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	<title>Arquivos Selton Mello - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Selton Mello - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Auto da Compadecida 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jan 2025 19:41:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Auto da Compadecida de Guel Arraes é um dos filmes nacionais mais queridos pelos brasileiros. Não demorando muito para a tendência de sequências &#8220;tardias&#8221; cimentadas pelo desejo de consumo da nostalgia chegar ao nosso cinema, O Auto da Compadecida 2 estreia nas salas de todo o país no Natal de 2024. O longa de Guel Arraes e Flávia Lacerda até tem os seus momentos, mas fica evidente para o espectador que a falta de um material base de Ariano Suassuna prejudica consideravelmente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Auto da Compadecida</em> de Guel Arraes é um dos filmes nacionais mais queridos pelos brasileiros. Não demorando muito para a tendência de sequências &#8220;tardias&#8221; cimentadas pelo desejo de consumo da nostalgia chegar ao nosso cinema, <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> estreia nas salas de todo o país no Natal de 2024. O longa de Guel Arraes e Flávia Lacerda até tem os seus momentos, mas fica evidente para o espectador que a falta de um material base de Ariano Suassuna prejudica consideravelmente um roteiro que acaba cedendo à tentação de replicar a história original, sobretudo no seu terceiro ato quando, mais uma vez, João Grilo tem suas ações julgadas por Jesus Cristo e pelo Diabo, sendo defendido novamente por Maria. .</p>
<p><em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> é ambientado anos depois dos eventos do primeiro filme. João Grilo não está mais em Taperoá e Chicó se vira sozinho na mesma cidadezinha como um contador de histórias, sobretudo dos feitos do seu amigo. Quando a dupla se reencontra em meio a uma corrida eleitoral entre um coronel e um empresário do ramo da comunicação, algumas situações testam novamente a ética de João Grilo e o colocam de novo sob julgamento quando, mais uma vez, sua vida fica por um triz.</p>
<p>A continuação do trabalho de <em>O Auto da Compadecida</em> tem um ótimo começo. Selton Mello e Matheus Nachtergaele demonstram não perder o espírito dos personagens que criaram há mais de vinte anos atrás, rendendo ótimos momentos juntos ou separados, sejam eles cômicos ou dramáticos, lidando muito bem com o ritmo acelerado que é tão peculiar à dramaturgia de Guel Arraes. Há algumas adições ao elenco que parecem interessantes, como o carioca trambiqueiro interpretado por Luís Miranda ou o radialista e empresário vivido por Eduardo Sterblitch. Virginia Cavendish está de volta como uma Rosinha amadurecida, dando vazão a uma mocinha contemporânea que já fazia muito bem lá na produção de 2000. O longa também ganha bastante com algumas decisões artísticas, como o cenário construído em estúdio que traz para a arquitetura e a geografia de Taperoá um estilo bem peculiar beirando os traços de uma literatura de cordel.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19085" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1.png" alt="O Auto da Compadecida 2" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/image-2-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O grande problema da sequência de <em>O Auto da Compadecida</em> é apresentar uma série de caminhos possíveis e originais para sua trama, mas acabar recorrendo à repetição de eventos que tornaram icônico o longa original. É incompreensível esse cacoete da maioria das sequências &#8220;tardias&#8221; de grandes sucessos do cinema. Parte delas acha que basta replicar uma série de eventos do roteiro do original para conceber uma sequência que se justifique. <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> cai na mesma armadilha e prejudica o trabalho competente do seu ótimo elenco. No lugar de olhar para o futuro, para seus novos personagens e potenciais possibilidades da sua história em 2024, <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> opta pela zona de conforto do passado e leva seu roteiro a uma linha decrescente de qualidade.</p>
<p><strong>Atenção! A partir daqui, spoilers!</strong> <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> repete toda a sequência de morte de João Grilo e do seu julgamento por Jesus, o Diabo e Nossa Senhora só que de forma piorada. No original, isso era muito bem construído e atrelado ao propósito da trama de Suassuna. O autor queria falar sobre a realidade brasileira, sobre a corrupção humana e o juízo que podemos fazer dela em diversas circunstâncias a partir do julgamento de diversos personagens, com backgrounds muito diversos. Aqui, somente João Grilo está no banco dos réus e tudo parece redundante se comparado ao primeiro filme. Parece que o julgamento de Grilo existe na sequência para satisfazer a nostalgia do público com o roteiro da primeira história e não porque a trama dessa sequência, que vinha em um desenvolvimento próprio com diversas possibilidades de histórias (como o triângulo amoroso de Chicó, a corrida política), estava requerendo esse momento em seu terceiro ato.</p>
