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	<title>Arquivos Caio Blat - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Caio Blat - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 20:25:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[O Diabo na Rua no Meio do Redemunho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cerca de três meses e meio depois do lançamento de Grande Sertão de Guel Arraes nos cinemas brasileiros, o mesmo público pode conferir outra adaptação de Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa para as telas. Desta vez, O Diabo na Rua no Meio do Redemunho é um projeto experimental da diretora Bia Lessa, mais conhecida pelo seu trabalho no teatro. O filme integra o projeto Mãos à Obra, cujo intuito não é só a experiência espectatorial do longa, mas também [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Cerca de três meses e meio depois do lançamento de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-grande-sertao/"><em>Grande Sertão</em></a> de Guel Arraes nos cinemas brasileiros, o mesmo público pode conferir outra adaptação de Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa para as telas. Desta vez, <em><strong>O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</strong></em> é um projeto experimental da diretora Bia Lessa, mais conhecida pelo seu trabalho no teatro. O filme integra o projeto Mãos à Obra, cujo intuito não é só a experiência espectatorial do longa, mas também proporcionar paralelamente a suas exibições oficinas e outros formatos de encontro com a diretora e o elenco, eventos que serão gratuitos e circularão por algumas capitais brasileiras.</p>
<p>As semelhanças com a recente adaptação de Guel Arraes estão em apenas dois aspectos. O primeiro deles é que <em><strong>O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</strong></em> também conta com Caio Blat e Luisa Arraes no elenco principal. Aqui, Caio Blat também interpreta o protagonista de Grande Sertão: Veredas, Riobaldo, o jagunço que serve a dois grupos rivais no sertão e que se apaixona por um sujeito enigmático chamado Diadorim. Na versão de Arraes, Luisa Arraes interpretou o jagunço que vira obsessão de Riobaldo, neste, a  atriz se desdobra em vários papéis, incluindo uma versão de Riobaldo. Em <em><strong>O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</strong></em>, Diadorim é vivido por Luiza Lemmertz, que não está no filme de Arraes.</p>
<p>A segunda semelhança entre as versões do texto de Guimarães Rosa levadas para as telas em 2024 é que ambas tem uma raiz no teatro. Arraes talvez preencha o seu filme de maiores artifícios audiovisuais, tendo feito ainda um deslocamento geográfico no cenário da história ao trazer Grande Sertão para os morros cariocas. Lessa preserva as paisagens do livro de Guimarães Rosa, mas também desenvolve um forte vínculo com o teatro.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18646" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6-1.png" alt="O Diabo na Rua no Meio do Redemunho" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-6-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na verdade, com todo o seu projeto que extrapola a experiência espectatorial, Lessa encara <em><strong>O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</strong></em> como algo que propõe transformações práticas no ofício. Além disso, pelo ponto de vista daquilo que será visto na tela, o filme é uma experiência mais extrema do que Dogville de Lars von Trier, por exemplo, a primeira referência que deve aparecer na cabeça do público mais cativo do cinema. Não há cenários, assim como também não há figurinos ou qualquer outro tipo de elemento no quadro, apenas os seus atores trajados de preto se revezando entre personagens no vazio de um grande espaço também negro. Muitas vezes, o elenco dá vida a elementos não humanos, como os animais do sertão (cabras, cavalos e pássaros) ou mesmo ondas e ventania.</p>
<p><em><strong>O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</strong></em> não é uma experiência que todo tipo de espectador deve aproveitar. As escolhas criativas de Lessa limitam a apreciação da audiência, sendo um filme provavelmente melhor aproveitado por profissionais das artes cênicas, sobretudo quem participará da experiência do projeto com as atividades que lhe são complementares. Para a plateia de forma geral, a preservação do caráter literário dos seus diálogos e seu vínculo com o modus operandi de uma montagem teatral pode proporcionar uma experiência relativamente cansativa.</p>
