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	<title>Arquivos 27º Cinepe - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos 27º Cinepe - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Em noite de encerramento, são anunciados os vencedores das Calungas de Prata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Sep 2023 20:47:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Já era noite no Teatro do Parque quando a atriz pernambucana Nínive Caldas iniciou a cerimônia de encerramento do 27º Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual. Inicialmente, foram entregues as Calungas de Prata de 2022. Com uma questão de falha técnica no ano anterior, a premiação acabou acontecendo apenas de forma on-line, mas a organização do evento trouxe as equipes dos filmes para Recife novamente para receberem seus troféus, em 2023. Em seguida, chegou o momento do anúncio dos vencedores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Já era noite no Teatro do Parque quando a atriz pernambucana Nínive Caldas iniciou a cerimônia de encerramento do <strong>27º Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual.</strong> Inicialmente, foram entregues as Calungas de Prata de 2022. Com uma questão de falha técnica no ano anterior, a premiação acabou acontecendo apenas de forma on-line, mas a organização do evento trouxe as equipes dos filmes para Recife novamente para receberem seus troféus, em 2023.</p>
<p>Em seguida, chegou o momento do anúncio dos vencedores d0 27º Cine PE. Com três mostras competitivas, a lista de premiados foi extensa e uma plateia animada celebrava quando os nomes eram lidos em cima do palco. Algumas produções apareceram de forma mais expressiva. <em>Entrelinhas</em>, do paranaense Guto Pasko, recebeu 05 prêmios: Melhor Diretor, Melhor Montagem, Melhor Edição de Som, Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz (Gabriela Freire).</p>
<p>Já <em>Agreste</em>, de Sérgio Roizenblit,  parece ter agradado ao júri oficial, pois venceu em quatro categorias: Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Ator Coadjuvante (Roberto Rezende) e Melhor Atriz Coadjuvante (Luci Pereira).  Nas categorias voltadas para os curtas, os grandes destaques foram <em>Eu Nunca Contei a Ninguém</em>, de Douglas Duan e <em>Quebra Panela</em>, de Rafael Anaroli. A animação de Duan, além de levar 4 Calungas para casa, foi agraciado com o Prêmio Canal Brasil de Curtas. A ficção de Anaroli, também obteve 04 Calungas.</p>
<p>Após todos os anúncios e discursos, Nínive encerrou a edição de 2023 chamando todos os ganhadores para uma foto coletiva, como uma forma de guardar a recordação daquele momento. A lista completa de produções agraciadas na festa do sábado está logo abaixo. Confira!</p>
<h4><strong>Lista Completa de Prêmios</strong></h4>
<p><strong>Prêmio da crítica (Abraccine)</strong> &#8211;  Longa-meragem: <em>Frevo Michiles</em>, de Helder Lopes. Curta-metragem: <em>Moventes</em>, de Jefferson Cabral.</p>
<p><strong>Prêmio Canal Brasil de Curtas</strong> &#8211; Eu Nunca Contei a Ninguém, de Douglas Duan</p>
<p><strong>Prêmio do Júri Popular</strong> &#8211;  Curta-metragem pernambucano:<em> Invasão ou Contatos Imediatos do Terceiro Mundo</em>; curta-metragem nacional: <em>Essa Terra É Meu Quilombo</em>, de Rayane Penha. Longa-metragem <em>Agreste</em>, de Sérgio Roizenblit.</p>
<p>Júri Oficial</p>
<h4 style="font-weight: 400;"><em><strong>MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS</strong></em></h4>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR FILME</strong> &#8211; “Quebra Panela”, de Rafael Anaroli;</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR DIRETOR</strong> &#8211; Rafael Anaroli, por “Quebra Panela”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ROTEIRO</strong> &#8211; Virgínia Guimarães, por “Filhos Ausentes”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR FOTOGRAFIA</strong> &#8211; Breno César, por “Coração da Mata”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR MONTAGEM</strong> &#8211; Priscilla Maria, Victória Drahomiro e André Hora, por “Coração da Mata”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR EDIÇÃO DE SOM</strong> &#8211; Matheus Mota e Jeff Mandú, por “Depois do Sonho”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR DIREÇÃO DE ARTE</strong> &#8211; Lia Letícia, por “Quebra Panela”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR TRILHA SONORA</strong> &#8211; Antônio Nogueira, por “Depois do Sonho”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATOR &#8211;</strong> Paulo César Freire, por “Invasão ou Contatos Imediatos do Terceiro Mundo”</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATRIZ</strong> &#8211; Geraldine Maranhão, por “Alto do Céu”</p>
