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	<title>Arquivos Tracy Letts - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Tracy Letts - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Adoráveis Mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jan 2020 01:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (Lady Bird &#8211; A Hora de Voar) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. Adoráveis Mulheres é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas. Nesta adaptação atual, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-lady-bird-a-hora-de-voar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Lady Bird &#8211; A Hora de Voar</em></a>) estreia mais um longa centrado em personagens femininas fortes e histórias marcantes. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é mais uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de sucesso da escritora Louisa May Alcott. O enredo narra a trajetória de quatro irmãs criadas pela mãe, já que o pai está lutando na guerra. Com personalidades completamente distintas, elas possuem sonhos diferentes, mas uma ambição em comum: serem felizes e plenamente satisfeitas.</p>
<p>Nesta adaptação atual, a protagonista Jo March é vivida por Saoirse Ronan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duas-rainhas/"><em>Duas Rainhas</em></a>), que confere a assertividade necessária para a jovem revolucionária. Em uma época em que a melhor opção de vida da mulher era o casamento, Jo decide que quer ser dona de sua própria vida e não depender de homem. Mas suas irmãs não pensam da mesma forma. A sonhadora Meg (Emma Watson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><em>A Bela e a Fera</em></a>) quer encontrar um príncipe encantado, enquanto a espevitada Amy (Florence Pugh, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a>) quer uma oportunidade de ser um grande destaque. Para Beth (Eliza Scanlen, série <em>Sharp Objects</em>), o melhor dos mundos é viver em paz com sua música e um bom piano.</p>
<p>A narrativa nos apresenta sem pressa todas as personagens, traçando a personalidade de cada uma e seus objetivos. Além disso, a presença forte da mãe interpretada por Laura Dern (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de Um Casamento</em></a>), funciona como uma referência para as meninas, mostrando de onde surgiu toda a força delas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12165" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5749869.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A figura masculina é deixada de lado na maior parte da trama, mostrando que aquele é um palco destinado às mulheres. Mesmo o personagem de Timothée Chalamet (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-rei/"><em>O Rei</em></a>), que possui grande importância na história, não tem tanto destaque quanto as demais personagens. Greta faz isso de uma maneira muito respeitosa com a obra original, pincelando pitadas de seu perfil de direção, que procura favorecer as mulheres. Essa conduta é sensata e necessária, afinal, é do que se trata a história.</p>
<p><em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> é uma obra do século XIX mas que continua sendo extremamente atual. Discussões sobre o papel da mulher na sociedade, seu poder de escolha, as possibilidades que são apresentadas, as dificuldades que enfrenta. Tudo isso é tratado de uma maneira muito leve, porém contundente. O tom escolhido por Gerwig é na dose certa para apresentar novas nuances para a história, sem perder a sua essência.</p>
<p>Outro ponto alto é a incrível escolha de elenco. A unicidade de todos, a maneira como atuam e se respeitam em cena, torna a obra ainda mais equilibrada. Existe um entusiamos em participar do projeto que é perceptível pelo espectador. Temos ainda gratas surpresas, como a breve participação de Meryl Streep (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-lavanderia/"><em>A Lavanderia</em></a>) no papel da tia March ou de Chris Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>) no papel do vizinho Sr. Laurence.</p>
<p>O quarteto principal tem uma dinâmica harmônica e verdadeiramente fraternal. É difícil definir quem é o elo mais interessante, quando todas apresentam características únicas e distintas. Ainda assim, Florence consegue roubar a cena em todos os momentos, de maneira muito natural. Seus momentos com Saoirse são os melhores do filme, definitivamente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12166" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Adoráveis Mulheres" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/5765494.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa conta com o suporte de uma belíssima fotografia e figurino impecável, lembrando muito as produções de Joe Wright, como <em>Orgulho e Preconceito</em>. A trilha sonora, no entanto, não é o voto mais alto. Embora Alexandre Desplat seja um compositor de respeito, senti um pouco de preguiça da parte dele em inovar e apresentar algo mais memorável. Ainda assim, não é comprometedor. Apenas não se destaca, como seria o seu comum.</p>