<p><em><strong>O Diabo na Rua no Meio do Redemunho</strong></em> é propositivo no que tange a sua dramaturgia. Também pode ser lido como uma grande coreografia, na qual o esforço de Lessa e do seu elenco para sincronizar movimentos serve à transição de cenas, substitui recursos que em circunstâncias naturais não têm relação alguma com o corpo do ator ou mesmo compõem formas esteticamente calculadas em cada quadro. Assim, o que é digno de elogios é  o trabalho aplicado de Bia Lessa com seus atores, um elenco que funciona muito bem como coletivo e que sustenta o peso de um texto tão difícil e cultuado com muita naturalidade servindo muito bem a proposta artística da diretora.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Bia Lessa</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Luiza Lemmertz, Luisa Arraes, Caio Blat</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/e5QSP94Mm0E?si=UjgQeAJ5rmUuGxpP" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>28º Festival Cine PE: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 01:52:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por vezes, intenso, emocionante e avassalador. Por vezes, histriônico, descuidado e constrangedor. Grande Sertão, de Guel Arraes e Flávia Lacerda, é uma montanha russa de sensações. Em sua visualidade lavada e cheia de CGI aqui e ali, a intenção desta adaptação de Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, é a de atualizar a discussão sobre questões sociais profundas, do crime e da desigualdade, levando a pauta para o contexto urbano. No entanto, a estética visual é artificial, a escolha pela [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Por vezes, intenso, emocionante e avassalador. Por vezes, histriônico, descuidado e constrangedor. <em>Grande Sertão</em>, de Guel Arraes e Flávia Lacerda, é uma montanha russa de sensações. Em sua visualidade lavada e cheia de CGI aqui e ali, a intenção desta adaptação de <em>Grande Sertão Veredas</em>, de Guimarães Rosa, é a de atualizar a discussão sobre questões sociais profundas, do crime e da desigualdade, levando a pauta para o contexto urbano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a estética visual é artificial, a escolha pela manutenção da linguagem original do livro não bate com a qualidade do trabalho de todo o elenco e a direção esquece de criar ritmo para a produção. </span><span style="font-weight: 400;">Mais uma vez, esta que vos escreve precisa lembrar para o mundo que o frenesi das batalhas e das emoções dilacerantes só podem ser sentidos pela plateia caso hajam contrastes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A aceleração incessante dissolve o estabelecimento de tensão, que parece ser o que Arraes e Lacerda desejam. </span><span style="font-weight: 400;"> A decupagem e a mise-en-scène exploram todos os níveis, campos, ângulos e movimentos – incluindo o uso do Dolly Zoom, que é um efeito sensacional, mas nem sempre necessário –, o que é bom e ruim ao mesmo tempo, porque a</span><span style="font-weight: 400;"> inventividade dos cineastas envolvidos na produção é nítida, cristalina, mas a utilização frenética de recursos afasta a equipe do longa-metragem do mais importante aqui: a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sessão se transforma em exaustiva, as personagens perdem a força e o tom elevado ganha espaço. Não há organicidade na tela. Há uma suposta vontade em mostrar, em criar algo novo e criativo., porém sem gradação, no vazio do entregar por entregar, para dizer que fizeram algo novo &#8211; que nem é tão novo assim. Nessa trajetória torta, o foco principal se esvai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É bastante complicado criar empatia com as personagens, por exemplo. </span><span style="font-weight: 400;">Sem torcer por alguém, ou quase ninguém, o desafio de chegar até o final da exibição se intensifica, principalmente em termos de escrita. </span><span style="font-weight: 400;">A manutenção das estruturas da obra original, versus a inabilidade de alguns atores de dar conta desta estilística, influencia diretamente nesta impressão de artificial, entediante e, ainda, é pretensiosa.