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	<title>Arquivos Banks Repeta - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Banks Repeta - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Armageddon Time</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Nov 2022 20:01:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Para James Gray, Armageddon Time é seu filme mais pessoal. Adaptando as memórias do diretor em uma infância dos anos 1980, Gray conta a história de Paul Graff, o filho caçula de uma família de imigrantes judeus de Nova York. Paul acaba se aproximando de um colega de turma chamado Johnny, um menino negro que sofre racismo na escola. Quando Paul recebe uma advertência do diretor do colégio, ele é mandado por seus pais para a mesma escola privada do [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Para James Gray,<strong><em> Armageddon Time</em></strong> é seu filme mais pessoal. Adaptando as memórias do diretor em uma infância dos anos 1980, Gray conta a história de Paul Graff, o filho caçula de uma família de imigrantes judeus de Nova York. Paul acaba se aproximando de um colega de turma chamado Johnny, um menino negro que sofre racismo na escola. Quando Paul recebe uma advertência do diretor do colégio, ele é mandado por seus pais para a mesma escola privada do seu irmão mais velho, um ambiente mais rigoroso, afastando-se da companhia do amigo. A infância dos dois será marcada pela iminência do governo do republicano Ronald Reagan, que durou quase uma década (1981-1988).</p>
<p>Para entender <em><strong>Armageddon Time</strong></em> é importante compreender um pouco o seu contexto histórico. O governo Reagan ficou conhecido por sua política extremamente conservadora, marcada sobretudo pela redução de gastos com programas sociais, aumento da desigualdade entre as classes, alto investimento no exército e luta contra o comunismo no mundo. Para um país recém-saído da década de 1970 e do governo do democrata Jimmy Carter foi um baque e tanto, especialmente para a geração de imigrantes europeus que ainda assimilavam os espólios da guerra, como o avô de Paul interpretado por Anthony Hopkins, e uma outra mais jovem que vivia sob a frustração da não realização do &#8220;sonho americano&#8221;, especificamente, os pais do protagonista vividos por Anne Hathaway e Jeremy Strong.</p>
<p><strong><em>Armageddon Time</em></strong> tem qualidades natas dos primeiros trabalhos de James Gray, a economia de recursos visuais e narrativos e a profunda humanidade das suas histórias. Em tese, o filme tem um enredo simples sobre ritos de passagem, mas, aos poucos, vai revelando outras camadas. Gray trabalha de maneira sutil e efetiva com o contexto histórico de <em>Armageddon Time</em>, fazendo com que a trajetória dos seus personagens gradativamente &#8220;conversem&#8221; com a chegada do conservador Ronald Reagan na presidência dos EUA. É interessante sobretudo como o longa cria para o protagonista conflitos éticos que o fazem se perceber como parte de uma &#8220;minoria social&#8221; e a emergência da consciência dessa identidade como fonte de força para superar contextos mais duros como os que virão. E o diretor faz tudo isso sem muito alarde, redundância dramática, é tudo sempre tão elegante, sensível, orgânico, como em seus melhores filmes (Amantes, por exemplo).</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16129" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Armageddon Time" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4370177.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Armageddon Time</em> </strong>também conta com ótimos atores. O garoto Banks Repeta que dá vida ao protagonista Paul tem uma maturidade cênica impressionante. Anne Hathaway e Jeremy Strong estão excelentes como os pais do protagonista. Com a chegada da adolescência de Paul e as expectativas que ambos nutrem sobre o futuro do garoto (que ao menos sua geração tenha mais sucesso do que a deles), Esther (Hathaway) e Irving (Strong) às vezes perdem as estribeiras, erram na condução da educação do menino, mas fazem tudo acreditando acertar. É muito honesto e crível esse olhar de James Gray para os pais. O diretor vai na contramão daquela visão idílica de maternidade ou paternidade. Ao mesmo tempo, com anos nas constas, o avô Aaron Rabinowitz parece ter os conselhos mais lúcidos da família e Anthony Hopkins traz muita doçura para esse personagem.</p>
<p>Afastando-se das epopeias que representaram seus últimos longas, Z: A Cidade Perdida e Ad Astra, James Gray procura na sua infância um relato mais intimista. <em><strong>Armageddon Time</strong> </em>quer abordar o despertar para questões que acenam para a vida adulta, mas também conta a história de um país e do mundo, o exato momento em que três gerações entram em confronto com suas expectativas sobre a vida, avaliam sua caminhada até aqui e elaboram o que podem fazer a seguir. James Gray faz um filme tocante, com um elenco afiado, marcado pela sua habitual maestria e elegância como diretor e roteirista.</p>
