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	<title>Arquivos XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XVII Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Alágbedé</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 19:33:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Centro de Salvador é um local repleto de importância, história e ancestralidade. E é nele que se passa o curta-metragem Alágbedé. Localizado na Ladeira da Conceição da Praia, o arco de Zé do Diabo (José Adário dos Santos) é onde ele produz todo seu material artístico, ferramentas de orixás, a maioria feita a ferro. É daí que vem o nome do filme, inclusive. Esta é uma das nomenclaturas de Ogum, santo ferreiro. Para contar esta narrativa, Safira Moreira (Travessia) [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Centro de Salvador é um local repleto de importância, história e ancestralidade. E é nele que se passa o curta-metragem <strong><em>Alágbedé</em></strong>. Localizado na Ladeira da Conceição da Praia, o arco de Zé do Diabo (José Adário dos Santos) é onde ele produz todo seu material artístico, ferramentas de orixás, a maioria feita a ferro. É daí que vem o nome do filme, inclusive. Esta é uma das nomenclaturas de Ogum, santo ferreiro.</p>
<p>Para contar esta narrativa, Safira Moreira (<em>Travessia</em>) dá voz ao José, que narra suas experiências, pensamentos e seus processos criativos. Na decupagem, os enquadramentos valorizam a sua figura e o espectador consegue se aproximar da personagem, através de planos um tanto longos, que revelam o local de trabalho de Zé, suas expressões faciais e sua arte.</p>
<p>Entre abrir o quadro e fechá-lo, o olhar para o protagonista se multiplica e este é um dos pontos qualitativos mais positivos da obra. Há a contextualização do espaço, a Ladeira também é uma espécie de personagem ali. Existe também toda a imponência, resistência e força de Zé, que é colocado em tão pouco tempo de projeção de forma intensa e imponente.</p>
<p>Talvez, o único aspecto que incomode um pouco e retire a força da produção seja a fotografia. Tanto pela iluminação quanto pela quebra constante de foco da câmera, a nitidez da imagem se perde, em alguns momentos, desconectado o público do que está sendo mostrado.</p>
<p>No entanto, este fator não compromete a totalidade de <strong><em>Alágbedé</em></strong>, que apresenta um tema relevante, com uma direção consciente, que imprime na tela com destreza o que deseja mostrar. São doze minutos de sessão que abarcam ancestralidade e um histórico tão profundo de uma forma bastante completa.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Safira Moreira</p>
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		<title>XVI Panorama Internacional Coisa de Cinema: Mamá, Mamá, Mamá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2021 13:15:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma atmosfera mergulhada em sentimentos múltiplos, que expressam a dor da perda e as descobertas da juventude, Mamá, Mamá, Mamá é um filme que se vale do silêncio e do olhar apurado para as relações. Após a morte acidental de uma criança, chamada Erin, uma família, toda composta por mulheres, reflete sobre seus medos e angústias. Não há muito sobre isto dito de maneira verbalmente na obra. Progressivamente, Sol Berruezo Pichon-Rivière – diretora e roteirista da produção – revela [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma atmosfera mergulhada em sentimentos múltiplos, que expressam a dor da perda e as descobertas da juventude, <strong><em>Mamá, Mamá, Mamá</em></strong> é um filme que se vale do silêncio e do olhar apurado para as relações. Após a morte acidental de uma criança, chamada Erin, uma família, toda composta por mulheres, reflete sobre seus medos e angústias. Não há muito sobre isto dito de maneira verbalmente na obra. Progressivamente, Sol Berruezo Pichon-Rivière – diretora e roteirista da produção – revela como os acontecimentos da premissa do enredo e as suas consequências afetam as personagens, se apegando mais aos gestos e ações do que a fala direta.</p>
<p>Para imprimir as sensações de melancolia profunda, são evocadas tonalidades azuladas e esverdeadas. Há na tela, a presença de uma forte iluminação. no entanto, as tonalidades trazidas mostram como aquele ambiente tão preenchido de luz no outrora, agora está contaminado pelo luto e por um sofrimento intenso. A elevação da construção deste universo é colocada também através dos sons, sejam eles o barulho de água, da televisão ao fundo, de respirações etc. A sonoridade trabalha para compor esta atenção que as personagens passaram a ter neste presente doloroso. Depois do acidente, elas passam a notar tudo que acontece ao redor, como se estivessem em alerta, prontas para captar qualquer ameaça ou prevenir qualquer perigo.</p>
