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	<title>Arquivos Tyler Perry - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Tyler Perry - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Batalhão 6888 (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Mar 2025 19:35:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Primeiro e único batalhão de mulheres negras na Segunda Guerra Mundial, o 6888 realiza um milagre, organizando milhares de correspondências perdidas das tropas em guerra. Este é o plot da produção da Netflix, Batalhão 6888, que, apesar de irregular, emociona por sua premissa e pelo carisma de seu elenco. Ainda que apele para o exagero emocional, não utilizando o melodrama da melhor maneira, as sequências de luta e de reflexão de gênero, classe e raça elevam a potencialidade do longa-metragem. [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Primeiro e único batalhão de mulheres negras na Segunda Guerra Mundial, o 6888 realiza um milagre, organizando milhares de correspondências perdidas das tropas em guerra. Este é o plot da produção da Netflix, <strong><em>Batalhão 6888</em></strong>, que, apesar de irregular, emociona por sua premissa e pelo carisma de seu elenco.</p>
<p>Ainda que apele para o exagero emocional, não utilizando o melodrama da melhor maneira, as sequências de luta e de reflexão de gênero, classe e raça elevam a potencialidade do longa-metragem.</p>
<p>Talvez, o grande incômodo aqui seja as interações da protagonista Lena King (Ebony Obsidian), com seu falecido namorado Abram (Gregg Sulkin). Isto porque o roteiro já gasta boa parte do início da projeção para construir a empatia com o casal.</p>
<p>De fato, o amor dos dois e a tragédia da guerra que os separou é o que conecta os detalhes centrais da trama. No entanto, é cansativo e desnecessário acompanhar as visões de Lena do falecido. Além disso, apesar de Ebony ser carismática, a sua personagem não é bem trabalhada.</p>
<p>Toda a sua motivação parece ser apenas Abram. Mesmo que no começo o público saiba que ela sonha ir para a faculdade e que é apegada a mãe a avó, todo o núcleo de sua personalidade parece ser o seu relacionamento amoroso.</p>
<p>Após a sua chegada no treinamento, esse continua sendo seu mote (o boy) e o tom da personagem não se transforma, o que é estranho porque a jovem passa por um treino intenso.</p>
<p>Ao seu redor, as amigas e chefes também não recebem camadas. No entanto, a presença de uma atriz experiente e habilidosa como Kerry Washington (<em>Django Livre</em>) faz toda a diferença. A intérprete aproveita cada momento em cena, mesmo sem falas verbais.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19236" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image.png" alt="Batalhão 6888" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A postura corporal, os silêncios com trabalho de olhares e respiração e as gradações na voz nos diálogos transformam o seu papel da Major Adams em algo mais significativo para a trama e para a protagonista.</p>
<p>Kerry tem o costume de atuar com uma mescla de olhos marejados e retenção de respiração que, mesmo que seja costumeiro, funciona sempre. Porque, assim, ela consegue convocar um misto de fragilidade e força que aumenta a capacidade de estabelecimento de empatia com a plateia.</p>
<p>Inclusive, a entrada de sua personagem faz diferença durante a sessão, elevando a qualidade da obra. Todavia, este é um dos poucos pontos altos do longa. Além deste, a história verdadeira sobre um batalhão tão revolucionário e importante também acrescenta um caráter de maior relevância para o <strong><em>Batalhão 6888</em></strong>.</p>
<p>Contudo, alguns elementos incomodam consideravelmente. Não a ponto de tirar a vontade de ver o longa, mas de não ter uma fruição tão boa quanto poderia. As temperaturas utilizadas, inserem uma palidez e uma ausência de energia para a narrativa.</p>
<p>O tom melancólico soa exagerado. É uma guerra, coisas ruins acontecem, mas a tragédia dos confrontos não se resumem a algo melancólico apenas. Muito menos é este o foco de Batalhão. Falta uma potência tonal.</p>
<p>Esse caráter preenche as atuações, as cores selecionadas pela fotografia e pela arte e pela direção. Esta última é perseguida pelo conservadorismo, inclusive. Há uma ausência de coragem em arriscar sair da tonalidade pastel, da câmera fixa e das planificações esperadas. A encenação de 6888 é sua maior falha. O espectador não consegue compreender tão bem a geografia da cena, muito menos sentir emoções mais plurais.</p>
