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	<title>Arquivos Elle - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Elle - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Elle</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2016 15:35:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Elle]]></category>
		<category><![CDATA[Isabelle Huppert]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Verhoeven]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de ser vítima de um ato de brutal violência dentro da sua própria casa, Michèle não esboça nenhum tipo de reação explosiva. Tudo o que a executiva de uma empresa especializada na criação de games faz é arrumar o local do crime e tomar um banho sob os olhares constantes da única testemunha daquilo que vivera, o seu gato de estimação. Assim, Elle nos instiga a compreender o que se passa dentro da cabeça de uma personagem que reage de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Depois de ser vítima de um ato de brutal violência dentro da sua própria casa, Michèle não esboça nenhum tipo de reação explosiva. Tudo o que a executiva de uma empresa especializada na criação de games faz é arrumar o local do crime e tomar um banho sob os olhares constantes da única testemunha daquilo que vivera, o seu gato de estimação. Assim, <i>Elle </i>nos instiga a compreender o que se passa dentro da cabeça de uma personagem que reage de maneira tão peculiar a uma violência que levaria qualquer mulher justificadamente ao colapso.</p>
<p>Toda essa investigação orquestrada pelo cineasta Paul Verhoeven (<i>A Espiã</i>) nos leva a uma constatação: somente uma personalidade como a de Michèle é capaz de sublimar o encontro com uma das facetas mais repugnantes do ser humano e reverter aquela situação ao seu favor, qualquer outra pessoa na mesma situação não seria capaz de suportar tamanha pressão. No decorrer do filme, o espectador perceberá que a protagonista criou uma couraça para si que faz com que ela reaja de maneira fria a determinadas violências da vida e dos seus agressores, como a morte da mãe, as constantes ameaças do universo eminentemente machista do seu ambiente de trabalho e até mesmo o seu próprio filho, que em dado momento do longa revela-se  um agressor em potencial a partir do instante em que Michèle confronta o seu &#8220;orgulho masculino&#8221;. Parece que o passado traumático de lhe confere uma maneira peculiar de peitar tudo aquilo.</p>
<p>A tudo Michèle responde com sangue frio, quem passa pelo que ela passou não se abala pelo &#8220;pouco&#8221; que para nós é muito. É claro que Verhoeven nos coloca diante de um quadro patológico. Michèle surge como uma personalidade tão peculiar em seus desejos quanto o seu agressor na primeira cena do filme. A protagonista parece não se conformar com qualquer tipo de sujeição, ou seja, com qualquer tipo de cenário que ate o domínio que tem sobre as suas vontades. Com toda essa construção, Verhoeven não quer justificar, fetichizar ou atenuar as consequências psicológicas da violência sofrida por ela, o realizador não desenha um cenário generalista, ou seja, um discurso sobre o feminino ou sobre o estupro com sua personagem, mas expõe uma reação peculiar de uma personalidade específica. Em <i>Elle </i>nos deparamos com um complexo estudo de personagem, tanto que no filme aqueles que lhe são periféricos revelam-se propositadamente rasos. Ações e pessoas na órbita de Michèle são peças manipuladas pela obra e por ela para que possamos entender uma personalidade que, inegavelmente, é dominante e não se deixa colocar em situação oposta sob hipótese alguma.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>As cenas de sexo em <i>Elle</i>, fonte da maior polêmica em torno da recepção do filme (o longa fetichiza ou não a violência sexual?), são incômodas pela agressividade, passando longe do erotismo. Não se detecta ali o prazer do diretor por aquela situação, ainda que seus personagens sintam ele de alguma  maneira, mas conflito, desorientação, agressão, choque. Nessa zona de polêmicas, o longa deixa determinadas pontas soltas e sua discussão não se encerra no acender das luzes da sala de cinema. A escolha de Verhoeven para a construção da sua protagonista através de seus fetiches em dado momento pode soar como uma necessidade gratuita de estremecer as convicções da plateia, o &#8220;choque pelo choque&#8221;. Contudo, é pela perversão que o realizador particulariza a reação da sua personagem e nos faz mergulhar no universo de uma personalidade que instiga o espectador a investigar suas motivações, ainda que boa parte delas sigam como grandes interrogações, como acertadamente deve ser.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6984" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Elle-Isabelle-Huppert-.jpg" alt="elle-isabelle-huppert" width="610" height="348" /></p>
<p>Na sua oferta incessante de &#8220;escândalos&#8221;, Verhoeven evita o clichê, opta por caminhos que o espectador jamais consegue especular, mas também por extremos. Parece que o intuito do realizador é mexer com toda e qualquer segurança do espectador a respeito dos seus temas e das suas personagens e faz isso num misto inquietante e perturbador de sadismo e ironia. As bases que o filme utiliza para costurar a personalidade de Michèle não é a da empatia, mas a do olhar de descrença com a sua psicologia e, consequentemente, curiosidade pelo universo peculiar daquela mulher, algo tão singular que custamos acreditar que é real.</p>
<p><i>Elle </i>choca para nos provocar. Ao apresentar um mundo de perversões onde tudo parece gratuito, absurdo e irresponsável (inclusive da parte de Verhoeven e do seu roteirista David Birke), entramos em contato com a intimidade de uma mulher que é capaz de sentir prazer com algo condenável socialmente, mas que, ao mesmo tempo, repreende o romance da sua mãe com um gigolô e a relação de submissão do filho com sua nora. É como se ao expor o seu universo de escândalos sobrepostos, o realizador estivesse nos provocando, assim como provoca Michèle em suas contradições: &#8220;Quem é você para condenar os outros? Já parou para pensar que pode estar fazendo pior?&#8221;. E esse pior, na ficção de <i>Elle </i>vem na forma dos extremos da personagem de Isabelle Huppert (<i>Mais Forte que Bombas</i>). Trata-se de uma provocação direcionada em caráter de urgência para a nossa esfera pessoal. O filme opta por extremos pois só assim somos tirados da zona de conforto e sacudidos internamente.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É possível que ao final da sessão de <i>Elle </i>o espectador saia &#8220;sem chão&#8221;, incerto a respeito do seu próprio juízo sobre a obra e não há a menor necessidade que essa avaliação seja cerrada. O intuito de Verhoeven é claramente pôr o filme no &#8220;olho do furacão&#8221; e ele consegue. O longa e sua personagem, defendida com primor em suas complicadas nuances por Isabelle Huppert, tem esse poder de retirar as nossas bases, mexendo com nosso regime de crenças e expectativas a respeito das funções e reações dos sujeitos que protagonizam o seu drama.</p>