<p>Definitivamente, ir ao cinema e assistir Selton Mello e Matheus Nachtergaele como Chicó e João Grilo em <em><strong>O Auto da Compadecida 2</strong></em> segue um programa melhor do que a maioria dos filmes em cartaz nos cinemas ou das sequências caça-níqueis que chegam a rodo nas salas a cada mês. No entanto, não deixa de ser frustrante constatar que um longa como este, com um elenco com o timing cômico que tem, vê seu potencial desperdiçado por decisões que o enfraquecem narrativamente e só demonstram a insegurança do seu roteiro em alçar voos mais ambiciosos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Guel Arraes, Flavia Lacerda</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Matheus Nachtergaele, Selton Mello, Luis Miranda, Taís Araújo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/ke4x5ywVhiw?si=MtKiY3jN8gZiKzYI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Ainda Estou Aqui</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 14:35:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda Estou Aqui está nos cinemas brasileiros levando multidões para as salas, especialmente depois de todo o hype em cima do filme, por conta das redes sociais e a torcida para que Fernanda Torres seja indicada ao Oscar de Melhor Atriz do próximo ano. Mas será que o filme vale todo esse alvoroço? Não vou aqui criar qualquer tipo de mistério, pois SIM, Ainda Estou Aqui merece toda a atenção que vem recebendo. E não sou eu, mera crítica de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em>está nos cinemas brasileiros levando multidões para as salas, especialmente depois de todo o hype em cima do filme, por conta das redes sociais e a torcida para que Fernanda Torres seja indicada ao Oscar de Melhor Atriz do próximo ano. Mas será que o filme vale todo esse alvoroço?</p>
<p>Não vou aqui criar qualquer tipo de mistério, pois SIM, <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em> merece toda a atenção que vem recebendo. E não sou eu, mera crítica de cinema, que vou te convencer disso. É o próprio filme, desde as primeiras cenas, até a sua conclusão. No Rio de Janeiro dos anos 1970, uma família grande composta por casal e cinco filhos vive normalmente suas vidas, na beira da praia. A dinâmica de normalidade se inverte completamente quando o patriarca, Rubens, é levado por homens que se dizem do governo brasileiro. O longa se passa justamente na ditadura militar.</p>
<p>Desde o início do filme, logo quando falamos da data e o roteiro especifica a situação da ditadura, sabemos os caminhos tortuosos que a história vai levar. E estou falando isso mesmo para o espectador mais desconectado da história de <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>, que talvez nem tenha assistido ao trailer. A sensação de que algo vai dar errado é constante desde a primeira cena, mas o filme não tem pressa em chegar nesta parte. E que bom que isso acontece.</p>
<p>Nos conectar com a família Paiva é o que torna o filme tão mais intenso e verdadeiro. À medida que o diretor Walter Salles vai nos apresentando cada personagem, traçando as suas individualidades, ganhamos apreço por todos e sabemos o quanto isso será doloroso lá na frente. E é isso que faz toda a diferença quando falamos de nos conectar com a história, entender seus pormenores e defender todos eles.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18957" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6.png" alt="Ainda Estou Aqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-6-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Eunice (Fernanda Torres) é uma mãe de família determinada e participativa. Ainda que seja dona da casa, ela não se restringe a isso. Tem uma relação de parceria com o marido e um romance presente, mesmo após quase 20 anos de casada. Rubens (Selton Mello) é aquele clássico pai dos anos 1970. Fuma, bebe, tem barrigão, é acolhedor, dedicado à família e ao trabalho. Ele é engenheiro e está sempre com projetos em cima da mesa do escritório.</p>
