout-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em um dado momento, esta obviedade é questionada pelos filhos e netos de London, Slansky, Margolius. No entanto, o doc traz uma reflexão relevante para contemporaneidade coberta pelo mundo das notícias falsas e/ou manipuladas. Em cada década ou século as mentiras e/ou encaminhamentos políticos são engendrados para que certa parte da população tenda a se enveredar para crer em inverdades &#8211; como em um Brasil, de 2018, no qual “mamadeiras de piroca” são postas como reais.</p>
<p>Bom, mas, regressando para a Praga de 1952, o que é mais impressionante neste projeto são os lugares de reflexão e tensão que ele consegue levar, através de sua técnica e construção de discurso. Os relatos dos familiares das vítimas são fortes, bem como os trechos de cartas deles ou das gravações encontradas do julgamento fomentam a argumentação deste crime disfarçado de ato em favor da pátria. Todavia, o tom do média não sobe ou se desequilibra.</p>
<p>Há uma sobriedade em revelar o passado aqui, o que abre espaço para que a intensidade dos próprios fatos ganhem força durante a projeção. Seja nas inserções sonoras, na montagem ou direção, os recursos técnicos são usados de maneira pontual. Assim, quando a cena de um presidiário falando demora mais ou quando há o sob som em alguma sequência, o impacto é maior.</p>
<p>Desta maneira, com esta consciência do equilíbrio na ambientação e da mescla da seleção da entrada e saída de imagens e entrevistas, <strong><em>O Processo – Praga 1952</em></strong> consegue deixar sua marca em quem o assiste. Ele é o retrato de um momento histórico, mas também um possível espelho para o presente, não apenas no que se refere à discussão do que é crível ou não e daquilo que é apresentado para a sociedade, porém também no que tange a mais a nova guerra em terras europeias.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ruth Zylberman</p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Apr 2022 18:46:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em um pouco mais de uma hora de projeção, o espectador é convidado a mergulhar em uma história sobre amor e revolução em Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue. No início do século XX, Marcelle e Emma se conhecem em um colégio. Nesta época também, foi quando a França sofre um surto intenso de tuberculose, que se alastrava pelo país. Marcelle contrai a doença e, em um sanatório, forma uma gangue de meninas enfermas, porém cheias de vontades [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um pouco mais de uma hora de projeção, o espectador é convidado a mergulhar em uma história sobre amor e revolução em <strong><em>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</em></strong>. No início do século XX, Marcelle e Emma se conhecem em um colégio. Nesta época também, foi quando a França sofre um surto intenso de tuberculose, que se alastrava pelo país. Marcelle contrai a doença e, em um sanatório, forma uma gangue de meninas enfermas, porém cheias de vontades e desejos.</p>
<p>Somente pela premissa, o documentário desperta interesse e curiosidade. No entanto, ele possui diversas camadas, que fomentam a sua qualidade técnica e histórica. Emma, na realidade, é avó de Robin Hunzinger (<em>Vers la forêt de nuages</em>), diretor da obra. Quando ela faleceu, Robin e sua mãe – Claudie Hunzinger, que escreveu o roteiro junto com seu filho – encontraram cartas antigas trocadas por Marcelle e Emma.</p>
<p>A intimidade devido à proximidade com uma das figuras centrais do filme, mescladas com o distanciamento causado pela falta de conhecimento sobre esta relação é um dos maiores ganhos deste longa-metragem. Isto porque ao mesmo tempo em que a produção conta o que ocorreu com Emma, Marcelle e sua gangue, ela parece investigar e analisar as relações construídas por estas mulheres.</p>
<p>Boa parte desta característica se dá pela narração, que em seu texto e interpretação constrói uma mistura sagaz de reconstituição dos fatos e um quê de ficção. Intercalando trechos das missivas trocadas pelas duas garotas e reflexões sobre este passado, o público vai criando uma proximidade e certa intimidade com aquele enredo, com aquelas vivências.</p>
<p>É nesta lógica que se expande a sensibilidade e a inteligência presentes no roteiro e na direção do longa. É possível compreender em cada relato e em cada pensamento sobre ele o quanto havia amor entre Marcelle e Emma, mas também todos os receios das jovens, sendo de um lado, o medo da perda, da morte, do abando e, do outro, a preocupação com o mundo e com as aparências.</p>
