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	<title>Arquivos Carolina Markowicz - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Carolina Markowicz - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Pedágio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 13:37:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os realizadores do cinema brasileiro atual, Carolina Markowicz tem se destacado, sobretudo em circuito de festivais internacionais. Tanto seu filme anterior Carvão, lançado no ano passado, quanto Pedágio, seu mais recente título, foram recebidos com entusiasmo pela crítica internacional por contar de maneira crua, crível e humana a realidade do país com dramas centrados em personagens. No centro de suas histórias estão famílias disfuncionais em meio às mazelas do contexto social brasileiro. Pedágio traz a história de uma mulher [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os realizadores do cinema brasileiro atual, Carolina Markowicz tem se destacado, sobretudo em circuito de festivais internacionais. Tanto seu filme anterior Carvão, lançado no ano passado, quanto <em><strong>Pedágio</strong></em>, seu mais recente título, foram recebidos com entusiasmo pela crítica internacional por contar de maneira crua, crível e humana a realidade do país com dramas centrados em personagens. No centro de suas histórias estão famílias disfuncionais em meio às mazelas do contexto social brasileiro.</p>
<p><em><strong>Pedágio </strong></em>traz a história de uma mulher que trabalha em um pedágio em São Paulo. Ela vive só com o filho Tiquinho e tem se relacionado com um rapaz que tem dormido com uma certa frequência em sua casa. A protagonista de <em>Pedágio</em> tem um profundo incomodo com a homossexualidade do filho, sobretudo porque ele se expõe nas redes sociais fazendo dublagens de famosas divas americanas. Quando essa personagem toma ciência por uma colega de trabalho de um programa de conversão da sexualidade promovido por um pastor de uma igreja evangélica, ela começa a juntar dinheiro para pagar com a &#8220;terapia&#8221; do filho. Como a quantia é muito grande, ela decide enveredar nas atividades criminosas do namorado, usando o seu trabalho no pedágio para cometer alguns furtos.</p>
<p>Em <em><strong>Pedágio</strong></em>, Markowicz segue com o seu propósito de construir histórias sensíveis, centradas em conflitos familiares mas contextualizada em uma realidade de classes menos favorecidas, centrando suas discussões na maneira como seus personagens se posicionam em searas como ética e afeto em meio a um panorama sócio-econômico que tanto testa seus valores. A questão central do novo filme da cineasta é a homofobia de Suellen, personagem defendida brilhantemente pela excepcional Maeve Jinkings, que já havia trabalhado com a diretora em Carvão.</p>
<p>A dinâmica entre Suellen e o filho Tiquinho é marcada por tensões, questões nada bem resolvidas. Há afeto entre eles, mas o preconceito da mãe é um obstáculo. Tiquinho é um garoto inteligente, criativo, corajoso, trabalhador e carinhoso, mas todas as qualidades do filho são irrelevantes para a mãe que só consegue enxergá-lo através dos rótulos sociais associados a sua sexualidade. O rapaz busca de todas as formas possíveis a aprovação da mãe, algo muito importante para ele, muitas vezes se violentando, como quando se submete a tal terapia de conversão, mas tudo é em vão até o último segundo de <em><strong>Pedágio</strong></em>.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17531" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu.jpg" alt="Pedágio" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/12/pedagio-critica-paris-filmes-cultura-viuu-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Markowicz não floreia ao tematizar a homofobia presente em muitas famílias brasileiras. A diretora não soluciona sua história com um happy ending mascarando a realidade, ainda que também não deixe de oferecer algum alento para suas personagens. Mesmo depois de tantas decisões que se revelam equivocadas e Suellen perceba que no fim das contas Tiquinho é seu único suporte e que ela deve dar uma trégua na forma como lida com a sexualidade do filho, o preconceito não desaparece &#8220;da noite para o dia&#8221; e os entraves na comunicação entre mãe e filho persistem até o fim. O recado da cineasta é bem claro, a homofobia e não a homossexualidade macula relações afetivas, gerando distanciamentos, mágoas e traumas.</p>
<p>Além do tratamento delicado com temas tão urgentes no contexto social do Brasil atual, ainda muito homofóbico, Markowicz conta com ótimos atores no seu elenco, um grupo de artistas que conduz com muita sensibilidade as personagens dessa história. Maeve Jinkings, como já antecipamos, está excepcional como Suellen, uma mulher sofrida e repleta de falhas. Além dela, Kauan Alvarenga é o grande destaque do filme do começo ao fim como Tiquinho. Cabe destacar também a participação de Aline Marta Maia como a colega de trabalho de Suellen, Telma, uma evangélica hipócrita que trai o marido com diversos motoristas que passam pelo <em><strong>Pedágio</strong></em>.</p>
