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	<title>Arquivos Robert De Niro - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Robert De Niro - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Mar 2025 12:17:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O subgênero dos filmes de gângster dominou Hollywood durante as três últimas décadas do século passado, com sucessos como O Poderoso Chefão (1972), Os Intocáveis (1987) e Os Bons Companheiros (1990). Desde então, os projetos que vingaram dentro dessa lógica de produção diminuíram gradativamente e, com isso, a quantidade de filmes que chegam ao público também. Apesar de alguns sucessos depois dos anos 2000, qualquer estreia do subgênero imediatamente é comparada com os grandes nomes &#8211; como os já citados [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O subgênero dos filmes de gângster dominou Hollywood durante as três últimas décadas do século passado, com sucessos como <em>O Poderoso Chefão (1972)</em>, <em>Os Intocáveis (1987)</em> e <em>Os Bons Companheiros (1990)</em>. Desde então, os projetos que vingaram dentro dessa lógica de produção diminuíram gradativamente e, com isso, a quantidade de filmes que chegam ao público também. Apesar de alguns sucessos depois dos anos 2000, qualquer estreia do subgênero imediatamente é comparada com os grandes nomes &#8211; como os já citados &#8211; e não foi diferente com <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong>.</p>
<p>O longa-metragem, dirigido por Barry Levinson (<em>Rock em Cabul</em>, de 2015), chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (20) com a difícil missão de sobreviver ao rastro de referências comparativas que o espectador trará às salas de cinema. Uma coisa é certa: pode se poupar das frustrações porque <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder </em></strong>não consegue se equiparar a absolutamente nada. O filme é um pastiche confuso e repetitivo da fórmula de filmes de máfia italiana, com a presença de Robert De Niro (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinos-da-lua-das-flores/"><em>Assassinos da Lua das Flores</em></a>, de 2023) em cena e a tentativa de simular a presença de Joe Pesci (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><em>O Irlandês</em></a>, de 2019), através do segundo personagem de De Niro.</p>
<p>O início de <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> até parece promissor. A narrativa já estabelece logo de cara uma cisão entre a máfia com a tentativa de assassinato do chefe dos chefes, ao mesmo tempo que indica uma história narrada em primeira pessoa, como uma espécie de memória do narrador-personagem. No entanto, isso rapidamente cai por terra e dá lugar a uma história arrastada, caricata e sem nenhum tipo de excitação. Nem mesmo a grande cena de assassinato do longa é bem construída. Em vez de ser o <em>plot</em> que quebraria com as expectativas do público, a cena passa a ser um absoluto nada, sem ser capaz de gerar qualquer tipo de sensação no espectador.</p>
<p>O maior problema de <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> é que ele é um projeto sem alma. Não há nada da essência de um filme de gângster que se sinta assistindo ao longa. Todas as características estão expressas no roteiro, mas não chega verdadeiramente lá. O filme é só uma embalagem, sem absolutamente nada dentro. Tanto pela direção de Levinson, quanto pelo roteiro de Nicholas Pileggi (<em>Cassino</em>, de 1995), o espectador não é atingido de forma positiva por nada no projeto. Não há um momento sequer de verdadeiro engajamento entre a produção e seu público.</p>
<p>Essa falta de essência também se deve pela construção caótica do roteiro. Em momentos ele parece que se encontra e segue uma linha, mas os saltos temporais e o encadeamento dos fatos se tornam um borrão estranho ao longo do filme. <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> é daqueles projetos que você sai da sala de cinema sem saber o que achar e sentir sobre o que acabou de ver. O espectador sai anestesiado, mas não por ter sido completamente envolvido pela trama. É uma dormência de sensações que o roteiro de Pileggi causa.</p>