<p>Existem aqui muito mais palavras de Marcelle do que de Emma, mas o silêncio da avó de Hunzinger também diz bastante sobre o relacionamento deste casal, interrompido por uma doença que marcou tanto um período. Contudo, este é um doc que vai além das aflições e ligações de duas apaixonadas e é notável toda a intensidade de Marcelle e como ela estabelece seu grupo de enfermas dentro do sanatório, com objetivo de romper com os seus conflitos internos e de afastar a solidão.</p>
<p>Estas integrantes ganham vida não apenas pela voz que narra as suas trajetórias, mas também por imagens que saltam na tela. Aqui, vê-se outro elemento constitutivo de <em>Ultravioleta</em>: a presença e o uso das imagens de arquivo. Para ilustrar e fazer com que quem acompanha a sessão possa visualizar estas meninas, suas emoções e locais que ocupavam, a equipe convoca sequências de outros filmes, fotografias e filmagens antigas.</p>
<p>Assim, encontram-se mulheres dos anos 1920/1930, em atividades comuns ou não, bem como, por exemplo, cenas de <em>Tramas do Entardecer</em>, de Maya Deren. A estratégia, além de criativa, tem um efeito intenso de dar vida e movimento para uma escrita de um outrora tão longínquo. É nesta junção de narração com imagens representativas que se elabora esta intimidade com as personagens. E é por esta razão que o filme provoca esta sensação de presença do ficcional.</p>
<p>Porque é através desta sobreposição de recurso, que uma narrativa de início, meio e fim é criada, pensando no formato clássico. Desta maneira, <strong><em>Ultravioleta e a Gangue das Cuspidoras de Sangue</em></strong> apresenta um resultado geral equilibrado, conseguindo dinamizar um material, teoricamente, simples em seu formato – mas, tão profundo em seu conteúdo –, criando pontos de construção de progressão, com clímax, desenlace e imprimindo no texto verbal um colorido tonal que cobre as imagens em preto e branco. Este é um trabalho forte e apaixonante!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robin Hunzinger</p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Quando Falta o Ar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 21:06:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma das fases de ápice da pandemia do Coronavírus, as diretoras Ana e Helena Petta embarcam em uma trajetória em Quando Falta o Ar, na qual acompanham trabalhadores do SUS (Sistema Único de Saúde), em cinco estados do país. Amazonas, Bahia, Pará, Pernambuco e São Paulo, em cada local visitado pelas câmeras das Petta, o espectador acompanha a angústia de pacientes contaminados, o labor dos funcionários de saúde pública e todo significado político e social presente em toda esta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma das fases de ápice da pandemia do Coronavírus, as diretoras Ana e Helena Petta embarcam em uma trajetória em <em><strong>Quando Falta o Ar</strong></em>, na qual acompanham trabalhadores do SUS (Sistema Único de Saúde), em cinco estados do país. Amazonas, Bahia, Pará, Pernambuco e São Paulo, em cada local visitado pelas câmeras das Petta, o espectador acompanha a angústia de pacientes contaminados, o labor dos funcionários de saúde pública e todo significado político e social presente em toda esta realidade.</p>
<p>O documentário propõe discutir, dentro de toda a situação alarmante e desesperadora da Covid-19, o trato e o cuidado de enfermeiras, médicas e agentes do SUS, que pensam não apenas no estado físico, mas também mental de cada indivíduo que atendem. Assim, o público pode ver imagens impactantes de infectados em seus leitos, de idosos em situação precária de moradia, de presidiários que lutam por sua sobrevivência. Contudo, o grande ganho do longa-metragem é que ele também fala sobre esperança e resistência.</p>
<p>Ao tratar sobre uma temática tão dolorosa e complicada, sobretudo em país comandado por um genocida e em um período que ainda não havia vacinas disponíveis – as filmagens ocorreram entre outubro de 2020 e janeiro de 2021 –, a produção consegue equilibrar seu peso com músicas emblemáticas, fortes e/ou suaves, indo de Emicida até Billie Holiday. O olhar das Petta é embebido de respeito e até possui certa dose de suavidade, principalmente quando seguem os gestos de cuidado das equipes médicas do SUS.</p>