<p>Por fim, o desenho de som do filme poderia também ser mais criativo e mais expressivo. Em algumas sequências, como no treino com gás, a sonoridade soa chapada, sem gradações e camadas. Desta maneira, <strong><em>Batalhão 6888</em></strong> emociona, cria um laço instigante com a Major Adams e emociona por contar uma história real de mulheres tão forte. A produção tem defeitos, mas todos eles parecem pequenos ao final da projeção, por conta da força e coragem deste grupo tão inteligente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tyler Perry</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kerry Washington, Ebony Obsidian, Milauna Jackson</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/TcwEnCIwDE4?si=bw8Lrsp8ctehf-6_" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batalhao-6888-netflix/">Crítica: Batalhão 6888 (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Não Olhe para Cima (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 20:54:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali. Vindo da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali.</p>
<p>Vindo da comédia, o roteirista e diretor, sabe como jogar com a dinâmica da suspensão, do absurdo e do timing cômico. O resultado, geralmente, é um nó na garganta. Talvez, o título que havia chegado mais perto de alcançar este efeito com êxito, anteriormente, tenha sido o seu <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a>. Agora, com <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, Adam McKay aumenta o seu potencial de contar histórias e dosa com uma habilidade mais intensa os efeitos colocados na tela, seja em sua direção ou nos encaminhamentos da sua narrativa.</p>
<p>A inserção e retirada de diálogos e a maneira como os textos podem chegar entrecortados são os maiores ganhos do enredo. Há toda uma gama de sentidos criados entre o não dito e o que é explicitado verbalmente, inclusive com gritos. Esta estrutura revela a compreensão de McKay sobre a própria condição humana, seja por sua tolice e egoísmo, ou por seu caráter forte, mesclado ao desejo de sacudir o mundo e clamar para ser escutado de uma vez só.</p>
<p>Além disso, é curioso de observar como, ainda que não realize uma progressão linear de ações nítidas – existem idas e vindas de intensidade nos acontecimentos da trama –, a obra vai se tornando cada vez mais angustiante para quem assiste. Aqui, novamente, pode-se abordar a consciência sobre o uso da comicidade. Gradativamente e sutilmente, a graça se transforma em riso nervoso para, em seguida, virar melancolia e pânico.</p>
<p>Mesmo rindo de si e da humanidade, o desprezo por uma parte da sociedade e o respeito por outra, ganha espaço e não há retorno dentro da história. É notável – e até óbvio – o que McKay deseja convocar em seu longa-metragem. Este é sim um retrato de um país tolo e autocentrado, que enxergou um pouco da verdade sobre si, a partir de 2016. Ao invés dos grandes heróis, salvadores do Planeta, este é um reduto de diversos tolos, ignorantes políticos, preconceituosos e egocêntricos.</p>
<p>O que McKay desconhece é que esta realidade se assemelha a de múltiplos locais da Terra, incluindo o Brasil, com seu presidente genocida e seus apoiadores cruéis e desonestos. Ao se deparar com a sessão de<i> <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong></i>, seu público pode sim se identificar com todo aquele conteúdo, por mais insano que seja o <em>plot</em>, seu desenvolvimento e desfecho. É justamente isto que Adam faz em sua produção: toma posse do impossível para retratar as pessoas da contemporaneidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14991" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg" alt="Não Olhe para Cima" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, o que falta nele é uma visão menos “estadunidense centrada”, por assim dizer. Com um olhar tão voltado para si, ainda que seja para abordar seu país com um olhar cheio de ironia, a salvação de todos os seres humanos continua nas mãos de um único lugar: os Estados Unidos. Nenhum outro local foi capaz de encontrar uma solução eficaz para a catástrofe anunciada.</p>
<p>Além disso, ainda que a tragédia afete a humanidade inteira, somente uma nação é retratada. Este é um incômodo intenso em <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, visto que este umbiguismo é recorrente no audiovisual hollywoodiano, desde a sua criação. No entanto, apesar deste engasgo, vale ressaltar outras qualidades presentes no longa. A direção de McKay fomenta a qualidade do projeto.</p>
