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	<title>Arquivos Viggo Mortensen - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Viggo Mortensen - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Crimes do Futuro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Aug 2022 22:07:55 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com pouca margem de dúvida, <strong><em>Crimes do Futuro</em></strong> é um dos trabalhos mais consistentes de David Cronenberg nas últimas décadas. O filme anuncia o retorno do realizador ao que se denomina como body horror da melhor forma possível. Interseccionando gêneros, o horror, o sci-fi e o noir, <em><strong>Crimes do Futuro</strong></em> é um longa que fala sobre tantas coisas que renderia páginas e mais páginas de análise tamanha a abrangência da obra: dor e sua relação com a criação artística, a atração sexual pela aparência e pela interioridade, a forma como desafiamos os limites da natureza e dos nossos corpos por caprichos ou por assimilações de hábitos capitalistas etc.</p>
<p>O trabalho de fôlego de Cronenberg tem início quando nos apresenta um menino cujo comportamento preocupa a mãe. Instintivamente, ele procura objetos de plástico para se alimentar. Logo em seguida, em um outro espectro dessa mesma narrativa, somos apresentados a Saul Tenser (Viggo Mortensen) e Caprice (Léa Seydoux). A dupla de artistas performáticos é reconhecida por suas apresentações em mesas cirúrgicas, na qual Caprice narra e conduz em tom dramático a invasão ao corpo debilitado de Saul com objetos perfurantes.</p>
<p><em><strong>Crimes do Futuro</strong></em> está longe de ser um exercício vazio de gênero. É um longa que não usa expedientes de marcas do body horror ou do noir para o puro deleite dos entendidos cinéfilos. Nada é aleatório ou narcisista na imersão acertada do diretor pelos traços narrativos e estilísticos da tradição desses tipos específicos de história, o que só comprova a extrema habilidade do realizador de manipulá-las a propósitos definidos desde o princípio. <em>Crimes do Futuro</em> não é um exercício de vaidade, mas um projeto cinematográfico definido e defendido com inteligência e repertório por Cronenberg.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15767" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/57046cc7-a50f-428d-bdbd-c3c21b17a95a.jpg" alt="Crimes do Futuro" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/57046cc7-a50f-428d-bdbd-c3c21b17a95a.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/57046cc7-a50f-428d-bdbd-c3c21b17a95a-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/57046cc7-a50f-428d-bdbd-c3c21b17a95a-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/57046cc7-a50f-428d-bdbd-c3c21b17a95a-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O diretor cria de forma orgânica um universo com regras de conduta e linguagem próprias. Nada em <strong><em>Crimes do Futuro</em></strong> parece lembrar os protocolos da realidade que vivemos. Ao mesmo tempo, o filme aponta de maneira reiterada e crítica seus olhares para o que nós, do lado de cá da tela, estamos fazendo com a nossa experiência na Terra, sobretudo a forma como agredimos e transmutamos nossos corpos ao bel-prazer das necessidades de consumo e dos nossos caprichos, por quaisquer vias (arte, sexo, alimentação). Trata-se de um dos temas mais palpitantes da obra.</p>
<p>Os olhares das personagens de Viggo Mortensen e Léa Seydoux, ao mesmo tempo sensíveis por uma pretensa exterioridade, mas no fundo parte dessa engrenagem maluca exposta pelo diretor, são fundamentais para o desenrolar do discurso do filme sobre seus temas. Mortensen e Seydoux são os protagonistas ideais dessa história. Kristen Stewart também tem seus momentos como a burocrata deslumbrada pelo trabalho da dupla, assim como Scott Speedman que surpreende como um líder revolucionário. No entanto, fica evidente que o protagonismo dessa obra é de Cronenberg e sua capacidade de criar uma realidade tão peculiar e fascinante, distante e bizarramente próxima quanto aquela que é construída pelo filme.</p>
