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	<title>Arquivos Thiago B. Mendonça - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>10º Olhar de Cinema: Belos Carnavais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Oct 2021 20:29:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando Belos Carnavais começa, a sensação que se tem é a de que um dia muito bom está para começar. Logo de início, Dadinho é visto acordando. A luz que incide em seu quarto é intensa e sua roupa verde e branca está pendurada em um cabide. Instantes depois, fica-se sabendo que o sambista irá para o enterro de seu irmão. Ambos compositores de Escolas de Samba, rivais na quadra e também na vida amorosa. Dentro deste contexto, talvez, o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando <em><strong>Belos Carnavais</strong></em> começa, a sensação que se tem é a de que um dia muito bom está para começar. Logo de início, Dadinho é visto acordando. A luz que incide em seu quarto é intensa e sua roupa verde e branca está pendurada em um cabide. Instantes depois, fica-se sabendo que o sambista irá para o enterro de seu irmão. Ambos compositores de Escolas de Samba, rivais na quadra e também na vida amorosa.</p>
<p>Dentro deste contexto, talvez, o ponto mais forte do curta-metragem seja a complexidade da maneira como se lida com o luto. Entre canções, afetos e algumas lágrimas – estas que sempre acabam chegando em partidas de entes queridos –, há também um conforto do amor que perpassa cada cena. Oponentes unidos para dizer adeus! Somente por este motivo o filme já emociona, sem fazer muito esforço.</p>
<p>No entanto, o curta se vale demais da força de sua própria premissa, da beleza das músicas e da presença cativante de suas personagens. Por trás de todo o símbolo potente presente nas despedidas, as relações são pouco exploradas. O espectador observa de longe, porém não se aprofunda nos sentimentos e emoções de Dadinho, de seus rivais e, principalmente, de seu aparente amor do passado.</p>
<p>Pinceladas de um quase desenvolvimento de enredo são trazidas, mas isto nunca concretizado, não se é dito ou revelado. Um exemplo é a dinâmica entre Dadinho e sua neta, que é introduzida no princípio da projeção, mas vai sendo deixada de lado à medida que a história avança. Era necessário haver este aprofundamento e ele não precisava vir em textos falados, mas falta algo que vá mais além, já que um momento tão significativo da vida das pessoas é trazido aqui.</p>
<p>Em um enterro de um irmão, no qual alguém vê uma paixão e ainda está cercado de pessoas que fizeram parte de tantas vivências, era preciso convocar fatos ou até mesmo ações como olhares mais demorados e gestos. Esta ausência acaba esvaziando algumas escolhas contidas na obra, pois se existe a vontade de contar tanto, este tanto precisa ser trabalhado, para que quem assiste o sinta em toda sua completude.</p>
<p>Todavia, o que há aqui é a intensidade de uma premissa, das personagens vistas na tela e das sonoridades que emocionam, mas uma falta de aproveitamento destes elementos para uma coerência maior da produção. <em><strong>Belos Carnavais</strong></em> acaba sendo uma experiência positiva, justamente porque o público pode presenciar instantes majestosos de interação da Velha Guarda do samba brasileiro, mas gera frustração porque, de alguma maneira, ele parece ser mais do que realmente é.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Thiago B. Mendonça</p>
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