<p>Além disto, existe em <strong><em>Mamá, Mamá, Mamá </em></strong>uma exploração de diálogos que abordem menos as tensões, mas que focam em outros assuntos presentes nas vivências ali, pois estes chegam como um respiro para aliviar o pensamento fixo sobre a morte da menina. Afogada ao cair na piscina da casa, sem que fosse vista, a partida de Erin deixa a culpa marcada, principalmente, em sua mãe (Jennifer Moule) e na sua irmã mais velha, Cleo (Augustina Milstein). Ambas permanecem anestesiadas pelo o ocorrido e encontram na presença da tia, avó e das primas de Cleo um acalanto terno que necessitam. Por isso, as falas que chegam, são sobre outros assuntos, são alívios para aquele contexto tenso. Neste sentido, é perceptível a entrada de temáticas voltadas para a adolescência, como a menstruação e a curiosidade sobre o primeiro beijo.</p>
<p>Talvez, a ideia posta na trama seja de que a vida continua. Cleo e suas primas passarão por momentos que Erin jamais passará. Algumas conversas são banais, outras indicam temores potencializados pela ideia palpável da morte. Quando as jovens falam sobre um sequestrador que ronda a região ou quando se desencontram na floresta, esta preocupação em não perder mais alguém &#8211; ou a si mesma &#8211; fica nítida. O relacionamento destas garotas é a chave do equilíbrio para a projeção, é quando o longa-metragem se apropria do poético, do lúdico e da própria inocência juvenil para dosar o peso da tragédia inserida na trama.</p>
<p>Os momentos nos quais Cleo sonha com a irmã ou quando está dentro da água marcam ainda mais esta consciência de Rivière. Ainda, estas cenas tratam sobre ligação materna, lembrando, com imagem e áudio, sobre a proteção uterina e a conexão estabelecida durante o período de gestação. Muitos elementos de <strong><em>Mamá, Mamá, Mamá</em></strong> chegam certeiros e bem utilizados em boa parte da exibição. Contudo, a partir de sua metade, o longa se torna um tanto repetitivo e falha em não concluir o ciclo inicial. O arco de Cleo e sua mãe permanece aberto. Sem conclusões ou aprofundamentos, fica uma espera do espectador por um desenvolvimento do plot e uma dinâmica entre as duas. Elas quase não se encontram dentro da história, não vivem juntas sequências que as movam do lugar inicial. É como se a narrativa andasse em círculos e quando o ponto de partida é encontrado novamente, o começo fosse reencontrado. O resultado disto é uma sessão que vale por sua composição imagética elaborada e sensibilidade ao transcrever emoções através da câmera, mas sem que o público receba alguma imersão nesta proposta aparentemente presente aqui.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sol Berruezo Pichon-Rivière</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Augustina Milstein, Camila Zolezzi, Vera Fowill</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/UPDLYmzmrNg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Eu, Empresa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 19:13:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dirigido por Marcus Curvelo (Mamata) e Leon Sampaio (Gente Bonita), Eu, Empresa é um retrato da sociedade contemporânea, em sua extensa pequenez.  Se existe um sistema capitalista e cruel, há também os que não se encaixam nas dinâmicas, aparentemente, obrigatórias deste contexto. O que resta para os desconectados com esta realidade é a sensação de fracasso e angústia ou a procura para reverter a derrota e, finalmente, fazer parte do todo. Assim, o filme procura mostrar em seus 82 minutos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Dirigido por Marcus Curvelo (<em>Mamata</em>) e Leon Sampaio (<em>Gente Bonita</em>), <strong><em>Eu, Empresa</em></strong> é um retrato da sociedade contemporânea, em sua extensa pequenez.  Se existe um sistema capitalista e cruel, há também os que não se encaixam nas dinâmicas, aparentemente, obrigatórias deste contexto. O que resta para os desconectados com esta realidade é a sensação de fracasso e angústia ou a procura para reverter a derrota e, finalmente, fazer parte do todo. Assim, o filme procura mostrar em seus 82 minutos de projeção as fragilidades e incoerências humanas.</p>
<p>Existe dentro da obra algo de semelhante com as produções anteriores da Cual (<strong>Coletivo Urgente de Audiovisual</strong>). O enredo não é apenas um olhar crítico e sarcástico para o geral, mas também para os indivíduos desesperados em pertencer a este universo cheio de palavras vazias e utilizadas de forma banal, como “mindset”, por exemplo. É nesta lógica que se insere o protagonista dentro da trama. Buscando um espaço no mundo e recém desempregado, Marcus – interpretado por Curvelo – começa a gravar vídeos para o Youtube. A sua tentativa é, em seu empreendedorismo, alcançar o dinheiro e a fama.</p>