<p>A potência criativa alegórica de David Cronenberg tem uma das suas melhores formas em <strong><em>Crimes do Futuro</em></strong>, um filme que o tempo inteiro aproxima o grotesco e o horror da beleza, o prazer da dor, a destruição da criação. Cronenberg faz uma síntese poderosa da maneira limítrofe com a qual o ser humano conduz sua vida na Terra, a capacidade de se destruir por impulsos fúteis (mercantilistas, de prazer efêmero) e de contornar os problemas criados com isso através da criação artística e científica, se aproximando de um divino, que, por sua vez, também se impõe ao humano. Com o filme, o cineasta destaca como nossa experiência humana tem sido até aqui: destrutiva e caótica, mas, surpreendentemente, bela e dispersa na oferta de prazeres. É de um refinamento criativo intelectual e de uma disposição para a provocação cada vez mais rara de se ver com tamanha criatividade nas telas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Cronenberg</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Viggo Mortensen, Léa Seydoux, Kristen Stewart, Scott Speedman, Welket Bungué, Don McKellar, Tanaya Beatty, Nadia Litz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/GMhe5So5KYA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Especial Oscar 2019: Melhor Ator</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Feb 2019 21:57:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Oscar 2019 nos traz mais uma categoria de incertezas, que é a de Melhor Ator. As premiações anteriores privilegiaram diferentes atuações, dando mais foco em Rami Malek, por Bohemian Rhapsody, e Christian Bale, por Vice. No entanto, mesmo não tendo o reconhecimento (até o momento), outros candidatos fortes entram na disputa, como é o caso de Viggo Mortensen, por Green Book: O Guia, e Bradley Cooper, por Nasce Uma Estrela. Fechando a lista dos indicados nesta categoria, temos a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O Oscar 2019 nos traz mais uma categoria de incertezas, que é a de Melhor Ator. As premiações anteriores privilegiaram diferentes atuações, dando mais foco em Rami Malek, por <em>Bohemian Rhapsody</em>, e Christian Bale, por <em>Vice</em>. No entanto, mesmo não tendo o reconhecimento (até o momento), outros candidatos fortes entram na disputa, como é o caso de Viggo Mortensen, por <em>Green Book: O Guia</em>, e Bradley Cooper, por<em> Nasce Uma Estrela</em>. Fechando a lista dos indicados nesta categoria, temos a não tão badalada indicação, mas também justa, de Willem Dafoe, pelo longa <em>No Portal da Eternidade</em>!</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10031" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/maxresdefault-6.jpg" alt="Willem Dafoe" width="610" height="348" /><br />
<strong>Willem Dafoe, por No Portal da Eternidade</strong></p>
<p style="text-align: center;">Em <em>No Portal da Eternidade</em>, Willem Dafoe interpreta ninguém menos que o pintor Vincent Van Gogh e a sua batalha travada com os transtornos mentais que o acometem. Marcado por um estilo de filmagem mais cru e lento, o longa nos oferece bons momentos para compreender ainda mais a história do artista. Dafoe nos apresenta um trabalho brilhante e primoroso, completamente incorporado na dualidade e devaneios de Van Gogh. É ele quem nos conduz na narrativa, ora confusa, e funciona como o pilar estrutural da trama. Willem chegou a aprender a pintar para incorporar ainda melhor o personagem. São nos pequenos detalhes que ele consegue traduzir o protagonista, desde o olhar perdido até o desespero intenso de suas emoções.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10032" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/3552387.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Christian Bale" width="610" height="348" /><br />
<strong>Christian Bale, por Vice</strong></p>
<p style="text-align: center;">Agora, vamos com Christian Bale e sua atuação em <em>Vice</em>. O ator interpreta o político americano Dick Cheney, que foi o vice-presidente durante o período de George W. Bush. Sob a direção afiada e nada básica de Adam McKay, Bale vai construindo a personalidade do protagonista em consonância com todas as suas aspirações de poder. Ele não apenas engordou 20 quilos para o papel, como estudou bastante o comportamento de Cheney, tanto físico quanto emocional. O resultado é um personagem com várias facetas que funciona como o pilar da história dissecada por McKay. Este é um papel bem diferente do que Bale está acostumado fazer. Embora assuma o protagonismo da história, ele tem pouco espaço para se expressar com liberdade, sendo sempre contido e mais calculista. Isso foi o suficiente para lhe render o Globo de Ouro de Melhor Ator de Comédia ou Musical, mas será o suficiente para levar o Oscar?</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10033" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/0940097.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Bradley Cooper" width="610" height="348" /><br />