<p>Quando o fatídico dia acontece, o desespero familiar já nos engloba como parte. Rubens é levado pelos homens que se dizem militares e Eunice tem que lidar com o medo da ausência do marido e a tentativa de trazer certa normalidade dentro da casa, especialmente para os filhos menores. O bolo na garganta da personagem se transfere para nós e te afirmo que ele perdura até a última cena. É como se a gente estivesse o tempo todo segurando uma emoção que nos foi proibida de sentir.</p>
<p>Eu poderia discorrer todo tipo de elogio aqui à Fernanda Torres e isso ainda não seria suficiente para expressar o que ela confere à personagem. É como se não houvesse separação de atriz e personagem. As duas são uma só, em uníssono. Todas as nuances emocionais que Eunice vive, Fernanda consegue nos transportar. O desespero pela ausência do marido, o silêncio pela proteção dos filhos, o cuidado em tentar trazer uma normalidade, ainda que a situação não tenha nada de normal. E um outro detalhe tão importante, que só sentimos ao ver <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>: além de todo o contexto, estamos falando também de uma história de amor. Um amor sincero que foi interrompido como um nada, num último beijo, sem chance de retorno. Eunice passa a vida sofrendo esse luto em silêncio.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18955" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3.png" alt="Ainda Estou Aqui" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Gostaria de dedicar um momento também para enaltecer a caracterização e ambientação do longa que é simplesmente impecável. Ainda que eu não tenha vivido nos anos 1970, fui à sessão com minha mãe que viveu e ficou impressionada com tamanha semelhança com tudo na época. Ela falava que até as cores, o ar, a sensação. Tudo a transportava para aquela época, mostrando o quão acertado e bem estruturado foi o filme.</p>
<p>A necessidade que temos de falar mais da ditadura é urgente, porque aquilo que não é reiterado, pode ser esquecido. Um filme como <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong> </em>nos mostra outras facetas. Ele fala sobre a tortura, sobre os direitos cerceados, mas o foco dele é em como as famílias foram individualmente afetadas. Não são apenas números que foram torturados e perderam vidas. São maridos, esposas, pais, mães, filhos, primos, tios, etc. São pessoas reais cujo sumiço afetou toda uma cadeia.</p>
<p>Então, não, não há nada de exagero no hype em cima de <em><strong>Ainda Estou Aqui</strong></em>, porque o filme nos entrega todas as intensidades que a história merece. Se será candidato ao Oscar ou até mesmo se conseguirá alguma estatueta, esse é um mero detalhe. O reconhecimento do longa, em si, já é incrível e merecido. Como Fernanda Torres sabiamente disse: &#8220;para nós, brasileiros, só a indicação já seria uma grande vitória&#8221;. E eu realmente acho que ela vai acontecer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Walter Salles</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Selton Mello, Maeve Jinkings, Humberto Carrão, Carla Ribas, Dan Stulbach, Valentina Herszage</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qddo7XLa3Tc?si=11RzkgjoujOxltQ7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Filme de Selton Mello busca poesia em “tempos difíceis”. Confira nossa entrevista com o diretor!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Aug 2017 00:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Eu estou aprendendo, estou treinando, mas é um projeto que ficou muito bonito”. Assim começou a coletiva de Selton Mello, em Salvador, na quinta-feira, 27 de julho. Com o objetivo de divulgar seu novo longa, O Filme da Minha Vida (confira nossa crítica clicando aqui), o artista embarcou em uma turnê, na qual já passou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Em terras soteropolitanas, Mello confirmou a sua participação na nova série da Netflix sobre a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Eu estou aprendendo, estou treinando, mas é um projeto que ficou muito bonito”. Assim começou a coletiva de Selton Mello, em Salvador, na quinta-feira, 27 de julho. Com o objetivo de divulgar seu novo longa, <em><strong>O Filme da Minha Vida</strong></em> (confira nossa crítica <a href="http://coisadecinefilo.com.br/critica-o-filme-da-minha-vida/" target="_blank" rel="noopener"><em><strong>clicando aqui</strong></em></a>), o artista embarcou em uma turnê, na qual já passou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Em terras soteropolitanas, Mello confirmou a sua participação na nova série da Netflix sobre a Operação Lava-Jato, contou um pouco sobre como tem sido sua trajetória de ator e cineasta e falou sobre a recepção dos espectadores durante suas viagens desta semana.</p>
