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	<title>Arquivos Clifton Collins Jr. - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Sonhos de trem (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 14:52:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos maiores desafios da contemporaneidade é encontrar um material tão refinado quanto Sonhos de trem, principalmente quando falamos de Estados Unidos e Netflix em uma mesma frase. Com uma história pouco previsível, que toma tempo para desenvolver seu protagonista, Robert Grainier (Joel Edgerton), o longa-metragem de Clint Bentley (Jockey) é praticamente irretocável. Há um cuidado com a progressão dramática e com os sutis avanços temporais, que tornam a sessão instigante e tocante. Cada personagem apresentada durante a sessão ganha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos maiores desafios da contemporaneidade é encontrar um material tão refinado quanto <em>Sonhos de trem</em>, principalmente quando falamos de Estados Unidos e Netflix em uma mesma frase. Com uma história pouco previsível, que toma tempo para desenvolver seu protagonista, Robert Grainier (Joel Edgerton), o longa-metragem de Clint Bentley (<em>Jockey</em>) é praticamente irretocável. Há um cuidado com a progressão dramática e com os sutis avanços temporais, que tornam a sessão instigante e tocante.</p>
<p>Cada personagem apresentada durante a sessão ganha algum nível de profundidade e a relação delas é explorada em múltiplas camadas em relação à Robert. A jornada de Grainier é premiada com um desenho de som sensível, que insere ruídos no silêncio da floresta e da casa que este homem passa tanto tempo esperando. O verde forte que transborda a tela, reflete a sua esperança em reencontrar seus amores perdidos e a clausura de seu ofício. Uma esperança sustentada em grande parte da projeção, mas não como um jogo cruel para enganar a plateia, porém como um mergulho imersivo na perspectiva de sua figura central. Há neste trabalho uma mescla complexa de significados plurais em uma mesma sequência.</p>
<p>Os longos quadros abertos em contraponto com os um pouco mais fechados e ligeiros, também ditam o tom da obra. Quando ele não está com um amigo querido ou (mais ainda) sua família, as temperaturas caem. Gladys (Felicity Jones), sua esposa, está sempre colorida, cheia de vida. A luz que invade sua quieta personalidade vem dela e sua filha pequena. Mas, ao mesmo tempo, o tom quente é do que destrói toda a sua felicidade. É curioso observar como o momento do incêndio é o que ganha mais tonalidades cálidas, mesmo que a frieza somente perpasse (tirando este momento) as tristezas de Robert.</p>
<p>Novamente, tons , texturas e frames que ganhando sentidos vários e, por isso, provocam sensações plurais. Neste sentido, a fotografia de Adolpho Veloso (<em>Rodantes</em>) também brilha ao lado da direção geral de Bentley em termos de angulação e posicionamento do elenco no ecrã. Os plongées e contras-plongées e a lateralização dos rostos na tela revelam o que oprime, alivia e engradece o protagonista. Robert coloca sua família de lado para poder apoiá-la. É uma dicotomia enlouquecedora para esta figura central tão pacífica e resiliente. A vida dele é vista como pequena por seus empregadores, que sequer aparecem pessoalmente em sua jornada, porém que marcam seu destino.</p>
<p>A maneira como Grainier se engrandece ao lado da mulher e em sua propriedade escancara o que é importante para ele e o que é inevitável e sufocante em sua trajetória, também elevam a qualidade da trama. Desta forma, <em>Sonhos de trem</em> é uma produção que consegue ser cinema em sua completude, porque transmite em imagens fatos políticos profundos e tempos históricos que geram consequências graves para o presente da sociedade, através de imagens repletas de apuro estético e conhecimento de técnica cinematográfica. O longa é completamente sutil em seus diálogos e até no que escolhe para expor visualmente.</p>
<p>Quando deseja revelar algo, existem diálogos e contemplações que fazem com que a informação chegue como um rio, que traz o debate com fluidez. Ainda assim, não há uma romantização das vivências de Robert. Pelo contrário, existe uma crueza da realidade dos operários, que foram mãos-de-obra básica para o crescimento econômico dos Estados Unidos por um bom tempo, mas que eliminaram árvores e deixaram um pedaço de si naquelas terras que passaram tanto tempo trabalhando, colocadas em cena. É uma dureza com poesia, que toca os corações, mas com as farpas da verdade dos fatos sobre a natureza humana.</p>
<p>O jeito de contar tanto em uma única história, que é completamente focada em &#8220;apenas&#8221; um homem ficcional &#8211; baseado no livro homônimo de Denis Johnson -, mas que abarca toda uma época, um imaginário sobre lenhadores e o sofrimento dos oprimidos é que faz a diferença aqui. Há um toque até mesmo de genialidade neste filme, que não usa a morte de personagens importantes como um mero artifício, mas como um amadurecimento para Robert e uma oportunidade de debater não apenas as injustiças sociais, como também da própria vida. Para fazer tudo isso, a equipe se apresenta coesa, com um elenco sensível e conectado à atmosfera da narrativa.</p>
<p>Neste encaixe ideal, o único problema em termos de trama é o momento entre o desaparecimento de Gladys e sua filha e o restabelecimento do cotidiano de Robert. Em alguns momentos, parece que o roteiro não era certo sobre o destino da personagem central do enredo. Há uma titubeada que soa como uma estratégia para confundir o público. Será que elas foram embora ou algo aconteceu com elas? A dúvida não é ruim, é a catalisadora de boa parte da projeção, porém o tempo que ela dura é estranho e um tanto apelativo. Ainda assim, e</p>
<p><strong>Direção</strong>: Clint Bentley</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Joel Edgerton, Clifton Collins Jr., Felicity Jones</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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