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18274" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2.png" alt="Grande Sertão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image-1-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa carga, porém, tem dois pólos. De um lado, Caio Blat, Eduardo Sterblitch e Luís Miranda, procurando encontrar uma fisicalidade e vozes para seus papéis, que se encaixem na dinâmica do longa, mas que não percam a qualidade básica de construção. </span><span style="font-weight: 400;">Não importa se estamos falando de qualquer tipo de estética e linguagem ou de formato, seja no cinema, no teatro, na TV, comédia, tragédia etc., existe a verdade da personagem e é nessa onda que o intérprete precisa mergulhar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto mais externalizado, mais é notável sua falta de coesão com a obra. Caio, Eduardo e Luís não. Eles dão o tom farsesco e convocam o corpo não cotidiano para a cena – são os que mais fazem isso, inclusive –, mas o sentido geral da produção permanece e isso faz com que suas ações e textos verbais façam sentido e sejam críveis. </span><span style="font-weight: 400;">Do outro lado, temos Rodrigo Lombardi e Luísa Arraes, que fazem seus papeis de fora para dentro, em uma externalização que evoca mais uma representação do que uma interpretação, de fato.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Em algumas sequências, como na com Diadorim ensinando Riobaldo a atirar, o constrangimento pode se espalhar pelo corpo. Não há um gesto, movimentação ou fiscalização de Luísa que não seja preenchida de micromovimentos sujos, que ocorrem porque ela subestima a plateia e se desespera em demarcar que ela não performando feminilidade, mais do que se conectar com a trajetória de Diadorim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro de toda essa lógica caótica, é admirável a tentativa de atualizar o discurso de Guimarães Rosa &#8211; que revela que ainda somos os mesmos -, é a admirável a tentativa de criar um épico eletrizante e é admirável que a distribuidora tenha tido coragem de lançar o longa. Ainda assim, é uma pena ver tantos talentos desperdiçados e gastar quase 2h de vida para consumir uma obra tão engessada e caótica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Guel Arraes, Flávia Lacerda</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Caio Blat, Luísa Arraes, Luís Miranda</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=wCYxvpa1SDXHRena" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Grande Sertão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 May 2024 12:45:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (O Auto da Compadecida, de 2000, e O Bem Amado, de 2010) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. Grande Sertão, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (Vai Dar Nada, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fora das telonas por mais de uma década, Guel Arraes (<em>O Auto da Compadecida</em>, de 2000, e <em>O Bem Amado, de 2010</em>) retorna aos cinemas com seu mais novo filme. <em><strong>Grande Sertão</strong></em>, inspirado no livro Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, foi dirigido pelo cineasta pernambucano e co-escrito por ele e Jorge Furtado (<em>Vai Dar Nada</em>, de 2022).  Assim, o longa-metragem da Paranoïd Filmes em coprodução com a Globo Filmes marca esse momento de Guel voltando a fazer seu cinema fantástico e sensível.</p>
<p>Com estreia marcada nos cinemas brasileiros para esta quinta-feira (30), <strong><em>Grande Sertão</em></strong> transforma o texto modernista de Guimarães Rosa e remonta a história em um futuro distópico sobre a periferia urbana. Essa mudança, por si só, já é um risco que merece ser observado. Adaptar um clássico literário e deslocar completamente a sua história e seu tempo é uma difícil e delicada missão. Por um lado, essa atualização vestida de fantasia futurista é extremamente interessante por dialogar ainda mais com temas sociais atuais. Por outro, gera um certo estranhamento ao deslocar uma história tão sertaneja para algo tão eixo Rio-São Paulo.</p>
<p>A escolha dos roteiristas, no entanto, é bem paga por conseguirem imprimir o resultado visual e textual dessa periferia (ainda mais) refém da violência, do crime e da política. E, para completar as escolhas arriscadas do roteiro, Arraes e Furtado ainda escolhem manter parte do texto original inalterado, o que pode gerar um estranhamento inicial, mas que tem uma força cênica absurda. Por essa razão, <strong><em>Grande Sertão</em></strong> acaba se aproximando de <em>Romeu + Julieta (1996)</em>, de Baz Luhrmann (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><em>Elvis</em></a>, de 2022). A diferença entre as duas obras é que, no longa de Guel Arraes, a inserção desse texto mais clássico é incorporada de uma forma mais eficaz e convincente &#8211; mérito também do elenco extraordinário.</p>
