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	<title>Arquivos XX Panorama - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos XX Panorama - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Mediador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Apr 2025 15:03:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quem conhece &#8211; e gosta &#8211; o trabalho de Marcus Curvelo (Mamata, Joderismo, Eu, empresa, etc.), vai gargalhar desde o primeiro plano de O Mediador. Mas, é aquela risada nervosa, que vem junto com um nó na garganta. Curvelo tem essa capacidade de apostar em estéticas simples para dizer coisas complexas e profundas. E funciona. Em seu curta-metragem novo é exatamente assim que acontece. O artista faz um documentário híbrido, que traz imagens dos brasileiros que clamavam por um golpe [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Quem conhece &#8211; e gosta &#8211; o trabalho de Marcus Curvelo (<em>Mamata</em>, <em>Joderismo</em>, <em>Eu, empresa</em>, etc.), vai gargalhar desde o primeiro plano de <em><strong>O Mediador</strong></em>. Mas, é aquela risada nervosa, que vem junto com um nó na garganta. Curvelo tem essa capacidade de apostar em estéticas simples para dizer coisas complexas e profundas. E funciona.</p>
<p>Em seu curta-metragem novo é exatamente assim que acontece. O artista faz um documentário híbrido, que traz imagens dos brasileiros que clamavam por um golpe de Estado, após as eleições de 2022. Ao mesmo tempo, temos as reflexões políticas e sociais de Marcus, em um estúdio e em caminhadas pelas ruas de Salvador.</p>
<p>Sem muita firula na técnica, porém com uma decupagem consciente, o que impacta aqui são os questionamentos sobre a contemporaneidade. Curvelo é inteligente e corajoso e faz um jogo com a cultura do cancelamento em seu texto.</p>
<p>Ele já se desculpa por todos os caminhos discursivos que escolhe, inclusive, reconhecendo privilégios e tensionando a própria importância da sua obra. Em uma só tacada, em uma sessão de quinze minutos, o realizador esgarça todo o imediatismo, a futilidade e o esvaziamento de pautas da sociedade contemporânea.</p>
<p>A montagem do curta ajuda nesta composição de ideias associativas. Como na sequência que Curvelo diz não ser de esquerda e, logo depois, o público vê ele “fazendo o L”, todo de vermelho e com boné do MST. Desta maneira, o espectador não é subestimado em <em><strong>O Mediador</strong></em>.</p>
<p>Há um convite na produção a reconhecer as camadas dos argumentos postos na narrativa. Para quem não conhece a ironia de Curvelo &#8211; e não é obrigada a saber, porque cada obra tem que falar por si &#8211; talvez, seja, de fato, complexo saber que há tanto sarcasmo assim por ali.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Até porque, inserido neste tom jocoso, existe uma interpretação que pode levar para uma leitura de que há uma angústia e uma culpa também em toda a sua brincadeira e olhar para o outro.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque o autor também se implica e se coloca junto a quem assiste, durante a projeção, para pensar no que é aquele produto que ele tem em mãos. </span>É neste sentido também que o filme tem camadas de complexidade.</p>
<p style="font-weight: 400;">Porque Curvelo vai fazendo graça, vai fazendo graça, até trazer uma frase que é um soco no estômago. E esse ciclo perdura durante a exibição inteira. No entanto, essa estratégia não fica cansativa, porque um arco dramático é criado, com progressão, clímax e desenlace.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Há uma consciência, além de tudo, de roteiro em <em><strong>O Mediador</strong></em>. Por isso que essas estruturas funcionam. Assim, o curta é amarrado, cumpre o que se propõe fazer e é um título importante para a filmografia de Marcus Curvelo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Talvez, ele peque apenas por ser irônico demais, desagradando e afastando parte da plateia. Mas, também, paciência, não é mesmo? É necessário que autores tenham seu estilo e sua voz dentro da arte e Curvelo tem! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Marcus Curvelo</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Marcus Curvelo</span></p>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Deserto de Akin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:55:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que temos de mais bonito e profundo em O Deserto de Akin são as construções de relações. Por mais que o novo longa-metragem de Bernard Lessa seja um tanto ingênuo e se perca em saídas fáceis, a sua sessão emociona e engaja. Isto se dá tanto pela discussão política, por discutir a importância do Programa Mais Médicos, quanto pelo estabelecimento dos relacionamentos afetivos entre as personagens. É satisfatório acompanhar a rotina de Akin (Reynier Morales), médico cubano, em sua jornada [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O que temos de mais bonito e profundo em <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> são as construções de relações. Por mais que o novo longa-metragem de Bernard Lessa seja um tanto ingênuo e se perca em saídas fáceis, a sua sessão emociona e engaja.</p>
<p>Isto se dá tanto pela discussão política, por discutir a importância do Programa Mais Médicos, quanto pelo estabelecimento dos relacionamentos afetivos entre as personagens. É satisfatório acompanhar a rotina de Akin (Reynier Morales), médico cubano, em sua jornada profissional no Brasil.</p>
<p>A maneira como o protagonista é construído &#8211; permeado de uma doçura tímida, mas direta e cuidadosa &#8211; eleva a conexão do espectador com a trama. A forma como o roteiro, escrito por Lessa, insere progressivamente o perigo que Bolsonaro representa também é bastante efetivo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O público é convocado a se apegar ao universo de Akin, ao seu deserto particular, cheio de areia que invade as casas, de romances, de amigos, de amor ao ofício da medicina e de contemplação da vida. Por isso que quando a ameaça da vitória de Bolsonaro chega, quem assiste fica arrasado junto com Akin.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro deste contexto, ele acaba por ser uma personagem bastante complexa, mesmo que a princípio ele soe como confuso, aos poucos, fica nítido que na verdade é a situação que ele vive que o torna reticente. Por isso que a atuação de Morales funciona bastante aqui.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O intérprete imprime uma aura de mistério e essa dúvida sobre o que segura Akin vai sendo desvendada: ele tem medo de se entregar e se decepcionar. Mas, aos poucos, seu corpo e seu olhar vão relaxando e o rapaz vai mergulhando neste bem estar que o Brasil e o trabalho que ele desempenha no país lhe proporcionam. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em termos de direção, Lessa vai no seguro, com uma decupagem e uma encenação bem tradicionais. Alguns momentos pediam mais risco, mais movimento ou efeito de câmera, para fomentar as tensões e sensações que estão presentes no roteiro. Talvez, o desenho de som também decepcione um tanto. </span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19363" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1.png" alt="O Deserto de Akin" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há uma história grandiosa sendo contada em <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> e a equipe parece se segurar e se valer somente do talento e da coragem do elenco, que é a parte da produção que faz decisões mais arriscadas. Um grande destaque neste sentido é Ana Flávia Cavalcanti, que se entrega profundamente ao seu papel.</p>
<p>A atriz constrói uma fisicalidade marcante para sua Érica. Assim, Cavalcanti revela uma consciência de elaboração de personagem nesse corpo estruturalmente pensado, mas que fica, ao mesmo tempo, orgânico. As intenções das falas são também importantes aqui.</p>
<p>Ana Flávia capta a dicotomia de Érica, e cria complexidade entre a suavidade da voz e o corpo imponente. No entanto, apesar do longa-metragem apresentar majoritariamente um bom resultado, a partir da sua metade, a sua qualidade começa a cair e não para de se perder até seu desfecho.</p>
<p>O triângulo amoroso, formado por Akin, Érica e Sérgio (Guga Patriota), não leva a lugar algum. Não chega a ser um ponto de tensão e nem de relaxamento dentro do enredo. Ficando no meio do caminho, essa parte da história faz com que a projeção fique um tanto arrastada.</p>
