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	<title>Arquivos David Strathairn - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Um Lugar Bem Longe Daqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Aug 2022 13:39:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um Lugar Bem Longe Daqui é baseado no best-seller homônimo da autora estadunidense Delia Owens e conta a história da jovem Kya (Daisy Edgar-Jones, Normal People), que foi acusada pelo assassinato de um rapaz famoso e querido na pequena cidade onde moram. A comunidade local tem muito preconceito com a garota, que vive sozinha em uma tapera no meio do brejo, depois que toda a família a abandonou, ao longo de anos. Um advogado local acaba se compadecendo com a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Um Lugar Bem Longe Daqui</strong></em> é baseado no best-seller homônimo da autora estadunidense Delia Owens e conta a história da jovem Kya (Daisy Edgar-Jones, <em>Normal People</em>), que foi acusada pelo assassinato de um rapaz famoso e querido na pequena cidade onde moram. A comunidade local tem muito preconceito com a garota, que vive sozinha em uma tapera no meio do brejo, depois que toda a família a abandonou, ao longo de anos. Um advogado local acaba se compadecendo com a sua necessidade e se voluntaria para defender a causa. Ao longo da trama, vamos conhecendo mais sobre a personagem, sua origem e personalidade.</p>
<p>A história deste longa em si não é grande coisa e nem tão inovadora que nos faça crescer os olhos. O que se destaca aqui é a condução do roteiro, direção e atuação. Embora eu não tenha lido a obra original, em pesquisa descobri que ele é muito detalhista, o que o torna, por vezes, arrastado. Na tela grande, o roteiro optou por mostrar esses detalhes em todas as tomadas de cena, mas sem se demorar demais, para não o tornar monótono. Sendo assim, ainda que o ritmo de <strong><em>Um Lugar Bem Longe Daqui</em> </strong>seja mais lento, não chega a entediar o espectador, que fica o tempo inteiro intrigado pela história de Kya.</p>
<p>Com idas e vindas no tempo, vamos conhecendo mais da origem da garota. Como ela sofreu com o abandono da mãe que não aguentava mais as violências físicas do pai. Como o alcoolismo o tornou um homem rude, agressivo e sem afeto. A menina era tão pobre que não tinha dinheiro para calçados e vivia a base de mingau de farinha. Contou com o suporte e amorosidade de um casal dono de uma quitanda, que conseguia doação de roupas e dava alguns mimos quando ela ia lá. Tudo isso vai nos mostrando a vida de Kya e o motivo pelo qual a sociedade lá dos anos 1950 tinha tanto preconceito.</p>
<p>Ela era fora da curva. Não se vestia do jeito que todo mundo era acostumado, era pobre, não estudou em escola, não sabia ler e nem escrever. Quando seu pai finalmente a deixou, quando tinha uns 11 anos, as coisas melhoraram por um lado e pioraram do outro. Precisou começar a catar marisco no brejo para conseguir comprar comida e não passar fome. No meio do caminho, reencontrou um garotinho que a havia ajudado anos atrás e sido gentil. Agora um adolescente que nem ela, começaram a amizade, enquanto ele ajudava ela a aprender a ler e escrever.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15850" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/4628730.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Um Lugar Bem Longe Daqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/4628730.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/4628730.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/4628730.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/4628730.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O roteiro caminha sem pressa ao nos inserir nas emoções da trama. É muito fácil se envolver pelos personagens, pois rapidamente já estamos criando empatia por eles. Especialmente Kya e Tate (Taylor John Smith, <em>Fúria em Alto Mar</em>), seu primeiro amor. Lindas paisagens são ainda mais beneficiadas pelas tomadas acertadas de câmera, em um trabalho cuidadoso da diretora Olivia Newman. Tudo isso envolto em uma trilha sonora bem escolhida e bem casada com o tom do filme.</p>
<p>O ponto alto de <strong><em>Um Lugar Bem Longe Daqui</em></strong>, no entanto, são as atuações. Conhecia muito pouco do trabalho de Taylor John Smith, mas ele se mostra muito à vontade em cena, cabendo perfeitamente ao personagem bonzinho que interpreta. Já a protagonista Daisy Edgar-Jones já tinha feito um trabalho brilhante na excelente série <em>Normal People</em> e só confirmou ainda mais aqui o meu favoritismo por ela. Daisy não se esforça para atuar, simplesmente deixando fluir todas as emoções da personagem através de si. Ela cabe muito bem neste estilo de personagem mais tímida, pois seus trejeitos e tiques físicos casam perfeitamente com isso. Foi uma escolha acertada. Aliás, podemos dizer isso de todo o elenco.</p>