<p>Com esse texto e pano de fundo, Guel pôde fazer o que faz de melhor: mergulhar no fantástico. A filmografia do diretor pernambucano sempre flertou com as possibilidades desse gênero, mas agora, graças ao contexto criado para o filme, Guel conseguiu cair de cabeça nesse universo. O resultado desse mergulho é um trabalho visual extremamente cuidadoso e impactante. Existem cenas que falam por si só e, como já disse Villeneuve (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024), no cinema, as imagens devem bastar &#8211; e Guel faz isso como ninguém em <em><strong>Grande Sertão</strong></em>.</p>
<figure id="attachment_18202" aria-describedby="caption-attachment-18202" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-18202 size-medium" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg" alt="Grande Sertão (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/05/Grande-Sertao-Helena-Barreto-4-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18202" class="wp-caption-text">Eduardo Sterblitch em cena de &#8216;Grande Sertão&#8217; (2023) | Foto: Divulgação/Helena Barreto</figcaption></figure>
<p>Existe uma teatralidade e espetacularização em cena que só Guel consegue criar. Assim como vemos em filmes anteriores do diretor, existe um quê de exagero milimetricamente calculado, que compõe e guia a narrativa e suas performances. E é justamente nesse campo que o elenco e os departamentos de fotografia e arte conseguem brilhar. <em><strong>Grande Sertão</strong></em> é uma produção que chama atenção. Seja pelo seu texto original, pelas suas escolhas de adaptação ou pelas suas cores e dores em cena. Não há como sair da sessão sem sentir esse impacto.</p>
<p>O elenco é quem complementa e coloca em cena esse universo distópico-fantástico. Com conhecidos nomes das telinhas e telonas como Luisa Arraes (<em>Aos Teus Olhos</em>, de 2017), Caio Blat (<em>O Debate</em>, de 2022), Rodrigo Lombardi (<em>Carcereiros: O Filme</em>, de 2019), Luis Miranda (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-pai-o-2/"><em>Ó Paí, Ó 2</em></a>, de 2023) e Eduardo Sterblitch (<em>Dois é Demais em Orlando</em>, de 2024), as performances merecem uma atenção especial. Sob essa rege da teatralidade tão gueliniana, os artistas entregam cenas com emoções viscerais. É palpável cada dor e conquista vista em tela. Essa troca só engrandece ainda mais o texto e o resultado de <strong><em>Grande Sertão</em></strong>.</p>
<p>É preciso, portanto, pontuar algumas pessoas que se destacam no elenco. Mariana Nunes (<em>Alemão 2</em>, de 2022), apesar de ter uma rápida participação, consegue entregar uma performance de tirar o fôlego. Ao seu lado, narrativamente e cenicamente falando, está Blat que brilha como Riobaldo, especialmente nos segmentos sobre o futuro em <strong><em>Grande Sertão</em></strong>. O público se encanta e teme, porém, pelos personagens vividos por Miranda e Sterblitch. Os dois no campo no vilania, cada um com suas camadas de desejos e anseios &#8211; e até com momentos de redenção -, ambos personagens chamam o público para uma conexão imediata (ainda que essa seja de repulsa).</p>
<p>A força do elenco em cena é a responsável por concretizar toda a parte técnica e a direção. A materialidade expressa pelos trechos originais do texto ou criada por determinado cenário, fotografia e enquadramento são resultado dessa cooperação completa da produção. <strong><em>Grande Sertão</em></strong> conta com uma força expressiva arrebatadora e esse é o seu maior diferencial. Faz, por momentos, até mesmo com que o espectador mais atento (ou talvez, preocupado) esqueça do sequestro da história para uma periferia que parece estar localizada no Rio de Janeiro. Seja como for essa dinâmica entre-espectador-filme, uma coisa é certa: o longa não vai ser facilmente esquecido por quem o assiste.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Luisa Arraes, Caio Blat , Rodrigo Lombardi, Luis Miranda, Mariana Nunes, Lucas Oranmian e Eduardo Sterblitch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/O9Q-6VSzQCw?si=BqF3spAaoVWeP8X3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Entrevista com Caio Blat, homenageado com a Calunga de Ouro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 18:10:27 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[27º Cinepe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escolhido para ser o grande homenageado da 27ª edição do Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual, Caio Blat recebeu a Calunga de