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	<title>Arquivos Ari Aster - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Ari Aster - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Sep 2019 21:59:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ari Aster (Hereditário) pertence a uma jovem geração de cineastas que têm feito bastante &#8220;barulho&#8221; entre cinéfilos e críticos, e com um relativo êxito também com o grande público. Integram o grupo, revelações dos últimos anos, alguns premiados, como Jordan Peele (Nós e Corra!) e Robert Eggers (A Bruxa e do ainda inédito no Brasil The Lighthouse). Cada qual com suas características, propostas e fandons, eles têm oferecido um certo frescor na cinematografia de um país cada vez mais receptiva [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ari Aster (<em>Hereditário</em>) pertence a uma jovem geração de cineastas que têm feito bastante &#8220;barulho&#8221; entre cinéfilos e críticos, e com um relativo êxito também com o grande público. Integram o grupo, revelações dos últimos anos, alguns premiados, como Jordan Peele (<em>Nós</em> e <em>Corra!</em>) e Robert Eggers (<em>A Bruxa</em> e do ainda inédito no Brasil <em>The Lighthouse</em>). Cada qual com suas características, propostas e <em>fandons</em>, eles têm oferecido um certo frescor na cinematografia de um país cada vez mais receptiva ao gênero horror que se amplia para outras partes do mundo, trabalhando com roteiros que exibem inteligência, pertinência social, senso estético apurado e uma potência na oferta de um debate intelectualmente rico e plural sobre suas histórias.</p>
<p>Depois de <em>Hereditário</em>, Aster chega aos cinemas, um ano depois, para ser mais preciso, com o filme que o confirma como um cineasta que faz justiça às promessas lançadas, <em><strong>Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite</strong></em>, um longa que trata de diversos temas, mas, sobretudo, sobre os efeitos de viver em sociedade e as &#8220;estações&#8221; de um relacionamento. O recente trabalho de Aster é interessante do ponto de vista plástico, ofertando em cada frame disposições de cores e elementos que enriquecem a espectatorialidade, mas também como narrativa alegórica que sugere ser desde o seu princípio com seus temas transversais.</p>
<p>O longa tem início com o casal Christian e Dani (Jack Reynor, de <em>Transformers: A Era da Extinção</em>, e Florence Pugh, de<em> Lady Macbeth</em>, formidáveis) exibindo um relacionamento cheio de indícios de disfunção. Fragilizada pelos problemas com sua família, Dani é convencida pelo namorado a viajar para a Suécia a fim de participar de um festival que celebra o solstício e que é organizado por uma comunidade da qual um amigo do casal faz parte. Ao longo da estadia com o grupo, os dois acabam seguindo caminhos bastante distintos que revelam aos poucos para o espectador os ritos, crenças e as ações daquela comunidade.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11294" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/2227646.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/2227646.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/2227646.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/2227646.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O espectador que espera de <em><strong>Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite</strong></em> um espetáculo de carnificina, criaturas macabras e <em>jump scares</em> por segundo deve se decepcionar. Como já sugeria em <em>Hereditário</em>, Aster, como outros tantos cineastas, busca o horror em locais pontuais da sua trama gradualmente construídos com muita tensão a partir da proposição de temas sociais. Há em <em>Midsommar</em> uma espécie de olhar antropológico para a trama sugerindo, a partir do destino dos seus dois protagonistas, um horror que palpável na vivência contemporânea em sociedade.</p>
<p>De um lado, o individualismo, a falta de empatia, o narcisismo e a ambição extrema de Christian. Do outro, o refúgio na unidade coletiva de Dani. E engana-se quem acredita que o cineasta trata apenas de abuso, sexismo ou de um mal representado unicamente pela religião, sua crítica me parece não ter localização distinta, abrangendo toda forma de agrupamento social e de relações marcadas pela falta de empatia.</p>