<figure id="attachment_19257" aria-describedby="caption-attachment-19257" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-19257" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-750x500.jpg" alt="The Alto Knights: Máfia e Poder (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/The-Alto-Knights-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19257" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;The Alto Knights: Máfia e Poder (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para piorar ainda mais essa confusão, ainda existe uma clara falta de delimitação sobre o formato do projeto. Em momentos, ele se estabelece como um docudrama, outros, é um filme de gângster narrado em primeira pessoa, mas esses elementos nunca soam unidos. <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder </em></strong>sofre com essa indefinição de subgêneros que serão usados para guiar sua narrativa, o que só a torna ainda mais confusa. E, se já não bastasse esse emaranhado de escolhas duvidosas, a definição dos personagens é o ápice da caricatura, a ponto de nem De Niro ser capaz de salvar &#8211; e ainda é arrastado para a vala.</p>
<p>O elenco tem nomes interessantes e poderia render bons frutos à produção se a mesma ajudasse. Nem mesmo o ator vencedor de Oscar e com um leque de filmes de gângster em sua carreira conseguiu brilhar no show de horrores caricatural de <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong>. Robert De Niro parece fazer uma nova versão de seus personagens anteriores como Frank Costello, enquanto faz uma versão ainda mais caricaturada do que as atuações de Joe Pesci como Vito Genovese. Apesar de algumas cenas constrangedoras e estranhas, De Niro ao menos consegue equilibrar os devaneios narrativos quando ele é sua própria contracena, afinal Costello e Genovese são os personagens principais e antagônicos do filme.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, De Niro não é o suficiente para salvar o navio afundando. Ao lado dele, mais talentos como Debra Messing (</span><i><span style="font-weight: 400;">Pesquisa Obsessiva</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2018) e Cosmo Jarvis (</span><i><span style="font-weight: 400;">Persuasão</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2022) também não se saem bem. Seus personagens são mal elaborados e trabalhados,  o que não permite que nenhum dos dois possa brilhar em cena. Nem mesmo a veterana do subgênero, que atuou em <i>O Irlandês</i>, Kathrine Narducci (<i>Má Educação</i>, de 2019), conseguiu se salvar das caricaturas das personagens envolvidas na trama de <b><i>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</i></b>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><span style="font-weight: 400;">desperdício de bons nomes no elenco, mostrando que nem mesmo </span><span style="font-weight: 400;">De Niro é o suficiente para salvar o filme, só reforçam a confusão da produção. Ainda que o longa se inspire em eventos reais, sua dramatização, construção de arcos narrativos e estrutura do roteiro foram um produto pensado por alguém do projeto e aprovado pelos demais. E para não dizer que todo o peso dos erros do filme estão em Pileggi, Levinson também divide essa culpa. Ele não consegue orquestrar <strong><em>The Alto Knights &#8211; Máfia e Poder</em></strong> como uma bela e completa sinfonia. O cineasta falha na tentativa de copiar uma série de coisas que deram certo no passado, entregando ao público um pastiche mal costurado de caricaturas do que um dia foi bom.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Barry Levinson</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Robert De Niro, Debra Messing, Cosmo Jarvis, Kathrine Narducci e Michael Rispoli</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lu_8a6SHaX4?si=3MaSEgwAPFZqVJ2g" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Assassinos da Lua das Flores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Oct 2023 15:48:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Assassinos da Lua das Flores é o mais novo filme do cineasta Martin Scorsese (Silêncio) que chega aos cinemas com elenco de peso. Seu ator favorito Leonardo DiCaprio (Era uma Vez em&#8230; Hollywood) encabeça o protagonista Ernest Burkhart, um homem de pouca instrução que vai morar junto com o irmão, Byron Burkhart (Scott Shepherd, X-Men: Fênix Negra) e o tio, William Hale (Robert De Niro, O Irlandês) próximo à tribo indígena de Osage, uma terra rica em petróleo. Na localidade, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong> é o mais novo filme do cineasta Martin Scorsese (Silêncio</em>) que chega aos cinemas com elenco de peso. Seu ator favorito Leonardo DiCaprio (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><em>Era uma Vez em&#8230; Hollywood</em></a>) encabeça o protagonista Ernest Burkhart, um homem de pouca instrução que vai morar junto com o irmão, Byron Burkhart (Scott Shepherd, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-x-men-fenix-negra/"><em>X-Men: Fênix Negra</em></a>) e o tio, William Hale (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><em>O Irlandês</em></a>) próximo à tribo indígena de Osage, uma terra rica em petróleo. Na localidade, são os indígenas que possuem o dinheiro e o poder, se tornando alvo de brancos interesseiros.</p>