<p>As inserções de entrevistas ou de diálogos entre pacientes e médicos ajudam a conduzir esta observação e são bastante precisas. Isto porque a decupagem e a montagem de <em><strong>Quando Falta o Ar</strong></em> são pensadas para que haja uma imersão em cada uma daquelas realidades e as vozes chegam como uma espécie de despertar para a realidade, vinda dos discursos. Discursos estes que são postos ou não diretamente para a câmera, porém que sacodem o público que é colocado nesta observação profunda das ações de prevenção ou de combate ao Corona.</p>
<p>Existe um tempo de tela estendido para esta observação das jornadas, nas quais a câmera se movimenta de maneira em que há uma dinâmica pulsante que salta durante a projeção. O quadro parado também comunica bastante. É assim, utilizando dos recursos possíveis que a direção de audiovisual oferta, que Ana e Helena jogam o foco para o que desejam. Em alguns momentos, é necessário esperar um tanto para compreender o que a dupla quer, quando um plano reside longamente no ecrã, porém esta é a forma de “jogar luz” e deixar que quem assiste olhe ou escute algo com mais atenção.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15413" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001.jpg" alt="Quando Falta o Ar" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/QFA_Recife_Victor-Juca_001-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um exemplo é a sequência de atendimento a um presidiário. O rosto dele não é visto, mas há um enquadramento de um celular, que toca uma música. Ao olhar para aquela imagem, a canção amplia seu significado, preenchendo a cena de sentidos maiores e mais palpáveis. Aquela situação de enfermidade e medo de convalescer da doença vêm preenchidos de outros contextos, cheio de situações sociais e políticas pregressas ao vírus, que colocam aquele paciente naquele local, daquele jeito.</p>
<p>Está tudo ali, na fala das enfermeiras e médicas, dos doentes, dos que se livraram da Covid, na arte, na cultura, em cada minuto da exibição de <em><strong>Quando Falta o Ar</strong></em>. No entanto, talvez, as Petta pudessem ter um pouco mais de preocupação com algumas passagens, que têm uma carga demasiadamente violenta aos olhos. Apesar de ser compreensível a sede pelo registro de um fato histórico e das condições tristes que esta praga causou, há de se pensar o quão recente são todos estes fatos. Afinal, ver um corpo estirado, sendo levado ao hospital ou covas sendo cavadas, geram um mal estar profundo.</p>
<p>Este fator não compromete a produção em sua totalidade, porém revela um ponto, que vai saltando aos olhos, lentamente, enquanto se assiste este trabalho. Talvez, por conta de serem acontecimentos novos, com novidades que estouravam o tempo inteiro, tenha havido pouco planejamento na execução do longa. Falta nele algum fio condutor. De fato, o documentário mostra todo o trabalho do SUS diante de uma calamidade. Todavia, veem-se mais recortes soltos de ocorridos semelhantes.</p>
<p>É uma união pela dor e pela luta, porém estes são fatos postos e um desenvolvimento maior dos objetivos da equipe iria gerar um direcionamento mais preciso, como no caso das cenas impactantes.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ana e Helena Petta</p>
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		<title>Festival É Tudo Verdade: Sinfonia de um Homem Comum</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2022 20:47:38 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[É tudo verdade]]></category>
		<category><![CDATA[É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários]]></category>
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		<category><![CDATA[José Bustani]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma habilidade em Sinfonia de um Homem Comum em mostrar para o espectador, de uma maneira bastante geral, quem é seu protagonista. Em seus minutos iniciais, antes de adentrar no tema central da obra, é possível acompanhar um pedaço da rotina da personagem principal e já ali entender como é a sua personalidade, seu jeito de lidar com as situações e a sua exigência intensa. José Maurício Bustani é posto como um homem que quer sempre fazer o melhor. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma habilidade em <strong><em>Sinfonia de um Homem Comum</em></strong> em mostrar para o espectador, de uma maneira bastante geral, quem é seu protagonista. Em seus minutos iniciais, antes de adentrar no tema central da obra, é possível acompanhar um pedaço da rotina da personagem principal e já ali entender como é a sua personalidade, seu jeito de lidar com as situações e a sua exigência intensa. José Maurício Bustani é posto como um homem que quer sempre fazer o melhor.</p>
