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	<title>Arquivos Stuffed - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>51º TIFF: Stuffed</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2026 20:43:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A urgência de ser relevante para quem não tem problemas de verdade deve ser realmente algo especial. Stuffed aposta em uma premissa na qual as personagens centrais parecem estar desesperadas para serem esquisitas, mas não o suficiente. A artificialidade e o medo de arriscar totalmente tornam a sessão entediante. É bem verdade que existem qualidades no longa-metragem de Theo Rhys. O diretor, que já tinha feito um curta homônimo, aposta nas coreografias como destaque. São nesses momentos que a decupagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">A urgência de ser relevante para quem não tem problemas de verdade deve ser realmente algo especial. Stuffed aposta em uma premissa na qual as personagens centrais parecem estar desesperadas para serem esquisitas, mas não o suficiente.</p>
<p>A artificialidade e o medo de arriscar totalmente tornam a sessão entediante. É bem verdade que existem qualidades no longa-metragem de Theo Rhys. O diretor, que já tinha feito um curta homônimo, aposta nas coreografias como destaque.</p>
<p>São nesses momentos que a decupagem se torna mais elaborada, com movimentos de câmera e angulações mais plurais. Além disso, os movimentos coreografados por Stephanie McMann, convocam fluidez para as cenas.</p>
<p>O universo de Stuffed em coeso dentro de si mesmo, o que faz com que o espectador seja ambientado e mergulhe naquele horizonte ficcional Os gestos dançados têm um grande poder aqui de criar a contraposição da música sombria, com os movimentos energizados.</p>
<p>É estabelecida, assim, uma complexidade nas cenas. Isto porque uma organicidade habita os corpos do elenco e a preparação parece ter sido cuidadosa neste sentido. Existe uma unicidade dos gestos e uma forte tonicidade, que destaca as emoções das personagens.</p>
<p>Desta maneira, os atores parecem mais presentes em cena, o que fomenta o estabelecimento e a manutenção da atmosfera. Ao mesmo tempo, esse desejo de ser esquisito que Rhys, diretor e roteirista, parece não se sustentar durante toda a sessão.</p>
<p>Existe uma frase soteropolitana que diz “lá na Estação da Lapa não se fala em outra coisa”. Filmes assim dão vontade de pegar as mãozinhas da equipe e levar todes para uma excursão para o mundo real.</p>
<p>Claro que cada um tem a sua dor, mas para transformar aquele sofrimento terrivelmente específico em algo mundial, Rhys precisava demais. Além disso, cada dor imprime algo no ecrã. A mostrada por Stuffed existe de alguma maneira, porém apenas como um flerte:</p>
<p>Quando Rhys precisa mergulhar no tenebroso e sombrio verdadeiramente, ele recua. A convencional historinha de amor rouba o protagonismo da bizarrice. Então, qual é mesmo a questão das figuras centrais? Uma louça para lavar ou uma alma sombria incontrolável?</p>
<p>Araminta (Jodie Comer) e Bernie (Harry Melling) não precisavam ser nada além de amigos. Ainda que fossem paquerinhas, o que realmente é relevante para a narrativa é o fato de que ela é quem vai empalhar o jovem, depois dele tomar um copo de veneno.</p>
<p>Neste sentido, o longa vai perdendo tanto a sua personalidade durante a projeção que até mesmo as músicas vão se tornando escassas. Sim, Stuffed queria ser um Sweeney Todd, mas não consegue.</p>
<p>Não por falta de potencial, porém para alcançar tal intento é necessário mais coragem, doses de violência investigação de personagem. Araminta viveu com a mãe morta por semanas. Isso rende sequências e diálogos complexos.</p>
<p>Se as profundezas das feridas das figuras centrais fossem realmente investigadas, a produção cresceria. Ou, o fato do pai de Bernie ser ausente é incômodo para ele, mas esse fato não é trabalhado.</p>
<p>Até mesmo o fato de que eles não tiveram outros relacionamentos amorosos poderia render investigação de personagem. Qualquer coisa, que saísse da reiteração de que eles são estranhos. Ainda assim, a dupla central funciona por conta do talento dos intérpretes.</p>
<p>Apesar dos diálogos não ajudarem tanto, porque são óbvios, os dois conseguem sair dessa cilada. Isso ocorre justamente porque os dois focam na fisicalidade das personagens. Através dos gestos, uma nova dramaturgia é criada e revela a conexão entre Araminta e Bernie.</p>
<p>Assim, <em>Stuffed</em> é um filme que quase chega lá. Ele quase diverte, quase emociona, quase empolga… Falta Rhys realmente pensar: o que mexe com ele? Esse é seu primeiro longa e muito potencial está ali, em seu trabalho. Quando o realizador perder o medo de enfrentar as suas sombras, pode ser que o resultado apareça imediatamente na narrativa.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Theo Rhys</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Jodie Comer, Harry Melling, Claire Novelli</p>
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