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	<title>Arquivos Antonio Pitanga - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Antonio Pitanga - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XIX Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Barravento</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Mar 2024 00:45:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre o não dito e o esgarçado em longos monólogos, Barravento convoca um jogo de investigação humana, em um tensionamento entre questões individuais e coletivas. Primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, a produção traz justamente os embates internos de suas personagens, em relação ao todo que os cerca. Em uma aldeia de pescadores, o trabalho é posto em voga, seja ele o formal ou o religioso.  As crenças, seja no sistema (não há muito tempo escravagista) ou nos próprios atos religiosos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre o não dito e o esgarçado em longos monólogos, <strong><em>Barravento</em> </strong>convoca um jogo de investigação humana, em um tensionamento entre questões individuais e coletivas. Primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, a produção traz justamente os embates internos de suas personagens, em relação ao todo que os cerca. Em uma aldeia de pescadores, o trabalho é posto em voga, seja ele o formal ou o religioso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As crenças, seja no sistema (não há muito tempo escravagista) ou nos próprios atos religiosos, aparecem trazidos pela figura de Firmino (Antonio Pitanga), antigo morador da região. O divino e a moral estão sempre em cena. Quando o público escuta as reivindicações de Firmino ou as problemáticas dos aldeãos, surgem sequências dos ritos do candomblé, como em uma dinâmica de purificação e questionamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As sonoridades e a fé conectam aqueles cidadãos, mas os divide também. É uma rede complexa de situações, que coloca em xeque o tempo inteiro as decisões das personagens. Neste sentido, o que é colocado na luz e na sombra por Glauber é uma pista do caráter, da sensibilidade e do grau dos problemas de cada morador da região. Firmino age quase sempre na noite, por exemplo, e o sombreado que fica ao seu redor revela as suas intenções e a sua aura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, Firmino também carrega fragilidades que são notadas nas escolhas da equipe de arte do longa. A caracterização do protagonista deixa nítido como a sua revolta crescente vai corroendo a sua alma. Inicialmente, ele veste muitas roupas e é apresentado com uma elegância sarcástica, daqueles que saíram de uma condição de maior pobreza e obtiveram certa ascensão. Todavia, as inseguranças de Firmino permanecem dentro dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A inveja que ele carrega consigo, bem como a raiva contra seus conterrâneos, destroem suas vestes e Firmino vai se despindo de suas máscaras sociais, expondo todas as suas emoções desnudadas e evidenciadas pelo esvaziamento de todo o seu equilíbrio. A única força que colabora com as suas intenções está materializada na presença de Cota (Luiza Maranhão), que não é vista por Firmino com sua maior fortaleza, mas uma peça dentro de seus esquemas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, Cota é uma espécie de respiro dentro do enredo. Mesmo que a exploração de suas camadas deixe a desejar, a ausência de maniqueísmo na sua construção pode ajudar quem assiste a criar tanto empatia para com ela e outras personagens, como entender que os limites de bem e mal não são traçados em uma linha reta. Cota é uma pessoa, uma figura complexa, repleta de sensações que mesclam os pensamentos tanto de Firmino quanto de outros moradores da aldeia.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17849" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-7.png" alt="Barravento" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-7.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-7-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-7-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-7-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela não é uma coisa só, é várias, em meio às suas vontades e também na maneira que é vista por aqueles que a rodeiam, devido à sua beleza e personalidade forte. Nesta lógica de todas as relações impressas em cena, o discurso político/social é forte na obra. </span><span style="font-weight: 400;">O questionamento central é a imobilidade diante da opressão, a lacuna da insurreição perante as injustiças sociais e o pacto com uma suposta comodidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o filme de 1962 ganha outro tom quando o olhamos com as vistas de 2024. A busca pela rebelião contra os paradigmas reguladores da sociedade, que sufocaram e reprimiram a população não privilegiada, seja por raça e/ou classe, pode ser encarada atualmente, talvez, de uma maneira distinta. </span><span style="font-weight: 400;">É difícil de demarcar essa fruição como algo totalitário, pois não o é, de fato. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ocorre é que, para alguns, a aldeia pulsa coragem e libertação, pois há uma confiança em suas crenças individuais, na força da coletividade e do trabalho de subsistência. Os habitantes daquela praia são a resistência, a voz que nunca se calou e que perdurou por décadas e mais décadas. </span><span style="font-weight: 400;">Dito isso, o incômodo central de <strong><em>Barravento</em> </strong>pode ser, justamente, essa visão distanciada das mazelas da sociedade e o que é posto como alienação e luta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visto que o longa é de 1962, não seria justo julgá-lo incisivamente, mas o olhar crítico para a interpretação da intelectualidade branca do anos 1960 não pode deixar de existir. O Cinema Novo foi um movimento inegavelmente importante para o cinema e para a cultura nacional, porém o olhar em <strong><em>Barravento</em> </strong>não deixa de ser esse olhar de superioridade para uma realidade longínqua para Rocha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta característica não é exatamente um demérito. De certo, a incerteza da câmera e a decupagem que esquece de valorizar as emoções de algumas personagens, incomoda mais na fruição. Além disso, as inconstâncias de personalidade do antagonista de Firmino também diminuem a qualidade do filme. O maior ponto qualitativo aqui é a edição de Nelson Pereira dos Santos, que fomenta a elaboração de sensações na plateia, aumentando a suspensão e a emoção das cenas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, <strong><em>Barravento</em> </strong>é um clássico da filmografia brasileira e deve ser conferido, tanto por sua tentativa de colocar em destaque discussões políticas do período de forma direta e intensa, como pela sua historicidade, que mostra um pouco sobre as praias, a cultura e as crenças baianas. Poderia ser mais amarrado em seu roteiro e consciente em sua direção? Sim, porém não deixa de ser um título poderoso e imponente, que vale a pena de parar tudo para assistir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Glauber Rocha</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Antonio Pitanga, Luiza Maranhão, Lucy de Carvalho</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="TRAILER: BARRAVENTO [Glauber Rocha, 1962]" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/EhHThNyck1s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Tia Virgínia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 18:34:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Virginia é uma figura bem comum em muitas famílias brasileiras. A personagem de Vera Holtz em Tia Virgínia é uma mulher na faixa dos setenta anos que dedicou parte da sua vida para cuidar da casa onde cresceu com suas irmãs e dos pais já enfermos. Ela optou por não ter filhos e atua como uma espécie de para-raios para suas irmãs Valquíria e Vanda e seus sobrinhos. Mesmo assumindo esse lugar central na família, Virginia acaba sendo invisibilizada pelos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Virginia é uma figura bem comum em muitas famílias brasileiras. A personagem de Vera Holtz em <em><strong>Tia Virgínia</strong></em> é uma mulher na faixa dos setenta anos que dedicou parte da sua vida para cuidar da casa onde cresceu com suas irmãs e dos pais já enfermos. Ela optou por não ter filhos e atua como uma espécie de para-raios para suas irmãs Valquíria e Vanda e seus sobrinhos. Mesmo assumindo esse lugar central na família, Virginia acaba sendo invisibilizada pelos demais, tratada como uma cidadã de segunda classe, com uma biografia inferior aos outros e até digna de uma pena que todos só demonstram na teoria.</p>
<p>O filme de Fábio Meira (o mesmo realizador de As Duas Irenes) explora os meandros dessas complicadas relações familiares, refletindo sobre a velhice e os espaços que merecemos ocupar quando chegamos nesse estágio das nossas vidas. Oscilando entre o melodrama e um humor non sense completamente corrosivo, o longa do diretor faz uma análise ácida sobre a família disfuncional de Virginia para além das aparências que todos levianamente &#8211; e sem o menor efeito prático &#8211; insistem manter, inclusive a própria protagonista.</p>
<p>Toda a ação de <em><strong>Tia Virgínia</strong></em> é ambientada na véspera do Natal, dia no qual todos estão envolvidos nos preparativos da ceia. Entre as memórias afetuosas da infância, as irmãs de Virginia se deixam levar por ressentimentos e os sobrinhos, aparentemente inofensivos, mostram-se figuras sonsas e aproveitadoras. Os &#8220;podres&#8221; dos familiares de Virginia emergem ainda que eles tentem com todos os recursos possíveis manter as aparências.