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	<title>Arquivos Sarah Gadon - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Sarah Gadon - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Indignação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 26 Nov 2016 14:11:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Indignação]]></category>
		<category><![CDATA[James Schamus]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em dado momento do longa <i>Indignação, </i>a jovem Olivia Hutton (Sarah Gadon, de <i>Mapas para as Estrelas</i>), de espírito livre, mas reprimida por uma sociedade conservadora, nota no seu pretendente Marcus (Logan Lerman, de <i>As Vantagens de ser Invisível</i>) uma característica que acaba sendo determinante nas decisões que o mesmo tomará ao longo da história: o rapaz ateu de família judia é intenso, porém tem seus ímpetos de ação travados por alguma razão. Marcus tem muito de si para externar, seu inconformismo com o <i>establishment</i> e com a intolerância, uma forte vontade de subverter regras, mas sempre parece detido por pressões externas que acabam revelando uma faceta negada, sufocada e que o faz recuar em seus movimentos de expansão. O problema é que em um desses recuos, o jovem acaba trazendo severas consequências para a sua vida e para aqueles que ama.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Baseado no romance de Philip Roth, que parece nunca ter tido uma adaptação cinematográfica à altura do seu legado (basta ver exemplos como <i>Revelações</i>, <i>Fatal </i>ou o recente <i>Pastoral Americana</i>), <i>Indignação </i>é um ponto fora da curva ao captar a essência precisa do universo e das ideias do escritor. No longa, Marcus é um rapaz de família judia que vai estudar em uma pequena comunidade de Ohio, onde lida com a repressão sexual e com o abalo das suas convicções pessoais a partir do momento em que começa a se apaixonar pela colega de classe Olivia Hutton e ser objeto de vigilância e censura do reitor da instituição.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Dirigido e roteirizado por James Schamus, parceiro de longa data do cineasta Ang Lee em filmes como <i>O Tigre e o Dragão</i>, <i>Hulk </i>e <i>Desejo e Perigo</i>, <i>Indignação </i>tem um tempo próprio com suas longas sequências de diálogo, discussões que começam de maneira banal e que desembocam em descobertas cruciais para os seus personagens e realiza toda a sua incisiva discussão acerca dos seus diversos temas de maneira discreta e elegante, sem grandes estardalhaços. O realizador tem como centro das suas atenções um estudo sobre a personalidade conflituosa de Marcus, defendido com muita sensibilidade por um maduro Logan Lerman. Schamus põe em evidência as incoerências de um rapaz que é capaz de assumir com firmeza e com dedo em riste seu direito de ser ateu, mas, ao mesmo tempo, toma uma atitude covarde por receio de ferir os sentimentos dos seus pais, cujas vidas certamente não mudariam em nada caso fossem contrariados.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6993" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Indiganacao-1.jpg" alt="indiganacao" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>As escolhas de Roth e, consequentemente, de Schamus em <i>Indignação </i>são certeiras e nada óbvias. No lugar de um jovem extremamente apegado a uma religião, seja ela o judaísmo da familia ou o catolicismo, temos um ateu, a quem poderíamos associar instantaneamente à libertação de qualquer amarra social. É por intermédio dessa interessante provocação que Schamus corrói as nossas expectaticas de que, em algum momento, especialmente após o longo debate com o reitor Dean Caudwell (Tracy Letts, de <i>A Grande Aposta</i>), o seu protagonista se tornasse o herói dessa narrativa. Com Marcus, Roth e Schamus querem atingir uma das nossas maiores fraquezas humanas, a hipocrisia. Uma sequência de sonho na qual Marcus se vê no açougue de seu pai vivendo ao lado de Olivia é simbólica. Enquanto o patriarca está preso no armário de carnes, o rapaz beija apaixonadamente e cheio de culpa a garota em uma clara representação do jogo de forças interno que Marcus tem de enfrentar, uma visão dos seus desejos reprimidos por coerções sociais cuja gerência em seus atos nega veementemente. O filme provoca: O que é mais passível de indignação? A sociedade repressora que pune Olivia e ameaça Marcus ou a covardia do protagonista por não ter coragem de levar para a prática o seu discurso? A resposta de Roth e Schamus aponta para as duas opções.</p>
