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	<title>Arquivos Tony Ramos - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Tony Ramos - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Getúlio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 May 2014 20:49:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_756" aria-describedby="caption-attachment-756" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/GETULI1.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-756  " src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/GETULI1-620x371.jpg" alt="Getúlio" width="620" height="371" /></a><figcaption id="caption-attachment-756" class="wp-caption-text">Tony Ramos como o presidente Getúlio: Interpretação detalhista que carrega o filme nos momentos de monotonia</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Getúlio </em>opta por um caminho consciente e coerente para conseguir dimensionar uma figura pública com a complexidade do ex-presidente do Brasil Getúlio Vargas: narra um período específico da sua vida e não toda a sua trajetória. Específico o suficiente para dar conta de um momento determinante da sua caminhada política bem como da sua personalidade e das suas relações de afeto. Por essa perspectiva, o longa de João Jardim, que tem nos créditos a co-direção do documentário <em>Lixo Extraordinário </em>e a ficção <em>Amor?</em>, merece o reconhecimento, afinal teve a percepção adequada de que é muito mais eficiente ser profundo na especificidade do que no todo. No entanto, a produção assume para si a irreversível polêmica que o tom de uma narrativa sobre um personagem, sobretudo uma figura controversa como Getúlio, que carrega legiões de defensores e opositores, pode carregar: toma ou não toma partido? Quanto a isso, Jardim o fez atabalhoadamente, ainda que não comprometesse por completo o seu resultado.</p>
<p><em>Getúlio</em> narra os últimos dias da vida de Getúlio Vargas a partir da crise instaurada em seu governo após as acusações de que o presidente estaria envolvido na tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda que acabou levando a falecimento o major Rubens Vaz com um tiro na Rua Toneleiro, no Rio de Janeiro de 1954. O filme de João Jardim acompanha o período que compreende 05 e 24 de agosto daquele ano, sendo que o ultimo dia foi marcado pelo suicídio do presidente Vargas, um ato que, ao mesmo tempo, representou a resistência em abandonar o cargo que estava ocupando há anos e uma manobra política que surpreendeu seus &#8220;conspiradores&#8221;.</p>
<figure id="attachment_758" aria-describedby="caption-attachment-758" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/d7re35h722bh0kzw78fo2tk9a.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-758" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/d7re35h722bh0kzw78fo2tk9a-620x331.jpg" alt="" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-758" class="wp-caption-text">Alzira (Drica Moraes) e Getúlio (Tony Ramos) em momento carinhoso: um dos poucos elos afetivos criados com o espectador</figcaption></figure>
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<p>Por mais que <em>Getúlio </em>traga toda a atmosfera dúbia que pairava sobre o político e que o tornava um homem psicologicamente atormentado &#8211; sua tomada de poder que fazia jus a alcunha de ditador que recebera vivia lado a lado com sua popularidade com a classe trabalhadora em função de conquistas trabalhistas como o salário mínimo, a Justiça do Trabalho e a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) -, o longa peca por induzir emoções e não por deixá-las a cargo do próprio público, tornando evidente uma posição do cineasta sobre o seu &#8220;biografado&#8221;, através, por exemplo, de uma trilha sonora invasiva que se antecipa aos acontecimentos.</p>
<p>No geral, o resultado é um filme tecnicamente competente, mas que tem seu sustento no elo que estabelece entre o público e seus personagens. Tony Ramos consegue transformar Getúlio em um homem abatido e tenso cuja única ligação afetiva que ainda lhe resta, após tantos anos se dedicando exclusivamente ao Palácio do Catete, é com a filha Alzira, uma interpretação minunciosa e delicada de Drica Moraes. Por sinal, a dinâmica entre Ramos e Moraes é o ponto alto do longa, que ainda traz Alexandre Borges relativamente interessante como Carlos Lacerda.</p>
<figure id="attachment_759" aria-describedby="caption-attachment-759" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/getulio_2-650x400.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-759 " src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/getulio_2-650x400-620x381.jpg" alt="" width="620" height="381" /></a><figcaption id="caption-attachment-759" class="wp-caption-text">Morte anunciada: sua habilidade em entender as questões que mais afetam o povo e seus meios tortuosos para obter os resultados desejados</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Apesar de ser um filme de &#8220;gabinetes&#8221; relativamente frio, <em>Getúlio </em>mostra-se como uma obra bem mais envolvente que outros exemplares recentes do gênero, como <em>Lincoln</em>, de Steven Spielberg. O que sobra em meio a tantos fatos politicamente questionáveis são indivíduos com motivações reais e relações afetivas sólidas ou não. Esses compontentes trazem relevância a esse filme de João Jardim. Ver atores como Tony Ramos e Drica Moraes em cumplicidade transbordante na tela é recompensador de qualquer forma. Vale o registro.</p>
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