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	<title>Arquivos Sidse Babett Knudsen - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Clube Zero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Apr 2024 21:30:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Clube Zero, a diretora austríaca Jessica Hausner (de Little Joe: A Flor da Felicidade) traz uma história que se passa por completo no colegial. No filme, adolescentes são convencidos por uma instrutora interpretada por Mia Wasikowska de que devem se submeter a uma dieta questionável marcada pela ausência completa da ingestão de qualquer alimento, daí o título &#8220;Clube Zero&#8221;. Conforme os laços de confiança e devoção entre alunos e instrutora passam a ser fortalecidos por crenças e pela retórica da personagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <em><strong>Clube Zero</strong></em>, a diretora austríaca Jessica Hausner (de <em>Little Joe: A Flor da Felicidade</em>) traz uma história que se passa por completo no colegial. No filme, adolescentes são convencidos por uma instrutora interpretada por Mia Wasikowska de que devem se submeter a uma dieta questionável marcada pela ausência completa da ingestão de qualquer alimento, daí o título &#8220;Clube Zero&#8221;. Conforme os laços de confiança e devoção entre alunos e instrutora passam a ser fortalecidos por crenças e pela retórica da personagem de Wasikowska, tudo se complica no contexto desses estudantes, a saúde deles fica debilitada e seus pais perdem a autoridade na vida dos filhos, não conseguindo demovê-los da ideia de seguir aquela dieta estapafúrdia.</p>
<p><em><strong>Clube Zero</strong></em> é um esforço de Hausner e da sua co-roteirista Géraldine Bajard de falar sobre algo que está além daquilo que simplesmente é visto na tela, uma grande metáfora ou analogia parece estar em curso na narrativa do filme. O longa e toda a construção da diretora e roteirista parecem apontar a situação da dieta como uma grande metáfora para questões que preocupam a cineasta, mas esta relação é um pouco nebulosa. O grande problema é que <em>Clube Zero</em> não dá muitas certezas sobre o alvo das suas críticas, podendo a situação da dieta retratada no filme mirar vários temas borbulhantes como religião, política etc.</p>
<p>A devoção cega dos estudantes às orientações da personagem de Wasikowska podem querer fazer o espectador pensar sobre a fé e os riscos de uma devoção cega a certos dogmas, a maioria fundados em retóricas que forjam uma pretensa realidade. Consequentemente, por indicar esta relação temática, o filme acaba esbarrando em aproximações com o cenário político global atual e a adesão irrestrita e inconteste de grupos, que mais parecem seitas religiosos, a lideranças extremadas cujo discurso-base para angariar adesão entre os eleitores está calcado no negacionismo.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17992" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-8.png" alt="Clube Zero" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-8.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-8-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/image-8-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todas os caminhos apontados são possíveis, mas <em><strong>Clube Zero</strong></em> não traz elementos em sua trama que especifiquem a direção do seu olhar. O filme parece preferir uma metáfora mais generalista e, como consequência, toda a abordagem fica na superfície, refém de uma reiteração discursiva sobre manipulação da realidade, devoção e seus riscos. Conforme os alunos do longa mergulham fundo na sua relação com a tal dieta, o espectador nota comportamentos ilógicos, calcados em crenças e construções de realidades que nada condizem com o mundo como ele de fato é e que os conduzem a uma auto-aniquilação.</p>
<p><em><strong>Clube Zero</strong></em> é um filme com muitos problemas de comunicação. Jessica Hausner é uma realizadora empenhada na oferta de um olhar original com seu cinema, mas <em>Clube Zero</em> peca pela ausência de uma crítica direcionada e de um trabalho mais consistente na construção da sua analogia. É um longa que causa angústia e, de certa forma, a realizadora acerta na construção dessa experiência emocionalmente exaustiva para seus personagens, mas peças fundamentais estão faltando nessa crítica da realizadora e o longa não consegue criar uma relação mais sólida e intelectivamente rica com o espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jessica Hausner</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Mia Wasikowska, Sidse Babett Knudsen, Amir El-Masry</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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