<p>O olhar que Schamus apresenta para a hipocrisia social é potente. Marcus é um personagem mergulhado em contradições. Se de um lado é capaz de formular um discurso progressista em seu embate mordaz com o reitor da universidade, por outro usa e descarta Olivia sem nem perceber o machismo e o julgamento inconsciente que tem sobre as atitudes da moça quando a mesma o surpreende com um sexo oral ou com uma masturbação na cama do hospital. Por sua vez, Olivia, defendida com vivacidade e melancolia por Sarah Gadon, é uma jovem que sofre as consequências das suas tentativas de subverter o regime autoritário e preconceituoso que a cerca, sofrendo punições ainda mais drásticas por ser mulher. Diferente de Marcus, Olivia impõe suas vontades, mas é censurada pelas mesmas e tem o destino mais trágico possível. O desfecho da história desses dois personagens mostra como nesse ambiente de vigilâncias sobre o livre arbítrio a repressão ou a subversão são potencialmente danosas àqueles que optam pelas mesmas.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em tempos nos quais as pessoas são tão donas da razão e cheias de si em suas convicções políticas, religiosas e filosóficas a ponto de nem perceberem quão hipócritas e desumanas são umas com as outras, <i>Indignação </i>é um filme que tem muita urgência. O longa coloca uma lupa em gente que diz muito, mas que na prática faz muito pouco e quando faz nada corresponde ao que fora sugerido no campo discursivo.  Schamus concebeu um filme melancólico e questionador, marcado por um protagonista contraditório que frustra qualquer expectativa de heroísmo ou bom mocismo. No longa, estamos diante de seres humanos falhos que no calor do momento, no sabor das suas emoções instantâneas, são capazes de se acovardar e serem tomados pelo medo das represálias sociais sem que consigam dimensionar que em nome de algo que acreditam ser maior do que a própria vida acabam tornando o mundo um lugar nada amistoso.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/utfiKaJzOJs" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Drácula &#8211; A História nunca Contada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Oct 2014 13:39:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Drácula - A História nunca Contada]]></category>
		<category><![CDATA[Gary Shore]]></category>
		<category><![CDATA[Luke Evans]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Gadon]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os vampiros não têm mais &#8220;moral&#8221; que tinham antes, nem mesmo no cinema que tanto celebrou sua mitologia. Não pela banalidade da violência urbana, o verdadeiro terror da vida real, que nos impõe cenários e personagens muito mais assustadores do que Drácula e cia., mas por tendências e modismos da própria indústria do cinema que converte qualquer material clássico aos formatos e maneirismos do momento. E se Crepúsculo traduziu a mitologia vampírica para a comunidade emo e suas variações, Drácula &#8211; A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/dracula-untold-2.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2165 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/dracula-untold-2-620x372.jpg" alt="Dracula Untold" width="620" height="372" /></a></p>
<p>Os vampiros não têm mais &#8220;moral&#8221; que tinham antes, nem mesmo no cinema que tanto celebrou sua mitologia. Não pela banalidade da violência urbana, o verdadeiro terror da vida real, que nos impõe cenários e personagens muito mais assustadores do que Drácula e cia., mas por tendências e modismos da própria indústria do cinema que converte qualquer material clássico aos formatos e maneirismos do momento. E se <em>Crepúsculo </em>traduziu a mitologia vampírica para a comunidade emo e suas variações, <em>Drácula &#8211; A História n</em>unca<em> Contada </em>parece adaptar o personagem clássico  de Bram Stoker, o &#8220;pai&#8221; de todos os &#8220;chupa-sangue&#8221;, para a geração Marvel. Explico mais adiante&#8230;</p>
