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	<title>Arquivos Zezé Motta - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Zezé Motta - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XXI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Xica da Silva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 01:48:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Xica da Silva é um espetáculo visual e narrativo, no qual um encontro entre um diretor como Cacá Diegues (Bye Bye Brasil) e uma atriz como Zezé Motta (Doutor Gama) resulta em instantes cênicos memoráveis.  Ainda que gere desconforto em diversos momentos da sessão, o longa-metragem de Diegues possui sequências que beiram a genialidade. A começar pela construção de Zezé, que é pautada por modulações vocais, que destacam os momentos que a sua personagem está vivendo. Os distintos tons revelam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><em>Xica da Silva</em> é um espetáculo visual e narrativo, no qual um encontro entre um diretor como Cacá Diegues (<em>Bye Bye Brasil</em>) e uma atriz como Zezé Motta (<em>Doutor Gama</em>) resulta em instantes cênicos memoráveis.  Ainda que gere desconforto em diversos momentos da sessão, o longa-metragem de Diegues possui sequências que beiram a genialidade.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A começar pela construção de Zezé, que é pautada por modulações vocais, que destacam os momentos que a sua personagem está vivendo. </span><span style="font-weight: 400;">Os distintos tons revelam os sentimentos de Xica e o que ela pretende fazer. </span>Esse elemento potencializa a sensação de proximidade com a personagem.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, Zezé revela uma destreza na composição física do seu papel, porque cada retenção e movimento parece calculado.  <span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, a intérprete imprime organicidade porque faz destes gestos de Xica um complemento para a narrativa.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na realidade, um dos maiores méritos de Zezé Motta aqui é conseguir aliviar a visão racista e misógina desta adaptação homônima do livro de  João Felício dos Santos. </span><span style="font-weight: 400;">Há uma dignidade inserida em Xica, que vem da perspectiva de Zezé.</span><span style="font-weight: 400;"> Em relação aos incômodos (muitas vezes amortecidos pela presença e trabalho de Motta), é preciso pensar sobre o momento no qual o longa foi feito.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em diversas entrevistas, Cacá Diegues deixa nítido como a indústria do audiovisual tinha interesse ínfimo em retratar narrativas negras. </span><span style="font-weight: 400;">Desta forma, o que é possível de observar na produção é o retrato de uma mulher que existiu e virou uma lenda, sob a perspectiva de um diretor talentoso, mas um homem branco, que tinha interesse em trazer para a telona mais histórias da comunidade negra, vide sua filmografia.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Então, existem méritos e deméritos no longa e cabe o espectador ter discernimento para criticar e saber apreciar o que existe de revolucionário ali. Contar a história de Xica da Silva, dando-lhe protagonismo e criticando os brancos europeus tem um quê de satisfatório.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Talvez, todavia, o desfecho da sessão pudesse ser de triunfo para a protagonista? No entanto, também cabe observar dois elementos certeiros da direção de Diegues, que amortecem certos impactos da narrativa. O primeiro é o apuro estético do cineasta. A composição de enquadramento e luz engrandecem a trama.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ao lado do diretor de fotografia José Medeiros (<em>Jubiabá</em>), os quadros recebem uma iluminação que, não apenas apresenta o estágio do enredo e a situação de sua heroína (apresentação do problema, enlace, clímax etc.), como entrega qual a perspectiva de Xica sobre cada momento.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20567" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430.jpeg" alt="" width="588" height="390" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430.jpeg 588w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_6430-360x240.jpeg 360w" sizes="(max-width: 588px) 100vw, 588px" /></p>
<p>Um exemplo é a sequência na qual a moça faz o seu jogo de sedução com o Comendador João Fernandes (Walmor Chagas). De onde a luz incide? Das janelas, ao fundo. Xica fala uma coisa com o corpo e outra com o texto verbal. Inclusive, toda a encenação deste instante narrativo é uma aula de direção.</p>
<p>Para além da iluminação, tem-se a marcação de cena, que coloca todos os brancos “figurões” da cidade à margem. Em um plano geral, Xica desliza pelo espaço, apropriando-se dele, tomando-o como seu, a partir desta conexão com João. Essa é uma parte importante da sessão, porque ilustra o segundo ponto sobre o olhar de Cacá.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Apesar de contar com seu male gaze branco, existe um respeito nesse gaze. (É, essa é uma das coisas mais difíceis que esta que vos fala precisou explicar, porém foi isso mesmo que foi dito). Ele procura reverenciar essa figura dramática com sua câmera.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Uma forma de observar esse cuidado de Diegues é justamente em sua decupagem. </span>Os quadros de nudez de Xica, geralmente, são mais longos, mais abertos e com movimentos de câmera. Além disso, os gestos e deslocamentos parecem meticulosamente coreografados. Apesar de existir uma grande sensualidade e exuberância em Xica, aqui há uma artificialidade orgânica, que contribui para uma interpretação mais estética do que sexual.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Algo que eleva essa potencialidade é o trabalho da equipe de arte. Os tons e as texturas imprimem essa dicotomia que habita a personalidade de Xica. Entre jóias e badulaques, ela não deixa de ser guerreira e estratégica nunca. Essas características estão nas tonalidades e formatos dos objetos.</span></p>
