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	<title>Arquivos Agyei Augusto - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival de Gramado: Todos os Mortos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2020 14:36:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em um período no qual a abolição da escravatura era ainda mais recente, um pouco mais de dez anos, os brancos continuavam enxergando os negros como suas propriedades. Neste contexto é que se passa a história de Todos os Mortos, novo filme de Marco Dutra (As Boas Maneiras) e Caetano Gotardo (O Que Se Move). Dentro da trama, a partir das tensões raciais, é possível notar uma tentativa de crítica social à branquitude e suas ações egoístas e perversas. Ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em um período no qual a abolição da escravatura era ainda mais recente, um pouco mais de dez anos, os brancos continuavam enxergando os negros como suas propriedades. Neste contexto é que se passa a história de <strong><em>Todos os Mortos</em></strong>, novo filme de Marco Dutra (<em>As Boas Maneiras</em>) e Caetano Gotardo (<em>O Que Se Move</em>). Dentro da trama, a partir das tensões raciais, é possível notar uma tentativa de crítica social à branquitude e suas ações egoístas e perversas.</p>
<p>Ao mesmo tempo, é perceptível a busca por situações vivenciadas por negros neste período, trazendo personagens como João (Thomas Aquino). Ele é um jovem miscigenado, que procura seu lugar na sociedade racista e elitista; Iná (Mawusi Tulani), uma mãe, que precisa proteger seu filho e que conhece bem a família branca retratada, pois já foi escravizada por eles; ou João (Agyei Augusto), um menino que, ainda desconhece os perigos de conviver com racistas e vive no meio destas tensões raciais.</p>
<p>Apesar de existir este trabalho no roteiro na construção de personagens complexas para os negros, trazendo uma representação um tanto menos genérica do que aquela que o audiovisual costuma empregar, há um incômodo com os rumos que a trama apresenta. Me colocando como mulher branca, que precisa escrever sobre esta obra, procurarei expor meu olhar ao relatar a indisposição que tive durante a projeção, posso afirmar que aqui fica um engasgo no momento no qual o longa não consegue avançar e ter coragem para colocar o poder de ação nas personagens negras.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-13253 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos.jpg" alt="Todos os Mortos" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20200922-todos-os-mortos-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Enquanto o clima de suspense é estabelecido, o clímax se aproxima e são os brancos que dominam o destino e encaminhamento dos conflitos e finalizações. Um exemplo é quando João, que deseja se casar com Ana, caucasiana, recita um poema e comenta como Cruz e Sousa parece francês. A jovem diz que não concorda com ele, pois viu uma foto do escritor no jornal. O poeta é negro e foi isso que Ana quis elucidar para João. Será que a branca precisava mesmo ocupar esse lugar, dizendo isto para um rapaz negro?</p>
<p>Partido para os aspectos da forma, <strong><em>Todos os Mortos</em></strong> consegue estabelecer uma atmosfera de terror, principalmente em relação às questões sociais e de raça. Há uma suspensão no ar, onde a qualquer momento algo pode vir a acontecer. Até o seu segundo ato, o filme também apresenta uma progressão e os acontecimentos chegam lentamente, até alcançar em seu ápice. A mise-en-scène colabora com esta construção da opressão e dos embates expostos ali.</p>
<p>No entanto, o clímax ocorre um tanto antes do necessário e, em seguida, ele não consegue manter a sua dinâmica e passa a se tornar cansativo. No geral, a projeção tem bons momentos, como a sequência do piano ou no retorno de Iná para a sua religião. Contudo, há desequilíbrio de ritmo, evocando a aceleração e os respiros em momentos descasados, bem como na visão determinista, que retira o poder das personagens negras.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marco Dutra e Caetano Gotardo<br />
<strong>Elenco</strong>: Mawusi Tulani, Agyei Augusto, Carolina Bianchi</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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