<h4 style="font-weight: 400;"><strong>MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS</strong></h4>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR FILME</strong> &#8211; “Eu Nunca Contei a Ninguém” (PE), de Douglas Duan</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR DIRETOR</strong> &#8211; Douglas Duan, por “Eu Nunca Contei a Ninguém” (PE)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ROTEIRO</strong> &#8211; Paola Veiga, Roberta Rangel e Emanuel Lavor, por “Instante” (DF)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR FOTOGRAFIA</strong> &#8211; Lucas Loureiro, por “Fossilização” (RJ)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR MONTAGEM</strong> &#8211; Arthur B. Senra, por “Virtual Genesis” (DF)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR EDIÇÃO DE SOM</strong> &#8211; João Milet Meirelles, por “Quintal” (BA)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR DIREÇÃO DE ARTE</strong> &#8211; Douglas Duan, por “Eu Nunca Contei a Ninguém” (PE)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR TRILHA SONORA</strong> &#8211; Douglas Duan, por “Eu Nunca Contei a Ninguém” (PE)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATOR</strong> &#8211; Edmilson Filho, por “Única Saída” (RJ)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATRIZ</strong> &#8211; Ju Colombo, por “Fossilização” (RJ)</p>
<h4 style="font-weight: 400;"><strong>MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS</strong></h4>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR FILME</strong> &#8211; “Porto Príncipe”, de Maria Emília de Azevedo (SC/RJ)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR DIRETOR</strong> &#8211; Guto Pasko, por “Entrelinhas” (PR)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ROTEIRO</strong> &#8211; Newton Moreno e Marcus Aurelius Pimenta, por “Agreste” (SP)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR FOTOGRAFIA</strong> &#8211; Humberto Bassanello, por “Agreste” (SP)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR MONTAGEM</strong> &#8211; Lucas Cesario Pereira, por “Entrelinhas” (PR)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR EDIÇÃO DE SOM</strong> &#8211; Kiko Ferraz, por “Entrelinhas” (PR)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR TRILHA SONORA</strong> &#8211; Jota Michiles, por “Frevo Michiles” (PE)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR DIRETOR DE ARTE</strong> &#8211; Isabelle Bittencourt, por “Entrelinhas” (PR)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATOR COADJUVANTE</strong> &#8211; Roberto Rezende, por “Agreste” (SP)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATRIZ COADJUVANTE</strong> &#8211; Luci Pereira, por “Agreste” (SP)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATOR</strong> &#8211; Diderot Senat, por “Porto Príncipe” (SC/RJ)</p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>MELHOR ATRIZ</strong> &#8211; Gabriela Freire, por “Entrelinhas” (PR)</p>
<p><b>MENÇÃO HONROSA &#8211; </b>Ijó Dudu, Memórias da Dança Negra na Bahia” (BA), de José Carlos Arandiba,</p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Entrevista com Caio Blat, homenageado com a Calunga de Ouro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 18:10:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escolhido para ser o grande homenageado da 27ª edição do Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual, Caio Blat recebeu a Calunga de Ouro no dia 05 de setembro de 2023, aos 43 anos. Para entregar o troféu, subiu ao palco do Teatro do Parque, em Recife, o cineasta Cláudio Assis, com quem o ator trabalhou em Baixio das Bestas. Com produções na TV, no teatro e no cinema, Caio iniciou sua carreira ainda na infância, estrelando em comerciais, seguindo depois [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Escolhido para ser o grande homenageado da <strong>27ª edição do Cine PE &#8211; Festival do Audiovisual</strong>, Caio Blat recebeu a Calunga de Ouro no dia 05 de setembro de 2023, aos 43 anos. Para entregar o troféu, subiu ao palco do Teatro do Parque, em Recife, o cineasta Cláudio Assis, com quem o ator trabalhou em <em>Baixio das Bestas</em>. Com produções na TV, no teatro e no cinema, Caio iniciou sua carreira ainda na infância, estrelando em comerciais, seguindo depois para as novelas, peças e filmes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante sua fala, o intérprete revelou estar contente, mas surpreso com o prêmio, por