<p>A decupagem serve ao que está sendo contado com precisão e provoca sensações precisas no público, como na escolha em fechar mais certos planos e utilizar câmera na mão, nos instantes nos quais Kate (Jennifer Lawrence) e Randall (Leonardo Di Caprio) se sentem pressionados ou em pânico. Os enquadramentos e movimentos, juntamente com uma mise-en-scène – que mistura uma marcação caótica e desorganizada, com extremamente limpa ou diversos objetos, com pouquíssimos elementos de cena – contribuem para as interpretações.</p>
<p>As atuações de Meryl Streep (<em>Mamma Mia!</em>) e Di Caprio (<em>Titanic</em>) – que vinham pesando a mão nas suas construções, nos últimos tempos –, chegam aqui firmes e sutis. O jogo de câmera, bem como a montagem de Hank Corwin (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>), barram certos exageros que a dupla poderia cometer. Neste sentido, também é necessário dar créditos para Streep e Di Caprio, veteranos talentosos, ainda que passem do ponto em alguns de seus papéis. Aqui, ambos imprimem tônus no corpo e na voz, se pôr peso ou sujeira em seus movimentos.</p>
<p>Ambos captam com segurança as intenções do roteiro e criam nuances e camadas para suas personagens. Talvez, este destaque seja tão visível por estas serem as figuras mais complicadas no filme, por possuírem características um tanto estereotipadas, mas que são bem conduzidas, suavizando estes tipos: o cientista estressado e a política egocêntrica. Contudo, Cate Blanchett (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/"><em>Carol</em></a>) e Jennifer Lawrence (<em>Jogos Vorazes</em>) também trazem boas performances, que geram repulsa ou empatia, a depender da personalidade de cada uma delas.</p>
<p>Em seu resultado geral, <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong> é eficiente em registrar e analisar a contemporaneidade, em todo o seu ilogismo, suas compulsões, suas vaidades. Com uma equipe talentosa, quase nada de seu potencial é desperdiçado. Para ser completo, de verdade, bastava apenas erradicar o pensamento tão alto centrado dos EUA.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Adam McKay</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Leonardo Di Caprio, Meryl Streep, Jonah Hill, Cate Blanchett, Mark Rylance, Tyler Perry, Ariana Grande, Rob Morgan, Timothée Chalamet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/c1nToClX_3w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Funeral em Família</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Apr 2019 19:27:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existiu um período em que o público estava acostumado com filmes de comédia onde um ator interpretava mais de um papel, travestido em diferentes estilos e personagens. Destaque aqui para Eddie Murphy, que mantinha este perfil em seus filmes, a exemplo de O Professor Aloprado e Norbit. No entanto, isso tem mais de uma década e os tempos mudaram. A mesma comédia que funcionava lá atrás, já não faz tanto sentido na atualidade. Mesmo assim, Tyler Perry pegou a fórmula [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existiu um período em que o público estava acostumado com filmes de comédia onde um ator interpretava mais de um papel, travestido em diferentes estilos e personagens. Destaque aqui para Eddie Murphy, que mantinha este perfil em seus filmes, a exemplo de <em>O Professor Aloprado</em> e <em>Norbit</em>. No entanto, isso tem mais de uma década e os tempos mudaram. A mesma comédia que funcionava lá atrás, já não faz tanto sentido na atualidade. Mesmo assim, Tyler Perry pegou a fórmula e resolveu utilizar mais uma vez.</p>
<p>O filme conta a história de Madea (Tyler Perry). Ela e seus companheiros achavam que estavam indo para uma reunião de família como outra qualquer. Porém, tudo se transforma em um pesadelo quando de repente eles precisam planejar um funeral no meio de sua viagem a Georgia.</p>
<p>É curioso descobrir que este longa faz parte de uma franquia em torno da personagem Madea. Embora o Brasil não tenha participado dos outros filmes e seus lançamentos, os EUA já estão um pouco mais familiarizados com o projeto de Perry. Ele convoca a percepção de uma família negra abastada e os percalços nas relações interpessoais e sociais. Tudo isso com muito humor.</p>
