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	<title>Arquivos Diogo Amaral - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Pedro e Inês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Jul 2021 18:18:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação da obra A Trança de Inês, de Rosa Lobato de Faria, Pedro e Inês traz uma história de amor trágica, inspirando-se na lenda do rei Pedro I e de Inês de Castro. Para realizar tal intento, a estratégia utilizada aqui é a mesma do livro: em três épocas distintas – passado, presente e futuro –, o público acompanha o casal principal se apaixonando e sofrendo pelos impedimentos existentes em cada período em que eles vivenciam o amor deles, sempre [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptação da obra <em>A Trança de Inês</em>, de Rosa Lobato de Faria, <strong><em>Pedro e Inês</em></strong> traz uma história de amor trágica, inspirando-se na lenda do rei Pedro I e de Inês de Castro. Para realizar tal intento, a estratégia utilizada aqui é a mesma do livro: em três épocas distintas – passado, presente e futuro –, o público acompanha o casal principal se apaixonando e sofrendo pelos impedimentos existentes em cada período em que eles vivenciam o amor deles, sempre com esta conotação de proibido e impossível.</p>
<p>Há algo na premissa que pode prender o espectador. A força dos sentimentos dos dois é transmitida desde os primeiros minutos de projeção. A narração de Pedro (Diogo Amaral) convida quem assiste a mergulhar em suas emoções, que soam complexas e sofridas, ainda que ditas em tons um tanto poéticos. A intensidade de Pedro é bem construída pelo intérprete que lhe dá vida. Há no ator um trabalho físico, tanto de construção corporal, quanto de texto, que transmitem com organicidade a visceralidade da personagem.</p>
<p>Amaral também busca diferenciar a postura e a maneira de se comunicar de Pedro, durante as passagens distintas de tempo, porém mantendo os olhares e gestos de um homem obcecado. Mas, a qualidade do filme para por aí, neste encanto pelo enredo do par romântico e na qualidade da atuação de Diogo Amaral. Em outros quesitos, o longa se torna difícil de acompanhar até o seu desfecho. A começar pela passividade de Inês (Joana de Verona) e ausência dela na movimentação das ações dramatúrgicas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14271" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/pedroeines2018-still-005-futuro.jpg" alt="Pedro e Inês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/pedroeines2018-still-005-futuro.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/pedroeines2018-still-005-futuro-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/pedroeines2018-still-005-futuro-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/07/pedroeines2018-still-005-futuro-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ela é colocada, independentemente do período mostrado na tela, com uma fragilidade e inércia, que faz com que seu destino seja sempre decidido por outros. Seus olhares estão sempre perdidos e a criação de Verona reforça essa imagem de Inês. Existem poucas camadas em sua personalidade e ela é quase empurrada dentro da trama, de acontecimento em acontecimento, tornando-a rasa. Além de Inês, todas as figuras femininas são dotadas de clichês machistas, de visões estereotipadas da mulher dentro da sociedade.</p>
<p>Seja na ex-esposa que surta de ciúme, na mãe possessiva ou nos momentos nos quais a rivalidade entre mulheres é recorrente, é possível notar qual é a visão do roteirista e diretor António Ferreira. O espaço que ele deseja dar para o gênero é nítida e marcada de preconceito. Se ao menos houvesse uma perspectiva crítica neste contexto, haveria o ganho de ser proposto um debate acerca do tema, mas não é o que acontece durante a projeção. Para completar, o próprio rumo da narrativa vai se perdendo.</p>
<p>Entre as idas e vindas temporais, a produção se desgasta. Inclusive, resta uma sensação de repetição. Os três plots falam sobre a mesma coisa, o que faz com que a obra fique previsível e cansativa. Os elementos visuais bem trabalhados, como a direção e a fotografia, não sustentam um roteiro mal costurado e que poderia ser mais enxuto. A adaptação talvez ganhasse mais se possuísse um acréscimo de deduções, aumentando a duração do desenvolvimento dos conflitos das coadjuvantes, fomentando e justificando com maior cuidado os seus comportamentos e seus sentimentos.</p>
<p>A amargura de Pedro é captada rapidamente, assim como a sua incapacidade de transformar o destino infeliz de Inês. Se estas informações são compreensíveis desde o início da sessão, caberia explorar outras tonalidades dramáticas também. No final das contas, o resultado de <strong><em>Pedro e Inês</em></strong> é um exagero de sequências semelhantes, apenas com cenários e figurinos modificados.</p>
<p><strong>Direção</strong>: António Ferreira</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Diogo Amaral, Joana de Verona, Vera Kolodzig</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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