sua pouca idade. Logo após o seu discurso, o Cine PE exibiu o novo curta-metragem com Caio, chamado <em>Travessia</em>, dirigido por Gabriel Lima. &#8220;Quando falaram que iriam me homenagear, eu disse: então, eu quero mostrar um trabalho novo, quero mostrar um filme inédito”. Ele é um curta que a gente acabou de fazer, que a gente acabou de mostrar em Cannes, mostrou em Roma. Esta é a primeira vez que ele vai passar no Brasil, vai ser no Cine PE&#8221;, explica Caio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na manhã seguinte, o celebrado deste ano participou de coletiva de imprensa, na qual respondeu atentamente a todos. Narrando um pouco sobre sua experiência de vida e de profissão, Blat descreveu um pouco sobre sua nova jornada na direção e seu processo como curador no Festival de Gramado. </span><span style="font-weight: 400;">Após todas estas atividades e de uma coleção de curiosidade que surgiram ao escutar Caio Blat falando sobre sua trajetória artística, o entrevistamos na área da piscina do Hotel Beach Convention by Hôm, em Boa Viagem, para matar algumas destas dúvidas, que renderam um bom papo. </span></p>
<p><strong>Confira agora o resultado deste encontro!</strong></p>
<h5><strong>ENTREVISTA</strong></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Enoe Lopes Pontes</strong> – Então, você estava falando, agora na coletiva, sobre sentir que essa homenagem é precoce e eu fiquei pensando muito sobre o que você disse no vídeo que foi mostrado ontem à noite, sobre você ter demorado para ter o rosto de um homem mais velho (risos). Como você, que praticamente esteve a vida inteira na sua profissão, enxerga essa visão que você tinha de si, dessa expectativa que você tinha antes, com o que você se tornou atualmente, como ator, artista e homem?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Caio Blat</strong> – Sim. Eu acho que é isso, é um processo natural. Eu tive o privilégio de frequentar muitos sets importantes, de muitos cineastas incríveis, de aprender muito com eles. Então, eu acho que é muito um processo. Eu vi o Selton Melo falar isso, que é um processo natural, porque você vai ouvir tantas opiniões, aprendendo tantos jeitos de filmar e é como se você fosse criando a sua própria linguagem, fosse maturando. E chega uma hora que você tem que falar também, assumir este protagonismo de dirigir também, de propor ideias. E é incrível que isso aconteceu no mesmo ano do Lázaro Ramos, que também é um cara que cresceu comigo na profissão, e do Wagner Moura, que também é um cara que cresceu comigo, filmamos sempre juntos. Então, nós três lançamos todos filmes no mesmo ano, todos com temática política. Então, eu acho que é um processo natural do nosso discurso, da nossa visão artística, da nossa visão política, o acúmulo de experiência, com tantos sets, com tantos diretores diferentes. Aí, chega uma hora que a gente também quer fazer, quer também falar, quer também dar opinião. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Uma outra coisa que me chamou atenção é que você contou que em seu processo de atuação você fica na personagem e isso funciona muito quando a gente está falando de atuação para cinema. Mas, como acontece isso, principalmente quando você vai para o teatro, por exemplo, que você tem que repetir várias vezes o mesmo espetáculo. Ou, então, como ocorre este processo entre um set e outro? Isso reverbera em seu corpo de alguma maneira?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – Eu acho que este é um processo de contaminação. Você entra numa personagem e vai se contaminando com o olhar dele, com o pensamento dele, com a posição social dele. Como quando eu vim para cá ficar com Claudão (Assis), ficar na Zona da Mata, e eu fazia um <em>agroboy</em>. Eu ficava vendo os boys passando de caminhonete, passando de moto, tirando onda, ficava ouvindo histórias, ia procurar nos bares. Então, o dia inteiro você vai se contaminando deste ambiente, desta cultura, vai ouvindo o sotaque. Então, não tem corta e ação, o tempo inteiro você está se contaminando, imaginando o que o personagem faria ali, o que ele pensaria ali, onde ele estaria, como ele se comportaria naquele momento. E aí, quando liga a câmera, você já tá contaminado desse ambiente, desse lugar. Eu gosto muito de trabalhar assim, com preparação. Trabalhei com vários preparadores, nesse sistema também, quando, por exemplo, eu fui filmar <em>Bróder</em>, no Capão Redondo, em São Paulo. Eeu aluguei uma casa lá, eu ficava com os moleques, eu andava no meio da rua, eu ouvia histórias . Por exemplo, muitos meninos lá que optam pela vida do crime, por exemplo, e às vezes a gente estava andando na rua, alguém chamava para uma conversa e você via que os meninos estavam indo assaltar ou estavam indo participar de um negócio. Então, era uma coisa assim natural para mim na vida da comunidade, os meninos que optam por essa vida, que é como a vida da personagem. Então, eu estava fazendo a personagem e convivendo no lugar onde ele teria crescido, com os amigos onde ele teria crescido e convidaram ele para entrar para um assalto, para alguma coisa assim.</span></p>