<p>O amarelo e o branco são destaque nas peças de Xica, enquanto o verde e o azul a cercam nos locais que ela está presente. A abundância e a paz que ela deseja está sempre em perigo, seja na melancolia ou na desesperança, que são elementos opostos à sua personalidade. São nesses símbolos que a complexidade dela é formada e a construção de sentido complexificada.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>Xica da Silva</em> é um filme difícil de se julgar. Apesar de conter questões que não podem ser deixadas de lado em debates, a obra impressiona pelo seu apuro técnico, na direção, na atuação de Zezé Motta e no trabalho de todo o elenco, que aumenta ainda mais a qualidade das cenas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Por fim, o longa ainda tem a música tema, que é inserida nos momentos de glória de Xica. O desfecho poderia ser mais justo com a trajetória da personagem, porém é impossível que esse seja um título que não desperte emoções profundas em quem o assiste com atenção.</span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Cacá Diegues</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Zezé Motta, Walmor Chagas, Stepan Nercessian</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Xica da Silva - Trailer" width="1170" height="878" src="https://www.youtube.com/embed/wTrlXi-2ncc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crítica: Othelo, O Grande</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 23:41:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos primeiros registros exibidos pelo documentário Othelo, O Grande traz Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, respondendo a uma pergunta que lhe foi dirigida sobre sua relação com a política. O artista sintetiza que sua relação com o tópico fica restrita a sua habilidade de fazer rir. Provocação ou não de Grande Otelo, a verdade é que, ao longo do filme de Lucas H. Rossi, o público terá contato com uma das figuras mais emblemáticas da nossa cultura que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos primeiros registros exibidos pelo documentário <strong><em>Othelo, O Grande</em></strong> traz Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, respondendo a uma pergunta que lhe foi dirigida sobre sua relação com a política. O artista sintetiza que sua relação com o tópico fica restrita a sua habilidade de fazer rir. Provocação ou não de Grande Otelo, a verdade é que, ao longo do filme de Lucas H. Rossi, o público terá contato com uma das figuras mais emblemáticas da nossa cultura que durante toda a sua vida, intencionalmente ou não, desestabilizou muitas estruturas problemáticas do nosso país ao se fazer presente de maneira tão enérgica e carismática no teatro, na TV, na música e no cinema.</p>
<p>Desafiando o racismo brasileiro, Grande Otelo se tornou um dos nossos artistas mais importantes do século passado, atravessando eras e gêneros narrativos que só destacaram o seu talento. Através do seu documentário, Lucas H. Rossi dimensiona muito bem essa importância com trechos de entrevistas do artista nas quais Grande Otelo procura elaborar em palavras o seu legado artístico e também o significado do seu sucesso na percepção do público, sobretudo o que isso representava para a presença de pessoas pretas no audiovisual brasileiro. O filme de Rossi então tem uma linha narrativa definida pela montagem desses depoimentos e faz isso de forma muito competente, construindo a trajetória de Grande Otelo por meio de esforços da linguagem cinematográfica auxiliados pelas próprias palavras do seu biografado.</p>
<p><strong><em>Othelo, O Grande </em></strong>contempla diversos momentos da carreira do artista. Na seara privada, o filme aborda sua infância em Uberlândia, quando foi entregue por sua mãe a uma outra família para receber a educação que ela não poderia proporcionar, até mesmo assuntos delicados como a morte da sua primeira esposa e do seu primeiro filho, algo tratado com uma reticências eloquentes pelo artista e pelo próprio documentário. No âmbito do itinerário das contribuições artísticas de Grande Otelo, o documentário é ainda mais feliz ao contemplar diversas fases da sua carreira: a participação na Companhia Negra de Revista e sua relação com Abadias do Nascimento na concepção de um teatro só de negros no Brasil, sua popularidade nas chanchadas e a estereotipação dos seus personagens nesses filmes e o seu renascimento artístico nas mãos de cineastas como Joaquim Pedro de Andrade (Macunaíma) e Werner Herzog (Fitzcarraldo), além da sua entrada na televisão em Escolinha do Professor Raimundo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18733" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo.jpg" alt="Othelo, O Grande" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/09/grandeothelo-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todos os momentos da trajetória de Grande Otelo são calibrados pelas reflexões do artista sobre o racismo nem sempre velado que sua presença nas telas gerou. Estabelecendo um paralelo recente, <strong><em>Othelo, O Grande</em></strong> tem forte relação com o documentário Diálogos com Ruth de Souza, na medida em que este também contemplava reflexão semelhante feita por outra artista brasileira de grande importância, entendendo como ambos conseguiram alcançar espaços e terem projeções inimagináveis para um negro no Brasil, com as oportunidades que eram dadas a suas carreiras em seus respectivos contextos. Em sua época, tanto Grande Otelo quanto Ruth de Souza realizaram verdadeiras subversões em uma estrutura produtiva ainda racista.</p>
<p><strong><em>Othelo, O Grande</em></strong> dimensiona o legado de Grande Otelo para futuras gerações, proporcionando uma consistente revisão na história do audiovisual brasileiro pela perspectiva racial. Nesse sentido, como uma boa biografia, o filme de Lucas H. Rossi é competente na reconstrução da trajetória profissional e pessoal do seu protagonista, mas quer ser mais do que uma mera trivia audiovisual. <em>Othelo, O Grande</em> é também um documento histórico profundamente comprometido com uma leitura sobre o passado de um país, de uma manifestação cultural e como tudo isso pode ser processado no presente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lucas H. Rossi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Grande Otelo, Paulo José, Zezé Motta</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ycLcyWuhhDE?si=WNxJfVa9WOrbrGhw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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