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	<title>Arquivos Emma Seligman - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Emma Seligman - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Bottoms</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Nov 2023 16:32:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois do curioso Shiva Baby, comédia que abordava os costumes da comunidade judaíca estadunidense pela perspectiva de uma jovem integrante do grupo, a diretora e roteirista Emma Seligman aposta na comédia high school com o simpático Bottoms. O filme é mais uma parceria de Seligman com a atriz Rachel Sennott, estrela de Shiva Baby, que aqui além de protagonista é co-responsável pelo roteiro e pela produção do longa junto com a cineasta. Seligman e Sennott contam a história das amigas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois do curioso Shiva Baby, comédia que abordava os costumes da comunidade judaíca estadunidense pela perspectiva de uma jovem integrante do grupo, a diretora e roteirista Emma Seligman aposta na comédia high school com o simpático <em><strong>Bottoms</strong></em>. O filme é mais uma parceria de Seligman com a atriz Rachel Sennott, estrela de Shiva Baby, que aqui além de protagonista é co-responsável pelo roteiro e pela produção do longa junto com a cineasta.</p>
<p>Seligman e Sennott contam a história das amigas PJ (Sennott) e Rosie (Ayo Edebiri, da série The Bear). Ambas fundam na escola um clube de luta para meninas. O intuito do clube alardeado pelas duas é propiciar às garotas do colégio recursos para se defenderem de potenciais agressores, mas, na verdade, na sua origem, PJ e Rosie conceberam o grupo como desculpa para flertar com outras garotas. O clube acaba reunindo meninas de diferentes segmentos da escola, das excluídas às líderes de torcida, transmitindo para suas integrantes importantes lições sobre a sororidade na prática.</p>
<p><em><strong>Bottoms</strong> </em>é um título que reúne parte das principais marcas narrativas das comédias high school, um gênero extremamente popular dos anos 1980 e 1990, revisitando pontos que possam soar anacrônicos no século XXI. O filme tem um enfoque muito evidente em personagens LGBT, sendo extremamente interessante observá-lo comparativamente com títulos do mesmo gênero no passado pois figuras que antes estavam à margem nessas histórias aqui assumem um protagonismo, no caso, as &#8220;heroínas&#8221; PJ e Rosie. As garotas interpretadas por Sennott e Edeberi tem conflitos críveis a suas respectivas orientações sexuais, com direito a interesses amorosos e tudo. Quando que isso seria possível em um filme do gênero nos anos 1980?</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17517" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms.jpg" alt="Bottoms" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/bottoms-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Bottoms</em> </strong>é um filme extremamente divertido com pitadas pontuais de ironia a respeito das ainda excludentes dinâmicas sociais entre adolescentes nos corredores de um colégio convencional. A maneira como o longa aborda a fluidez da sexualidade de suas personagens é bem executada e orgânica. A ideia de sororidade também é trabalhada de maneira muito efetiva pela obra, sem que para isso a diretora caia em redundâncias ou tratamentos superficiais e já defasados sobre a temática. É interessante sobretudo como o filme se permite &#8220;brincar&#8221; com essas pautas, optando por uma abordagem afirmativa sobre o assunto, porém mais aderente à realidade da maioria das pessoas, bem distante da superficialidade das redes sociais ou da excessiva gravidade empregada nas discussões acadêmicas.</p>
<p>As mulheres e personagens LGBTs de <strong><em>Bottoms</em> </strong>tem propósitos afirmativos e empoderadores, mas possuem personalidade e demandam questões particulares às suas realidades. A vivência de uma LGBT branca como PJ, por exemplo, é bem diferente de Rosie, uma garota negra. Com tratamento semelhante, a comunidade LGBT em <em>Bottoms</em> tem diferentes matizes, encarando suas respectivas sexualidades de maneira variada e, muitas vezes, fluida, evitando estereotipar essas personagens. Também é interessante perceber como o filme evita transformar essas personagens em figuras perfeitas, todas as meninas de <em>Bottoms</em> têm pontos falhos (algumas até falhas de caráter), conflitos entre si, afastando-as daquela visão ingênua de que a representação LGBT ou feminina no cinema para ser positiva para essas comunidades tem que necessariamente prezar pela construção de modelos irretocáveis de conduta. Não, aqui a complexidade é muito bem-vinda e faz muito bem à história.</p>
<p>O elenco do filme também é um ponto alto da obra. Rachel Sennott e Ayo Edebiri são as protagonistas perfeitas para a história, há ótimos momentos para o professor interpretado por Marshawn Lynch e Nicholas Galitzine tem boas cenas como o hétero &#8220;mais popular&#8221; do colégio, o jogador de futebol americano Jeff.</p>