<figure id="attachment_17182" aria-describedby="caption-attachment-17182" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-17182" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696.jpg" alt="caio blat" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/09/dsc-5696-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17182" class="wp-caption-text">Foto: Felipe Souto Maior/AG News</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Sim, sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – Então, você vai mergulhando nesses lugares, porque a vida de ator tem desses privilégios, essa pesquisa, esse mergulho, de conhecer lugares da sociedade onde talvez não conheceria com outras profissões, como <em>Carandiru</em>, por exemplo, que não existe mais. Ele foi implodido, virou um parque enorme, mas a gente teve lá dentro das celas, daquele lugar onde aconteceu aquela chacina. A gente conheceu a vida daquelas pessoas, a gente registrou. Aí, no momento seguinte, você vai para Cannes mostrar isso, um lugar totalmente oposto, num lugar cheio de glamour, em um ambiente totalmente diferente. Então, o ator faz essa ponte com a sociedade, ele mergulha em buracos, em lugares específicos, absorve e se contamina daquela cultura e, depois, leva o resultado que fica eternizado. Então, é um trabalho muito legal, que constrói a identidade do país, que constrói a história do país, reconta a história do país. Então, eu me sinto muito privilegiado com essa profissão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> –  Entendi. Bom, pegando já um gancho para a terceira pergunta, você falou sobre agora sobre Cannes, mas, falando sobre os festivais do Brasil, você foi curador em Gramado agora, e está aqui hoje no Cine PE e estava com Luísa (Arraes) em Vassouras. São festivais de regiões diferentes dos país. Assim, como você enxerga, como uma pessoa que já frequentou muitos festivais, os festivais brasileiros em toda sua pluralidade, tanto no que a gente passou nos últimos anos e como estamos agora, como você vê a importância, a relevância dos festivais do Brasil?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – É isso, cada festival tem sua identidade, tem a sua cultura local. Gramado valoriza muito os filmes gaúchos, tem uma sessão só de filmes gaúchos. Ontem, a gente teve uma sessão só de filmes pernambucanos e Vassouras mostrou os filmes do Vale do Café. Então, a gente vai aprendendo sobre as diversas culturas, sobre as diversas regiões. Ao mesmo tempo, trazendo filmes de fora para ali, promovendo essa troca, esse debate. Os festivais de cinema são muito gostosos por causa disso, dessa troca. Você encontra pessoas que você não encontraria por aí, vê filmes inéditos, diferentes, vê curtas que são muito importantes para ver o que a galera jovem está fazendo, o que a galera das universidades tá fazendo, são sempre muito provocativos. Então, são ambientes deliciosos de troca, de conversa. Ao mesmo tempo, você encontra veteranos, encontra os críticos, encontra O Merten*. </span></p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim, verdade.</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> &#8211; Então, os festivais são sempre lugares para você aprender, ver o que está de novo surgindo, conhecer uma cultura local, trazer coisas de fora. São grandes pontos de encontro, são importantíssimos. O nosso cinema está sempre batalhando por janelas, por cota de telas. Então, os festivais são muito importantes para isso, para promover a nossa produção, para dar uma primeira janela inédita para filmes novos, curtas, como o <em>Travessia</em> ontem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Inclusive, gostei muito do curta. Parabéns. Bom, para finalizar, uma pergunta um tanto clichê, mas que eu acho relevante. Você já tem muitos anos de trajetória, têm coisas que você ainda acha que são sonhos, que talvez sejam até distantes, inspirações, coisas que você ainda quer muito fazer?