<p>De certezas, a única que o espectador tem  de fato é que levará para casa um universo amplo de discussões e um filme que o acompanhará por um bom tempo, algo cada vez mais em falta no circuito. Verhoeven traz para o cinema a urgência da provocação e da inquietação, confirmando que, independente do &#8220;diagnóstico&#8221; daquele que o assiste, sua perturbadora obra possui o caráter peculiar de um cinema com &#8220;C&#8221; maiúsculo: tirar o espectador da sua zona de conforto, levá-lo ao confronto das suas ideias e da sua leitura de signos, que não precisa estar enclausurada em discursos autoritários. Independente das suas impressões sobre o filme, <i>Elle</i> é cinema em alta voltagem, isso não dá para negar.</p>
</div>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LiIexR_lL4k" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Elle é um dos destaques entre as estreias da semana (17/11). Confira o que entra em cartaz nos cinemas!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Nov 2016 13:40:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Animais Fantásticos e Onde Habitam]]></category>
		<category><![CDATA[Elle]]></category>
		<category><![CDATA[Maresia]]></category>
		<category><![CDATA[Sob Pressão]]></category>
		<category><![CDATA[Um Estado de Liberdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos principais destaques da seleção oficial da mais recente edição do Festival de Cannes, Elle é dirigido por Paul Verhoeven (de Robocop e Instinto Selvagen) e traz a atriz Isabelle Huppert como uma executiva-chefe de uma empresa de videogames surpreendida por um agressor dentro da sua própria casa. O filme vem colhendo elogios (e polêmicas) por onde passa e a atuação de Huppert é uma forte candidata às próximas premiações do cinema. Animais Fantásticos e Onde Habitam Dir.: David Yates Elenco: Eddie Redmayne, Katherine [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos principais destaques da seleção oficial da mais recente edição do Festival de Cannes, <em><strong>Elle</strong> </em>é dirigido por Paul Verhoeven (de <em>Robocop </em>e <em>Instinto Selvagen</em>) e traz a atriz Isabelle Huppert como uma executiva-chefe de uma empresa de videogames surpreendida por um agressor dentro da sua própria casa. O filme vem colhendo elogios (e polêmicas) por onde passa e a atuação de Huppert é uma forte candidata às próximas premiações do cinema.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LiIexR_lL4k" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6930" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/AnimaisFantasticosEOndeHabitam.jpg" alt="animaisfantasticoseondehabitam" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Animais Fantásticos e Onde Habitam</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> David Yates</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Colin Farrell</p>
<p>Prólogo da franquia <em>Harry Potter</em>, o filme traz a história de um Magizoologista que é guardião de uma maleta que abriga seres mágicos. Quando alguns desses animais saem da maleta e perambulam por Nova York, o sigilo sobre o universo dos bruxos é ameaçado. <a href="http://coisadecinefilo.com.br/critica-animais-fantasticos-e-onde-habitam/">Leia a nossa crítica sobre o filme.</a></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/2ZFdBehE7Eg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6931" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/UmEstadoDeLiberdade2.jpg" alt="umestadodeliberdade2" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Um Estado de Liberdade</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> Gary Ross</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Matthew McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Keri Russell</p>
<p>Durante a Guerra Civil Americana, um homem reúne um grupo de fazendeiros e escravos para formar uma comunidade interracial no Sul dos EUA. O longa acompanha diversos momentos da história do país, como a ascensão da Klu Klux Klan e a abolição da escravidão. <a href="http://coisadecinefilo.com.br/critica-um-estado-de-liberdade/">Leia mais na nossa crítica.</a></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/6tyGzixMqbs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6932" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Maresia.jpeg" alt="maresia" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Maresia</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> Marcos Guttmann</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Júlio Andrade, Pietro Mario, Vera Holtz</p>
<p>Fascinado pela obra de um pintor desaparecido há anos, um especialista em artes recebe a visita de um homem que afirma ter conhecido o seu ídolo. O encontro entre esses dois homens promete abalar uma série de crenças e concepções sobre o artista.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1uIXrvkljCM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6933" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/SobPressão.jpg" alt="sobpressao" width="610" height="348" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Sob Pressão</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> Andrucha Waddington</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Júlio Andrade, Andrea Beltrão, Marjorie Estiano</p>
<p>O longa acompanha a rotina de um grupo de médicos quando no mesmo dia eles têm que realizar três cirurgias graves. Para agravar ainda mais a situação, os três pacientes foram feridos no mesmo tiroteio em uma favela do Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hLEgrYW07ho" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/elle-e-um-dos-destaques-entre-as-estreias-da-semana-1711-confira-o-que-entra-em-cartaz-nos-cinemas/">Elle é um dos destaques entre as estreias da semana (17/11). Confira o que entra em cartaz nos cinemas!</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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