<p><em>Drácula &#8211; A História nunca Contada</em> conta o passado de Vlad Tepes (Luke Evans), o temido Conde Drácula. Tepes morava na Transilvânia e, como centenas de crianças daquela terra, foi entregue aos turcos pelo rei para pôr fim a uma briga entre os povos que perdurava por gerações e mais gerações. Com os turcos, Vlad torna-se um grande guerreiro e fica conhecido por empalar os seus inimigos. O jovem retorna ao seu antigo reino e torna-se príncipe, governando-o ao lado de sua amada Mirena (Sarah Gadon) com quem tem um filho. A paz de Tepes é interrompida quando os turcos retornam às suas terras e mais uma vez exigem que seu povo entregue cem crianças, caso contrário, enfrentarão uma violenta guerra. Tepes então cede aos seus impulsos e sela um pacto com as trevas em troca da prosperidade da sua gente e da sua família.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/dracula-untold-5.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2166 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/dracula-untold-5-620x344.jpg" alt="dracula-untold-5" width="620" height="344" /></a></p>
<p>O filme de Gary Shore até que segue, em suas primeiras horas, um caminho interessante, não sendo audacioso em sua estética ou narrativa, mas mantendo o ritmo da trama e sendo honesto a sua premissa de contar a vida do personagem antes de se tornar o Drácula, retratando-o crível e humano. No entanto, esta nova versão do clássico personagem de Bram Stoker ultrapassa o limite do risível ao torná-lo uma espécie de super-herói com uma força descomunal e uma capacidade de se transformar em uma revoada de morcegos ou de controlar a mesma. Shore ainda investe em sequências nas quais as câmeras passam a ser um instrumento para experimentarmos o olhar de Drácula sobre a descoberta dos seus poderes e sua utilização. Enfim, um emaranhado de escolhas fora de contexto que mais se adequariam a um novo super-herói qualquer do que ao denso personagem de Bram Stoker.</p>
<p>O elenco não chega a comprometer. Luke Evans faz o que pode com o Drácula que lhe é dado. Sarah Gadon, a musa de David Cronenberg que aqui vive a amada de Vlad Tepes, só está no filme para ilustrá-lo com seus belíssimos traços. Não é um filme de performances, que exige uma grande dramaticidade. Em <em>Drácula &#8211; A História nunca Contada</em>, seguindo a tradição dos blockbusters medianos, privilegia-se sua pirotecnia. Mais um sinal de que o &#8220;espírito&#8221; do personagem foi descartado. Bem diferente do <em>Drácula </em>de Francis Ford Coppola, de 1992, que firmava o seu protagonista como uma figura trágica, complexa e fascinante pelo horror e pela paixão, aqui, a trajetória do Drácula sugere a tragédia, mas essa promessa nunca é cumprida ou levada a sério como deveria pelo longa, que prefere impressionar &#8211; algo que nunca consegue &#8211; o público com muitos efeitos visuais e sequências barulhentas.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/drac-son-2.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2167 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/10/drac-son-2-620x320.jpg" alt="drac-son-2" width="620" height="320" /></a></p>
<p>Um dos personagens do filme , em dois momentos da trama, e que propositalmente ou não nos remete a série <em>Jogos Mortais</em> (prefiro acreditar que não foi proposital porque ai o filme cairia na zona do risível mesmo), sugere &#8220;Que o jogo comece!&#8221;. Parece um claro intento dos realizadores em iniciar uma franquia a partir desse longa. Uma pena que, assim como acontece com tanto material bom que cai nas mãos dos estúdios e poderiam ser levados para as telas com &#8220;culhões&#8221;, afinal, dinheiro não falta, <em>Drácula &#8211; A História nunca Contada </em>é mais um blockbuster entre tantos que existem por ai na praça. Não fosse o título, nem daríamos conta que se trata de uma versão do lendário personagem de Bram Stoker. Parece mais uma fotocópia do Batman.</p>
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