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	<title>Arquivos Wilssa Esser - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>14º Olhar de Cinema: Aurora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Jun 2025 16:20:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesclando o universo onírico, com as partes duras do passado das mulheres de sua família, João Vieira Torres (Babado) presenteia o espectador com seu novo e coeso filme, Aurora. O título é o nome de sua avó, parteira e curandeira baiana. Mas, vemos muito mais do que a trajetória dela — ainda que a mesma seja profunda e cheia de camadas. Há um encontro do passado, presente e futuro aqui. Num misto de experiências individuais e coletivas, João aponta questões [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mesclando o universo onírico, com as partes duras do passado das mulheres de sua família, João Vieira Torres (<em>Babado</em>) presenteia o espectador com seu novo e coeso filme, <em><strong>Aurora</strong></em>.</p>
<p>O título é o nome de sua avó, parteira e curandeira baiana. Mas, vemos muito mais do que a trajetória dela — ainda que a mesma seja profunda e cheia de camadas. Há um encontro do passado, presente e futuro aqui.</p>
<p>Num misto de experiências individuais e coletivas, João aponta questões sólidas como a violência contra mulheres, xenofobia e o racismo, porém sempre misturando <em>offs</em> pesados com imagens leves.</p>
<p>A voz de João é melódica e convidativa. Ao mesmo tempo que há suavidade, há uma força interna, de quem se apropria de sua história e decide contar ela para o mundo. Além disso, apesar de <em>offs</em> serem, geralmente, cansativo e enfadonhos, aqui o seu uso é um acerto.</p>
<p>A assistência de direção, de Marcelo Caetano (<em>Corpo elétrico</em>), parece fundamental para que Torres consiga trabalhar as nuances de sua voz e ser uma narração que conduz o espectador, como quem diz “passei um café e vou te contar uma história, menina…!!”</p>
<p>Neste sentido, outro elementos fomentam essa sensação. O roteiro, também de João — ao lado de Caetano e Deborah Veigas (<em>A árvore</em>) —, ambienta a plateia geograficamente, seja na França, no sudeste ou no interior da Bahia.</p>
<p>João também cria a atmosfera onírica através da encenação. A planificação ajuda nessa conexão do espectador com os espaços mostrados na tela. A duração desses quadros também otimizam a imersão do público.</p>
<p>Há contemplação, há reflexão e uma receptividade intelectualizada (pelo texto e pela lógica de construção de imagem), elementos raros de serem combinados de forma eficaz no cinema, porém aqui entregues com destreza.</p>
<p>A fotografia de Wilssa Esser (<em>Levante</em>) e Camila Freitas (<em>Chão</em>) compõem cenários idílicos e deixam esse discurso ainda mais intenso e fluido. Há calor nas imagens de <em>Aurora</em>. Contudo, há também uma melancolia e uma angústia. Assim, essa é uma sessão sensorial, plural e poética.</p>
<p>Uma poesia coberta de sangue das antepassadas de João, sim. No entanto, há um cuidado, um zelo e uma amor ao audiovisual que são indispensáveis para que o documentário seja profundo e bem realizado.</p>
<p>Talvez, <em>Aurora</em> peque apenas por ser intelectualizado demais, ficando um tanto hermético. Neste sentido, a obra pode não se conectar com um público mais geral. No entanto, ainda assim, esse é um bom doc do cinema nacional.</p>
<p><em><strong>Direção</strong></em>: João Vieira Torres</p>
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