<p>A partir disso, Aster também constrói um longa que aborda os ciclos de um relacionamento (sem generalizações) que se fundem com as estações do ano exibidas na tela através de toda a sua extensa possibilidades de signo. O filme tem início na busca de refúgio no outro e termina com o rompimento catártico vindo de uma necessidade de &#8220;eliminar&#8221; a memória do parceiro. Nesse sentido, as atuações de Pugh e Reynor são bem interessantes por não buscarem individualmente um destaque. Ambos são ótimos quando estabelecem as características de Christian e Dani na estranha dinâmica do casal.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11293" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3826604.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3826604.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3826604.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/3826604.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>De um lado, a Dani de Pugh exibe uma justificável fragilidade emocional decorrente do luto, mas também uma dependência afetiva que torna os demais ao seu redor reféns que não conseguem contrariá-la. Do outro, o Christian de Reynor é um sujeito frio que tenta desastrosamente estabelecer laços de afeto para manter uma aparência social, com isso desenvolve uma estranha e desarticulada intimidade com sua namorada e também com seus amigos quando na verdade pouco se interessa por eles. São personagens difíceis de criar empatia &#8211; ele mais do que ela, claro &#8211; e é justamente nessa contrariedade a uma premissa básica dos manuais de roteiro que Aster constrói o êxito da sua alegoria.</p>
<p><em>Midsommar</em> é uma macabra observação social a partir de uma estética particular que propositalmente enche a tela de cores claras, suaves e também vibrantes, normalmente associadas a sentimentos e sensações positivas, em contraste com seu início calculadamente soturno. Mesmo com essa discrepância na paleta de tonalidades, o filme segue numa crescente de tensão sugerida sobretudo por efeitos de som e música que faz o público impacientemente aguardar pelo pior destino possível para seus personagens, algo que certamente acontece mesmo que a memória espectatorial do conteúdo imagético sugira o oposto. Esse contraste serve para deixar o filme ainda mais esquisito e incomodo como narrativa.</p>
<p>Soturno com sua distribuição efusiva de cores e símbolos, <em><strong>Midsommar &#8211; O Mal Não Espera a Noite </strong></em>é um filme que impacta e provoca discussões. Ainda que soe afetada, a ambição de Aster não me parece um demérito, mas uma qualidade, sobretudo em uma época que o cinema americano das telonas, sobretudo o industrial, está cada vez mais afeito a repetições e perdendo seus talentos para a TV e plataformas de <em>streaming</em> . É um cinema de personalidade, provocador e ensurdecedor como espectatorialidade, gerando debates, discussões, interpretações e valorações díspares e possíveis. Goste ou não, é o tipo de filme que não deixa o espectador indiferente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Ari Aster<br />
<strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Jack Reynor, Vilhelm Blomgren, William Jackson Harper, Will Poulter, Ellora Torchia, Archie Mardekwe, Henrik Norlen, Gunnel Fred, Isabelle Grill</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/eHnomtWCLM0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: O horror de Ari Aster</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Sep 2019 21:58:11 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Numa sexta-feira 13, nada melhor do que uma boa discussão sobre o gênero que faz o público se arrepiar de medo. Em meio ao vasto universo cinematográfico do pavor, uma das maiores barreiras encontradas são as limitações de gênero. A possibilidade de um espectador interpretar o filme de forma equivocada é grande. Diante desse embate, o universo dos filmes de terror e horror vivem um dilema crucial. As diferenças entre os dois tipos de abordagens passam despercebidas ao público e, em muitos casos, pode destruir a experiência. O problema se intensificou com a renovação das narrativas de horror dos últimos anos, onde o público coloca terror e horror como formatos iguais de atmosfera e efeitos.</p>
<p>Mas então qual seria a diferença na experimentação destas duas tipologias? O terror pode ser entendido como um gênero que visa assustar o espectador. Por meio de jogos com os medos mais primitivos do público, o terror se propõe a intensificar os pavores da audiência. Se bem executado, a produção tem como resultado sustos e pânico. Em contrapartida, o horror traz como proposta um diálogo com a psique do espectador. Suas narrativas brincam com a barreira do que é tolerável psicologicamente, o que pode causar repulsa, aversão ou pavor. Ou seja, em linhas bem gerais, os filmes de terror focam na composição narrativa que causa o susto, a tensão e o pânico, enquanto os longas de horror se dedicam na elaboração de uma história que leve o público aos limites da sua tolerância física e capacidade mental.</p>
<p>Em meio as confusões entre os tipos de filmes em questão, eis que surge o diretor e roteirista Ari Aster. O americano aparece nas telonas, em 2018, com seu primeiro longa-metragem, o sucesso de crítica e bilheteria <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hereditario/"><em>Hereditário</em></a>. O mundo se chocou com as terríveis vivências sobrenaturais que envolveram a família Graham. A produção cria – por intermédio de um universo sombrio, caótico e gélido – uma experiência de horror intensa e brutal. <em>Hereditary</em> (título original) causou algumas reviravoltas no estômago dos espectadores mundo afora por sua premissa aterrorizante tão característica do horror.</p>