<p>Inspirado no livro <em>Um Pai de Cinema</em>, do chileno Antonio Skármeta, a trama desta nova produção nacional se passa nos anos 1960 e aborda os questionamentos, sentimentos e experiências de Tony Terranova (Johnny Massaro). O jovem é nascido e criado nas Serras Gaúchas, trabalha como professor e precisa lidar com o abandono de seu pai, um estrangeiro que retorna para a França (vivido por Vicent Cassel). De acordo com o diretor, seu objetivo era contar uma história leve, de forma poética, doce e bem realizada.</p>
<p>Mello vê na projeção uma possibilidade de trazer ternura para as telas num momento que ele acredita ser tão difícil para o país e o mundo. “Este filme é uma flor no asfalto, considero ele um presente para o espectador do Brasil”. Além de falar sobre a obra, Mello respondeu algumas perguntas para o <strong>Coisa de Cinéfilo.</strong> Confira o <em>ping-pong</em> com o intérprete e diretor  que completa 35 anos de carreira em 2017  e mate um pouco da curiosidade sobre seu novo trabalho.</p>
<figure id="attachment_7987" aria-describedby="caption-attachment-7987" style="width: 610px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-7987" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/08/WhatsApp-Image-2017-08-01-at-13.23.23.jpeg" alt="" width="610" height="348" /><figcaption id="caption-attachment-7987" class="wp-caption-text">Foto: Gabriela Menezes/ Divulgação</figcaption></figure>
<p><strong>ENTREVISTA</strong></p>
<p><strong>Enoe Lopes Pontes – O longa tem uma preocupação muito forte com a questão imagética. Quais foram suas inspirações no processo de criação?</strong></p>
<p><strong>Selton Mello –</strong> Quando eu comecei a dirigir, as referências ficavam mais evidentes, mais óbvias. Meu primeiro filme é claramente de um fã de John Cassavetes. Depois, você vai se libertando. Eu me sinto mais liberto nesse filme. Como se eu fosse, aos poucos, ganhando a minha voz e achando a forma de me expressar. O filme começa numa impressão e a impressão que eu tive desse livro começa pelo afeto, foi um livro que me emocionou. E aí você transforma essa impressão numa inspiração. Com uma equipe espetacular e um super elenco, a gente conseguiu fazer um filme que tocou o coração das pessoas.</p>
<p><strong>ELP – Você tem sentido isso na turnê?</strong></p>
<p><strong>SM –</strong> Eu estou viajando o Brasil inteiro e por onde o filme passa, causa um grande encantamento. Eu estou bem cansando, viajando para um monte de lugar, mas a energia que está rolando do público, como ele está reagindo ao filme, é a força para seguir em frente e fazer outros, sabe? Dá gás!</p>
<p><strong>ELP – Você falou que o filme é focado na doçura. A sua personagem, Paco, é a quebra disso. Como você enxerga ele?</strong></p>
<p><strong>SM –</strong> Eu nem sei o que você está falando. (Risos). Você é a danada do <em>spoiler</em>! (Risos). Aliás, o filme é cheio de <em>spoilers</em>, conto com a discrição de vocês. Então, o Paco, na verdade, é um cara divertidíssimo.</p>
<p><strong>ELP – Mas, desde o início, a gente consegue perceber que ele é um cara diferente dos outros.</strong></p>
<p><strong>SM –</strong> É um grosseirão!</p>
<p><strong>ELP – Que é a quebra da poesia no filme, certo?</strong></p>
<p><strong>SM –</strong> É, é sim. É o porco. É aquilo, é um homem ou um rato? No caso dele é: um homem ou um porco? (Risos).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Confira o trailer do filme abaixo!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/TDVegL5nfYs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Filme da Minha Vida</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-filme-da-minha-vida/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-filme-da-minha-vida/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jul 2017 16:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Linzmeyer]]></category>
		<category><![CDATA[Johnny Massaro]]></category>
		<category><![CDATA[O Filme da Minha Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Vincent Cassel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há no DNA de O Filme da Minha Vida, mais recente empreitada de Selton Mello como diretor e roteirista, ecos de um certo cinema italiano que busca dar conta da jornada de amadurecimento do seu protagonista atravessado ora pelo ato de realização cinematográfica, como é o caso dos devaneios de Guido Anselmi, personagem de Marcello Mastroianni em 8 1/2 de Federico Fellini, ora pela recepção, como ocorre com Totó, protagonista de Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore. Com o cinema de Tornatore, podemos afirmar que O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Há no DNA de <i>O Filme da Minha Vida</i>, mais recente empreitada de Selton Mello como diretor e roteirista, ecos de um certo cinema italiano que busca dar conta da jornada de amadurecimento do seu protagonista atravessado ora pelo ato de realização