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>CB</strong> – (risos). Muita coisa! Tem muita coisa! Tem muita gente que eu quero trabalhar ainda. Eu gosto muito de viajar o país. Então, eu adoro quando vêm convites de longe, de outras regiões, outros estados, ter que aprender outro sotaque. É uma coisa que me motiva muito também. E quero filmar por aí, quero fazer filme pra molecada. É uma coisa que eu tenho sonho. Eu queria fazer A droga da obediência, do Pedro Bandeira. Eu acho que é uma coisa que é muito pouco valorizada, que é o cinema pra crianças e pra adolescentes, que é um público muito importante para ser formado pelo cinema brasileiro e para ter uma atenção especial. Então, eu sempre penso em projetos para a molecada e é isso aí.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">*Luiz Carlos Merten, do Estadão</span></p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Eu Nunca Contei a Ninguém</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 19:00:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com uma equipe super enxuta, formada pelo quarteto Douglas Duan, Kadydja Erlen, Apollo Angelo e Gabriela Melo, a animação Eu Nunca Contei a Ninguém surpreende por sua qualidade técnica, mesclada ao tom sensível que emociona. Narrando a experiência de Luca (Apollo) e seu primeiro contato com uma morte na família, o curta-metragem consegue convocar um equilíbrio único entre realismo, metáforas e o lúdico. Estes elementos todos se dão pela junção do universo do stop-motion &#8211; que foi todo feito com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com uma equipe super enxuta, formada pelo quarteto Douglas Duan, Kadydja Erlen, Apollo Angelo e Gabriela Melo, a animação <strong><em>Eu Nunca Contei a Ninguém</em></strong> surpreende por sua qualidade técnica, mesclada ao tom sensível que emociona. Narrando a experiência de Luca (Apollo) e seu primeiro contato com uma morte na família, o curta-metragem consegue convocar um equilíbrio único entre realismo, metáforas e o lúdico.</p>
<p>Estes elementos todos se dão pela junção do universo do stop-motion &#8211; que foi todo feito com algodã0 -, que cria este mundo fantástico e imaginativo da criança, mas com interpretações na dublagem que carregam as tonalidades do realismo. Desta maneira, cria-se aqui uma atmosfera rica em sentido e enquanto o público investiga cada detalhe mostrado na tela, ele também passa a se emocionar com os pensamentos de Luca e sua visão sobre os adultos.</p>
<p>Este é o maior ganho do curta, o olhar cuidadoso e detalhista para cada elemento que está sendo posto em cena. A começar pelo roteiro, que convoca diálogos fluidos, sem exposição óbvia das circunstâncias, porém sem tentar esconder o que está acontecendo. Em poucas falas verbais, a plateia entende o protagonista e as pessoas que lhe cercam estão passando.</p>
<p>Há um tom adulto, que vem da escrita de Duan, mas com uma sensibilidade infantil &#8211; no melhor significado da palavra! -, carregando consigo uma espécie de pureza da infância. Este sentimento tão bonito, que se esvai com a dureza da vida adulta, continua com Douglas Duan de alguma forma.</p>
<p>Isto porque o artista capta esta imensidão, presente dentro da percepção que as crianças têm da vida, com propriedade, como na sequência na qual Luca está no carro e reflete sobre como os mais velhos mentem constantemente.</p>
<p>Outro fator tratado com zelo é a direção de arte e de fotografia, realizadas por Duan. Cenografia e figurinos estão em coesão com a iluminação, que trafegam pelas sensações da personagem principal, que vai da dúvida, passando pela empolgação, melancolia e mudança de estado (de tristeza para proteção).</p>
<p>O vermelho e seus tons próximos se fazem presentes durante toda projeção. Esta cor, que permeia a tela e toda mise-en-scène, mostra como esta é uma obra afetiva, que tem calor humano, saltando do ecrã. É uma produção sobre amor incondicional e cumplicidade. O rubro constante vem então fomentar esta emoção, que encontra com o azul claro persistente.</p>
<p>O azulado suave convoca o desalento da perda, juntamente com a serenidade de saber que somos eternos enquanto houver sentimento verdadeiro e possibilidade de reencontro. São notáveis também as atuações do elenco, formado por Douglas, Kadydja e Apollo, com destaque para o último citado, pois ele é um garoto de cinco anos, que demonstra em sua interpretação uma compreensão profunda sobre seu texto.</p>
<p>O artista mirim apresenta carisma, porém ele vai além disso. Apollo reúne a ingenuidade, que vem da sua própria fase de vida, com a firmeza de quem já tem certeza de tudo em tão tenra idade. Douglas e Kadydja ajudam nesta construção, mantendo a impressão de que desejam proteger e fortalecer os laços com este menino, que eles sabem que passa por um momento difícil.</p>