<p>Inspirado no best-seller homônimo do escritor David Grann (que usou uma história real como base), o filme segue traçando todos os detalhes do caminho que levam Ernest a casar com uma indígena muito rica e de sangue puro, algo muito almejado naquela região. Em meio a isso, uma série de assassinatos misteriosos acontecem na região, sem que ninguém dê bola aos fatos, já que a maioria são pessoas de pouca importância. A coisa começa a tomar outro rumo quando as mortes chegam na família de Mollie (Lily Gladstone, <em>Certas Mulheres</em>), a nova esposa do nosso protagonista.</p>
<p>O que vemos à seguir em tela é uma trama sendo criada em cima da ambição daqueles homens brancos em querer enriquecer às custas das indígenas e suas caras heranças do petróleo. Embora Ernest tenha um perfil trambiqueiro duvidoso, ele realmente se envolve emocionalmente com Mollie, o que podemos ver na maior parte do tempo com o cuidado dele com a saúde da esposa. Por isso é tão difícil para ela perceber quando ele começa a aplicar o golpe mais absurdo por sua fortuna, já que no dia a dia ele é um bom marido (na medida das possibilidades da época).</p>
<p>Seu tio, por outro lado, não tem qualquer tipo de escrúpulo ao determinar mortes que lhes sejam proveitosas. Ele vive por nutrir uma boa relação com os indígenas, o que faz com que eles não suspeitem nem um pouco de suas reais intenções por traz daqueles falsos sorrisos. Pelas costas, é racista. Ele faz todos de marionetes no seu tabuleiro sangrento (inclusive Ernest), cujo único objetivo é o enriquecimento.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17380" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528.jpg" alt="Assassinos da Lua das Flores" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/1301528-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O que Scorsese nos apresente é uma dualidade constante no casal protagonizado brilhantemente por DiCaprio e Gladstone, onde vemos uma teia de amor e traição que está sempre em cima de uma linha tênue da moralidade. A ambição leva o marido de colocar a família da esposa como alvo, ainda que ele não esteja completamente de acordo com aquilo. A sua incapacidade de conduzir a própria vida e tomar decisões sem influências só mostra o quanto ele é fraco de espírito. Pelo menos, até o final.</p>
<p>O ritmo de <em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong> </em>é algo que requer uma boa atenção. Para um filme de 3h26 de duração, acredito que ele consegue manter o espectador entretido. Tenho uma ressalva durante cerca de 40 minutos que são dedicados aos criminosos e suas tramoias, que faz com que a energia caia drasticamente. Algo que é recuperado na sequência, mas que incomoda. O fato é que o auge do longa é o casal e a sua história. Quando eles não estão no foco, a trama fica meio sem gosto.</p>
<p>Nada que prejudique o resultado final, por certo. É muito interessante ver como a relação de interesses é estabelecida desde o começo. Mollie percebe o olho grande de Ernest em sua herança, mas ele surge como a possibilidade dela ser cuidada e criar uma família. Ela entende que o seu estado de saúde convoca companhia e ele está disposto a oferecer aquilo (por dinheiro). Então, não há nenhum traço de ingenuidade quando a indígena concorda em seguir em frente.</p>
<p>O enredo é ainda muito contundente em mostrar a toxicidade como foi estabelecida a relação entre brancos e indígenas nos EUA e toda a apropriação cultural e de terras que se desdobrou a partir daí. Scorsese faz uma minuciosa análise do período, com fotografia incrível e figurino cuidadoso. A caracterização de <em><strong>Assassinos da Lua das Flores</strong></em> faz toda a diferença no seu resultado final. Aliás, no fim, é como se as 3h26 passassem rápido (o que não te impede de levar um lanchinho &#8211; fica a sugestão). Vale muito a pena conferir diretamente nos cinemas!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Scorsese</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Lily Gladstone, Robert De Niro, Jesse Plemons, John Lithgow, Brendan Fraser, William Belleau, Tatanka Means</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/T22WRjooZn4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Meu Pai É Um Perigo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 May 2023 22:45:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acolher as diferenças, especialmente quando se trata de nossa família, não é uma tarefa fácil. Meu Pai É Um Perigo traz isso como o cerne da questão quando Sebastian (Sebastian Maniscalco, O Irlandês), filho de imigrantes italianos, resolve apresentar seu pai, Salvo (Robert De Niro, Coringa) para a família super tradicional americana de sua namorada e futura noiva, Ellie (Leslie Bibb, Te Peguei!). Numa pegada bem estilo Entrando Numa Fria, o filme traz relacionamentos afetivos com um bom toque de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acolher as diferenças, especialmente quando se trata de nossa família, não é uma tarefa fácil. <strong><em>Meu Pai É Um Perigo</em></strong> traz isso como o cerne da questão quando Sebastian (Sebastian Maniscalco, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/"><em>O Irlandês</em></a>), filho de imigrantes italianos, resolve apresentar seu pai, Salvo (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>) para a família super tradicional americana de sua namorada e futura noiva, Ellie (Leslie Bibb, <em>Te Peguei!</em>). Numa pegada bem estilo <em>Entrando Numa Fria</em>, o filme traz relacionamentos afetivos com um bom toque de risada.</p>
<p>Sebastian, que também é roteirista do filme, leva a própria história para a telona como base de criação do enredo. Ele também é comediante na vida real, o que justifica umas caras e bocas excessivas que ele faz no longa. Nada que chegue a prejudicar a trama. O fato é que a história é bem bobinha e, como eu disse lá em cima me referindo a outro filme, nada inovadora. Ele passeia por lugares muito conhecidos e óbvios para trazer risada ao espectador, como um grande filme de Sessão da Tarde.</p>
<p>Mas isso não é necessariamente ruim. Se pararmos para pensar que nem todo filme precisa ser um grande acontecimento em nossas vidas, vamos conseguir curtir longas intermediários que nos apresentem, por exemplo, um elenco bem bacana, como é o caso aqui. Além dos citados, temos ainda Kim Cattrall (<em>Sex and The City &#8211; O Filme</em>) e David Rasche (<em>Versos de um Crime</em>), que fazem uma boa dupla e trazem ainda mais leveza ao filme.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16748" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2652944.jpg" alt="Meu Pai É Um Perigo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2652944.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2652944-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2652944-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2652944-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>Meu Pai É Um Perigo</em></strong> tem uma proposta interessante quando traz como protagonista um casal mais velho, tirando aquele foco atual de romance adolescente e mostrando o amor aos 40. Isso é algo que eu aprecio bastante porque sabemos que Hollywood tem uma tendência a engavetar atores que vão ficando mais velhos, especialmente se for mulher, reservando apenas papéis secundários ou de matriarcas e pais de família.</p>
<p>Para além disso, o longa traz uma reflexão (bem de leve) interessante sobre nosso modo de agir e a forma como espelhamos nossos pais. Às vezes, aquilo que mais brigamos com eles é justamente o que temos de mais comum. De Niro encarna perfeitamente, como era de se esperar, o papel do pai ranzinza, cheio de mania e sem paciência. E ainda consegue fazer de maneira bem diferente do que em <em>Entrando Numa Fria</em>.</p>
<p><em><strong>Meu Pai É Um Perigo</strong></em> não é o tipo de filme que, necessariamente, vai valer a pena ver nos cinemas, mas com certeza você vai acabar parando nele nos streamings, quando chegar por lá. É engraçadinho, bom elenco, descompromissado. A cara de um domingo a tarde pós-almoço com a família.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Laura Terruso</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sebastian Maniscalco, Robert De Niro, Kim Cattrall, Leslie Bibb, Anders Holm, David Rasche, Brett Dier, Arielle Prepetit</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/qi26Cnm3VJs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: O Estagiário (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2020 14:28:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tem filmes que servem como um acalento na alma. E o fato é que, neste período de isolamento social, eles se fazem ainda mais necessários. O Estagiário (ou O Senhor Estagiário, como era chamado antes de ir parar no catálogo da Netflix) é exatamente este tipo de filme. Pincelando diversas temáticas, o mote principal é falar sobre a atividade na vida de uma pessoa idosa, especialmente depois que ela passa pela aposentadoria. A discussão da temática é muito necessária, especialmente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Tem filmes que servem como um acalento na alma. E o fato é que, neste período de isolamento social, eles se fazem ainda mais necessários. <em><strong>O Estagiário</strong></em> (ou <em>O Senhor Estagiário</em>, como era chamado antes de ir parar no catálogo da <em>Netflix</em>) é exatamente este tipo de filme. Pincelando diversas temáticas, o mote principal é falar sobre a atividade na vida de uma pessoa idosa, especialmente depois que ela passa pela aposentadoria.</p>
