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	<title>Arquivos Só Deus Perdoa - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Resenha TV: Só Deus Perdoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2014 01:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Kristin Scott Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolas Winding Refn]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1646" aria-describedby="caption-attachment-1646" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-1646 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling-620x331.jpg" alt="ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1646" class="wp-caption-text">Com as próprias mãos: Vingança, honra e laços familiares dão o tom no banho de sangue promovido por Refn e Ryan Gosling ao longo do filme.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ambientado em um universo diferente, <em>Só Deus Perdoa </em>mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, <em>Drive, </em>que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra no final da história. No entanto, as semelhanças param por aqui. <em>Só Deus Perdoa, </em>que por enquanto só teve os seus direitos de exibição adquiridos para a TV a cabo no Brasil (nada de distribuidora no cinema ou no mercado doméstico), tem muito menos viço do que a empreitada anterior do realizador.</p>
<p>Toda a narrativa de <em>Só Deus Perdoa </em>se passa em Bangkok e acompanha a jornada de Julian, papel de Ryan Gosling, na tentativa de honrar o nome da sua família. O irmão mais velho de Julian foi assassinado após estuprar e matar uma jovem prostituta. A mãe do rapaz e chefe de uma organização criminosa articulada em Bangkok dá ordens expressas ao seu grupo e a Julian: eles devem procurar o assassino do seu primogênito e o matar com requintes de crueldade. A partir dai a rivalidade interna e externa do grupo começa a desencadear um rastro de sangue que parece não ter fim. Ao mesmo tempo, Julian tem que lidar com um conflito interno antigo, a mágoa e o sentimento de rejeição que tem do relacionamento com sua mãe.</p>
<figure id="attachment_1648" aria-describedby="caption-attachment-1648" style="width: 617px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1648" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg" alt="kristin-scott-thomas-only-god-forgives" width="617" height="315" /></a><figcaption id="caption-attachment-1648" class="wp-caption-text">Matriarca implacável: Kristin Scott Thomas brilha como a chefe de uma organização criminosa em Bangkok.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se <em>Drive </em>flertava com o <em>western </em>e buscava referências oitentistas, <em>Só Deus Perdoa </em>dialoga com o cinema oriental e com os filmes de gângsters. Refn apresenta algumas abordagens interessantes, como acontecia em <em>Drive</em>, na tentativa de fazer algumas leituras pessoais sobre os gêneros, mas cai em uma excessiva e escancarada auto-apreciação. Durante todo o longa a sensação que se tem sobre Refn é que ele está contemplando a si próprio e suas habilidades e inventividades cinematográficas, fazendo reverência a cada segundo por um &#8220;<em>insight</em>&#8221; qualquer que tenha ao longo de <em>Só Deus Perdoa</em>, o que torna o filme emperrado. Esteticamente, <em>Só Deus Perdoa </em>é impecável. Desde a direção de arte que valorizou as referências orientais, passando pela fotografia que prioriza o lugar das cores e da luz, não há o que se questionar sobre o longa nesses departamentos. O empenho de Refn e sua equipe é louvável nesse sentido, mas o êxito localizado não ameniza um dos maiores defeitos da obra que é o de olhar para o próprio umbigo. A todo momento temos a impressão de que Refn está gritando pela atenção e reconhecimento a qualquer feito técnico, o mínimo que seja. Tudo isso torna a &#8220;viagem&#8221; em <em>Só Deus Perdoa </em>enfadonha e ausente de propósito.</p>
<p>Ryan Gosling faz um tipo muito parecido com o que interpretou em <em>Drive</em>. Julian surge em cena cansado (parece levar o peso de uma vida), entediado, calado e, ao mesmo tempo, capaz de cometer atrocidades. No entanto, Refn prefere manter o personagem no subtexto e a interpretação de Ryan Gosling, como aconteceu em outros momentos com essa mesma orientação porém com resultados melhores (<em>Tudo pelo Poder </em>e o próprio <em>Drive</em>), não funciona, parece faltar alguma peça na engrenagem e Julian tem menos camadas do que sugere o filme. Kristin Scott Thomas, por sua vez, é a força motriz desse longa, a sua melhor &#8220;peça&#8221;. Como uma grande chefe do tráfico, a personagem é interpretada por Thomas como uma daquelas mulheres dominadoras, implacável com sua cria e fria com o sentimento alheio. A atriz está soberba no papel e é sempre motivo para manter o espectador fiel ao longa, aguardando os seus próximos passos, sempre imprevisíveis.</p>
<figure id="attachment_1647" aria-describedby="caption-attachment-1647" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1647" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg" alt="OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993" width="612" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-1647" class="wp-caption-text">Entre erros e acertos: Filme tem um excelente acabamento técnico, mas derrapa como narrativa pelos excessos do diretor.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Só Deus Perdoa </em>acaba sendo uma jornada auto-centrada de Nicolas Winding Refn após o interessante <em>Drive. </em>O novo longa do diretor é uma embalagem ornada de belíssimos atrativos, mas ausente de um conteúdo que dê sentido a sua própria existência. Talvez da próxima vez, Refn se redima de um trabalho como esse e volte a nos surpreender. Com <em>Só Deus Perdoa</em> ele só conseguiu a indiferença.</p>
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