<p>Além disso, a partir da sequência do aeroporto, todas as soluções do roteiro soam como as mais fáceis possíveis. Bernard talvez estivesse com receio de trazer um encerramento triste. Mas, ainda que Akin terminasse o filme bem, era possível sim selecionar caminhos mais sólidos para finalizar o longa.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Após Akin aceitar a proposta de Érica, todas as sequências passam a sensação de que poderiam ser cortadas. Por isso, quando a projeção acaba, fica um desânimo e um cansaço. De toda maneira, ainda que a totalidade seja comprometida pelos seus encaminhamentos derradeiros, <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> é uma obra relevante para cinema nacional, por sua temática. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ela também é uma produção que conta com personagens bem elaborados e que agrada na maior parte do tempo, por tornar seu universo ficcional interessante e aproximar quem assiste do protagonista e de todos que o cercam.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Bernard Lessa</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Reynier Morales, Ana Flávia Cavalcanti, Guga Patriota</span></p>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: A Queda do Céu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Apr 2025 20:14:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O novo documentário de Eryk Rocha (Cinema Novo) e Gabriela Carneiro da Cunha é inspirado na obra homônima do xamã Yanomami Davi Kopenawa. Em termos gerais, o longa-metragem soa como uma espécie de encantamento &#8211; ou seria uma maldição?- , uma resposta para nós brancos. Neste sentido, a produção brilha. No entanto, a sua discussão e a sua intenção não sustentam a sessão. A produção desafia o desejo de acompanhá-la, a começar pelo desenho de som do longa. Só existe [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">O novo documentário de Eryk Rocha (<em>Cinema Novo</em>) e Gabriela Carneiro da Cunha é inspirado na obra homônima do xamã Yanomami Davi Kopenawa. Em termos gerais, o longa-metragem soa como uma espécie de encantamento &#8211; ou seria uma maldição?- , uma resposta para nós brancos. Neste sentido, a produção brilha. No entanto, a sua discussão e a sua intenção não sustentam a sessão.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A produção desafia o desejo de acompanhá-la, a começar pelo desenho de som do longa. Só existe um instante de silêncio. De resto, os ruídos são incessantes. Por mais que seja intencional causar o impacto através desta sonoridade contínua, o efeito se esvai. Recursos repetidos no audiovisual, sem progressão ou respiros, tendem a ser cansativos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é isso que ocorre aqui. A produção quer deixar o espectador desconfortável, mas essa escolha sempre é perigosa, porque o interlocutor precisa querer ouvir, querer prestar atenção. Todavia, já na metade da exibição, a atenção cai consideravelmente, por este motivo. Sobretudo porque estes sons, majoritariamente, aparecem mais como uma ambientação do que uma construção extra de sentidos.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19333" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1.png" alt="A Queda do Céu" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta forma, o barulho de trovoada, quando o xamã faz o seu monólogo, já no terceiro ato do filme, funciona e opera como instalador do clímax. Já as constantes sequências com choro de criança e conversas aleatórias ao fundo, não. E o mesmo pode ser dito do visual do longa.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Quando a decupagem foca na encenação, com a câmera fixa, enquanto as personagens falam paradas ou andam, é possível criar uma conexão com a narrativa. </span>Mas, Rocha e Cunha exageram na câmera na mão e as andanças pelas florestas deixam a projeção exaustiva. O chacoalhar recorrente da tela, desconecta o público da fruição. Além disso, no que se refere à iluminação, sequências que contam com diálogos emotivos e profundos são comprometidas porque não é possível enxergar os rostos das personagens.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">São nestes elementos que a ligação com a obra vai se esvaindo e resta a sensação de que o doc tem o dobro de tempo. Desta forma, <em>A queda do céu</em> tem um conteúdo profundo e urgente, porém que não é transmitido em toda sua grandiosidade, não faz jus ao que está sendo proferido no ecrã. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Gabriela Carneiro da Cunha, Eryk Rocha</span></p>
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