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	<title>Arquivos Deserto Particular - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Deserto Particular</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Nov 2021 18:54:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>2021 foi um ano atribulado para Aly Muritiba. Também foi um momento na carreira do realizador em que ele mostrou de fato sua versatilidade como cineasta. Muritiba é um dos responsáveis pelo sucesso da série documental O Caso Evandro da Globoplay, lançou a comédia Jesus Kid, baseada no livro de Lourenço Mutarelli, na edição desse ano do Festival de Gramado e acaba de ver outro filme com sua assinatura ser lançado como candidato brasileiro a uma vaga na categoria melhor longa internacional do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>2021 foi um ano atribulado para Aly Muritiba. Também foi um momento na carreira do realizador em que ele mostrou de fato sua versatilidade como cineasta. Muritiba é um dos responsáveis pelo sucesso da série documental <em>O Caso Evandro</em> da Globoplay, lançou a comédia Jesus Kid, baseada no livro de Lourenço Mutarelli, na edição desse ano do Festival de Gramado e acaba de ver outro filme com sua assinatura ser lançado como candidato brasileiro a uma vaga na categoria melhor longa internacional do próximo Oscar, o drama <em><strong>Deserto Particular</strong></em>.</p>
<p><em><strong>Deserto Particular</strong></em> é um filme que dá diversas pistas falsas sobre suas pretensões para o espectador. Inicialmente, parece um drama sobre um policial militar cheio de fantasmas pessoais, mas logo essa história se transforma em uma bonita história de amor. Em certa medida, a estrutura do seu roteiro lembra a de outro filme do próprio Muritiba, Ferrugem, vencedor do Festival de Gramado em 2018.  Na apresentação dos protagonistas da sua história, Muritiba não divide o seu tempo entre ambos. Primeiro, ele se dedica ao contexto de um deles, para só depois contextualizar a vida de outro no momento seguinte. Ao final, o diretor e roteirista junta a história de ambos e só então o espectador tem uma dimensão da questão central que permeia aqueles sujeitos e aquela trama. Em certa medida, é o tipo de roteiro que costuma desobedecer algumas convenções de introdução de personagens e conflitos usuais em manuais, ainda que seus atos estejam expostos de maneira bem &#8220;quadradinha&#8221; no fim das contas.</p>
<p>Com <em><strong>Deserto Particular</strong></em>, acompanhamos inicialmente toda a história de Daniel (Antonio Saboia, ótimo) até aqui. Sabemos que ele é um policial militar de Curitiba que enfrenta um processo por ter agido com violência contra um rapaz, cuida sozinho do seu pai que sofre de Alzheimer e parece apaixonado por uma mulher chamada Sarah, com quem troca mensagens. Nos últimos tempos, ele não tem sido correspondido por ela. É então que Daniel parte em uma viagem rumo ao interior da Bahia. Chegando lá, a Sarah que ele tanto procura se revela Robson, um jovem homossexual de família evangélica que trabalha como carregador de frutas na feira. Robson é rejeitado pelo pai, que o leva para morar com a avó na esperança de &#8220;consertar&#8221; o menino.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14809" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/59929314_605.jpg" alt="Deserto Particular" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/59929314_605.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/59929314_605-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/59929314_605-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/59929314_605-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>As biografias de Daniel e Robson parecem ser completamente opostas pois enquanto o segundo lida de maneira muito tranquila com sua homossexualidade mesmo atravessado por algumas adversidades, o primeiro a rejeita ao ponto de expressar sua homofobia em atos extremamente violentos. Acontece que, em dado ponto de <em><strong>Deserto Particular</strong></em>, Aly Muritiba não só traça uma jornada de redenção para o reprimido Daniel como transforma sua história num romance repleto de olhar poético e de uma doçura que contrasta com as expectativas iniciais do público. Com as pistas que o filme entrega e por ser rotina em histórias de amor entre homossexuais nas telas, o espectador certamente aguardava do longa um desfecho mais trágico, mas terá como recompensa um desfecho cheio de promessas para seus dois personagens.</p>
<p>Em <em><strong>Deserto Particular</strong></em>, Aly Muritiba traz um encontro de dois homens que têm em comum a solidão, ambas impostas por uma homofobia, oras praticada pela sociedade, oras assimilada por eles mesmos.  No fim das contas, acaba sendo uma jornada transformadora para ambos. O jovem Robson tem a sua emancipação e parte para o mundo. Já Daniel consegue entender um pouco de si e aprende bastante com o rapaz, dá seus primeiros passos para se aceitar como é um pouco mais. Aly Muritiba é generoso com seus dois personagens principais, escapando de qualquer obviedade na apresentação das suas jornadas e no desenlace dos seus conflitos. É um filme que surpreende o espectador ao encontrar tanta beleza em subjetividades forjadas por contextos tão hostis a suas próprias identidades.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Aly Muritiba</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Antonio Saboia</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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