<p>A escolha de Greta em contar a história através de <em>flashes</em> do passado intercalados com o presente é inteligente. Ao mesmo tempo em que o espectador anseia para descobrir mais sobre as personagens, fica com certa melancolia ao saber onde alguns deles vão parar ou que seus sonhos foram &#8220;frustrados&#8221;. As linhas temporais funcionam como elemento da trama, conferindo maior fluidez à narrativa.</p>
<p>A sensação que o longa passa é de acolhimento, não apenas pela história, como pelas personagens. Temos a vontade de entrar na tela e abraçar todos, vivendo aquele momento. Certamente por isso não percebemos as 2h15 de longa passar. <em><strong>Adoráveis Mulheres</strong></em> tem uma vitalidade impressionante, que conquista o espectador logo de cara. Finalizamos a sessão com grandes momentos propostos pelo filme, especialmente quando, no final, fica ainda mais exposto a exigência da sociedade pelo casamento da mulher.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig<br />
<strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh, Timothée Chalamet, Laura Dern, Louis Garrel, Chris Cooper, Eliza Scanlen, Meryl Streep, Tracy Letts, Bo Odenkirk, James Norton, Jayne Houdyshell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7nc1GE_hnLs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ford vs Ferrari</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Nov 2019 19:21:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O universo do automobilismo é atrativo para milhares de pessoas ao redor do mundo, em sua maioria, homens. Para este esporte masculino que mistura carro com adrenalina, o cinema vira e mexe retorna ao tema para explorar um pouco mais histórias de bastidores. Em Ford vs Ferrari, o foco é na disputa entre as grandes marcas para mostrar quem tem o carro mais potente para ganhar o circuito de Le Mans. Para além disso, as negociações de poder e articulações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O universo do automobilismo é atrativo para milhares de pessoas ao redor do mundo, em sua maioria, homens. Para este esporte masculino que mistura carro com adrenalina, o cinema vira e mexe retorna ao tema para explorar um pouco mais histórias de bastidores. Em <em><strong>Ford vs Ferrari</strong></em>, o foco é na disputa entre as grandes marcas para mostrar quem tem o carro mais potente para ganhar o circuito de Le Mans. Para além disso, as negociações de poder e articulações por trás é o que motiva a narrativa como um todo.</p>
<p>Baseado em uma história real, o roteiro nos apresenta dois personagens principais. Ken Miles (Christian Bale, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Vice</em></a>), um mecânico e piloto que não consegue ascender profissionalmente por conta de seu temperamento exaltado e difícil de lidar. Do outro lado, temos Carroll Shelby (Matt Damon,<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-perdido-em-marte/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em> Perdido em Marte</em></a>), ex-piloto que precisou largar o volante por conta de problemas de saúde e agora vive do empreendedorismo do ramo.</p>
<p>À medida que os dois personagens vão se cruzando, a trama acontece. Henry Ford II (Tracy Letts, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-post-a-guerra-secreta/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>The Post &#8211; A Guerra Secreta</em></a>) tem o dinheiro e o status que qualquer pessoa poderia se dar por satisfeita. Mesmo com a ascensão da Ford na linha de montagem de carros, ele se incomoda com o poderio de presença da Ferrari. A marca italiana está passando por problemas financeiros, depois que insistiu em conseguir criar o carro mais veloz do mundo. Ainda assim, ela é disputada pelo status que carrega.</p>
<p>O enredo basicamente nos mostra o quanto que os homens se deixam envolver rapidamente quando o assunto é carro e status. Pouco importa o dinheiro que está sendo gasto, se o final for conquistado. Um exemplo disso é que Henry dá carta branca para criar o carro que ele acredita que pode ganhar as 24h de Le Mans. Por outro lado, Miles é arredio e não aceita opiniões contrárias. Prefere perder o emprego do que dar o braço a torcer.</p>