<p>A maneira como a sua sensação de competência fantasiosa é mostrada na tela de <em><strong>Eu, Empresa</strong></em>. Passando do limite do constrangedor, não há receio aqui em apelar para o ridículo. Entre suas dúvidas sobre o futuro, Marcus é o típico homem branco privilegiado que acredita possuir direito de ocupar todos os locais que desejar e cheio de ideias geniais, constantemente. A cena que mais ilustra esta característica da personagem é quando ele está em um matagal, com Baumga (Carlos Baumgarten), um amigo que o filma. Enquanto ele tenta produzir algum conteúdo que chame atenção na rede, Marcus demonstra revela a noção que tem de si: um gênio criativo, preenchido de metáforas para as imagens que irá passar em seu canal. No entanto, a qualidade desta representação está também ligada ao fato dela carregar uma complexidade em sua construção.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13849" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/eu-empresa-foto-marcus-curvelo-scaled-1-770x483-1.jpg" alt="Eu, Empresa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/eu-empresa-foto-marcus-curvelo-scaled-1-770x483-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/eu-empresa-foto-marcus-curvelo-scaled-1-770x483-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/eu-empresa-foto-marcus-curvelo-scaled-1-770x483-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/eu-empresa-foto-marcus-curvelo-scaled-1-770x483-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O misto de derrotismo com arrogância compõe uma personagem com mais camadas. Algo que eleva esta potencialidade são os coadjuvantes que o cerca. Entre indivíduos que notam a tolice de Marcus ou que aposta em suas estratégias, a narrativa, através disto, consegue explorar as múltiplas facetas dos altos e baixos de Marcus. Em alguns momentos, quando áudios de <em>whastapp</em> são escutados, as emoções do espectador parecem traduzidas. Todo o julgamento que pode ser feito durante a sessão são colocados ali, nas falas de um amigo de Marcus, que contém uma revolta sobre as ações do protagonista, que se mostra mimado e estúpido em diversas cenas. Talvez, este recurso não fosse necessário, pois apenas reitera o que o público já observou em <em><strong>Eu, Empresa</strong></em>. Contudo, existe uma sensação de prazer sentida quando estas frases são escutadas.</p>
<p>Ainda assim, mesmo apontando as bobagens deste início de século, falta dentro no roteiro um desenvolvimento um pouco maior das relações. Escrito por quatro roteiristas (Curvelo e Sampaio, junto com Camila Gregório e Amanda Devulsky), nota-se a presença de profundidade em Marcus. Este dado aumenta a percepção da ausência elaboração maior de seus coadjuvantes. Há o fato de haver uma aparente intenção em imprimir a superficialidade dos tempos atuais e eles servem para direcionar o olhar para os atos estapafúrdios de Marcus, mas, ao se comparar a criação de Marcus com a de seus coadjuvantes, percebe-se que ali estão somente uns tipos, um tanto aleatórios, sem personalidade alguma.</p>
<p>Outro fator que pode ser apontado é que, dentro seus aspectos formais, <strong><em>Eu, Empresa</em></strong> não é inventivo, mas apresenta bem uma execução tradicional. A decupagem é consciente e os quadros e cortes ajudam a aumentar as piadas e situações vergonhosas vividas por Marcus. Um fato que pode incomodar são as pequenas perdas de focos, em algumas sequências. Este elemento não atrapalha a fruição, porém desconcentram de leve. Ainda assim, no geral, a obra entrega o resultado que demonstra desejar: um longa irônico, que ri de si mesmo e de todos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marcus Curvelo, Leon Sampaio</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Marcus Curvelo, Carlos Baumgarten, Carol Alves</p>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: A Metamorfose dos Pássaros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Mar 2021 14:03:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com narrações que seguem o fluxo da narrativa, A Metamorfose dos Pássaros é um docudrama sobre amor e memória. Com uma quase ausência de diálogos, o longa-metragem português, escrito e dirigido por Catarina Vasconcelos, amarra sua trama através dos pontos de vista de cada personagem, em períodos distintos. Inspirada em sua própria família, Vasconcelos revela lentamente os sentimentos que unem machucam, sufocam e aliviam aqueles que lhes são tão caros. Esta explosão de sensações, no entanto, é posta de maneira [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/xvi-festival-panorama-internacional-coisa-de-cinema-a-metamorfose-dos-passaros/">XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: A Metamorfose dos Pássaros</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com narrações que seguem o fluxo da narrativa, <strong><em>A Metamorfose dos Pássaros</em></strong> é um docudrama sobre amor e memória. Com uma quase ausência de diálogos, o longa-metragem português, escrito e dirigido por Catarina Vasconcelos, amarra sua trama através dos pontos de vista de cada personagem, em períodos distintos. Inspirada em sua própria família, Vasconcelos revela lentamente os sentimentos que unem machucam, sufocam e aliviam aqueles que lhes são tão caros. Esta explosão de sensações, no entanto, é posta de maneira poética e sensível. Nesta mescla de temporalidades, colocadas em transições marcadas por mudanças de narrador e de faixa etária dos atores que representam estes familiares, há também uma mistura de composições de tons.</p>