<p>Divertido, mas compromissado e incisivo com as causas que assumidamente defende, <em><strong>Bottoms</strong> </em>é um ótimo exemplar para a comédia high school na atualidade, um passo que definitivamente não esperávamos ver a diretora de Shiva Baby seguir, mas que demonstra total coerência com a condução da sua carreira até aqui. Com <em>Bottoms</em>, Emma Seligman firma parceria com Rachel Sennott como nomes a se destacar na comédia, usando o gênero para construir histórias compromissadas com a originalidade no tratamento da narrativa e com o revisionismo da representação de grupos sociais nessas tramas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Emma Seligman</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel Sennott, Ayo Edebiri, Ruby Cruz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/fdZgE1E6Q_E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Shiva Baby</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 14:20:00 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A partir de um curta de mesmo título lançado em 2018, a diretora e roteirista Emma Seligman criou <em><strong>Shiva Baby</strong></em>, longa que narra as agruras de uma jovem judia durante um funeral com a presença da sua comunidade religiosa, o tradicional shiva. Na situação, a protagonista reencontra uma namorada de adolescência, além do seu &#8220;sugar daddy&#8221;, que aparece na situação com a esposa e o filho bebê. É então que o evento se transforma em uma experiência sufocante para a protagonista e para o espectador. Ambos ficam sempre na expectativa de que algo muito ruim acontecerá, um &#8220;caldeirão borbulhante prestes a explodir&#8221;. Como se não bastasse, a personagem do filme vivencia o terror de todo jovem adulto em eventos sociais familiares, cobranças sobre sua aparência, comportamento, status profissional, estado civil etc.</p>
<p>O longa de Seligman é marcado por uma interessante dosagem de humor. Ao mesmo tempo que <em><strong>Shiva Baby</strong></em> é uma comédia de situação, ambientada em um único cenário, a casa onde se passa o shiva, com os personagens alternando suas interações com a protagonista enquanto ela perambula por aquele ambiente, a obra de Seligman tem ares de filme de horror quando dá corpo e sons aos temores de qualquer jovem adulto. A sensação de sufocamento é uma crescente nesse longa que estranhamente também é uma comédia. O &#8220;barato&#8221; de <em><strong>Shiva Baby</strong></em> é como a sua diretora faz uma combinação sedutora entre os gêneros e transforma seu longa numa peça cinematográfica única.</p>
<p>Com <em><strong>Shiva Baby</strong></em>, Seligman fala dos efeitos  da pressão de ser uma &#8220;boa garota judia&#8221;, revelando uma comunidade que, por mais aberta que aparenta ser, apresenta resquícios resistentes de um conservadorismo, não lidando muito bem ainda com tópicos como infidelidade, bissexualidade ou liberdade sexual, sobretudo quando o sujeito em questão é uma mulher. O resultado é que a protagonista Danielle lida com julgamentos velados, mas outros também muito explícitos, ainda que seus portadores não se deem conta de emiti-los. Tudo é muito pior do que um confronto direto ou conscientemente agressivo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14794" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3740690.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Shiva Baby" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3740690.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3740690.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3740690.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/3740690.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Seligman se vale de um grupo de atores muito competentes. Todos conseguem equilibrar os humores  do projeto com a densidade que ele confere a suas personagens. Um dos feitos disso é que os atores do elenco lidam muito bem com diálogos rápidos e, por vezes, difíceis de acompanhar do roteiro. Todos sabem aproveitar cada palavra e gesto escritos por Seligman na investigação dos desejos daqueles indivíduos, todos reprimidos pela situação social representada.</p>
<p><em><strong>Shiva Baby</strong></em> retrata muito bem os dilemas de uma geração de mulheres com tradições herdadas de suas raízes familiares. Personagens como Danielle ou Maya, a ex-namorada da protagonista, não têm as mesmas liberdades que os homens da sua comunidade. Basta ver a tolerância que o grupo tem com as escolhas de Max, &#8220;sugar daddy&#8221; da personagem principal.</p>
<p>Realizando uma comédia que flerta com outros gêneros, soando algumas vezes como uma espécie de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-corra/"><em>Corra!</em></a>  ou <em>As Esposas de Stepford</em> tematizando a comunidade judaica novaiorquina, <em><strong>Shiva Baby</strong></em> capta o teor claustrofóbico que o controle social exerce sobre sua protagonista. É uma estreia muito promissora de Emma Seligman em longas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Emma Seligman</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel Sennott, Molly Gordon, Dianna Agron, Fred Melamed, Polly Draper, Jackie Hoffman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3y9Da-91t-I" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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