<p>Para além deles, temos o personagem de Josh Lucas (O Poder e a Lei), Leo Beebe, que funciona como um vilão na história. Um pouco canastrão demais, ele toma decisões arbitrárias com base em empatia. E estamos falando de transações milionárias, o que prova ainda mais a questão da masculinidade frágil atrelada a carros.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11827" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/5500020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Ford vs. Ferrari" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/5500020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/5500020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/5500020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Dito isso, temos o cenário montado para evolução da corrida. O diretor James Mangold (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-logan/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Logan</em></a>) nos oferece uma construção de história progressiva e contundente. Ele nos dá tempo para nos envolver com os personagens, sem se estender em informações desnecessárias. A construção da relação dos protagonistas, das personalidades. Tudo isso se dá de maneria cuidadosa.</p>
<p>Mesclado com ótimos momentos de ação e corridas, o filme é uma dose equilibrada do drama da história com a ação da situação em si. Estamos falando de carros que correm a 350 km/h. Então, naturalmente, é de se esperar cenas empolgantes e tensas. Ainda assim, é a história de Ken Miles que está sendo contada, que vai muito além de velocidade.</p>
<p>A escolha de elenco é um dos pontos altos do filme. O destaque vai para os protagonistas. Bale está fantástico na pele do arredio Miles, com suas nuances amorosas com a esposa e o cuidado com o filho. Mas é Damon que realmente nos chama a atenção. Sua performance é sem excessos, na dose certa para o personagem. Ele vive conflitos constantes, que nos são apresentados muito mais por emoções do que por ações.</p>
<p>Mesmo que seja um pouco aquém de<em> Rush &#8211; No Limite da Emoção</em> (2013) &#8211; um longa completamente redondo e envolvente, mesmo para quem não é fã de Fórmula 1 &#8211; <em><strong>Ford vs</strong></em> Ferrari não faz feio no resultado final. O domínio artístico das cenas, a clareza na construção das relações dos personagens e decisões importantes sobre o que focar em cada momento, fazem do filme um ótimo entretenimento biográfico.</p>
<p><strong>Direção:</strong> James Mangold<br />
<strong>Elenco:</strong> Matt Damon, Christian Bale, Caitriona Balfe, Tracy Letts, Josh Lucas, Jon Bernthal, Noah Jupe, Ray McKinnon, J J Feild, Wyatt Nash</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hExY2AmAHOg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Indignação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2016 14:11:31 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[James Schamus]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em dado momento do longa <i>Indignação, </i>a jovem Olivia Hutton (Sarah Gadon, de <i>Mapas para as Estrelas</i>), de espírito livre, mas reprimida por uma sociedade conservadora, nota no seu pretendente Marcus (Logan Lerman, de <i>As Vantagens de ser Invisível</i>) uma característica que acaba sendo determinante nas decisões que o mesmo tomará ao longo da história: o rapaz ateu de família judia é intenso, porém tem seus ímpetos de ação travados por alguma razão. Marcus tem muito de si para externar, seu inconformismo com o <i>establishment</i> e com a intolerância, uma forte vontade de subverter regras, mas sempre parece detido por pressões externas que acabam revelando uma faceta negada, sufocada e que o faz recuar em seus movimentos de expansão. O problema é que em um desses recuos, o jovem acaba trazendo severas consequências para a sua vida e para aqueles que ama.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Baseado no romance de Philip Roth, que parece nunca ter tido uma adaptação cinematográfica à altura do seu legado (basta ver exemplos como <i>Revelações</i>, <i>Fatal </i>ou o recente <i>Pastoral Americana</i>), <i>Indignação </i>é um ponto fora da curva ao captar a essência precisa do universo e das ideias do escritor. No longa, Marcus é um rapaz de família judia que vai estudar em uma pequena comunidade de Ohio, onde lida com a repressão sexual e com o abalo das suas convicções pessoais a partir do momento em que começa a se apaixonar pela colega de classe Olivia Hutton e ser objeto de vigilância e censura do reitor da instituição.