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17482" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tia_Virginia_credito_Andrea_Testoni-1155x770-1.jpg" alt="Tia Virgínia" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tia_Virginia_credito_Andrea_Testoni-1155x770-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tia_Virginia_credito_Andrea_Testoni-1155x770-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tia_Virginia_credito_Andrea_Testoni-1155x770-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Tia_Virginia_credito_Andrea_Testoni-1155x770-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa adota um tom que por vezes incomoda e pode demonstrar um certo conflito da história a respeito dos humores que deseja imprimir na narrativa: oras <em><strong>Tia Virgínia</strong></em> mostra-se realista, e em outros momentos revela-se extremamente autoconsciente dos artifícios da ficção. Isso pode causar um certo estranhamento no espectador e revelar um filme menos acolhedor ou reconfortante que a primeira vista possa parecer. <em>Tia Virginia</em> está mais para um &#8220;soco no estômago&#8221; do que para um filme disposto a suavizar o desfecho do seu conflito principal com algum enlace reconfortante, ainda que o destino da protagonista seja extremamente libertador.</p>
<p>Há ótimos desempenhos ao longo da história. Vera Holtz é um destaque absoluto por transitar tão bem entre os humores da personagem, uma mulher que se encontra no liame entre a sanidade e a loucura, mas ainda consegue esboçar uma natureza acolhedora em alguns dos seus atos e interações. Também merecem destaque Arlete Salles e Louise Cardoso como as irmãs da protagonista, cada uma a sua maneira ambas sabem lidar muito bem com a hipocrisia dessas personagens, sobretudo na interação que estabelecem com Virginia.</p>
<p><em><strong>Tia Virgínia</strong></em> não tem a preocupação de ser uma crítica social, tampouco revela-se um drama familiar frívolo, pelo contrário. O filme de Meira é muito consistente na radiografia que faz sobre a passagem do tempo e sobre a importância de reivindicar limites. Existe uma certa estranheza e um desconforto do espectador com a forma como o longa &#8220;conversa&#8221; com gêneros e atmosferas. <em>Tia Virginia</em> oras se apresenta como uma comédia carismática oras como um drama que de alguma forma edifica suas personagens, mas vale a pena conviver até o fim com esse tom dúbio sugerido pela obra. Tudo aqui parece desordenado, dissonante&#8230; No fundo, o filme escancara a suplica da protagonista por algum tipo de fuga, dimensionando o próprio sufocamento e incomodo de Virginia com aquelas relações falsas e cheias de exploração.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Fabio Meira</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Vera Holtz, Arlete Salles, Louise Cardoso, Antonio Pitanga, Vera Valdez, Daniela Fontan, Amanda Lyra</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/h57yNtCA4j8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Festival de Cinema de Vassouras começa nesta sexta-feira, 16</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jun 2023 15:04:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 16 e 24 de junho, acontece a segunda edição do Festival de Cinema de Vassouras, no município que dá nome ao evento e fica localizado no Centro-Sul do estado do Rio de Janeiro. Idealizado pelos irmãos Jane e Bruno Saglia, o festival traz sessões de curtas e longas-metragens, além da oferta de atividades, como painéis e palestras.  Serão exibidos, ao total, 53 filmes em seus 8 dias de realização, dividido nas mostras: Curta os curtas, Sessão Animação, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 16 e 24 de junho, acontece a segunda edição do <strong><em>Festival de Cinema de Vassouras</em></strong>, no município que dá nome ao evento e fica localizado no Centro-Sul do estado do Rio de Janeiro. Idealizado pelos irmãos Jane e Bruno Saglia, o festival traz sessões de curtas e longas-metragens, além da oferta de atividades, como painéis e palestras.  Serão exibidos, ao total, 53 filmes em seus 8 dias de realização, dividido nas mostras: Curta os curtas, Sessão Animação, Curta o Vale, Sessão Doc e Sessão Nobre. Na noite de abertura, o longa </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de João Paulo Miranda Maria, é atração e começa às 20h. A projeção, que marca oficialmente o início dos trabalhos no Vale do Café, é devido ao fato de que o ator Antônio Pitanga é o homenageado deste ano e receberá o Troféu Paulo José. Já no dia 24, às 19h30, é o momento da cerimônia de premiação. Durante a celebração, os espectadores descobrem qual foram as produções escolhidas por voto do júri técnico e do júri popular. Para maiores informações acesse o site: </span><em><a href="https://festivaldecinemavassouras.com.br/"><span style="font-weight: 400;">https://festivaldecinemavassouras.com.br/</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> ou Instagram <a href="https://www.instagram.com/festivaldecinemadevassouras/"><em>@festivaldecinemadevassouras </em></a></span></p>
