<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Carol Duarte - Coisa de Cinéfilo</title>
	<atom:link href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/carol-duarte/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://coisadecinefilo.com.br/tag/carol-duarte/</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 06 Dec 2024 18:27:35 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/cropped-favicon3-5-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Carol Duarte - Coisa de Cinéfilo</title>
	<link>https://coisadecinefilo.com.br/tag/carol-duarte/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Crítica: Malu</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-malu/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/critica-malu/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 18:27:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Carneiro da Cunha]]></category>
		<category><![CDATA[Malu]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Freire]]></category>
		<category><![CDATA[Yara de Novaes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=18959</guid>

					<description><![CDATA[<p>Malu é ambientado na década de 1990 e traz a convergência de três gerações de mulheres pertencentes a uma mesma família. As relações tem como ponto de origem Malu Rocha, personagem de Yara de Novaes, uma atriz em crise emocional que vive no mesmo teto com sua mãe conservadora e recepciona a sua filha recém-chegada da França. O roteiro do diretor Pedro Freire é inspirado na vida da própria mãe do realizador, também atriz com o mesmo nome da protagonista. A [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-malu/">Crítica: Malu</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Malu </strong></em>é ambientado na década de 1990 e traz a convergência de três gerações de mulheres pertencentes a uma mesma família. As relações tem como ponto de origem Malu Rocha, personagem de Yara de Novaes, uma atriz em crise emocional que vive no mesmo teto com sua mãe conservadora e recepciona a sua filha recém-chegada da França. O roteiro do diretor Pedro Freire é inspirado na vida da própria mãe do realizador, também atriz com o mesmo nome da protagonista.</p>
<p>A partir deste drama familiar, Freire faz uma revisão da história do país representada em várias décadas por suas três personagens femininas. Dona Lili, vivida por Juliana Carneiro da Cunha, representa o conservadorismo opressor que conduziu o Brasil à ditadura. A protagonista Malu é a personificação do movimento de resistência e de liberdade de uma juventude que enfrentou os militares, guardando, inclusive, mágoas da mãe por esta ter repreendido tanto o seu comportamento libertário e sua escolha profissional. Já Joana, filha de Malu interpretada por Carol Duarte, é a juventude de um Brasil redemocratizado, repleto de expectivas, tentando construir sua própria identidade enquanto media o atrito entre esses dois países das gerações anteriores.</p>
<p>As associações entre as personagens e a história do Brasil construídas por <em><strong>Malu </strong></em>não estão isoladas nas épocas mencionadas no próprio filme, elas têm paralelos no presente com a ascensão de forças políticas tão repressoras quanto as da ditadura e que encontram igualmente adesão em parte da população. A dinâmica entre Malu, Lili e Joana segue significativa na história presente de uma sociedade ainda buscando construir a sua própria identidade no porvir de um Brasil.</p>
<p>Podendo também ser lido objetivamente como um drama sobre relações humanas, <em><strong>Malu </strong></em>constrói uma dinâmica familiar disfuncional que dá espaço para suas três atrizes principais construírem personagens extremamente complexas. Malu tem um &#8220;q&#8221; do cinema de John Cassavetes com Yara de Novaes no centro do seu drama como a nossa Gena Rowlands. Malu Rocha é a Mabel brasileira, eternizada por Rowlands em Uma Mulher sob Influência, um dos melhores filmes do diretor estadunidense, definidores de uma forma de contar histórias nas telas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18999" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8.png" alt="Malu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-8-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A personagem interpretada com expansividade, vitalidade e fúria por Novaes encontra-se no limite. Malu é dona de uma liberdade que não cabe em si, encontrando como barreira o próprio corpo e o seu contexto político social de crise no campo da cultura dos anos 1990, uma época em que as artes tentavam se reconstruir após o desmonte das instituições pelo governo Collor. Afetada em sua saúde mental pela situação política, Malu é capaz de rompantes que assustam, mas que revelam sua dificuldade para lidar com os sentimentos que nutre pela mãe e pela filha. Uma mulher fascinante que não conseguiu explorar toda sua potencialidade em razão dos danos psicológicos que os anos mais pesados do país lhe trouxeram como herança.</p>