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Dirigido e roteirizado por James Schamus, parceiro de longa data do cineasta Ang Lee em filmes como <i>O Tigre e o Dragão</i>, <i>Hulk </i>e <i>Desejo e Perigo</i>, <i>Indignação </i>tem um tempo próprio com suas longas sequências de diálogo, discussões que começam de maneira banal e que desembocam em descobertas cruciais para os seus personagens e realiza toda a sua incisiva discussão acerca dos seus diversos temas de maneira discreta e elegante, sem grandes estardalhaços. O realizador tem como centro das suas atenções um estudo sobre a personalidade conflituosa de Marcus, defendido com muita sensibilidade por um maduro Logan Lerman. Schamus põe em evidência as incoerências de um rapaz que é capaz de assumir com firmeza e com dedo em riste seu direito de ser ateu, mas, ao mesmo tempo, toma uma atitude covarde por receio de ferir os sentimentos dos seus pais, cujas vidas certamente não mudariam em nada caso fossem contrariados.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6993" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Indiganacao-1.jpg" alt="indiganacao" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>As escolhas de Roth e, consequentemente, de Schamus em <i>Indignação </i>são certeiras e nada óbvias. No lugar de um jovem extremamente apegado a uma religião, seja ela o judaísmo da familia ou o catolicismo, temos um ateu, a quem poderíamos associar instantaneamente à libertação de qualquer amarra social. É por intermédio dessa interessante provocação que Schamus corrói as nossas expectaticas de que, em algum momento, especialmente após o longo debate com o reitor Dean Caudwell (Tracy Letts, de <i>A Grande Aposta</i>), o seu protagonista se tornasse o herói dessa narrativa. Com Marcus, Roth e Schamus querem atingir uma das nossas maiores fraquezas humanas, a hipocrisia. Uma sequência de sonho na qual Marcus se vê no açougue de seu pai vivendo ao lado de Olivia é simbólica. Enquanto o patriarca está preso no armário de carnes, o rapaz beija apaixonadamente e cheio de culpa a garota em uma clara representação do jogo de forças interno que Marcus tem de enfrentar, uma visão dos seus desejos reprimidos por coerções sociais cuja gerência em seus atos nega veementemente. O filme provoca: O que é mais passível de indignação? A sociedade repressora que pune Olivia e ameaça Marcus ou a covardia do protagonista por não ter coragem de levar para a prática o seu discurso? A resposta de Roth e Schamus aponta para as duas opções.</p>
<p>O olhar que Schamus apresenta para a hipocrisia social é potente. Marcus é um personagem mergulhado em contradições. Se de um lado é capaz de formular um discurso progressista em seu embate mordaz com o reitor da universidade, por outro usa e descarta Olivia sem nem perceber o machismo e o julgamento inconsciente que tem sobre as atitudes da moça quando a mesma o surpreende com um sexo oral ou com uma masturbação na cama do hospital. Por sua vez, Olivia, defendida com vivacidade e melancolia por Sarah Gadon, é uma jovem que sofre as consequências das suas tentativas de subverter o regime autoritário e preconceituoso que a cerca, sofrendo punições ainda mais drásticas por ser mulher. Diferente de Marcus, Olivia impõe suas vontades, mas é censurada pelas mesmas e tem o destino mais trágico possível. O desfecho da história desses dois personagens mostra como nesse ambiente de vigilâncias sobre o livre arbítrio a repressão ou a subversão são potencialmente danosas àqueles que optam pelas mesmas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em tempos nos quais as pessoas são tão donas da razão e cheias de si em suas convicções políticas, religiosas e filosóficas a ponto de nem perceberem quão hipócritas e desumanas são umas com as outras, <i>Indignação </i>é um filme que tem muita urgência. O longa coloca uma lupa em gente que diz muito, mas que na prática faz muito pouco e quando faz nada corresponde ao que fora sugerido no campo discursivo.  Schamus concebeu um filme melancólico e questionador, marcado por um protagonista contraditório que frustra qualquer expectativa de heroísmo ou bom mocismo. No longa, estamos diante de seres humanos falhos que no calor do momento, no sabor das suas emoções instantâneas, são capazes de se acovardar e serem tomados pelo medo das represálias sociais sem que consigam dimensionar que em nome de algo que acreditam ser maior do que a própria vida acabam tornando o mundo um lugar nada amistoso.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
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