<p>Ou deveria ser o esperado. <em><strong>Um Funeral em Família</strong></em>, no entanto, não é um grande filme de comédia. O público passa mais tempo acompanhando o desenvolvimento da história do que efetivamente dando gargalhadas. Temos alguns momentos bons que são protagonizados pela própria personagem principal (que é o ator Tyler Perry travestido), mas é como se ele fosse a única graça da trama. Os demais personagens não oferecem o elemento humor.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10354" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/5352896-750x500.jpg" alt="um funeral em família" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/5352896.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/5352896-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/5352896-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em dado momento, inclusive, temos um discurso dramático forte sobre como uma mãe abdicou de sua felicidade em prol da segurança e bem-estar dos filhos. É muito comovente, mas ligeiramente sem nexo. É como se o filme não se assumisse 100% na comédia, mas também não dá o espaço devido para o drama. Ele acaba residindo no limbo da falta de personificação.</p>
<p>Embora tenha bons momentos e escolhas acertas, como o elenco 100% composto por atores negros, umas alfinetas aqui e ali sobre o racismo, o roteiro peca por reforçar certos estereótipos. O questionamento que fica é: até que ponto a escolha por se travestir de mulher e idoso para gerar o riso é aceito na sociedade atual? Acredito que caminhamos o suficiente para problematizar isso e ver que não há mais tanto espaço para tal decisão. E que é preciso refletir sobre esse tipo de escolha.</p>
<p><em><strong>Um Funeral em Família</strong></em> não é um filme ruim, é apenas esquecível. Ele passa na superficialidade de seu tema, que poderia ser tratado de tantas maneiras mais interessantes. Aprofundamento de crítica social, debate sobre racismo, questionamentos sobre a posição da mulher, etc. Tudo isso são fios que surgem ao longo da trama e que são ignorados pela simples escolha do humor sem causa. Um grande desperdício.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Tyler Perry<br />
<strong>Elenco:</strong> Tyler Perry, Patrice Lovely, Cassi Davis, Jen Harper, Rome Flynn, Courtney Burrell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/3Jmv_-S5x4c" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vice</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jan 2019 20:14:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Momentos históricos e figuras conhecidas são foco de narrativas desde o início do cinema. A partir da década de 1950, a quantidade de produções voltadas para a vida de personalidades ou acontecimentos marcantes só cresceu. Graças aos excepcionais produtos biográficos de 2018, as maiores premiações do cinema tiveram cinebiografias nas categorias de maior destaque. Cerca de oito longas-metragens comandaram essas cerimônias e, dentre eles, três estão concorrendo ao Oscar de “Melhor Filme”. O diretor, produtor e roteirista Adam McKay, depois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Momentos históricos e figuras conhecidas são foco de narrativas desde o início do cinema. A partir da década de 1950, a quantidade de produções voltadas para a vida de personalidades ou acontecimentos marcantes só cresceu. Graças aos excepcionais produtos biográficos de 2018, as maiores premiações do cinema tiveram cinebiografias nas categorias de maior destaque. Cerca de oito longas-metragens comandaram essas cerimônias e, dentre eles, três estão concorrendo ao Oscar de “Melhor Filme”.</p>
<p>O diretor, produtor e roteirista Adam McKay, depois do sucesso de <em>A Grande Aposta</em> (2015), embarcou numa nova aventura no gênero dos filmes biográficos. Após explicar para o mundo, com toda a sua desenvoltura, simplicidade e sarcasmo, o problema da crise econômica de 2008, agora McKay traz a jornada do político americano Dick Cheney para as telonas. O longa-metragem intitulado <em><strong>Vice</strong> </em>é um retrato sobre os principais momentos da vida e carreira dessa figura política tão controversa da história estadunidense.</p>
<p>Após decidir que daria um novo rumo em sua vida, o jovem Dick Cheney (Christian Bale) se afilia ao Partido Republicano ao perceber que o mundo da política poderia lhe proporcionar grandes oportunidades. O pontapé inicial para seu crescimento acontece assim que ele se torna assessor de Donald Rumsfeld (Steve Carell). Com o passar dos anos, independente das reviravoltas do cenário político dos Estados Unidos, Dick assegurou seu lugar como uma figura de destaque e influência. Mais de 30 anos após o início de sua carreira, Cheney estava trabalhando no setor privado até que George W. Bush (Sam Rockwell) – o qual planejava se lançar como candidato à presidência – o convida para ser o vice-presidente da chapa. Dick Cheney aceita a proposta com a condição de deter diversos poderes que estão além da real condição de um vice-presidente.</p>