<p><em><strong>Pedágio </strong></em>não é o primeiro filme a abordar essas terapias de conversão da sexualidade. Antes dele, no cinema de língua inglesa, por exemplo, tivemos os dramas Boy Erased: Uma Verdade Anulada e O Mau Exemplo de Cameron Post. O acerto de Markowicz é compreender tão bem os problemas que levam muitas famílias a conduzirem seus filhos a esses engodos terapêuticos, violentando-os psicologicamente. Assim, o filme discute a homofobia como um problema estrutural que desintegra relações familiares. Por ter um olhar tão maduro para o âmago das questões que permeiam as suas temáticas e por expô-las de forma tão direta e sensível, evitando os clichês do melodrama, que faria a história cair em um artificialismo, <em>Pedágio</em> é um filme que só acerta com o espectador, firmando Markowicz como um grande nome do nosso cinema atualmente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Carolina Markowicz</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Maeve Jinkings, Thomas Aquino, Kauan Alvarenga</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/SsYNtUUiQfc?si=d7kUfJQ78A6EOp-o" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Carvão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Nov 2022 18:51:58 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Carvão</strong> </em>de Carolina Markowicz traz para o público uma realidade brasileira que talvez seja conhecida por poucos. No interior do Brasil, algumas famílias escondem criminosos em suas casas, usando a condição debilitada dos entes idosos desses lares como estratégia para manter esses &#8220;hóspedes&#8221; sob sigilo em um quartinho da habitação. A enfermeira Juracy (a ótima Aline Marta Maia, de Casa de Antiguidades) enxerga em Irene (Maeve Jinkings, de O Som ao Redor) alguém com potencial para aceitar esse tipo de negócio, já que diante de um pai bastante adoentado ela aceita o conselho da mulher, dar um fim ao sofrimento do patriarca.</p>
<p>Logo nos primeiros minutos de <em><strong>Carvão</strong></em>, Markowicz dá indícios de que esta é uma história indigesta, uma realidade áspera o suficiente. O contexto apresentado pela história impõe a seus personagens a melancolia já que nenhum deles consegue se libertar dos seus gatilhos de infelicidade. Nenhum dos personagens de <em>Carvão</em> leva a vida que sonham e julgam merecer e parecem enredados por uma realidade onde não há alternativas, promessas de redenção.</p>
<p>A protagonista interpretada com organicidade por Maeve Jinkings é uma mulher esgotada pela vida e pelas demandas dos homens com quem se relaciona. Nenhum deles reconhecem seus esforços ou a recompensam por qualquer via, afetiva ou sexualmente. Irene vive um casamento de fachada com um marido que é homossexual e que compensa sua frustração pela repressão da sua sexualidade com a bebida. A situação evidencia a neurose que se instala naquele lar fragmentado, chamado de &#8220;hospício&#8221; pelo &#8220;hóspede&#8221; argentino, cujos cacos são fragilmente sustentados por instituições como a igreja, sutilmente presente ao longo da história, mas sempre de forma muito enfática. A canção &#8220;Noites traiçoeiras&#8221; interpretada por Padre Marcelo Rossi sugere insistentemente no decorrer da história a promessa de abonança após uma escalada de infortúnios. Ironicamente, a previsão da canção nunca é cumprida no filme.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16117" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/carvao-credito-divulgacao.jpg" alt="Carvão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/carvao-credito-divulgacao.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/carvao-credito-divulgacao-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/carvao-credito-divulgacao-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/carvao-credito-divulgacao-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Markowicz é muito hábil na costura dessa história, tanto do ponto de vista das construções imagéticas simbolicamente interessantes quanto na maneira como lida com os eventos da história em seu roteiro. A cineasta evita didatismos na narrativa. A entrega de informações sobre aquelas personagens, seus vínculos, motivações e trajetórias sempre encontra uma estratégia nada óbvia de apresentação nas mãos da diretora e roteirista. Ao mesmo tempo, é uma direção que extrai desempenhos muito naturais do seu elenco. Maeve Jinkings é o grande destaque da obra, mas merecem menções a atuação de Rômulo Braga como seu marido, César Bordón como o traficante argentino, o garoto Jean de Almeida Costa, o filho do casal, e de Aline Marta Maia, a enfermeira Juracy, que, ironicamente, parece ser sempre a mensageira da tragédia em <strong><em>Carvão</em></strong>.</p>
<p><em><strong>Carvão</strong> </em>segue a tendência da nossa cinematografia de chafurdar os problemas estruturais da sociedade brasileira. É um filme que coloca em evidência sobretudo como nossa realidade sócio-política desumaniza e apresenta rachaduras que se autoalimentam por gerações. Markowicz faz um filme que, apesar do desejo latente de transformação, não dá fôlego para seus personagens se reinventarem, não oferece pontos de fuga ou arcos de redenção e não poderia ser diferente, seria até desonesto da parte da cineasta &#8211; com o público e com a obra &#8211; &#8220;maquiar&#8221; uma realidade que escancara de forma tão consistente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Carolina Markowicz</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Maeve Jinkings, César Bordón, Rômulo Braga</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/-sENlLghsG0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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