<p>São nas pausas e oscilações das vozes dos atores, que interpretam os adultos nesta trama, que a seriedade do que está ocorrendo é compreensível. Esta noção é colaborada pela montagem. O olhar do público é direcionado pelos cortes, que ampliam as definições do que está ocorrendo. Além disso, há um pequeno espaço criado entre um momento e outro, que pode ser ínfimo, mas que aumenta a criação narrativa, na cabeça de quem de assiste.</p>
<p>É como se existisse uma elaboração conjunta, na qual nem tudo é estampado no ecrã, porém é digerido e imaginado durante a sessão. E é por isso que <em><strong>Eu Nunca Contei a Ninguém</strong></em> contém maestria, entregando cinema de qualidade e arrancando algumas lágrimas dos mais sensíveis.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Douglas Duan</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Apollo Angelo, Kadydja Erlen, Douglas Duan</p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Coração da Mata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 16:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Maracatu é um movimento cultural de Pernambuco, que surge no período de escravização e que se mantém firme na tradição pernambucana ainda na contemporaneidade. Apesar de tanto tempo de história, este permanece sendo um local ocupado quase que majoritariamente por homens. O que mudou um pouco desta realidade foi um grupo de mulheres que, desde 2004, se juntaram para fazer um grupo de Maracatu rural 100% feminino. É sobre quatro integrantes desta equipe artística que o documentário Coração da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Maracatu é um movimento cultural de Pernambuco, que surge no período de escravização e que se mantém firme na tradição pernambucana ainda na contemporaneidade. Apesar de tanto tempo de história, este permanece sendo um local ocupado quase que majoritariamente por homens. O que mudou um pouco desta realidade foi um grupo de mulheres que, desde 2004, se juntaram para fazer um grupo de Maracatu rural 100% feminino. É sobre quatro integrantes desta equipe artística que o documentário <strong><em>Coração da Mata</em></strong> se debruça.</p>
<p>Todavia, o grande ganho aqui é que a diretora, roteirista e produtora Camila Martins &#8211; que assina a escrita e a produção ao lado de Daniel Edmundson &#8211; vai além da questão cultural, que já é em si riquíssima. Camila abre espaço para a discussão de gênero, dando visibilidade para a história e as vivências de Tina, Sônia e Luiza, que são personagens cheias de pluralidades, mas que se unem através do amor pelo carnaval. A mescla de imagens do cotidiano delas, com as performances do Maracatu elevam a potencialidade da narrativa.</p>
<p>Há uma estratégia de aproximar os espectador contando detalhes íntimos sobre aquelas figuras, com menções sobre suas jornadas, desafios, sofrimentos e reflexões sobre a sociedade, fazendo com que o distanciamento com a plateia se reduza progressivamente. Ao mesmo tempo,  a qualidade técnica e o talento delas e suas companheiras de arte é acompanhado, através de sequências com as danças, movimentos e cortejo dos festejos carnavalescos. Neste sentido, existe um elemento que chama a atenção na direção de Martins.</p>
<p>A cineasta consegue provocar emoção e &#8220;manipula&#8221; este sentimento em quem assiste sob um olhar muito mais aberto e amplificado. Camila Martins parece evitar os closes, por exemplo, revelando na tela o espaço onde estas mulheres vivem, transitam, costuram, cozinham, dançam e celebram a vida. O contexto geral é o mais essencial neste cenário, para que esta conexão com as personagens se firmem e não abandonem mais o público. Dentro deste universo, a equipe do documentário conta também com o carisma e a disponibilidade das personagens.</p>
<p>Elas se expõem e marcam a presença delas com falas conscientes, como no discurso sobre os homens não deixarem elas terem o protagonismo, colocando-as apenas para costurar e cozinhar. As tarefas são dignas, obviamente, mas é notável a angustia deste grupo em querer a chance da escolha, pois elas repetem diversas vezes &#8220;lugar de mulher é onde ela quiser&#8221;. Assim, seja em suas profissões, casas ou hobbies, a mensagem deste grupo de Nazaré da Mata é simples: elas existem, resistem e vão ocupar os espaços que desejarem, não importando os olhares masculinos de opressão.</p>