<p>Dessa forma, o diretor imprimiu, de forma criativa e completa, o que é uma obra de horror. Ari Aster traz, como uma de suas principais marcas, roteiros chocantes. A partir da utilização de problemas cotidianos, Aster cria narrativas viscerais, intensas e de pura agonia.  Essas se mostram capazes, ao mesmo tempo, de causar repulsa e fascinar o espectador. O interesse pelo culto sobrenatural se mostrou uma outra fonte de inspiração do cineasta. Tanto em seu primeiro filme como agora em <em><strong>Midsommar &#8211; O Mal não Espera a Noite</strong></em> – o qual estreia na próxima quinta-feira (19) –, o diretor se inspira nas ansiedades e medos da modernidade para criar uma experiência de puro horror. Aster chega para mostrar ao público a tipologia cinematográfica que define o seu trabalho e para explicitar as diferenças entre horror e terror.</p>
<p>Mesmo imprimindo sua assinatura com clareza, Aster se mostra extremamente diverso e capacitado no quesito criação. Como resultado disso, apesar de se serem originárias dos temores reais, as narrativas dos dois filmes de Ari se mostram completamente diferentes. Por essa razão, 0 enredo, a composição imagética e a atmosfera de <em><strong>Midsommar</strong></em> é oposta à<em> Hereditário</em>. Cada uma, portanto, coexiste em seu universo de possibilidades, ansiedades e medos. E, em certa medida, as duas obras do americano podem ser interpretadas como ying e yang, opostos complementares do diretor.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11270" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/0009771.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Enquanto <em>Hereditário</em> foca sua trama na perda de um familiar, no distanciamento entre as pessoas e no peso que segredos tem sobre uma família, <em><strong>Midsommar</strong></em> se preocupa em retratar a solidão. A segunda obra de Aster sai de uma discussão das relações familiares caóticas para uma abordagem psicológica do eu – onde esse eu moderno se vê constantemente solitário. Sendo resultado de uma direção de arte brilhante, o novo filme do cineasta mostra a verdadeira face do mal em meio a uma realidade palpável, uma vez que o medo aparece diante da luz, com cores intensas e numa faceta que condiz com o padrão social.</p>
<p>Nas escolhas técnicas das produções, Aster seguiu caminhos diferentes para cada uma de suas histórias. <em>Hereditário</em> usou jogo de sombras, cores frias e a metalinguagem das miniaturas feitas pela personagem de Toni Collette (<em>Pequena Miss Sunshine</em>, de 2006) como artifícios para transmitir o pavor vindo do sobrenatural, do desconhecido. Além disso, o constante uso de cenas com <em>close-ups</em> e plano-detalhe foram fundamentais fundamental para compor a atmosfera de <em>Hereditary.</em></p>
<p>Como seu &#8220;oposto complementar&#8221;, <strong><em>Midsommar</em></strong> é uma verdadeira carta à humanidade sobre a temida solidão. Para evidenciar isso, a produção surpreendente à todos pelos artifícios usados para provocar esse sentimento no público. O filme, ao contrário do que se pode esperar de uma temática dessas, utiliza cores vívidas em suas cenas mais assombrosas, compõe os ambientes com uma luz irradiante e uma paleta de cores extremamente diversificada. A consequência disso é a força avassaladora que resulta dessa composição cênica. A natureza nunca foi tão hostil em seus dias mais alegres.</p>
<p>Todos esses fatores se unem ao vazio existencial presente no subtexto da narrativa, em seus personagens principais e até nas escolhas de filmagens – como o uso constante de planos gerais, mostrando a insignificância das pessoas diante da imensidão da natureza e de suas forças celestiais. Escolhas ousadas as quais obtiveram um surpreendente e aterrador resultado. Dessa forma, ao final da sessão, a experiência de assistir <strong><em>Midsommar</em></strong> é completamente diferente do que se espera de uma obra de horror e até mesmo do que se especulava da produção.</p>
<p>Assim, o público ganha a oportunidade de experimentar uma nova obra de horror que segue a risca o seu significado. Complementando trabalho feito em <em>Hereditary</em> e ampliando suas abordagens das ansiedades da modernidade, Ari Aster fez o inimaginável com cuidado, esmero e criatividade extrema. Mais uma vez o diretor e roteirista se muniu de uma boa equipe que, junto à sua brilhante história, criaram um dos filmes mais complexos para a mente humana. Talvez a metáfora da solidão passe despercebida por alguns espectadores, mas, àqueles que captarem a mensagem, preparem-se para vivenciar a angústia de uma verdadeira obra de horror. Preparem-se para <strong><em>Midsommar &#8211; O Mal não Espera a Noite</em></strong>.</p>
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