<p>Com Carol Duarte e Juliana Carneiro da Cunha, Yara de Novaes tem cenas intensas onde os mundos e as personalidades distintas de <em><strong>Malu </strong></em>, Lili e Joana se chocam, vindo à tona afetos e mágoas. Todas são cenas de forte dramaticidade sustentadas por uma direção de atores primorosa de Pedro Freire e pela sensibilidade de atrizes que conseguem acessar com precisão as nuances dessas mulheres.</p>
<p>Juliana Carneiro da Cunha interpreta uma mulher repleta de preconceitos, proporcionando dor sob o disfarce de uma pretensa inocência, mas que não é um mal estereotipado, conseguindo também ser capaz de dar amor à filha e à neta e ter suas próprias dores fruto de abusos de uma estrutura opressora que, contraditoriamente, perpetua. Já Joana sofre as consequências de ter crescido em um lar instável e de ter uma mãe com personalidade fascinante, mas, muitas vezes narcisista, fazendo com que qualquer uma de suas conquistas soe pequena diante de alguém &#8220;maior que a vida&#8221; como Malu. Há muitas nuances nessas mulheres e elas só se aprofundam na medida em que seus desejos e suas respectivas bagagens de vida entram em colisão no roteiro desse longa.</p>
<p>Com três personagens complexas executadas com primor por suas atrizes principais, <em><strong>Malu </strong></em>consegue ser um filme que sintetiza a história política do nosso país como um ciclo: passado, presente e futuro; passado, presente e futuro. É um grande feito cinematográfico, daqueles difíceis de serem atingidos pois consegue ser satisfatório em várias frentes. É completo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Freire</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Yara de Novaes, Carol Duarte, Juliana Carneiro da Cunha</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/NXiOoKWluaw?si=D-kceY94ekKMEFkG" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-malu/">Crítica: Malu</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/critica-malu/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crítica: La Chimera</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-chimera/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-chimera/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Apr 2024 21:21:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Alba Rohrwacher]]></category>
		<category><![CDATA[Alice Rohrwacher]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Isabella Rossellini]]></category>
		<category><![CDATA[Josh O'Connor]]></category>
		<category><![CDATA[La Chimera]]></category>
		<category><![CDATA[Vincenzo Nemolato]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=17981</guid>

					<description><![CDATA[<p>La Chimera é ambientado na década de 1980 e traz a história de Arthur, um arqueólogo inglês que retorna à zona rural da Toscana depois de passar um tempo em detenção. O personagem principal volta ao local tentando se recuperar moralmente do episódio e também superar um evento traumático envolvendo a namorada. Em meio a tantas atribulações pessoais, Arthur retoma perigosas atividades que exercia no passado e que lhe levaram para a cadeia, ele volta a atuar como caçador de relíquias, [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-chimera/">Crítica: La Chimera</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="separator" data-original-attrs="{&quot;style&quot;:&quot;&quot;}">
<p><em><strong>La Chimera</strong></em> é ambientado na década de 1980 e traz a história de Arthur, um arqueólogo inglês que retorna à zona rural da Toscana depois de passar um tempo em detenção. O personagem principal volta ao local tentando se recuperar moralmente do episódio e também superar um evento traumático envolvendo a namorada. Em meio a tantas atribulações pessoais, Arthur retoma perigosas atividades que exercia no passado e que lhe levaram para a cadeia, ele volta a atuar como caçador de relíquias, violando túmulos para vender esses artefatos no mercado ilegal.</p>
<p>O personagem principal do longa da italiana Alice Rohrwacher (de As Maravilhas) é o ator inglês Josh O&#8217;Connor, em ascensão desde que interpretou em 2019 o então príncipe Charles na série The Crown &#8211;  em breve, ele também deverá ser visto no drama Rivais, com Zendaya. Além de O&#8217;Connor, cabe destacar em <em><strong>La Chimera</strong></em> a presença da veterana Isabella Rossellini e da brasileira Carol Duarte (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/"><em>A Vida Invisível</em></a>), ambas com papéis de considerável destaque nessa história.</p>
<p>O título <em><strong>La Chimera</strong></em> nos remete à figura mitológica composta por membros de diversos animais, mas também à ideia de utopia ou de fabulação, fantasia. No longa, o personagem de O&#8217;Connor é um sujeito à deriva, realizando atividades que outrora faziam parte da sua vida, mas que hoje já não fazem mais sentido. Ele segue na pilhagem arqueológica em um mix de comodismo e de incerteza sobre os rumos que deve tomar na vida de agora adiante, prosseguindo no automático em funções do passado na esperança de recuperar algum resquício daquilo que tem saudade. Por inércia ou incapacidade de definir quais serão os rumos da sua vida, ele cede às requisições de terceiros pelos seus serviços e segue na clandestinidade, violando túmulos e roubando peças históricas valiosíssimas. O longa narra a jornada desse personagem tentando escapar da sua vocação, encurralado pela própria passividade e por um contexto histórico que parece frisar a decadência de uma civilização.