<p>Diplomata brasileiro, Bustani é trazido ao longa-metragem para tratar de seus tempos de serviço no cargo de diretor-geral da Organização de Proibição de Armas Químicas (Opaq). A sua gestão foi de 1997 até 2001 e se encerrou após uma polêmica forte com o governo dos Estados Unidos, que possuía George W. Bush como presidente. Para Bustani o Iraque não tinha armas químicas e, para os EUA, o país não só estava em posse deste armamento como iria utilizá-lo com força.</p>
<p>Aqui o discurso é muito nítido: José Bustani foi um herói em sua época de diretor da Opaq. No entanto, apesar de todo este direcionamento incisivo e de tom quase ficcional – no sentido de que há esta insistência em falar sobre a competência do diplomata –, a obra é eficiente na diversidade de fontes que traz e como as traz. Entre imagens de arquivos, com jornais impressos e telejornais, entrevistas face a face ou via skype, há uma busca por ouvir envolvidos na saída de Bustani da Opaq, seus defensores e ocupantes de cargos altos no Brasil daquele tempo.</p>
<p>Assim, uma mescla de análises do ocorrido é impressa na tela de <strong><em>Sinfonia de um Homem Comum</em></strong>. O público se depara com depoimentos dos ex-presidentes José Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, com integrantes da família de Bustani ou com personalidades como ex-secretário de Estado de Bush, Richard Boucher. São múltiplas as vozes selecionadas para o longa e esta gama de pontos de vista acaba por fomentar o argumento que está sendo discutido durante a exibição.</p>
<p>Este debate vem justamente para tratar sobre o alerta insistente de Bustani: a inexistência das armas no Iraque, o que poderia ter evitado a guerra neste país e milhares de mortes. Ainda há no doc a consciência da necessidade de respiros, pois esta é uma história cheia de meandros e de idas e vindas estratégicas, de ambos os lados. A música tocada por Bustani e as panorâmicas do Rio de Janeiro cumprem esta função de oxigenar a mente de quem assiste, principalmente daqueles que acabam por concordar com o que é dito no documentário.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15409" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01.jpg" alt="Sinfonia de um Homem Comum" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/04/a_simphony_for_a_common_man_01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Quem desconfia/sabe que o ataque do 11 de setembro às Torres Gêmeas &#8211; e todas as ações subsequentes para a concretização da Guerra no Iraque &#8211; foi um golpe por petróleo, pode se sentir um tanto irritadiço e necessitar destas breves pausas de contemplação musical ou visual. Neste sentido, também é marcante a sagacidade da montagem de Jordana Berg (<em>Democracia em Vertigem</em>), que insere as transições de forma pontual, revelando discursos incoerentes de estadunidenses e da mídia em geral.</p>
<p>Também são revelados relacionamento políticos comprometedores em <strong><em>Sinfonia de um Homem Comum</em></strong>. Um exemplo é toda a sequência que traz a figura de John Bolton, um ex-militar e diplomata, que foi contra a Bustani no início dos anos 2000. Recentemente, Bolton esteve dentro do governo de Donald Trump e elogiou a vitória do presidente Jair Bolsonaro, em 2018, tecendo diversos elogios para o genocida, em rede nacional dos EUA.</p>
<p>Jordana explora o desvio de caráter de Bolton, suas mentiras, incoerências e apoios imorais através de sua edição veloz, que deixa que as transições, as trocas de cenas e sobreposições de imagens digam mais do que o próprio texto falado presente na narração durante a sessão. Desta forma, entre passagens do amor de Bustani pela música e seu aparente compromisso com a execução precisa de qualquer função que assuma, o diretor José Joffily constrói a imagem deste herói nacional, que viveu uma injustiça em solo imperialista.</p>
<p>Este é um filme sobre o tempo, sobre verdades manipuladas e as respostas que o futuro entrega. Ainda que seja tão afirmativo em defender um nome e provocar acusações – mesmo que legítimas e comprovadas –, esta é uma projeção fluida e conduzida com habilidade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> José Joffily</p>
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