<strong>Bradley Cooper, por Nasce Uma Estrela</strong></p>
<p style="text-align: center;">Já Bradley Cooper é uma pedra preciosa que vem sendo deixada de lado na maioria das premiações. Em <em>Nasce Uma Estrela</em>, além de ser responsável por roteiro, produção e direção, ele assume o papel do protagonista, o cantor Jackson Maine. É curioso ver o quanto as pessoas enaltecem o trabalho de Lady Gaga, quando, na verdade, a alma do filme é Cooper. Ele transita por muitos sentimentos do personagem e o espectador acompanha de perto o sufoco e a queda do músico. É como se uma estrela precisasse apagar para que outra acendesse. Bradley nos presenteia com o melhor trabalho de sua carreira, o mais intenso, profundo e contundente. Ele não apenas nos envolve pelas emoções, quando pela realidade de tudo que ele passa. A dedicação fora de tela trouxe ainda mais força para o que acontece diante de nossos olhos, em um trabalho incrível. Pena que ele não esteja sendo devidamente reconhecido nas premiações.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10034" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/Bohemian-Rhapsody-Rami-Malek.jpg" alt="Rami Malek" width="610" height="348" /><br />
<strong>Rami Malek, por Bohemian Rhapsody</strong></p>
<p style="text-align: center;">Quem está recebendo toda a glória e reconhecimento é o ator Rami Malek. No papel de Freddie Mercury, em <em>Bohemian Rhapsody</em>, ele nos oferece uma nova faceta de atuação, que antes não conhecíamos. Rami é, definitivamente, um excelente ator e sua dedicação em aprender tudo sobre o protagonista (até a forma de mexer as mãos), faz com que ele seja o próprio Mercury em tela. A minha questão, no entanto, é o excesso de afetação do ator, que consegue transcender o personagem. Embora muito boa, esta não é uma atuação formidável que merecia o maior prêmio do cinema. Considero inferior a outros concorrentes, como Bradley e Viggo. O filme, que passou por um processo intenso de troca de diretores, pode ter contribuído para essa percepção menos gloriosa. É como se o espectador percebe-se o tempo todo que é Rami interpretando Freddie naquele momento e isso desfavorece a experiência como um todo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10035" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/5463075.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Viggo Mortensen" width="610" height="348" /><br />
<strong>Viggo Mortensen, por Green Book – O Guia</strong></p>
<p style="text-align: center;">Para fechar, o ator Viggo Mortensen nos traz o papel mais &#8220;fora da curva&#8221; de sua carreira no longa <em>Green Book &#8211; O Guia</em>. Ele interpreta Tony Lip, um fanfarrão descendente de italiano e preconceituoso que embarca em uma viagem com o seu novo chefe negro. Todo o processo de descoberta do personagem é incrível de se ver e vivido com tanta intensidade e cuidado por Viggo. Assim como Bale, ele engordou mais de 20 quilos e se esmerou na arte de aprender a se portar como um descente de italiano nato, com todas as suas peculiaridades. Ele é o foco do filme, com todas as descobertas e transformações que sofre ao longo da viagem. Viggo transita por muitas emoções e se desdobra nas camadas de Tony. A sua melhor atuação da carreira e a mais diferenciada, definitivamente.</p>
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		<title>Crítica: Green Book &#8211; O Guia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jan 2019 18:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24 de janeiro, o longa Green Book &#8211; O Guia. Indicado em cinco categorias no Oscar 2019, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, o filme conta a história verídica de Tony, um descendente de italiano boa praça que vive de pequenos empregos para sustentar a esposa e os dois filhos. Racista e sem emprego, depois que a boate que trabalhava teve que fechar para reforma, ele se depara com uma oportunidade de ouro que paga [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24 de janeiro, o longa <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em></strong>. Indicado em cinco categorias no <a href="https://coisadecinefilo.com.br/saiu-a-lista-de-indicados-ao-oscar-2019-confira/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong><em>Oscar 2019</em></strong></a>, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator, o filme conta a história verídica de Tony, um descendente de italiano boa praça que vive de pequenos empregos para sustentar a esposa e os dois filhos. Racista e sem emprego, depois que a boate que trabalhava teve que fechar para reforma, ele se depara com uma oportunidade de ouro que paga bem. No entanto, seu chefe, o músico Don Shirley, é negro e ele terá que embarcar em uma viagem de dois meses na estrada.</p>