<p>Por conseguir retratar tão profundamente os sentimentos e lutas de um mundo corroído por tensionamentos diários das integrantes femininas de um movimento cultural tão importante para os pernambucanos, sem perder a poesia e a beleza imagética do Maracatu, que <strong><em>Coração da Mata</em></strong> se torna um belo trabalho, que emociona, cativa e faz o coração disparar, aquecido pela presença destas personagens tão intensas e pelas cenas cheias de figurinos bonitos e expressões artísticas bem performadas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Camila Martins</p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Porto Príncipe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 15:49:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diversos elementos técnicos e discursivos perpassam a construção narrativa de Porto Príncipe, longa-metragem de Maria Emília de Azevedo. Todavia, há um foco central que confere a maior qualidade do filme: a amizade entre as personagens centrais da obra. Ainda que existam pontos que poderiam ser melhor desenvolvidos, a conexão entre os atores Selma Egrei e Diderot Senat é bem construída, tanto na dinâmica de contracena quanto no próprio trabalho de Maria Emília. Quando Selma e Diderot estão em cena juntos, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Diversos elementos técnicos e discursivos perpassam a construção narrativa de <strong><em>Porto Príncipe</em></strong>, longa-metragem de Maria Emília de Azevedo. Todavia, há um foco central que confere a maior qualidade do filme: a amizade entre as personagens centrais da obra. Ainda que existam pontos que poderiam ser melhor desenvolvidos, a conexão entre os atores Selma Egrei e Diderot Senat é bem construída, tanto na dinâmica de contracena quanto no próprio trabalho de Maria Emília.</p>
<p>Quando Selma e Diderot estão em cena juntos, a câmera permanece parada, em um enquadramento médio, na maioria das vezes, fazendo com que as sequências da dupla ganhem uma movimentação metafórica. São nos diálogos que as personagens Bertha e Bastide revelam suas forças e fragilidades. Os intérpretes parecem improvisar os silêncios, os sorrisos, as pausas. É emocionante ver o jogo criado pela dupla, que não tem pressa para investigar e demonstrar as emoções de seus papéis.</p>
<p>Maria Emília ao notar esta dinâmica bonita, vinda de seus atores, deixa que a sua criação esteja completamente voltada para a narrativa. Ao lado do fotógrafo Marx Vamerlatti, a cineasta elabora camadas imagéticas, que expressam os sentimentos e pensamentos das figuras principais da história, como nas transições de estado das personagens. As sombras vão se dissipando e a tela ficando cada vez mais iluminada, mudando o estado da vida de Bertha e Bastide, que crescem em suas jornadas, ganhando mais liberdade e confiança para alcançar seus sonhos.</p>
<p>Além deste particular e íntimo das relações humanas, que são investigados a partir desta amizade, o roteiro de Marcelo Esteves não deixa de explorar questões políticas e sociais. Bastide é um homem haitiano, um homem negro e imigrante, que vai morar em Santa Catarina. Assim, o enredo traz o racismo e o elitismo deste Estado, que se vê superior por ter descendentes de alemães, revelando todo o fascismo e comportamento hipócrita de uma região.</p>
<p>O filho de Bertha é quem mais representa este tipo de gente, que vem com uma postura de protetor da família, apenas para não escancarar o preconceito e a atitude criminosa perante os negros. Mas, tanto na escrita quanto na mise-en-scène, é notável a articulação e a movimentação deste branco sulista para oprimir, com falas violentas, tanto a sua mãe, por ser mulher, quanto Bastide, por ser estrangeiro e um rapaz preto. Talvez, a discussão pudesse ser um pouco mais firme, mais corajosa, porque ela se esvai e não toma um desfecho direto. Fica mais pelo não dito.</p>
<p>Bastide também demora demasiadamente de se impor. Somente a partir da virada da trama, quando ele e Bertha brigam é que o escutamos proferir tudo que foi um incômodo na postura de Bertha, durante a sessão inteira. A postura dela de w<em>hite savior</em> e a permissividade dada ao seu filho é angustiante. Este comportamento da personagem serve para criar sua complexidade, porém a produção cresceria se o olhar crítico de Bastide estivesse presente na obra desde o começo.</p>
<p>Além disso, depois da discussão entre os dois, existe uma sequência muito forte vivida por Bastide. Todavia, uma grande elipse temporal é criada, apagando todo o conflito que foi estabelecido progressivamente na exibição. A resolução do maior nó do longa é dada de forma tão fácil, que parece um ausência de habilidade em trabalhar o próprio conteúdo criado pela equipe. Há esta quebra de expectativa, que compromete um tanto do resultado geral aqui.</p>