Ouro no dia 05 de setembro de 2023, aos 43 anos. Para entregar o troféu, subiu ao palco do Teatro do Parque, em Recife, o cineasta Cláudio Assis, com quem o ator trabalhou em Baixio das Bestas. Com produções na TV, no teatro e no cinema, Caio iniciou sua carreira ainda na infância, estrelando em comerciais, seguindo depois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Escolhido para ser o grande homenageado da <strong>27ª edição do Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual</strong>, Caio Blat recebeu a Calunga de Ouro no dia 05 de setembro de 2023, aos 43 anos. Para entregar o troféu, subiu ao palco do Teatro do Parque, em Recife, o cineasta Cláudio Assis, com quem o ator trabalhou em <em>Baixio das Bestas</em>. Com produções na TV, no teatro e no cinema, Caio iniciou sua carreira ainda na infância, estrelando em comerciais, seguindo depois para as novelas, peças e filmes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante sua fala, o intérprete revelou estar contente, mas surpreso com o prêmio, por sua pouca idade. Logo após o seu discurso, o Cine PE exibiu o novo curta-metragem com Caio, chamado <em>Travessia</em>, dirigido por Gabriel Lima. &#8220;Quando falaram que iriam me homenagear, eu disse: então, eu quero mostrar um trabalho novo, quero mostrar um filme inédito”. Ele é um curta que a gente acabou de fazer, que a gente acabou de mostrar em Cannes, mostrou em Roma. Esta é a primeira vez que ele vai passar no Brasil, vai ser no Cine PE&#8221;, explica Caio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na manhã seguinte, o celebrado deste ano participou de coletiva de imprensa, na qual respondeu atentamente a todos. Narrando um pouco sobre sua experiência de vida e de profissão, Blat descreveu um pouco sobre sua nova jornada na direção e seu processo como curador no Festival de Gramado. </span><span style="font-weight: 400;">Após todas estas atividades e de uma coleção de curiosidade que surgiram ao escutar Caio Blat falando sobre sua trajetória artística, o entrevistamos na área da piscina do Hotel Beach Convention by Hôm, em Boa Viagem, para matar algumas destas dúvidas, que renderam um bom papo. </span></p>
<p><strong>Confira agora o resultado deste encontro!</strong></p>
<h5><strong>ENTREVISTA</strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Enoe Lopes Pontes</strong> – Então, você estava falando, agora na coletiva, sobre sentir que essa homenagem é precoce e eu fiquei pensando muito sobre o que você disse no vídeo que foi mostrado ontem à noite, sobre você ter demorado para ter o rosto de um homem mais velho (risos). Como você, que praticamente esteve a vida inteira na sua profissão, enxerga essa visão que você tinha de si, dessa expectativa que você tinha antes, com o que você se tornou atualmente, como ator, artista e homem?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Caio Blat</strong> – Sim. Eu acho que é isso, é um processo natural. Eu tive o privilégio de frequentar muitos sets importantes, de muitos cineastas incríveis, de aprender muito com eles. Então, eu acho que é muito um processo. Eu vi o Selton Melo falar isso, que é um processo natural, porque você vai ouvir tantas opiniões, aprendendo tantos jeitos de filmar e é como se você fosse criando a sua própria linguagem, fosse maturando. E chega uma hora que você tem que falar também, assumir este protagonismo de dirigir também, de propor ideias. E é incrível que isso aconteceu no mesmo ano do Lázaro Ramos, que também é um cara que cresceu comigo na profissão, e do Wagner Moura, que também é um cara que cresceu comigo, filmamos sempre juntos. Então, nós três lançamos todos filmes no mesmo ano, todos com temática política. Então, eu acho que é um processo natural do nosso discurso, da nossa visão artística, da nossa visão política, o acúmulo de experiência, com tantos sets, com tantos diretores diferentes. Aí, chega uma hora que a gente também quer fazer, quer também falar, quer também dar opinião. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Uma outra coisa que me chamou atenção é que você contou que em seu processo de atuação você fica na personagem e isso funciona muito quando a gente está falando de atuação para cinema. Mas, como acontece isso, principalmente quando você vai para o teatro, por exemplo, que você tem que repetir várias vezes o mesmo espetáculo. Ou, então, como ocorre este processo entre um set e outro? Isso reverbera em seu corpo de alguma maneira?