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	<title>Arquivos 29 cine pe - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>29º Cine PE: Entrevista com os curadores Carissa Vieira e Edu Fernandes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2025 12:51:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Cine PE existe há 29 anos e conta com uma seleção de filmes que possui longas e curtas-metragens, de Pernambuco e do Brasil. Desde 2018, o evento tem a presença do jornalista Edu Fernandes na curadoria. Já em 2024, a atriz e jornalista Carissa Viera entra na equipe curatorial. De acordo com Carissa, o trabalho se inicia de maneira separada e, depois, a dupla começa os debates. A curadora explica que, em alguns momentos, afinar a decisão dos dois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Cine PE existe há 29 anos e conta com uma seleção de filmes que possui longas e curtas-metragens, de Pernambuco e do Brasil. Desde 2018, o evento tem a presença do jornalista Edu Fernandes na curadoria. Já em 2024, a atriz e jornalista Carissa Viera entra na equipe curatorial.</p>
<p>De acordo com Carissa, o trabalho se inicia de maneira separada e, depois, a dupla começa os debates. A curadora explica que, em alguns momentos, afinar a decisão dos dois pode ser um tanto desafiador, mas que, no geral a experiência é tranquila.</p>
<p>Em relação à essa dinâmica, Edu revela que precisa de uma parceira como Vieira, pois, diversas vezes, o curador não quer abrir mão de alguma obra, mesmo que uma noite de exibição possa ficar abarrotada. “Carissa foi essencial para frear o meu ímpeto de lotar a grade de filmes, o que melhorou a dinâmica do festival”, conta.</p>
<p>Desta maneira, uma recifense e um paulistano se unem para realizar uma missão complexa, que é a de não apenas decidir quais produções entram em cada edição do festival, mas também organizar a programação equilibrando a lógica temática e a estética.</p>
<p>Pensando em divulgar para o público do site mais sobre todo o funcionamento deste processo de Edu e Carissa, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> traz uma entrevista completa com esse time. Confira!</p>
<p><strong>ENTREVISTA</strong></p>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Enoe Lopes Pontes</strong> — Antes de integrar a curadoria, qual era a sua familiaridade com o evento? Já tinha ido? Conhecia?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Carissa Vieira</strong> — Eu conheço o festival desde criança. Foi o primeiro festival de cinema que tive contato. Frequentei na infância e adolescência e fui júri popular no final da adolescência, em um ano que abriram inscrição para essa função.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Edu Fernandes</strong> — Antes de começar a trabalhar com o Cine PE, frequentei o festival umas duas ou três vezes como crítico de cinema, fazendo cobertura para a Revista Preview. E também acompanhava de forma remota a seleção e repercussão de algumas edições pela imprensa e por conversas com pessoas do meio, como realizadores e críticos.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Como e quando você foi chamada (o) para integrar a curadoria do festival?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>CV</strong> — Em janeiro de 2024. Os curadores mais a diretoria do festival entraram em contato comigo para que eu me juntasse a equipe do Cine PE. Nayara conhecia meu trabalho e me apresentou para Edu e os Bertini.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>EF</strong> — Eu que me candidatei expressamente. Em 2017, eu já tinha alguma experiência de trabalho junto com festivais de cinema, seja como mediador, oficineiro ou curador. Assim, quando encontrei Sandra Bertini no Cine Ceará daquele ano, conversei com ela sobre as dificuldades que o festival estava enfrentando com uma edição e me ofereci para participar da curadoria. Ela aceitou prontamente e comecei o trabalho logo no final daquele ano, selecionando os filmes que iriam para o Cine PE 2018.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Como funciona o seu trabalho ao lado de Edu?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">
<p><strong>CV</strong> — Nós assistimos aos filmes separadamente e juntos debatemos e selecionamos quais farão parte de cada mostra. Meu diálogo com Edu é bastante tranquilo. Confiamos bastante no trabalho e visão do outro, o que facilita na hora de dialogar sobre os filmes inscritos.</p>
<div class="quoted-text"></div>
</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — E você Edu, o que diria do trabalho com Carissa?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">