<p>A discussão da temática é muito necessária, especialmente quando paramos para pensar que a terceira idade mudou muito nos últimos anos. Os idosos estão mais ativos, conectados, dispostos. Não são mais aquele estereótipo antigo de senhorinhas sentadas na cadeira de balanço costurando e contando história para os netinhos. <em><strong>O Estagiário</strong></em> pega justamente neste ponto. Ben Whittaker (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Irlandês</em></a>) tem 70 anos, viúvo e aposentado. Ele sente que o tempo está sobrando, já que não tem mais uma rotina diária obrigatória. Decide, então, se inscrever num projeto de estágios para idosos.</p>
<p>Quando Ben é contratado, é designado a trabalhar com Jules Ostin (Anne Hathaway, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-as-trapaceiras/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>As Trapaceiras</em></a>), criadora de um bem-sucedido site de venda de roupas. Ela é hiperativa, ocupada ao extremo e parece não ter tempo para olhar os detalhes ao seu redor. Rapidamente perde a paciência com o ritmo de Ben, pedindo para que ele seja removido de seu setor. O que a empresária não poderia esperar é que o estagiário fora do parão acabaria conquistando os funcionários e se tornando popular na empresa.</p>
<p>Como disse, o filme trata de várias temáticas, especialmente relacionadas ao idoso. A questão do sexo na terceira idade é discutida com muito cuidado e assertividade, assim como a vaidade. As limitações da idade são apresentadas sem rodeios, mostrando que, apesar de existirem, não precisam definir o indivíduo. Além disso, <em><strong>O Estagiário</strong></em> escancara o preconceito que idosos sofrem para adentrar ou permanecer no mercado de trabalho.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12867" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/maxresdefault.jpg" alt="O Estagiário" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/maxresdefault.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/maxresdefault-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/maxresdefault-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ben faz uma verdadeira revolução na vida de Jules, já que eles são o contraponto um do outro. Ele clama pela vivacidade de Jules, enquanto ela precisa apertar no freio e sentir um pouco mais a própria vida. A história mostra, por exemplo, que a diretora escolhe ser <em>workaholic</em> para não precisar lidar com seus problemas pessoais. Assim como ele tem dificuldade de superar o luto pela perda da esposa.</p>
<p>O conflito de gerações nos conduz a uma narrativa leve e sem rodeios, esmiuçando os personagens e fazendo com que o espectador crie rápida empatia por suas histórias. O filme se engrandece em determinadas cenas, como naquela do hotel em que eles discutem a dificuldade da personagem de Jules em conciliar todos os papéis que lhes foram impostos na vida. Ela se despe da carapuça de autoritária e mostra a fragilidade do ser mais íntimo.</p>
<p><em><strong>O Estagiário</strong> </em>tem ainda tons cômicos que nos ajudam nas transições de discussões. A diretora Nancy Meyers, que nos presentou com grandes filmes como <em>Simplesmente Complicado</em> e <em>O Amor Não Tira Férias</em>, apresenta aqui um filme leve que nos faz refletir sobre diversas questões que costumam ser colocadas para debaixo do tapete. Com uma escolha de elenco incrível e acertada, é uma excelente pedida para assistir nesta quarentena.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Nancy Meyers<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo, Adam DeVine, Anders Holm, Linda Lavin, Jason Orley, Zack Pearlman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/jHG8TaEBhKI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Irlandês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Nov 2019 19:29:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando O Irlandês (The Irishman) acabou, sua trama e as três horas e meia — que fluem organicamente — acabaram sendo um mero detalhe. Não que a história tenha sido fraca, pelo contrário, mas a única coisa que eu conseguia assimilar era como este filme é uma grande carta aberta e sentimental de Martin Scorsese. Aos 77 anos, ele reflete sobre a morte, seu legado e o futuro do cinema. O Irlandês abre com Frank Sheeran (Robert De Niro, Coringa), em um [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando <em><strong>O Irlandês </strong>(The Irishman) </em>acabou, sua trama e as três horas e meia — que fluem organicamente — acabaram sendo um mero detalhe. Não que a história tenha sido fraca, pelo contrário, mas a única coisa que eu conseguia assimilar era como este filme é uma grande carta aberta e sentimental de Martin Scorsese. Aos 77 anos, ele reflete sobre a morte, seu legado e o futuro do cinema.</p>