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17988" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7.png" alt="La Chimera" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Alice Rohrwacher traz muita personalidade para sua direção, ainda que a originalidade na condução dessa história, por vezes, a transforme em um filme autoindulgente, ensimesmado no seu incessante exercício de estilo. Em alguns momentos, a originalidade das ideias da diretora são bem-vindas, em outros, nem tanto, dificulta a comunicação com o público. Entre os momentos positivos, podemos citar as passagens em que eventos e traços da personalidade de alguns personagens são descritos por canções de trovadores, fazendo <em><strong>La Chimera</strong></em> flertar com o gênero musical. Há também um ótimo momento em que a gangue liderada por Arthur é perseguida por policiais e toda a operação funciona como uma ação de uma comédia de filme mudo do início do século passado. No entanto, na maioria das vezes os esforços da realizadora travam a relação do público com a obra e impede o acesso do espectador à humanidade que parece pulsar nos seus personagens.</p>
<p>Se a direção de Rohrwacher oscila em alguns momentos, o mesmo não pode ser dito dos esforços do seu elenco principal. Josh O&#8217;Connor tem um ótimo momento como Arthur, construindo-o como um trapaceiro angustiado. Já Carol Duarte tem bastante destaque no longa como Itália, uma jovem brasileira que vive na casa da ex-sogra de Arthur (Rossellini), escondendo suas duas filhas. Em dado momento a jovem desenvolve uma relação especial com o antropólogo e a dinâmica que Duarte e O&#8217;Connor estabelece para o encontro entre seus personagens é bem singular.  É nesses detalhes que a gente percebe como o trabalho atores do filme funciona como um chamamento para que Rohrwacher se concentre naquilo que de fato interessa em <em><strong>La Chimera</strong></em>, o seu fator humano. Infelizmente, vários desses chamamentos são ignorados e o longa se desencontra na própria personalidade que a realizadora procura imprimir a sua história.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alice Rohrwacher</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Josh O&#8217;Connor, Carol Duarte, Isabella Rossellini, Vincenzo Nemolato, Alba Rohrwacher</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/DG0M8vJgltw?si=4cGHwA6ncYnMK5y9" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
</div>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-chimera/">Crítica: La Chimera</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-chimera/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crítica: A Vida Invisível</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2019 12:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[A Vida Invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Bárbara Santos]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Duarte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Montenegro]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Flávia Gusmão]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório Duvivier]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Stockler]]></category>
		<category><![CDATA[Karim Aïnouz]]></category>
		<category><![CDATA[Marcio Vito]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Manoella]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://coisadecinefilo.com.br/?p=11887</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor filme na mostra paralela Un Certain Regard do último Festival de Cannes, A Vida Invisível foi escolhido como o representante brasileiro a disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. O filme tem como &#8220;competidor&#8221; a entusiasmada recepção de Bacurau, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles que se transformou em um verdadeiro fenômeno cultural no país, cuja crítica social apresenta uma urgência que dialoga de maneira intensa com [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/">Crítica: A Vida Invisível</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vencedor do prêmio de melhor filme na mostra paralela <em>Un Certain Regard</em> do último Festival de Cannes, <em><strong>A Vida Invisível</strong></em> foi escolhido como o representante brasileiro a disputar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano que vem. O filme tem como &#8220;competidor&#8221; a entusiasmada recepção de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bacurau</em></a>, longa de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles que se transformou em um verdadeiro fenômeno cultural no país, cuja crítica social apresenta uma urgência que dialoga de maneira intensa com o momento político que vivemos.</p>