<p>Em uma mistura de drama com romance e mistério, o filme vai segurando facilmente o espectador nas suas 2h de duração, que a gente simplesmente não quer que acabe até que possamos descobrir o destino de todos os personagens. Como disse, não é um livro particularmente inovador, mas o trabalho feito neste filme com certeza favoreceu a história como um todo e rendeu uma ótima produção cinematográfica. É uma espécie de Nicholas Sparks num nível superior. Uma grata e positiva surpresa, que super indico!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Olivia Newman</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Daisy Edgar-Jones, Taylor John Smith, Harris Dickinson, Michael Hyatt, David Strathairn, Garret Dillahunt, Jayson Warner Smith, Ahna O&#8217;Reilly</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/EB28AnlIDqo" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Nomadland</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Apr 2021 16:32:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A busca reflexiva sobre novos propósitos, depois que a vida te impõe grandes e impactantes mudanças. Esta é a premissa de Nomadland, filme que conta com seis indicações ao Oscar 2021 (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Montagem). Com a Frances McDormand (Três Anúncios Para Um Crime) no papel principal, este é um longa que merece toda a sua atenção pelo cuidado e qualidade do roteiro. Fern é uma mulher de 60 anos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A busca reflexiva sobre novos propósitos, depois que a vida te impõe grandes e impactantes mudanças. Esta é a premissa de <em><strong>Nomadland</strong></em>, filme que conta com seis indicações ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/confira-a-lista-completa-de-indicados-ao-oscar-2021/"><em>Oscar 2021</em></a> (Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção, Melhor Fotografia e Melhor Montagem). Com a Frances McDormand (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/"><em>Três Anúncios Para Um Crime</em></a>) no papel principal, este é um longa que merece toda a sua atenção pelo cuidado e qualidade do roteiro.</p>
<p>Fern é uma mulher de 60 anos que foi demitida com o fechamento de uma grande empresa durante o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, além de ainda lidar com o luto da morte do marido, seu companheiro de vida. Sem perspectiva do futuro, ela agora mora em sua van e decide levar uma vida nômade, experimentando novas possibilidades que vão surgindo ao longo da estrada. E é ao longo desta estrada que vamos conhecendo as nuances da personagem, suas demandas e anseios, e o que a vida reserva para ela à cada curva.</p>
<p>O roteiro e direção da novata Chloé Zhao são completamente contrários a ideia de que experiência é fundamental na construção de uma boa obra. Ela imerge o espectador numa aura de autoconhecimento e descoberta, como se estivéssemos dentro das reflexões que a personagem vai tendo ao longa da sua viagem sem ponto final. Compreendemos a falta de expectativa e tão longo não sentimos mais a necessidade de um grande ápice na história.</p>
<p>Zhao toma decisões muito acertadas ao insinuar certos caminhos na trama, mas sem necessariamente tomá-los. O foco ali, o tempo todo, é a jornada de Fern e não um objetivo específico a ser alcançado. A medida que a história evolui, entendemos um pouco mais sobre o estilo de vida nômade, que é relativamente comum nos Estados Unidos, especialmente pela existência mais massiva de trailers que facilitam a vida na estrada. <em><strong>Nomadland</strong> </em>(que pode ser traduzido como &#8220;lugar nenhum&#8221;) tenta traçar o perfil das pessoas que escolhem este modelo de residência e o que as levas até ali. Além de normalizar e tirar o estereótipo que porventura possamos ter sobre os nômades modernos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14007" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos.jpg" alt="Nomadland" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/nomadland-filme-estados-unidos-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na imersão que temos com Fern, seu jeito pacato e pouco efusivo, compreendemos suas emoções como mais contidas, mas não menos intensas. Ela vai mostrando sua personalidade e vontades a medida que vai se conhecendo e assumindo suas demandas. Frances faz um trabalho extraordinário de equilibrar a leveza de personagem com o peso do luto, a tensão da ausência de rumo inicial, etc. É um papel que parece que foi criado para ela e se beneficiou 100% por essa combinação. Ela reina absoluta pela trama, onde alguns coadjuvantes vão surgindo e passando, assim como os cenários da estrada.</p>
<p>Cenários esses que funcionam como um outro personagem em <strong><em>Nomadland</em></strong>. Não é à toa que recebeu indicação de Melhor Fotografia. Todas as paisagens que surgem no caminho de Fern são inseridos na trama de modo a complementar as emoções que estão sendo vivenciadas pela protagonista. Um trabalho impecável do começo ao fim.</p>
<p>Vale ressaltar que o longa já ganhou nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Direção no <a href="https://coisadecinefilo.com.br/confira-a-lista-completa-de-vencedores-do-globo-de-ouro-2021/"><em>Globo de Ouro</em></a>. Então é com boa expectativa que aguardamos o reconhecimento dele no Oscar deste ano, mesmo que não seja exatamente o favorito. Ele ainda não está disponível nas plataformas de streaming, mas logo será lançado para locação.</p>
<p>Com seu clima mais monótono de construção de trama, <em><strong>Nomadland</strong> </em>é uma excelente análise sobre a vida do nômade moderno e a jornada de autoconhecimento de uma mulher de meia idade. O que somos? O que queremos da vida? São reflexões que surgem e ficam no personagem e no espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Chloé Zhao<br />
<strong>Elenco:</strong> Frances McDormand, David Strathairn, Gay DeForest, Linda May, Charlene Swankie, Bob Wells, Cat Clifford</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_nOeh677C8U" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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