<p><em><strong>O</strong></em> <em><strong>Irlandês</strong> </em>abre com Frank Sheeran (Robert De Niro, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>), em um asilo, narrando sua trajetória de vida. Ele volta aos tempos de seu serviço militar na 2ª Guerra Mundial e vai até sua ascensão na Máfia. Sua passagem pela ilegalidade começou quando passou a se envolver em um esquema de desvio de caminhões de carne para <em>gangsters</em>.</p>
<p>Isso fez com que ele conhcesse Russell (Joe Pesci, <em>Os Bons Companheiros</em>), um chefe local, com quem desenvolve uma grande amizade. Realizando bicos como assassino e cobrando dívidas locais, ele também passa a se relacionar com o poderoso Jimmy Hoffa (Al Pacino, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Era uma Vez em Hollywood</em></a>), líder sindical de personalidade forte. Quando Hoffa começa a ter seus problemas com o resto da Máfia, Sheeran precisa escolher sua lealdade.</p>
<p>Retornando ao subgênero do drama de máfia já visto em <em>Os Bons Companheiros </em>e <em>Cassino</em>, Scorsese adota uma abordagem diferente. Não há a brutalidade visceral do passado, mas uma espécie de distanciamento. A violência  é seca e fria, não se prolongando demais. Ela interrompe a trama abruptamente — como se não fosse convidada ou nem incentivada — mas rapidamente vai embora.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11872" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês.jpg" alt="O Irlandês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/O-Irlandês-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Assim, é quase como se a câmera afastada estivesse julgando aqueles atos, indicando um amadurecimento no próprio diretor, que olha para seu filme de uma maneira muito mais intimista e familiar, com a máfia sendo só mais um pano de fundo daquele enredo. Quando o personagem de De Niro começa a envelhecer, apesar de suas palavras ecoarem as glórias do passado, vai ficando visível que não sobrou nada. O tempo levou tudo. E de que adiantou aquela jornada de sangue? Não que Scorsese glorificasse os foras-da-lei em suas obras anteriores, mas acaba sendo uma visão muito mais cética e madura daquele submundo.</p>
<p>A complexidade política de <em><strong>O</strong> <strong>Irlandês</strong></em> — que envolve até o assassinato do presidente Kennedy — e todo aquele jogo de ameaças trocadas por homens de terno acabam sendo um grande desvio para os momentos mais marcantes do longa. Mesmo com pouco tempo de tela, a relação de Sheeran com sua família e, principalmente sua filha, Peggy (Anna Paquin, <em>X-Men</em>), é muito significante. Sem precisar dizer muitas palavras, Peggy faz esse julgamento silencioso do pai e seu estilo de vida, valendo mais do que qualquer diálogo do filme. A personagem é esta espécie de bússola moral para o público, que, à primeira vista, pode glorificar a violência do protagonista em certas situações (até pelo carisma de De Niro), mas rapidamente é lembrado de que os fins não justificam os meios.</p>
<p>Conforme o fim vai se aproximando, fica clara a aproximação de <em><strong>O Irlandês</strong></em> com a espiritualidade e a religiosidade. Logo, é muito difícil não pensar no próprio Scorsese. Como católico, ele sente o peso e o valor da família. Há este sentimento de culpa cristã acumulado por uma vida inteira. Seria possível um homem, que cometeu diversos pecados ao longo da vida, ser perdoado na reta final?</p>
<p>Recentemente envolvido em opiniões controversas sobre o que seria cinema ou não, Scorsese acaba que traz um pouco disso ao seu novo projeto. Amadurecido, ele busca entender o mundo atual e o lugar de sua filmografia dentro dele. Ele sabe que as tradições não são mais respeitadas e estão sendo desafiadas, algo personificado no próprio Tony Pro (Stephen Graham, <em>Hellboy),</em> personagem caricato que está sempre atrasado e com roupas inapropriadas para os encontro da Máfia, algo que tira Jimmy Hoffa do sério.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11928" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Irlandês" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/11/0507561.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Justamente aí que entra a função da tecnologia de rejuvenescimento em <em><strong>O Irlandês</strong></em>. Trazendo um estranhamento visual de início, ela rapidamente se torna natural ao olho humano (o que é beneficiado pela longa duração). Ao mesmo tempo que Scorsese assimila as novas tecnologias disponíveis na produção cinematográfica, existe uma próprio sentido em sua existência no filme. Não só Frank Sheeran parece fugir dos pensamentos sobre a proximidade e a inevitabilidade da morte, neste fluxo entre passado e presente, mas é o próprio Scorsese que, com o rejuvenescimento, remete a aparência dos atores em seus tempos de glória. Infelizmente, não dá mais para voltar aos tempos de <em>Os Bons Companheiros</em>.</p>