cinematográfica, como é o caso dos devaneios de Guido Anselmi, personagem de Marcello Mastroianni em <i>8 1/2</i> de Federico Fellini, ora pela recepção, como ocorre com Totó, protagonista de <i>Cinema Paradiso</i>, de Giuseppe Tornatore. Com o cinema de Tornatore, podemos afirmar que <i>O Filme da Minha Vida </i>guarda semelhanças ainda mais próximas já que o realizador italiano já demonstrou ter preferência por narrar ritos de passagem mais de uma vez nas telonas, em <i>Cinema Paradiso</i>, mas também em <i>Malena</i>, trazendo a jornada do seu protagonista para o contexto de uma cidadezinha do interior e todos os fatores que isso envolve. É com tais filiações que Selton Mello entrega <i>O Filme da Minha Vida</i>, um longa que está longe de corresponder ao escopo alcançado pelo seu trabalho anterior, <i>O Palhaço</i>, mas que cumpre a sua função e entrega algumas das mais belas imagens concebidas com o auxílio do sempre competente diretor de fotografia Walter Carvalho.</p>
<p>No caso de <i>O Filme da Minha Vida</i>, baseado no romance de Antonio Skármeta (também autor de <i>O Carteiro e o Poeta</i>), <i>Um Pai de Filme</i>, o cinema passa a ser objeto de constante referência da narrativa na medida em que Tony, um jovem professor de língua francesa do interior do Rio Grande do Sul, se forma para a vida adulta tendo a telona como objeto de contemplação e não como ofício. Por influência de seu pai, que certa feita lhe conta sua compreensão sobre a vida a partir daquilo que considera como o mais fascinante de uma narrativa cinematográfica, o protagonista do longa consegue realizar a passagem para a vida adulta e expurgar certas mágoas do passado, ainda que na maior parte da projeção essa figura paterna seja uma completa ausência.</p>
</div>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em <i>O Filme da Minha Vida</i>, Johnny Massaro vive esse personagem principal, um jovem filho de uma brasileira com um francês que sai do interior do sul do país para estudar na capital durante a década de 1960. Quando retorna para sua cidade natal descobre que seu pai simplesmente desaparecera sem dar satisfação para a sua família. Em meio à dúvida amorosa pelas irmãs Petra e Luna e os primeiros passos como professor de uma turma de pré-adolescentes, Tony começa a sentir falta da presença do pai nesse princípio da vida adulta. Mesmo encontrando apoio em um amigo da família, não há um só momento da vida de Tony que ele não se pergunte sobre o paradeiro do pai e as razões que fizeram com que ele sumisse sem deixar vestígios.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Diferente dos longas anteriores de Mello como realizador, <i>Feliz Natal </i>e, possivelmente, seu título mais popular, <i>O Palhaço</i>, há um outro tom e objetivo em <i>O Filme da Minha Vida. </i>Ainda assim, também podemos compreendê-lo como o resultado natural de um diretor que tem procurado uma coerência em sua filmografia com a manutenção de uma assinatura seja pelas temáticas que o perseguem seja pelo formato da história que narra. Há uma preocupação em <i>O Filme da Minha Vida </i>com um olhar para um núcleo familiar e com a memória, assim como havia em <i>Feliz Natal, </i>apesar do último ter um tom<i> </i>mais dramático. Em contrapartida, há, evidentemente, uma preocupação com um percurso traçado por um jovem personagem masculino, compreendendo sua própria identidade em formação ou amadurecimento ao longo da narrativa, em um olhar da câmera e uma direção que alterna doçura, melancolia e uma certa ingenuidade, como ocorria em <i>O Palhaço</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Assim como Benjamin questionava se seguiria sua vida como palhaço, mirando a trajetória do seu pai vivido por Paulo José, em <i>O Filme da Minha Vida</i>,<i> </i>Tony lança questões sobre si próprio à sombra da ausência do pai interpretado por Vincent Cassel, como se a todo momento se perguntasse: &#8220;O que ele diria ou faria no meu lugar?&#8221;.  Nesse sentido, é curioso perceber como Mello tem desenhado sua carreira como diretor fascinado por temas e disposto a investir em olhares que demonstram constâncias e personalidade, mas também possibilidades de variação que levam o espectador a novas histórias e lugares sem perder de vista o conforto com o reconhecimento da sua assinatura como autor.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7976" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/07/20170606-o-filme-da-minha-vida-b.