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	<title>Arquivos The Ordinaries - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: The Ordinaries</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 18:44:03 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um bom prólogo pode ser ameaçador para o destino de uma obra. As expectativas que são inseridas ali talvez levem a decepção, trazendo o fracasso como consequência. Este é o caso de <strong><em>The Ordinaries</em></strong>. Apesar de conter uma abertura criativa, que imerge no universo da narrativa e da diretora e roteirista Sophie Linnenbaum – que escreveu a produção ao lado de Michael Fetter Nathansky – parecer bem consciente do universo ficcional que está criando, o filme não mantem a qualidade até o final. Isto por conta principalmente de seu desfecho, que se rende aos caminhos fáceis.</p>
<p>Ainda assim, Linnebaum e Nathansky conseguem segurar a audiência justamente pelo laço que é estabelecido no início da projeção. E é através de um mundo distópico, no qual o sonho de toda a população é ser uma personagem principal, que o longa-metragem convoca a metalinguagem para se aprofundar em discussões políticas e sociais, bem como conduzir a transformação da protagonista Paula (Fine Sendel). A garota sonha em seguir os passos do pai e ser uma personagem principal. Contudo – e obviamente –, ela vai descobrindo que suas raízes não são exatamente as que ela imaginava, o que muda completamente o seu presente.</p>
<p>Neste contexto, o que mais chama a atenção na obra são os recursos estéticos. Além de eles estarem presentes na produção para o desenvolvimento da trama, a linguagem visual é bem realizada. Seja na utilização das figuras em preto e branco ou no par romântico de Paula, Simo (Noah Tinwa ), que sofre com uma pane na qual ele está sempre pulando falas e ações, por exemplo, durante toda a sessão estes artifícios estão interligados e são usados para mover a história e amarrá-la. Desta maneira, os efeitos visuais, a cenografia e o figurino apresentam coesão e contribuem para a sensação de imersão no longa-metragem.</p>
<p>As tentativas de explorar gêneros cinematográficos, arquétipos e clichês do audiovisual também são válidos, porém é aí que a obra começa a se perder. Enquanto a busca em falar sobre os oprimidos em uma sociedade de aparências e injustiças é um ganho, as repetições e insistência em fazer piada enfraquecem o resultado geral. Os propósitos de Paula, juntamente com as regras do mundo em que ela vive, começam a se afrouxar. Referências ao cinema ou artifícios reincidentes desgastam a força do que está sendo contado e como se está fazendo isto.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15714" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2.jpg" alt="The Ordinaries" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um exemplo é o conflito da melhor amiga de Paula, que é acaba virando <em>uma</em> gag vazia, porque não existe tempo dentro do longa para entender as motivações desta personagem ou suas complexidades. Na verdade, somente Paula tem camadas, o restante parece estar ali a serviço da sua jornada como heroína. De certo, a única quebra com este padrão é no desfecho do conflito, com o ato da mãe de Paula, que demonstra que a mesma possui outras tonalidades. No entanto, para o restante das personagens falta transformação e locomoção de estado.</p>
<p>Por esta razão, a sessão vai se tornando cansativa, mesmo que as piadas repetidas causem risadas aqui e ali ou que a criatividade da direção e do roteiro retornem em algumas cenas – como na fuga de Paula da polícia, quando ocorre a utilização do <em>rewind</em>. Por isso, o resultado geral, <strong><em>The Ordinaries</em></strong> fica em uma espécie de média e deixa sentimentos duplos. De um lado, existe a criatividade em falar sobre minorias sociais e injustiças, pondo um mundo distópico sofisticado e irônico. Do outro lado, a produção não consegue sustentar a riqueza de sua própria criação de atmosfera e mundo, simplificando discursos e se encaminhando para soluções óbvias ou fáceis.</p>
<p>O desfecho do longa é o resumo completo desta impressão sobre o filme no geral. Ao mesmo tempo em que ele é catártico, também é bobo e reduz o seu próprio potencial. As respostas para os problemas de Paula surgem do nada no enredo, resolvendo questões supostamente impossíveis em pouquíssimos minutos. Assim, <strong><em>The Ordinaries</em></strong> é uma exibição que não mantém seu nível qualitativo do começo até seu encerramento, porém é agradável e revela o potencial de Sophie Linnenbaum em seu primeiro longa-metragem de ficção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sophie Linnenbaum</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fine Sendel, Jule Böwe, Henning Peker</p>
<p>Confira todas as nossas críticas de Festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>!</p>
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