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – Eu acho que este é um processo de contaminação. Você entra numa personagem e vai se contaminando com o olhar dele, com o pensamento dele, com a posição social dele. Como quando eu vim para cá ficar com Claudão (Assis), ficar na Zona da Mata, e eu fazia um <em>agroboy</em>. Eu ficava vendo os boys passando de caminhonete, passando de moto, tirando onda, ficava ouvindo histórias, ia procurar nos bares. Então, o dia inteiro você vai se contaminando deste ambiente, desta cultura, vai ouvindo o sotaque. Então, não tem corta e ação, o tempo inteiro você está se contaminando, imaginando o que o personagem faria ali, o que ele pensaria ali, onde ele estaria, como ele se comportaria naquele momento. E aí, quando liga a câmera, você já tá contaminado desse ambiente, desse lugar. Eu gosto muito de trabalhar assim, com preparação. Trabalhei com vários preparadores, nesse sistema também, quando, por exemplo, eu fui filmar <em>Bróder</em>, no Capão Redondo, em São Paulo. Eeu aluguei uma casa lá, eu ficava com os moleques, eu andava no meio da rua, eu ouvia histórias . Por exemplo, muitos meninos lá que optam pela vida do crime, por exemplo, e às vezes a gente estava andando na rua, alguém chamava para uma conversa e você via que os meninos estavam indo assaltar ou estavam indo participar de um negócio. Então, era uma coisa assim natural para mim na vida da comunidade, os meninos que optam por essa vida, que é como a vida da personagem. Então, eu estava fazendo a personagem e convivendo no lugar onde ele teria crescido, com os amigos onde ele teria crescido e convidaram ele para entrar para um assalto, para alguma coisa assim.</span></p>
<figure id="attachment_17182" aria-describedby="caption-attachment-17182" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-17182" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696.jpg" alt="caio blat" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17182" class="wp-caption-text">Foto: Felipe Souto Maior/AG News</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Sim, sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – Então, você vai mergulhando nesses lugares, porque a vida de ator tem desses privilégios, essa pesquisa, esse mergulho, de conhecer lugares da sociedade onde talvez não conheceria com outras profissões, como <em>Carandiru</em>, por exemplo, que não existe mais. Ele foi implodido, virou um parque enorme, mas a gente teve lá dentro das celas, daquele lugar onde aconteceu aquela chacina. A gente conheceu a vida daquelas pessoas, a gente registrou. Aí, no momento seguinte, você vai para Cannes mostrar isso, um lugar totalmente oposto, num lugar cheio de glamour, em um ambiente totalmente diferente. Então, o ator faz essa ponte com a sociedade, ele mergulha em buracos, em lugares específicos, absorve e se contamina daquela cultura e, depois, leva o resultado que fica eternizado. Então, é um trabalho muito legal, que constrói a identidade do país, que constrói a história do país, reconta a história do país. Então, eu me sinto muito privilegiado com essa profissão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> –  Entendi. Bom, pegando já um gancho para a terceira pergunta, você falou sobre agora sobre Cannes, mas, falando sobre os festivais do Brasil, você foi curador em Gramado agora, e está aqui hoje no Cine PE e estava com Luísa (Arraes) em Vassouras. São festivais de regiões diferentes dos país. Assim, como você enxerga, como uma pessoa que já frequentou muitos festivais, os festivais brasileiros em toda sua pluralidade, tanto no que a gente passou nos últimos anos e como estamos agora, como você vê a importância, a relevância dos festivais do Brasil?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – É isso, cada festival tem sua identidade, tem a sua cultura local. Gramado valoriza muito os filmes gaúchos, tem uma sessão só de filmes gaúchos. Ontem, a gente teve uma sessão só de filmes pernambucanos e Vassouras mostrou os filmes do Vale do Café. Então, a gente vai aprendendo sobre as diversas culturas, sobre as diversas regiões. Ao mesmo tempo, trazendo filmes de fora para ali, promovendo essa troca, esse debate. Os festivais de cinema são muito gostosos por causa disso, dessa troca. Você encontra pessoas que você não encontraria por aí, vê filmes inéditos, diferentes, vê curtas que são muito importantes para ver o que a galera jovem está fazendo, o que a galera das universidades tá fazendo, são sempre muito provocativos. Então, são ambientes deliciosos de troca, de conversa. Ao mesmo tempo, você encontra veteranos, encontra os críticos, encontra O Merten*. </span></p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim, verdade.