<p>EF — Funciona cada vez melhor, na minha visão. Entregamos agora a segunda edição juntos, sendo a primeira em que éramos apenas nós dois. Nesse período, deu para entender a dinâmica que melhor funciona entre a gente. No CinePE 2025, Carissa foi essencial para frear o meu ímpeto de lotar a grade de filmes, o que melhorou a dinâmica do festival, com programas mais concisos e uma seleção potente. Com uma mostra paralela que cresce a cada ano, esse movimento foi importante para fortalecer essas duas frentes do festival. E o resultado foi muito recompensador.</p>
<div class="quoted-text"><strong>ELP</strong> — Quais os desafios de escolher uma programação em conjunto? E individuais?</div>
</div>
<div><strong>CV</strong> — Individualmente a maior dificuldade é a quantidade de filmes para assistir. São muitas obras e são longas horas em frente a tela assistindo tudo. E sempre é difícil deixar boas obras de fora, mas acaba sendo impossível selecionar todos os filmes que gostamos.</div>
<div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">E acredito que coletivamente o maior desafio é criar uma programação coesa e que faça sentido para os dois curadores.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<p><strong>EF</strong> — O desafio, da minha parte, é o desapego, porque temos uma produção muito rica de filmes, o que ficou ainda mais evidente com a Lei Paulo Gustavo. Em conjunto, o desafio acredito que seja estarmos atentos para melhorar sempre. Então eu e Carissa sempre conversamos sobre o retorno que temos do nosso trabalho das mais diversas fontes, expomos ideias que brotam, trazemos relatos de como foram outros festivais que participamos e por aí vai.</p>
<div class="quoted-text">
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-19799" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-750x500.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-770x514.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615.jpeg 799w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
</div>
</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Existe algum tipo de produção que chama sua atenção positivamente? E negativamente?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">
<p><strong>CV</strong> — Filmes criativos na linguagem me interessam. E documentários que conseguem explorar uma linguagem inovadora me chamam atenção. Filmes de horror que trazem nossas raízes e histórias brasileiras me encantam também. Negativamente filmes que possuem discurso datado me causam um certo desconforto.</p>
</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>EF</strong> — Com o decorrer dos anos, percebo algumas coisas que me atraem, como falsos documentários (<em>mockumentaries</em>). Tanto que selecionei vários para as edições do Cine PE. Outra coisa que me fascina são premissas que me pegam de surpresa, como usos de gêneros cinematográficos de maneiras inusitadas. O que me chama atenção negativamente é que vemos fórmulas que julgamos arcaicas ainda sendo replicadas.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Dentro desse tempo de curadoria, você teria alguma história dentro do festival que seria interessante e/ou surpreendente para contar?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>CV</strong> — Este é meu segundo ano de festival e ainda não tenho nenhuma história surpreendente para contar.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>EF</strong> — Acho que a última foi a emoção à flor da pele no primeiro dia do Cine PE 2025. Por conta de uma falha no projetor, havia a possibilidade de mudança de toda a programação do festival. Carissa e eu rascunhamos uma proposta para espremer a programação em um dia a menos de exibição. Foi um exercício de cortar o coração, porque nossos programas são montados com muito carinho.  Jogar tudo isso fora abruptamente seria trágico. Felizmente a produção do festival é muito dedicada e conseguiu trocar o equipamento no cinema, o que causou um severo atraso na primeira noite, mas preservou o restante da programação. Tenho a impressão que valeu a pena, pelo menos pelo retorno que tive em relação a construção dos programas.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Fotos</strong>: Felipe Souto Maior, tiradas na 29ª edição do Cine PE.</div>
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		<title>29º Cine PE: Os enforcados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 12:02:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma mistura de premissas shakespeareanas, Fernando Coimbra (O Lobo atrás da Porta) utiliza suas referências para falar de amor, corrupção e traição. Em uma trama cheia de jogo de poder, a obra é corajosa ao abordar uma violência crua, principalmente em termos imagéticos. O sangue, a pancadaria, a agressão gráfica também fazem parte da narrativa e são utilizados como propulsores para a afirmação do argumento de que o ser humano é capaz de tudo pelo dinheiro. Ok, não há [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma mistura de premissas shakespeareanas, Fernando Coimbra (<em>O Lobo atrás da Porta</em>) utiliza suas referências para falar de amor, corrupção e traição. Em uma trama cheia de jogo de poder, a obra é corajosa ao abordar uma violência crua, principalmente em termos imagéticos.</p>