<p>Ainda assim, <em><strong>Porto Príncipe</strong> </em>vale por encantar com sua estética, que mescla o particular e o universal, por apresentar intérpretes carismáticos e talentosos e por deixar uma sensação de que é sempre possível recomeçar, em uma nova terra, em qualquer idade ou circunstância. O filme não traz uma fala “polianesca” sobre o enfrentamento das dificuldades, mas apresenta um tom de renovação e força, que deixam os olhos marejados, ao final da projeção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maria Emília de Azevedo</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Selma Egrei, Diderot Senat, Léo Franco</p>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Procuro Teu Auxílio Para Enterrar Um Homem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Sep 2023 15:36:37 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
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		<category><![CDATA[Anderson Bardot]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Este país é uma miragem&#8221;, diz Anderson Bardot no roteiro de seu novo curta-metragem, Procuro Teu Auxílio Para Enterrar Um Homem. Entre batidas de percussão, penumbra e uma imagem em p&#38;b durante quase toda a projeção, o filme soa como um manifesto. A cor, por exemplo, somente aparece na libertação das suas personagens. Assim, esta ausência do colorido vem para retratar a opressão de uma sociedade transfóbica e excludente. Na sinopse, Bardot, que também dirige e monta a produção, informa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Este país é uma miragem&#8221;, diz Anderson Bardot no roteiro de seu novo curta-metragem, <strong><em>Procuro Teu Auxílio Para Enterrar Um Homem</em></strong>. Entre batidas de percussão, penumbra e uma imagem em p&amp;b durante quase toda a projeção, o filme soa como um manifesto. A cor, por exemplo, somente aparece na libertação das suas personagens. Assim, esta ausência do colorido vem para retratar a opressão de uma sociedade transfóbica e excludente. Na sinopse, Bardot, que também dirige e monta a produção, informa que a obra se passa no Brasil de 1870.</p>
<p>Todavia, esta história é atemporal e quanto mais ela se mostra universal e sem demarcação de tempo, mais ela funciona na tela. Primeiramente, existe uma ausência de retratação fiel na cenografia e no figurino, que trazem um pouco de incômodo para o espectador. No entanto, é preciso ressaltar que esta falha do curta somente ficará mais intensa, podendo interferir na fruição, se a plateia tiver a consciência do período que Bardot quis mostrar. Do contrário, a narrativa cresce e tem a capacidade de causar um impacto maior no público.</p>
<p>Isto porque as dinâmicas sonoras e visuais trabalham para imprimir as sensações daquelas figuras ficcionais em quem acompanha aquela trama. Na decupagem há menos movimento de câmera e o foco fica com a mise-en-scène. Os movimentos do elenco e as proximidades dos mesmos entre si, fazem com que a suspensão se eleve. A atmosfera criada por Anderson Bardot é de mistério, de mundo das bruxas, do qual Gita faz parte e se coloca através dele para ter força para quebrar com um destino que parece ser inevitável.</p>
<p>O poder de Gita sobre seu futuro é reforçado progressivamente e reafirmado pela estratégia de retirar o preto e branco, colocando as cores nas sequências finais. É bonito de acompanhar a jornada deste heroína e de suas companheiras &#8220;bruxas&#8221; que, em uma espécie de ritual, vão quebrando a maldição do patriarcado repressor. Ainda que o curta seja um tanto pretensioso, pois se vale de complexidades demasiadas &#8211; técnica e discursos não tão deglutíveis, talvez? -, esta suposta prepotência se desfaz na qualidade do conteúdo em si, revelando como Bardot utiliza direção e montagem à serviço de seu roteiro.</p>
<p>A tecnicidade apurada não está ali somente para floreios, mas para fomentar as emoções discursivas e dos sentimentos das personagens. Desta forma, <em><strong>Procuro Teu Auxílio Para Enterrar Um Homem</strong> </em>é visualmente impactante e constrói reflexões plurais. Mesmo sem o zelo de pesquisa maior da equipe de arte, o fato de ser no Brasil Imperial não importa tanto para o contexto convocado. Por isso, é no sensorial e visual que Bardot ganha qualidade para seu trabalho e faz com que a plateia, do início ao final da sessão, se conecte com aquele universo ficcional.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Anderson Bardot</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Erik Martincues, Guaja, Higor Campagnaro, Thelma Lopes</p>
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