</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> &#8211; Então, os festivais são sempre lugares para você aprender, ver o que está de novo surgindo, conhecer uma cultura local, trazer coisas de fora. São grandes pontos de encontro, são importantíssimos. O nosso cinema está sempre batalhando por janelas, por cota de telas. Então, os festivais são muito importantes para isso, para promover a nossa produção, para dar uma primeira janela inédita para filmes novos, curtas, como o <em>Travessia</em> ontem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Inclusive, gostei muito do curta. Parabéns. Bom, para finalizar, uma pergunta um tanto clichê, mas que eu acho relevante. Você já tem muitos anos de trajetória, têm coisas que você ainda acha que são sonhos, que talvez sejam até distantes, inspirações, coisas que você ainda quer muito fazer?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – (risos). Muita coisa! Tem muita coisa! Tem muita gente que eu quero trabalhar ainda. Eu gosto muito de viajar o país. Então, eu adoro quando vêm convites de longe, de outras regiões, outros estados, ter que aprender outro sotaque. É uma coisa que me motiva muito também. E quero filmar por aí, quero fazer filme pra molecada. É uma coisa que eu tenho sonho. Eu queria fazer A droga da obediência, do Pedro Bandeira. Eu acho que é uma coisa que é muito pouco valorizada, que é o cinema pra crianças e pra adolescentes, que é um público muito importante para ser formado pelo cinema brasileiro e para ter uma atenção especial. Então, eu sempre penso em projetos para a molecada e é isso aí.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">*Luiz Carlos Merten, do Estadão</span></p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Travessia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Sep 2023 23:16:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Durante a pandemia, em um set de poucas diárias, em um veleiro, a roteirista e atriz Juliane Araújo traz uma história poética, sutil e melancólica em Travessia. Com Caio Blat fechando o elenco e Gabriel Lima na direção, este é um filme que mostra o poder das narrativas simples, focadas em sentimentos plurais, profundos e universais. O que mais chama a atenção aqui é o risco. Com planos quase longos do oceano, banhado pelos off de Juliane e Caio, ou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante a pandemia, em um set de poucas diárias, em um veleiro, a roteirista e atriz Juliane Araújo traz uma história poética, sutil e melancólica em <em><strong>Travessia</strong></em>. Com Caio Blat fechando o elenco e Gabriel Lima na direção, este é um filme que mostra o poder das narrativas simples, focadas em sentimentos plurais, profundos e universais.</p>
<p>O que mais chama a atenção aqui é o risco. Com planos quase longos do oceano, banhado pelos off de Juliane e Caio, ou de instantes introspectivos de suas personagens, existia um perigo das estratégias da equipe se tornarem menos emocionais e mais pretenciosas. Todavia, o efeito é oposto.</p>
<p>A montagem e a direção permitem que o público investigue aquelas figuras, mergulhando em seus sentimentos e entendendo, com pouco texto verbal direto, a trajetória de ambos. Não há algo nítido sobre o passado ou as conexões da dupla, mas isso é a chave para que a produção funcione. A plateia sabe que a personagem de Caio é um escritor, que navega em uma solidão, por exemplo.</p>
<p>A força das imagens mescladas com as narrações é que criam esta conexão com o enredo. Neste sentido, a paleta de cores empregada para cada personagem aumenta a construção de sentido. Ele, é cercado de tons azuis, de melancolia. Ela, esta rodeada de tons alaranjados e de objetos vermelhos.</p>
<p>Contudo, ambos se fazem presentes no universo um do outro, pois o mar azul está sempre ali e o sol ou a luz, que ilumina o veleiro. As memórias e as presenças estão sempre com estas contaminações um do outro, aumentando ainda o poder conferido para o relacionamento da dupla.</p>
<p>Desta maneira, <em><strong>Travessia</strong></em>, em sua decupagem contida em movimentos de câmera, em sua locação simples, atinge o espectador por sua poesia e pela exploração de conflitos internos, através de emoções tão plurais quando o amor romântico e a solidão.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Gabriel Lima</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Juliane Araújo, Caio Blat</p>
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