<p>O sangue, a pancadaria, a agressão gráfica também fazem parte da narrativa e são utilizados como propulsores para a afirmação do argumento de que o ser humano é capaz de tudo pelo dinheiro.</p>
<p>Ok, não há nada de muito novo nisso, mas aqui essa ganancia é bem explorada, pelo menos, na maior parte do tempo e de elementos. No entanto, alguns signos usados são tão óbvios, que a qualidade do roteiro se esvai um pouco na visualidade do longa.</p>
<p>A insistência do verde e do vermelho cria uma símbolo um tanto óbvio: o dinheiro e o sangue vão mover a trama. As tonalidades estão nos figurinos, nas paredes e nos objetos de cena. Isso é reiterar o que já está presente nas ações práticas do roteiro.</p>
<p>Talvez, se a utilização destes tons fosse mais sutil, a estratégia funcionasse melhor e as temperaturas fossem mais uma sugestão do que qualquer coisa. Neste sentido de obviedades, até a metade da projeção, a história é bastante previsível.</p>
<p>Bom, pelo menos para quem leu ou viu <em>Hamlet</em>, <em>Macbeth</em> ou qualquer uma das principais tragédia de Shakespeare. Está tudo ali, o irmão que mata o outro irmão, os assassinatos pelo poder, o banquete com os corpos dos filhos etc.</p>
<p>A única distinção do dramaturgo europeu para o roteirista brasileiro é que aqui se fala de corrupção no Brasil e os malandros da mafia do jogo do bicho. No entanto, o que faz a obra crescer e elevar sua qualidade é a segunda metade da exibição.</p>
<p>Com todos os elementos das relações entre as personagens estabelecidos — o casal central, a mãe da protagonista, o melhor amigo do antagonista etc. —, o espectador ganha as ferramentas para embarcar no estabelecimento de tensão.</p>
<p>Apesar do início ser óbvio, ele consegue criar uma imersão importante para que o restante da sessão funcione. Isto porque o enredo coloca quem assiste para acompanhar detalhes da vida íntima de Regina (Leandra Leal) e Valério (Irandhir Santos).</p>
<p>Assim, a proximidade e a cumplicidade com a dupla fica estabelecida e , até um dado momento da sessão, protegida por essa espécie de cumplicidade construída por Coimbra, entre consumidor e obra.</p>
<p>Mas, são as reviravoltas da história o ponto alto do longa, porque elas são impactantes e a encenação brinca com a elaboração de suspensão. Coimbra usa a movimentação do elenco e a câmera parada para aumentar a atmosfera de medo, tensão e violência.</p>
<p>Ao lado da mise-en-scène, o longa também possui um desenho de som que fomenta todas estas emoções. Um exemplo é a sequência do primeiro assassinato. Leal está enquadrada e se mexe pelo espaço.</p>
<p>O público segue a sua perspectiva e escuta apenas os ruídos do crime. Esse tipo de escolha da equipe de <em><strong>Os enforcados</strong></em> revela uma consciência de como o sonoro pode impactar muito mais do que mostrar graficamente algo, sobretudo quando combinado com a imagem correta.</p>
<p>Quando quem assiste observa a angustia de Regina (Leal),  a elaboração sobre o processo do ato de violência é imaginado por cada receptor, a partir de suas referências do que é o mais violento. Essa estratégia pode elevar a potencialidade do discurso de um produto audiovisual.</p>
<p>Dentro desta lógica de potencialidades bem exploradas, é preciso destacar o trabalho de Leandra Leal. Ainda que todo elenco esteja coeso e com construções que mostram a consciência de todos sobre contracena, é Leal que mais impressiona.</p>
<p>Através de um trabalho de corpo que mescla um relaxamento ativo com um rosto cheio de tensões, há uma complexidade grande em Regina. E estas camadas estão na interpretação de Leal e no roteiro também.</p>
<p>Regina é fútil, porém nem sempre. Regina é mau caráter, porém nem sempre. Não é inteligente o tempo inteiro, nem burra o tempo inteiro. Ela é uma rede de complexidades, na qual todos ao seu redor, que a subestimam, vão cair.</p>
<p>Desta forma, <strong><em>Os enforcados</em></strong> é, majoritariamente, um bom filme, mas com alguns elementos negativos, que reduzem um pouco de sua qualidade. No entanto, é uma obra que vale a pena de assistir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Direção</em></strong>: Fernando Coimbra</p>
<p><strong><em>Elenco</em></strong>: Leandra Leal, Irandhir Santos, Irene Ravache</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="Os Enforcados | Trailer Oficial" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/0FAUiuDM6m8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-os-enforcados/">29º Cine PE: Os enforcados</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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