<p><em>Bacurau</em> teve como oponente o conservadorismo da sociedade brasileira dos nossos tempos, assim como todo pensamento ou expressão inclinada ao progressismo. <strong><em>A Vida Invisível</em></strong> de Karim Aïnouz (<em>Madame Satã</em>), também tem um componente que enfrenta as esferas conservadoras com sua perspectiva sobre a trajetória feminina em uma sociedade patriarcal, contudo, é um filme que pode ser lido superficialmente na sua narrativa sobre duas irmãs, flertando com chaves de comunicação não tão bem aceitas por fãs da vanguarda, um nicho cinematográfico taxado comumente de cafona e pejorativamente como filme para mulher, o melodrama. Ambos tem suas próprias batalhas a travar. Ambos são obras importantes do nosso cinema contemporâneo que chegam às salas de exibição com uma ótima recepção internacional, num momento no qual a importância da arte é diminuída.</p>
<p>O filme de Aïnouz tem uma poética e se apoia em detalhes que o transformam em uma obra de grande apelo emocional, esmero estético e clínica no olhar que tem a oferecer sobre estruturas sociais viciosas e nocivas que silenciam &#8220;minorias&#8221;. <em><strong>A Vida Invisível</strong> </em>é uma adaptação de um romance de Martha Batalha e conta a história de duas irmãs que são afastadas por uma sociedade opressora. Enquanto Eurídice desiste do sonho de estudar piano em Viena para se casar e ter uma vida protocolar como dona de casa, Guida se aventura em um romance com um grego, é renegada pelo próprio pai, abandonada pelo homem que ama e tem que se virar como pode para sustentar um filho. Cada uma passa parte da sua vida imaginando a jornada de grandes feitos da outra, quando na verdade ambas têm destinos muito parecidos de silenciamento e invisibilidade dos seus próprios desejos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11843" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Vida Invisível" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/2626087.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em <em><strong>A Vida Invisível</strong></em>, Aïnouz se apropria do melodrama com uma eloquência que poucos cineastas conseguem ter, realizando uma história tecida pela narrativa das cartas trocadas pelas irmãs Gusmão e as desventuras de uma trama de folhetim. Usando um gênero ocasionalmente associado ao conservadorismo em seus olhares para as relações entre homem e mulher em sociedades heteronormativas, Aïnouz faz sua singela e pontual narrativa sobre um feminino. Enfatizando sua crítica ao lugar relegado às mulheres por uma estrutura social, sem soar panfletário e superficial em sua análise, Aïnouz observa a perpetuação de costumes familiares que não favorecem um bem-estar social ao contrário do que alardeiam seus defensores.</p>
<p>Tanto Eurídice quanto Guida são figuras que não conseguem dar vazão a todo o potencial humano que apresentam dentro de si, abrindo mão de carreiras, afetos e das suas próprias existências por um ilusório projeto de sociedade que tolhe suas respectivas espontaneidades. Guida amadurece no sofrimento e torna-se uma figura marginalizada depois de ser rejeitada pela família. Eurídice, por sua vez, é castrada por um matrimônio abusivo, entrando em grande melancolia e reproduzindo na educação da sua filha todo um senso de subalternização feminina que fora dominante no seu convívio familiar.</p>
<p>Aïnouz narra essa história de intensas emoções e ressentimentos pessoais com uma poesia bucólica que reverbera na maneira como registra a década de 1950. A atmosfera de folhetim faz bem ao drama e a construção de suas personagens, conseguindo sublinhar a simplicidade de sua narrativa, a intensidade de sentimentos em voga e uma história que se torna mais rica nos detalhes da direção apurada do cineasta. Carol Duarte e Julia Stockler têm ótimas interpretações na pele das duas protagonistas, Fernanda Montenegro está soberba no ato final da história com um plano fechado que somente uma atriz da sua magnitude conseguiria executar com tamanha complexidade e Gregório Duvivier (<em>O Homem do Futuro</em>) é um ponto alto do elenco, interpretando o patético esposo de Eurídice, uma figura que incomodo por seu ar retrógrado, inconveniente, presunçoso e sem noção. A interpretação de Duvivier é um ponto alto do filme, já que ele evita a redundância da composição cartunesca e transforma Antenor na representação de um mal social que é nocivo por seu aparente caráter inofensivo.</p>
<p>Karim Aïnouz se caracterizou por ser um cineasta que compreende o tom que seus protagonistas demandam às suas histórias, basta comparar, a título de exemplo como o diretor interpreta as distintas demandas de longas como <em>Madame Satã</em> e <em>Praia do Futuro</em>. <em><strong>A Vida Invisível</strong> </em>é um filme pautado pela observação e pela inquietação que causa a violência inofensiva exercida no cotidiano sem a menor aparência de monstruosidade. É um filme que utiliza o melodrama para criticar aspectos estruturais da sociedade, alguns dos seus costumes mais nocivos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karim Aïnouz<br />
<strong>Elenco:</strong> Carol Duarte, Julia Stockler, Gregório Duvivier, Fernanda Montenegro, Marcio Vito, Flávia Gusmão, Maria Manoella, Bárbara Santos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rJKYzthGQ6s" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/">Crítica: A Vida Invisível</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-vida-invisivel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