<p>Ao explorar imagens externas de espaços da natureza, em paralelo à capturas da residência antiga de seus familiares, Vasconcelos consegue imprimir toda a melancolia presente no processo de perda e luto, mas também em revelar o carinho guardado que todos nós podemos ter e como as emoções e recordações moram também nos detalhes. Em um dos depoimentos que surgem durante a projeção, por exemplo, escutamos a falta que Jacinto (Henrique Vasconcelos) sente em dizer a palavra “mãe”. Enquanto ele conta isso, o quadro está fixo em um rio onde uma mulher se banha.</p>
<p>Uma possível interpretação – dentro deste contexto tão cheio de mensagens diretas, porém com amplitudes de significados pela maneira como são trazidas –, é que a natureza faz parte de nós e continuamos a existir para todo sempre. Em uma das passagens do longa, inclusive, este pensamento é transmitido em um texto sobre longevidade de cada espécie do planeta. Há na produção todo um questionamento sobre a existência e as surpresas, positivas e negativas, que aparecem pelo caminho. Toda esta complexidade que transborda na tela vem de uma aparente consciência de Vasconcelos com o material que ela tem nas mãos.</p>
<p>A começar por sua capacidade de costurar as vivências de cada figura importante para a trama, manejando aspectos práticos da escrita, sem perder a sensibilidade necessária para o universo ficcional que foi criado. A cada passagem temporal, o público conhece mais alguém daquela família: avô, avó, pai, a própria Catarina – aqui chamada de Beatriz – e seu irmão. A confirmação da consciência de sua construção chega ainda dentro do filme, quando Catarina conversa com Henrique sobre suas escolhas de roteiro. “Por que o nome Jacinto?”, seu pai questiona. E ela dialoga com ele, em poucos instantes, explicando alguns detalhes sobre suas estratégias para o roteiro, deixando  mais nítido que os elementos selecionados ali não foram por acaso. Talvez, estas informações entreguem um pouco demais sobre o processo de criação, mas isto não diminui a obra. Pelo contrário. Há tanta sutileza, que esta chamada para a realidade palpável fomenta mais a complexidade do filme.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13837" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque.jpg" alt="A Metamorfose dos Pássaros" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/A-metamorfose-dos-passaros_destaque-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Outra característica importante de ser ressaltada é a decupagem. Os planos compõem os textos falado. É como se o espectador escutasse vozes lendo um livro (ou um diário) e as imagens no ecrã são quase como que criadas pela imaginação. Os enquadramentos mais fechados em olhos e em detalhes do cenário aproximam o público da narração e ampliam esta sensação de que somos nós que criamos com nossa mente a junção de imagens ali montadas. Desta maneira, o resultado geral de<strong><em> A Metamorfose dos Pássaros</em></strong> é intenso e provocativo. Ele desafia quem assiste a se desprender do real, para contar algo que foi, de fato, inspirado na realidade.</p>
<p>Em sua linguagem preenchida de metáforas, há um refinamento imagético, seja pela criatividade em conseguir traduzir o que está sendo dito, sem ilustrar ou reiterar a narração, o maior ganho aqui é a contraposição da forma direta como o texto é escrito e dito, com a poeticidade das imagens. Se algo um pouco incômodo pudesse ser apontado, talvez seria o esgarçamento de suas estratégias e até mesmo da continuidade da história. Em um dado momento, chega uma impressão de que a conclusão passou do ponto.</p>
