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	<title>Arquivos Talia Ryder - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre (Telecine Play)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Jun 2021 21:33:30 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Eliza Hittman]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Diversos dos medos, das angústias e aflições passadas por mulheres em suas vidas estão aqui em Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre. Através de uma direção e de um roteiro cuidadosos, Eliza Hittman (Parece Amor) imprime na tela um retrato sensível das lutas femininas cotidianas – e que não deveriam ser, é bem verdade, mas são. Entre as estratégias postas no filme, a escolha de colocar uma personagem tão jovem como protagonista eleva as sensações e reflexões acerca da sociedade machista [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Diversos dos medos, das angústias e aflições passadas por mulheres em suas vidas estão aqui em <em><strong>Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</strong></em>. Através de uma direção e de um roteiro cuidadosos, Eliza Hittman (<em>Parece Amor</em>) imprime na tela um retrato sensível das lutas femininas cotidianas – e que não deveriam ser, é bem verdade, mas são. Entre as estratégias postas no filme, a escolha de colocar uma personagem tão jovem como protagonista eleva as sensações e reflexões acerca da sociedade machista e cruel que, desde tão cedo pode punir, acuar e entregar responsabilidades pesadas nas mãos de meninas. Este fator etário da personagem principal faz com que a sessão seja ainda mais intensa.</p>
<p>Dentro deste contexto, o espectador se depara com a história de Autumn (Sidney Flanigan), uma adolescente, que entre sua rotina de escola, trabalho e amor pela música, descobre uma gravidez inesperada, fruto de um estupro, vindo de uma relação abusiva. Quando a jovem decide fazer o aborto, vai para Nova Iorque, porque a sua cidade é extremamente conservadora e de mentalidade tacanha. Todas estas informações não são ditas de maneira óbvia, mas sim através de ações, de movimentações de câmera, de olhares das personagens e de diálogos não muito diretos. Este é o ponto central aqui em <em><strong>Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</strong></em>. Esta é uma obra de silêncios, de tempos dilatados, mas não ralentados.</p>
<p>A relação entre Autumn e sua amiga Skylar (Talia Ryder) é fomentada justamente em tudo aquilo que nós mulheres não precisamos dizer. Sem trocarem uma palavra, é reconhecido o pavor da presença de homens brancos, que estão a todo tempo as rodandos, trazendo um perigo em potencial ou em assédios mais explícitos ou não. A figura do chefe do supermercado é um exemplo nítido deste cerco que as sufoca e maltrata. Toda a repugnância das garotas não é verbalizada, não é preciso, está tudo na expressão facial das atrizes, na seleção de planos, no tempo que a câmera se demora quando há o desejo de salientar algo ou um contexto.</p>
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<p>Hittman provoca tensão e aflição inteligentemente, pois constrói a progressão dramática com sutileza, mas sem deixar de apresentar reviravoltas na trama. Estas podem deixar o público tenso e ainda mais imerso naquele universo. Os entraves encontrados por Autumn são evocados de forma fluída, expressam uma batalha árdua e contínua por algo que deveria ser um direito garantido e sem maiores complicações. Cada barreira puxa a outra e, por esta razão, a fluidez se faz. Ao lado destes problemas, as reações de Autumn e Skylar também potencializam o entendimento sobre os temas abordados em <em><strong>Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre.</strong></em></p>
<p>As saídas que Autumn e Skylar encontram e como lidam com os ocorridos revelados no enredo, relembram, constantemente, o local onde as meninas e mulheres estão inseridas. Novamente, entendendo que elas estão dentro deste espaço de amadurecimento compulsório,  de silenciamento, de dúvida sobre quando se calar e falar e como reagir ao impensável: a sociedade como um todo. Mas, Hittman não expõe um discurso determinista e com questões insolucionáveis. Através das chances de ajuda e acolhimento encontrados em Nova Iorque e da parceria profunda de Autumn e Skylar, há um horizonte de esperança vislumbrado. Existe um caminho longo pela frente, mas não uma derrota. Longe disso.</p>
<p>Ainda há outra camada inserida na tela. Em nenhum momento, Hittman deixa quem assiste esquecer que a dupla é formada por adolescentes. Entre as breves brincadeiras entre elas, em como jogam no fliperama, na ingenuidade na hora de se expressarem ou em pequenos detalhes de ação – como no fato de Skylar ter trazido uma mala de rodinhas, para uma suposta viagem de um dia e, por isso, ter que a carregar o objeto o tempo inteiro – , tudo isto são marcas de juventude e fragilidade, que traduzem muito de quem são elas.</p>
<p>Esta lembrança recorrente também contribui para um roteiro potente, que sabe do que está falando, que tem a vontade de contar para o mundo como ele trata as meninas, as mulheres. Assim, <em><strong>Nunca, Raramente, Às Vezes, Sempre</strong></em> é uma produção carregada de significados múltiplos, para falar de um assunto abrangente e forte. Em sua delicadeza, ele consegue expressar muito sobre o sentido de violência e resistência presente na vida feminina, desde sempre.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Eliza Hittman</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sidney Flanigan, Talia Ryder, Théodore Pellerin</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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