<p>Aparentemente, perde um pouco da sua universalidade ao contar uma história particularmente estadunidense, com elementos de contexto que, talvez, somente eles possam entender instantaneamente. Todavia, ao compreendermos todo esse background sutilmente sugerido pelo realizador ao longo da história, <em><strong>Armageddon Time</strong></em> adquire empatia e demonstra dedicação a questões identificáveis sobre conhecer-se, não reproduzir os erros do passado e manter-se fiel a sua identidade e princípios em contextos políticos não tão humanos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Gray</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Jeremy Strong, Banks Repeta, Jaylin Webb, Anthony Hopkins, Ryan Sell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/aawoA1o7jLY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Telefone Preto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Jul 2022 23:42:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No horror, o diretor e roteirista Scott Derrickson coleciona alguns fãs por seu trabalho em filmes como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012), uma fama que lhe valeu o convite da Marvel para dirigir Doutor Estranho (2016) e aplicar alguns elementos do gênero na história protagonizada pelo herói psicodélico interpretado por Benedict Cumberbatch. Particularmente, acho a fama em cima do cineasta um pouco exagerada, algo que se potencializou depois da incursão na Marvel, mas deixamos nossas [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No horror, o diretor e roteirista Scott Derrickson coleciona alguns fãs por seu trabalho em filmes como O Exorcismo de Emily Rose (2005) e A Entidade (2012), uma fama que lhe valeu o convite da Marvel para dirigir <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho/"><em>Doutor Estranho</em></a> (2016) e aplicar alguns elementos do gênero na história protagonizada pelo herói psicodélico interpretado por Benedict Cumberbatch. Particularmente, acho a fama em cima do cineasta um pouco exagerada, algo que se potencializou depois da incursão na Marvel, mas deixamos nossas desconfianças de lado e assistimos <em><strong>O Telefone Preto</strong></em>, seu mais recente filme, sem preconceitos, certo?</p>
<p>Infelizmente, o filme repete algumas más impressões de suas obras anteriores, Derrickson continua oferecendo muito pouco se pensarmos na sua fama, com uma direção cansativa, pálida e de pouca energia. No entanto, aqui, ele tem um grande trunfo para driblar esse esquema, a escalação das crianças que protagonizam essa história.</p>
<p><em><strong>O Telefone Preto</strong></em> é baseado em um conto de Joe Hill e narra a história de uma série de crianças sequestradas e mortas por um assassino serial mascarado interpretado por Ethan Hawke (<em>Juliet, Nua e Cru</em>a). O garoto Finney é uma das recentes vítimas do criminoso e passa a ter contato com as crianças assassinadas por ele através de um telefone preto alojado no seu cativeiro. A partir de algumas orientações dadas pelas vítimas anteriores do assassino, Finney começa a traçar algumas estratégias para sair do local com vida.</p>
<p>Sobre o elenco infantil de <strong><em>O Telefone Preto</em></strong>, não há uma só presença descartável em todo o longa, todos demonstram uma maturidade impressionante na construção de suas personagens e na oferta de nuances para cada uma delas. O protagonista Mason Thames oscila momentos de medo com movimentos de heroísmo com muita naturalidade, ao passo que Madeleine McGraw tem, provavelmente, o melhor desempenho de todo o filme na pele da carismática Gwen, irmã de Finney que tem algumas visões em seus sonhos. Ambos são vítimas de um pai violento e encontram um no outro o suporte para passar pelos percalços da infância. Esta relação é o foco do filme e é muito bem sustentada pelo desempenho desses jovens atores, seja quando eles compartilham uma cena, seja nos momentos em que estão separados.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15723" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/o_telefone_preto___-953409.jpg" alt="O Telefone Preto" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/o_telefone_preto___-953409.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/o_telefone_preto___-953409-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/o_telefone_preto___-953409-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/o_telefone_preto___-953409-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Também temos que destacar a presença de Miguel Cazarez Mora, o amigo latino do protagonista que cria mecanismos eficientes para driblar o bullying na escola. Todos estão tão bem que não deixam espaço nem mesmo para o veterano Ethan Hawke encarnando um tipo que normalmente atrai destaque para qualquer intérprete, um maníaco assassino de crianças. Hawke não está mal, mas é visivelmente ofuscado por seus colegas menos experientes na tela. É uma escolha até interessante de Derrickson deixar esse vilão em segundo plano, não oferecer qualquer vestígio de humanização ou de simpatia do público por ele (o clássico vilão carismático) para concentrar seus esforços na personalidade dos seus protagonistas mais jovens.</p>
<p>No entanto, ainda que considere <strong><em>O Telefone Preto</em> </strong>o melhor filme da carreira de Derrickson até aqui, o longa, como era de se esperar na trajetória do cineasta, apresenta uma certa falta de ritmo. O filme tem ótimos momentos e garante a atenção do espectador sobretudo quando gradualmente apresenta seu elenco infantil, intercalando esses momentos com as investidas do serial killer de Hawke. Quando o garoto Finney é sequestrado pelo vilão do longa, a história demora para recobrar algum ritmo, sendo um pouco monótono acompanhar as investidas do menino para sair do cativeiro, uma ação extremamente cíclica na história. Ele tenta fugir e é brecado pelo vilão.</p>
<p>Em todo caso, é sensível como em <strong><em>O Telefone Preto</em></strong>, Derrickson consegue ganhar bastante quando reduz o escopo da sua história, fazendo do longa a jornada dos irmãos Finney e Gwen. Portanto, temos um filme que, no saldo, sai melhor do que o resultado regular da carreira do diretor, mas que ainda está longe de justificar tamanho frenesi em torno do seu nome.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Scott Derrickson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Mason Thames, Madeleine McGraw, Ethan Hawke, Jeremy Davies, E. Roger Mitchell, James Ransone, Banks Repeta, Mike Bailey</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/URtacEpb_sA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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