<p>Com uma notória relação com <em>Conduzindo Miss Daisy</em> (1989), <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em> </strong>traz em si o diferencial de inversão de papéis. Enquanto o primeiro era uma senhora branca conduzida por um motorista negro (implícito aí a relação de subordinação), neste aqui o motorista é branco, interpretado por Viggo Mortensen, enquanto o chefe rico e bem posicionado é o negro, vivido por Mahershala Ali.</p>
<p>Mesmo com relutância, principalmente pelo fato de que terá que trabalhar diretamente com um negro e ser subordinado a ele, Tony aceita o emprego pela necessidade de dinheiro. Embora seja um tipo de &#8220;picareta do bem&#8221;, ele realmente se preocupa com a família e quer oferecer o melhor para ela. A medida que a trama evolui, vamos adentrando ainda mais na relação de amor entre Tony e a esposa, Dolores, interpretada por Linda Cardellini.</p>
<p>Tratando de um tema complicado como o racismo nos anos 1960 nos Estados Unidos, onde muitas regiões ainda obrigavam os negros a usar banheiros diferentes e se recusavam a hospedá-los em seus estabelecimentos, o filme consegue suavizar o clima através da desenvoltura do personagem Tony. Ele consegue dar leveza nas cenas e até mesmo em Don, que é sisudo e excessivamente sistemático.</p>
<p>A medida que a narrativa avança, vemos que Don Shirley vive muitas crises dentro de si. Ele é rico e da alta sociedade, mas é rejeitado por essa mesma sociedade pelo fato de ser negro. Embora ela crie uma fachada de aceitação, no fundo o racismo é o mesmo, só que velado. Por outro lado, a comunidade negra mais humilde e sem posses também não o aceita, já que falta identificação. Ele não sabe nem como se comportar perante os semelhantes.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9832" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/1059581.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="green book" width="610" height="348" /></p>
<p>Vivendo neste limbo, ele vai aceitando a maioria dos comportamentos em uma clara necessidade de ser minimamente aceito em sua condição. Isso fica muito claro, inclusive, quando conta à Tony que gostaria de tocar Chopin, mas que acabou seguindo o caminho da música popular, porque os brancos não estavam preparados para aceitar um pianista negro tocando música clássica. Por isso então, era necessário criar aquele ar de &#8220;comédia&#8221; em torno da situação, para que fosse mais aceito e pudesse tocar livremente.</p>
<p>Ainda que o foco da narrativa seja o preconceito sofrido por Don ao longo da viagem, o protagonista de todos os momentos é Tony e sua relação com todas as situações em que se envolve. Ele vai aos poucos tendo que lidar com seu próprio preconceito e vendo de perto os problemas que Don sofre simplesmente pela cor de sua pele. Tudo aquilo vai mudando o comportamento de Tony, que vai se fidelizando cada vez mais ao chefe e o admirando.</p>
<p>Viggo Mortensen está completamente transformado no papel de Tony, de uma maneira nunca antes vista em sua carreira. Esqueça qualquer papel ou trejeito que já viu nele antes. Este é um personagem completamente novo e surpreendente. Cena após cena ele vai encantando o espectador com uma atuação incrível, que o torna um excelente candidato ao Oscar de Melhor Ator.</p>
<p>Com tons de humor, onde nos vemos rindo bastante com a quantidade de comida que o motorista come em contraposição com a falta de paciência do chefe em lidar com as situações, <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em></strong> consegue tratar do racismo de uma maneira leve e acertada. Entre um riso e outro, refletimos e nos emocionamos com essa trajetória tão envolvente e verdadeira dos personagens.</p>
<p>O diretor Peter Farrelly conseguiu dosar muito bem todas as emoções e trazer o espectador pra junto, neste que é o trabalho mais diferenciado de sua carreira (ele fez longas como <em>O Amor é Cego</em> e <em>Debi &amp; Lóide 2</em>). <strong><em>Green Book &#8211; O Guia</em></strong> é, definitivamente, um forte concorrente ao Oscar pelo seu equilíbrio em todas as categorias e coerência do roteiro. Encantador, engraçado, reflexivo e emocionante. Vale a pena!</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/zvVUiA17a-g" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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