<p>Na tentativa de não deixar algumas coisas de fora, a dinâmica da obra se torna previsível. Nesta previsibilidade, há uma queda qualitativa e perda do impacto que as mudanças de narrador conseguem realizar anteriormente. Outra questão importante é a exposição excessiva em partes específicas do enredo. Vasconcelos não subestima o seu consumidor na maior parte do tempo. Contudo, certas explicações são repetidas da maneira exaustiva. Ainda assim, não são caminhos que comprometem <strong><em>A Metamorfose dos Pássaros</em></strong> em sua totalidade.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Catarina Vasconcelos</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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		<title>XVI Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema: Vil, Má</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 22:15:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Continuando a sua tradição de trazer documentários focados em uma única personagem central – como em Lembro mais dos Corvos e Rosa Azul de Novalis – , Gustavo Vinagre agora conta a história de Edivina Ribeiro, também chamada de Wilma Azevedo, seu pseudônimo, em Vil, Má. Jornalista e escritora, Edivina ficou conhecida por suas publicações de histórias eróticas, vinculadas desde os anos 1970. Com 74 anos, na época em que o filme foi rodado (2014), ela conta um pouco de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando a sua tradição de trazer documentários focados em uma única personagem central – como em Lembro mais dos Corvos e Rosa Azul de Novalis – , Gustavo Vinagre agora conta a história de Edivina Ribeiro, também chamada de Wilma Azevedo, seu pseudônimo, em <em><strong>Vil, Má</strong></em>. Jornalista e escritora, Edivina ficou conhecida por suas publicações de histórias eróticas, vinculadas desde os anos 1970. Com 74 anos, na época em que o filme foi rodado (2014), ela conta um pouco de sua trajetória, tanto sobre sua vida pessoal como profissional.</p>
<p>Em uma mescla entre realidade e ficção, Vinagre nos convida a olhar para essa mulher, para seus dramas, polêmicas, fortalezas e fragilidades. De maneira um tanto simples, as memórias de Edivina/Wilma se tornam palpáveis para o espectador. Os recursos evocados podem não ser tão inventivos, como se é esperado do realizador, mas eficazes, no geral. A figura central da obra é vista, majoritariamente, sentada, em uma cadeira pomposa, em um ambiente com elementos dourados e parede rosa. Esta estratégia de ser enxuto em sua forma funciona até certo ponto. Há, aqui, uma garantia de imersão com a trama, pois o foco fica sendo inteiramente dela.</p>
<p>Dentro da sua fala, Edivina/Wilma conta relatos tão pesados em uma voz tão tranquila, que, de fato, os quadros parados e fixos nela, são quase uma apresentação de falta de escapatória do que está sendo contado. Sem fugas para outros elementos, não há alívios, em boa parte da projeção. Neste sentido, há um contraponto observado nisto. As informações, em toda sua intensidade, podem tornar a exibição cansativa e até repetitiva. A falta de respiro dilui a força em alguns momentos, como quando o longa traz uma espécie de reset e pontos específicos do enredo são convocados outra vez. Neste retorno, a reiteração acrescenta menos à <em><strong>Vil, Má</strong></em> do que colabora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13832" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Vil, Má" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2651941.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há uma sensação de ausência de certeza sobre as motivações das escolhas, ainda que estas sejam conscientes. É curioso observar como o fator que marca a produção é tanto o seu elemento de maior qualidade, quanto de maior incomodo. O foco em Edivina/Wilma, o tempo de tela com o olhar voltado para ela, as idas e vindas da narrativa, prendem a atenção e a fazem escapar. No entanto, neste contexto, ainda exista uma busca para imprimir uma complexidade ali. Isto se dá a partir da presença da atriz Juliane Elting, como Wanda.</p>
<p>Elting vem para ler trechos dos contos de Wilma. Ela chega também para cumprir um papel de pessoa comandada por Wilma, em alguns trechos. Esta participação contribui para deixar transparecer mais amplamente traços da personalidade de Edivina/Wilma. Os comandos dados por ela para Elting – e até mesmo para a direção – fomentam a construção do imaginário desta mulher, do que ela foi e nunca deixou de ser. Além disso, é o que traz o mínimo de relaxamento para a projeção, em seus 90 minutos.</p>
<p>No geral, pode-se dizer que <strong><em>Vil, Má</em></strong> merece ser visto. Valendo-se da força de sua protagonista, ele captura o desejo de quem assiste de acompanhar o desenvolvimento do que está sendo mostrado. Ainda que apresente quedas e pouca engenhosidade, descobrir mais sobre Edivina Ribeiro e procurar desvendar onde está a fantasia e a realidade na obra cativam e encantam o público.</p>
<p><strong>Diretor</strong>: Gustavo Vinagre</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Edivina Ribeiro, Juliane Elting</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/iizBKmKfV-g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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