<p>Antes de assistir <strong><em>Vice</em> </strong>é importante que se entenda a perspectiva do filme. Não existe nenhum tipo de oportunidade para visualizar Dick Cheney. O longa é construído para que o público perceba o que há de pior nessa persona. É sob esse olhar que toda a história se desenvolve. Adam McKay dirigiu e roteirizou essa narrativa com um humor ácido fenomenal. As suas vivências anteriores escrevendo e dirigindo longas de comédia o ajudam desde <em>A Grande Aposta</em> e agora não seria diferente.</p>
<p>A crítica imbuída a cada cena e acontecimento cria um ritmo interessante para a película. McKay aposta mais uma vez em sua abordagem satírica e metalinguística de explicar o seu filme dentro do próprio filme. Ao contrário do seu último trabalho onde diversos artistas explicavam termos técnicos da economia, em <strong><em>Vice</em></strong>, o espectador se depara com um narrador-personagem, o qual serve como guia da história de Cheney. A partir dessa linha histórica criada por Kurt (o narrador), o público passa a presenciar alguns dos momentos mais tensos, escandalosos e conturbados da política americana.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9869" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Vice-Movie-Cast-Real-People.jpg" alt="Vice" width="610" height="348" /></p>
<p>Por conta dessa abordagem estabelecida em 2015 com sua outra cinebiografia, Adam McKay desenvolveu uma construção narrativa peculiar – a qual sempre chamou a atenção do público e crítica. Além dos artifícios metalinguísticos e dos diálogos e cenas carregados de humor ácido criados nas duas últimas películas, Mckay ainda conta com uma montagem única. Hank Corwin se tornou o nome responsável pela interpretação e materialização das composições visuais nada ortodoxas de McKay. As edições de<em> The Big Short</em> e <em><strong>Vice</strong> </em>(títulos originais) foram resultado do trabalho de Corwin e lhe renderam indicações em premiações – incluindo o Oscar.</p>
<p>Uma outra fonte de destaque dos trabalhos de McKay é o seu elenco. Sempre muito bem escolhido, o conjunto de atores personifica e traduz as ideias do diretor em cada uma das cenas. Especificamente nesse longa, o elenco teve o enorme desafio de não se tornar uma mera caricatura de figuras conhecidas do cenário político norte americano. A notabilidade do filme está atrelada, principalmente, a estrela da película. Christian Bale encarnou a “persona non grata” que era Dick Cheney e fez uma de suas melhores performances da carreira. Bale preenche as cenas com o sorriso maquiavélico e o olhar pomposo de Cheney e faz o público delirar com a sua endiabrada personalidade. Ele é um show à parte.</p>
<p>Ao seu lado de Bale, Amy Adams e Sam Rockwell também fizeram interpretações de destaque. Rockwell está extraordinário com o olhar perdido e infantil de George W. Bush e Adams está simplesmente genial como Lynne Cheney. Tyler Perry completa as figuras de importância da época como o general Colin Powell, enquanto o ator Jesse Plemons mostra o seu talento como o narrador da trama política. Um dos deslizes do longa, contudo, está na interpretação de Steve Carell. Ao viver o papel do Secretário de Defesa do governo Bush, Donald Rumsfeld, o ator não consegue se afastar muito da realidade e acaba se assemelhando mais a uma caricatura do Secretário do que a uma personificação da figura como fez Bale.</p>
<p>Até o momento, o longa-metragem de Adam McKay recebeu 92 indicações e foi vitorioso em 17 delas. A maior parte dessas vitórias está atrelada ao elenco (em especial, Bale). A força dessa produção nessa temporada de premiações reside verdadeiramente em seus atores que entregaram performances excepcionais. Apesar do BAFTA ainda estar por vir, a premiação mais aguardada é o Academy Awards, onde a película foi indicada em oito categorias. As apostas para o Oscar estão justamente nos seus dois pontos fortes: a atuação memorável de Christian Bale e a maquiagem incrível que ajudou a fazer o trabalho do elenco ainda mais realista. <em><strong>Vice</strong> </em>é a quarta nomeação de Bale por uma atuação – com apenas uma vitória por <em>O Vencedor</em> (2011). O ator ganhou a maioria das principais premiações e segue como o favorito para o Oscar de “Melhor Ator”, resta esperar para saber se a Academia irá ou não anunciar o nome dele no dia 24 de fevereiro.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/aui34BeH4FM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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