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		<title>Crítica: Casa de Antiguidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Jul 2022 20:18:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dados seus últimos passos, o Brasil é um país que, infelizmente, inspira seus cineastas a colocarem nas telas uma sociedade em estado de putrefação. Não é à toa que, nos últimos anos, tivemos obras tão corrosivas quanto aos problemas nevrálgicos da sociedade brasileira, como Bacurau, Carro Rei etc. Casa de Antiguidades de João Paulo Miranda Maria segue a leva da nossa atual filmografia ao fazer um inventário das sequelas do racismo estrutural brasileiro. O longa selecionado para o Festival de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dados seus últimos passos, o Brasil é um país que, infelizmente, inspira seus cineastas a colocarem nas telas uma sociedade em estado de putrefação. Não é à toa que, nos últimos anos, tivemos obras tão corrosivas quanto aos problemas nevrálgicos da sociedade brasileira, como Bacurau, Carro Rei etc. <em><strong>Casa de Antiguidades</strong></em> de João Paulo Miranda Maria segue a leva da nossa atual filmografia ao fazer um inventário das sequelas do racismo estrutural brasileiro.</p>
<p>O longa selecionado para o Festival de Cannes de 2020 e que só estreia agora em circuito comercial conta a história de Cristóvão, papel de Antônio Pitanga, um homem mais velho que trabalha em uma fábrica de laticínios no Sul do Brasil separatista. Cristovão vive apartado da sociedade em sua casa repleta de objetos e depredada pelos vizinhos racistas (dizeres inscritos em sua parede como &#8220;Deus &#8216;assima&#8217; de todos&#8221; não são por acaso). Conforme tem contato com sua ancestralidade naquele local, Cristóvão desperta e inicia um movimento a fim de se rebelar daquelas condições.</p>
<p>É interessante como, apesar de aderir às &#8220;tendências&#8221; temáticas da filmografia do seu tempo,<strong><em> Casa de Antiguidades</em></strong> consegue se apartar daquele que se transformou no totem dessa geração, Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles. Ambos denunciam um modelo de sociedade brasileira em estado de putrefação, facista, consumido por ideias de segregação, retrocessos e submissão aos colonizadores do passado. No entanto, enquanto Bacurau tem como resposta a resistência e leva para as telas personagens oprimidos que se empoderam e vão à forra, <strong><em>Casa de Antiguidades</em></strong> faz seu protagonista se insurgir, mas finca seus pés no pessimismo. No longa, a estrutura social do país está cimentada por tantos anos e qualquer ato revolucionário não consegue ter tanta força diante do avanço das ideias extremistas que o corroem.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15735" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1.jpg" alt="Casa de Antiguidades" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A despeito de toda a inspirada simbologia empregada, <em><strong>Casa de Antiguidades</strong></em> sofre o mal de produzir tensão atrás de tensão, gerando muitas expectativas no espectador, mas oferecendo muito pouco como resposta. O protagonista surge sempre como uma figura que parece hipnotizada pelas aparições e convocações sobrenaturais para esquecê-las no momento seguinte. É interessante como próximo do seu final, o personagem de Antônio Pitanga busca inspirações em um cowboy a la Clint Eastwood, uma clássica representação de masculinidade que se mostrou falida (o próprio diretor estadunidense a tem revisitado de forma bem interessante em filmes como Gran Torino, A Mula e Cry Macho), para em seguida perceber que as referências apropriadas são outras, a fantasia festiva de um touro preto que logo se transforma em uma espécie de justiceiro. Contudo, isso é oferecido ao público somente no fim de Casa de Antiguidades e até lá o espectador é &#8220;cozido&#8221; por uma séries de eventos macabros marcados não fazem o filme avançar do ponto de vista narrativo.</p>
<p>Um ponto alto do longa de João Paulo Miranda Maria é seu elenco. À frente da história, temos um Antônio Pitanga no protagonismo que lhe é merecido, trazendo para seu Cristóvão um semblante de cansaço, anestesiado pela realidade macabra que se esconde por trás do verniz de naturalidade conferido por seus cínicos e violentos patrões e vizinhos brancos. Ao mesmo tempo, o veterano conta com um elenco de coadjuvantes muito bom cujo destaque é Aline Marta Maia, intérprete da independente e segura colega de trabalho de Cristóvão que logo vira sua namorada por breves momentos do filme.</p>
<p>Há ideias muito boas e execuções isoladamente inspiradas em <em><strong>Casa de Antiguidade</strong></em>s. Infelizmente, é um longa que emperra exageradamente sua comunicação com o público pelo seu excesso de esmero na construção de uma atmosfera soturna que convoca seu protagonista à ação. Ao longo do filme, falta uma atenção na resposta desse protagonista às manifestações que tomam conta do seu cotidiano como um chamado. Assim, <em><strong>Casa de Antiguidades</strong></em> demora para oferecer algum tipo de recompensa à curiosidade que fomenta no seu espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> João Paulo Miranda Maria</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Antonio Pitanga, Sam Louwyck, Ana Flavia Cavalcanti</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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