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em suas decisões narrativas e plásticas, o longa é marcado por sinais de uma história que quer nos remeter à memória. A fotografia composta pelo veterano Walter Carvalho nos guia através de um amarelado de imagem desgastada para vestígios de um passado mirado por seu jovem protagonista. Tony está sempre às voltas com as lembranças em preto e branco captadas pela lente da máquina  fotográfica de  Luna (Bruna Linzmeyer), assiste ao filme <i>Rio Vermelho </i>de 1948, dirigido por Howard Hawks, por influência de Paco (Selton Mello), melhor amigo do seu pai, cresce ouvindo transmissões de rádio numa época em que a TV começava a chegar na casa dos vizinhos&#8230; Em <i>O Filme da Minha Vida</i>, é como se Mello trouxesse em imagens e nos vestígios da direção e arte e da sua própria história elementos que sublinhassem  o fato de termos um protagonista que mira suas lembranças com saudade e num esforço de construir-se no presente para um futuro.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É também interessante notar no longa o trabalho de Mello com seus atores, não apenas na maneira como a câmera do diretor registra alguns de seus momentos chaves, mas no traço e no <i>timing </i>específico de comédia de alguns personagens, com suas investidas no humor sequenciadas por longos vazios e exercícios de reflexão sobre a existência que esses momentos de maneira insuspeita acabam suscitando. Isso ocorre em momentos momentos localizados do filme como acontecia em <i>O Palhaço</i>, por exemplo, desde uma passagem na qual Paco tira lições sobre a vida ao observar um grupo de porcos, até questões que ficam no ar quando Tony interage com Augusto, irmão de Luna (Linzmeyer) e um de seus alunos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Em diversos momentos, Mello reserva longos <i>close ups </i>nos rostos de seus atores, chamando a atenção para àquele no qual testemunhamos a reação do personagem de Johnny Massaro àquilo que vê na tela em <i>Rio Vermelho.</i> Aliás, é preciso destacar o trabalho preciso e sensível do ator que de fato consegue delinear toda a jornada de amadurecimento de Tony, que vemos inseguro e tímido no início do longa e se transforma num sujeito mais extrovertido e confortável na própria pele conforme a narrativa avança. Por fim, é interessante notar como Mello trabalha com seu elenco infantil em momentos breves nesse longa. Encabeçado pela revelação João Prates, que vive o curioso Augusto, o grupo de meninos alunos de Tony faz com que a presença da ingenuidade infantil encontre eco na própria imaturidade do protagonista do filme, que, curiosamente, por seu posto na escola, acaba inspirando em alguns uma posição de referência masculina.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Como sublinha o personagem de Vincent Cassel ao seu filho no início e final de <i>O Filme da Minha Vida</i>, o mais bonito na jornada de Tony e no próprio longa é o entremeio, ou seja, o processo de mutação ao qual estamos sujeito como homens e mulheres em nossa vida e que passa inevitavelmente por inquietações provocadas pela imaturidade. Esse rito faz com que o sujeito que iniciou uma determinada história não seja o mesmo que a encerra. <i>O Filme da Minha Vida </i>é um longa sobre mudanças e as circunstâncias das mesmas, mas também uma narrativa sobre a autodescoberta de um rapaz conciliando-se com as dúvidas que tinha sobre o caráter de seu pai em um relato afetivo que bebe de tantas outras histórias que já tiveram a ficção como mediadora desses processos.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">Tony, protagonista desse filme, entende a si e, de certa forma, o<i> </i>próprio cinema como a captura de um entre tantos processos de transformação que estamos sujeitos na vida, essa narrativa sem fim. O longa de Mello também é um relato sobre como é bonito olhar para trás e perceber essas transformações, sobretudo como não vemos as situações e pessoas como antes. <i>O Filme da Minha Vida </i>encerra sua história na tela percebendo as falhas dos seus personagens, que nem por isso deixam de ser admirados pelo seu diretor justamente porque são humanos e seguem sujeitos a transformações. Talvez esta seja a beleza do filme e do olhar de Mello para o mesmo.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/TDVegL5nfYs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Oct 2014 00:38:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Martin Sheen]]></category>
		<category><![CDATA[Rooney Mara]]></category>
		<category><![CDATA[Selton Mello]]></category>
		<category><![CDATA[Stephen Daldry]]></category>
