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	<title>Arquivos Charlotte Wells - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Aftersun</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 19:21:18 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A partir de memórias pessoais, a diretora e roteirista Charlotte Wells conta a história de uma garota de 11 anos que passa um feriado junto com seu pai na Turquia. Aquilo que promete ser uma temporada divertida, acaba sendo o despertar dessa garota para os problemas que acometem o pai, algo que somente na maturidade ela vai ter uma dimensão mais precisa a respeito. <em><strong>Aftersun</strong> </em>tem essa atmosfera agridoce, uma melancolia repleta de sentimentos genuínos e puros, para registrar aquele que promete ser o último momento compartilhado entre pai e filha.</p>
<p>O filme de Charlotte Wells resgata com uma sensibilidade singular o instante da infância no qual começamos a perceber a humanidade em nossos pais, os indícios de uma falibilidade. É o registro de coisas que não são ditas ou compreendidas instantaneamente, informações esparsas que são registradas e intrigam uma criança de 11 anos, mas que só serão entendidas de fato na vida adulta. O longa acerta ao incorporar na sua narrativa o desabrochar dessa perspectiva mais humana sobre a figura paterna, uma intuição sobre as suas fragilidades que contrasta com a imagem do ídolo imbatível que predomina na tenra infância.</p>
<p><em><strong>Aftersun</strong> </em>conta com uma direção nada óbvia, que opta pela sensibilidade, mas evita a pieguice. É uma direção bastante sensível, mas também astuta, que explora com muita inteligência as possibilidades da linguagem audiovisual ao valorizar espaços e informações que em um primeiro momento não seriam prioritários em um plano, como os cantos da tela, os reflexos dos personagens em objetos&#8230; O filme de Wells opta por uma condução e montagem que se espelham na narrativa da memória infantil, tendo o banal como tom predominante e os aspectos mais valiosos para a compreensão dessa história entregues da forma mais discreta possível.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16227" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4287998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Aftersun" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4287998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4287998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4287998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/12/4287998.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A princípio, o espectador fica um pouco incerto do que a realizadora quer contar, nada daquilo que surge na tela aparenta ser significativo, ainda que a atmosfera entregue que algo não está muito certo com Calum, personagem de Paul Mescal. Logo, as camadas desse personagem e o propósito dessa história começam a se revelar para o espectador e <em><strong>Aftersun</strong> </em>se transforma em um retrato muito crível sobre a depressão. Não importa o quanto aquele momento com a filha inspire condições positivas, Calum não consegue se divertir, aproveitar a vida com alguém que de fato ama. Ao mesmo tempo, do outro lado, temos a perspectiva da filha que não consegue melhorar o estado de saúde do pai e intuitivamente percebe que há algo de errado com ele, sofre bastante com isso, mas sabe ser muito empática com a situação. Na síntese dessa relação, há um amor que, infelizmente, não é o suficiente para evitar que esse elo seja abrupta e traumaticamente rompido no futuro.</p>
<p>Estreando em longas, Charlotte Wells tem uma direção exemplar em <em><strong>Aftersun</strong></em>, emotiva, mas íntima, não fazendo escarcéu com as dores dos seus personagens. Esse tato com o seu roteiro se reflete na direção dos seus atores, Paul Mescal é cirúrgico com as dores do seu personagem, na maioria das vezes, pouco expostas, e a Frankie Corio é um sopro de luz na tela. É surpreendente notar como Wells conseguiu um resultado tão sublime em uma estreia. <em>Aftersun</em> é cuidadoso e maduro no manejo da técnica cinematográfica e, ao mesmo tempo, é uma experiência audiovisual emocionalmente engajante, cheia de humanidade, completa, intensa. Como é revigorante ver uma realização com esse nível de comprometimento com o cinema e com o que ele pode provocar no âmbito das emoções.</p>
<p><strong>Diretora:</strong> Charlotte Wells</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ruby Thompson, Paul Mescal, Frankie Corio, Celia Rowlson-Hall, Sally Messham, Spike Fearn, Ethan Smith</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OSrkH-kEFG0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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