		<category><![CDATA[Trash - A Esperança Vem do Lixo]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_2128" aria-describedby="caption-attachment-2128" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2128 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash1-620x348.jpg" alt="trash1" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-2128" class="wp-caption-text">Surpresa no lixão: A vida de Rafael (Rickson Tevez) muda quando ele encontra uma carteira.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Baseado no romance homônimo de Andy Mulligan, <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>expõe uma visão ingênua da sociedade brasileira. O maniqueísmo permeia a disputa entre as classes, os bons são excessivamente honestos e moralmente inquestionáveis, os maus, a &#8220;banda podre&#8221; representada pela elite de nossa sociedade. A visão do inglês Stephen Daldry não deixa de ter verdades, mas é simplista, ingênua, rasa e sua execução é ainda mais óbvia do que o teor da sua mensagem ao emular o <em>favela movie </em>em seus tiques mais que esperados. No fim, o filme é uma espécie de arremedo mal feito e colorido de <em>Cidade de Deus</em>.</p>
<p>Em <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>três garotos do lixão encontram uma carteira com algumas notas de dinheiro, uma identificação e algumas fotos do seu suposto proprietário com uma menina contendo no seu verso uma sequência de números. Logo aparecem na região alguns policiais procurando o objeto e os meninos passam a desconfiar que existe algo por trás da busca por aquela carteira. Ajudados por dois americanos, os garotos seguem as pistas deixadas pelo dono do objeto e são levados a um perigoso esquema que envolve um candidato a prefeito do Rio de Janeiro e a polícia local.</p>
<figure id="attachment_2129" aria-describedby="caption-attachment-2129" style="width: 550px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2129 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash2.jpg" alt="trash2" width="550" height="333" /></a><figcaption id="caption-attachment-2129" class="wp-caption-text">Perseguição: Após ser encurralado por um grupo de policiais, personagem de Wagner Moura joga uma carteira em um caminhão de lixo.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde <em>Billy Elliot</em>, Stephen Daldry mostrou-se um exímio diretor de atores, especialmente crianças ou adolescentes. Em materiais como <em>As Horas </em>e <em>O Leitor</em>, por exemplo, o inglês, que vem do teatro, sempre soube conduzir com muita delicadeza a construção dos personagens dos seus filmes junto com o elenco. Não que em <em>Trash &#8211; A Esperança vem do Lixo </em>isso não ocorra, mas pelo longa manter esse discurso que evita colocar um dedo mais profundo na ferida o diretor não consegue ir adiante na história dos indivíduos que habitam aquela trama. Mesmo o trio central formado pelos garotos Rickson Tevez, Gabriel Weinstein e Eduardo Luís, que se esforçam e conseguem com muita naturalidade provocar empatia na plateia, sofre com a superficialidade do roteiro de Richard Curtis.</p>
<p>Não há em <em>Trash </em>um único vestígio que nos remeta ao realizador que Daldry foi em seus projetos anteriores. Até ai, nada demais, afinal a necessidade da presença do diretor na obra é questionável. No entanto, sai o diretor pulsante e cheio de sensibilidade de <em>As Horas </em>e <em>O Lei</em>tor para entrar em cena um realizador pasteurizado, capaz de ceder, sem o menor embaraço, ao impulso de incluir cenas e planos desnecessários que só estão no filme para fazer a propaganda de conhecidas redes de lojas de roupas e de hotéis. Sem alma, <em>Trash</em> parece um subproduto de <em>Cidade de Deus </em>cujo propósito de realização autônoma foi dissolvido em prol do desenvolvimento de um produto para exportação com a embalagem frágil do filme política e emocionalmente engajado.</p>
<figure id="attachment_2130" aria-describedby="caption-attachment-2130" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash3.png"><img decoding="async" class="wp-image-2130 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/trash3-620x303.png" alt="trash3" width="620" height="303" /></a><figcaption id="caption-attachment-2130" class="wp-caption-text">Elenco e o &#8220;cinema nacional&#8221;: Apesar do destaque para os seus três jovens protagonistas, o filme se perde em meio aos clichês esperados para o Brasil nas praças estrangeiras.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>De engajado <em>Trash </em>não tem nada. O filme de Stephen Daldry oferece uma solução pouco elaborada para a problemática social que sugere ao seu espectador, desperdiça uma dúzia de atores talentosos cujos personagens não possuem personalidades e propósitos bem definidos. Se muitos achavam que <em>Tão Forte e Tão Perto </em>foi a grande derrapada da carreira de Daldry, certamente farão uma revisão de suas conclusões ao assistirem <em>Trash</em>, um filme que segue a monotonia e a obviedade discursiva até o último segundo de sua projeção.</p>
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