<p>Para um longa que fala tanto sobre morte, <strong><em>O Irlandês </em></strong>é uma digna resposta para os que dizem que o crescente uso dos efeitos especiais irá matar o cinema. Aqui, o renomado diretor consegue utilizá-la, não só de um ponto de vista impecável tecnicamente, como também para mostrar que ela pode ser uma enorme aliada do enredo, sendo muito mais do que adereço para enfeitar o filme através de um embelezamento artificial.</p>
<p>Portanto, Scorsese está reinventando, ressignificando, experimentando e até quebrando os próprios estigmas de sua filmografia. Por exemplo, quem diria que Joe Pesci, em uma atuação tocante, traria um dos personagens mais sensíveis e delicados de toda a carreira de Scorsese.</p>
<p>Próximo do fim de sua vida, é possível que Martin Scorsese esteja com medo do legado que deixará quanto se for. O que não deixa de ser irônico, pois sua própria modéstia — e até uma visão pessimista e humilde de si mesmo — apenas reforça seu nome como um dos maiores cineastas da história ao trazer mais uma obra de arte.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Martin Scorsese</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Al Pacino, Robert De Niro, Joe Pesci, Harvey Keitel, Ray Romano, Jesse Plemons, Anna Paquinn, Boby Cannavale</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=ZxuTltUvvkI&amp;w=750&amp;h=500]</p>
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		<title>Crítica: Coringa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 15:02:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Coringa é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em Batman (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (Ela) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos. Como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <em><strong>Coringa</strong> </em>é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em <em>Batman</em> (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em> (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/"><em>Esquadrão Suicida</em></a> (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (<em>Ela</em>) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos.</p>
<p>Como eu já comentei aqui algumas vezes, filmes que criam muita expectativa me preocupam, já que a chance de decepção é maior. Quando se trata de um personagem que por si só gera ansiedade, a situação fica ainda mais complicada. No entanto, afirmo sem medo que este é um dos melhores filmes dos últimos anos, não apenas no quesito de adaptação de HQs.</p>
<p>Para começar, os quadrinhos são apenas um pano de fundo para trazer uma história complexa e realista sobre a jornada de um cidadão doente abandonado pela sociedade da barbárie. Gotham City está sitiada por manifestações contra o governo. A taxa de desemprego é absurda, o lixo se amontoa nas ruas e os poderosos zombam da pobreza, como se ela fosse uma escolha. Em meio a isso, as pessoas vão se tornando cada vez mais amargas e incrédulas de um futuro melhor.</p>
<p>Arthur Fleck tem problemas mentais diagnosticados e trabalha como palhaço. A dualidade já começa aí, quando uma pessoa triste tem que colocar a máscara da alegria para fazer os outros rirem, sufocando todas as suas emoções. A frase que surge em dado momento, &#8220;o problema da doença mental é que as pessoas querem que você aja como se não a tivesse&#8221;, deixa muito claro que a sociedade pouco se importa com o que ele está passando. E isso se repente em muitos momentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11450" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que o protagonista vai sofrendo repetidas investidas negativas do cenário e criando camadas de rancor, o espectador começa a entender o que levou o Coringa a se tornar alguém ruim e amargurado. Temos até lapsos de empatia, que rapidamente se dissolvem. É a sociedade do abandono para alguém que só queria se sentir minimamente importante e notado. Somos apresentados às confusões mentais do <strong><em>Coringa</em></strong>, que nos trazem questionamentos sobre a veracidade de certos fatos que estamos vendo.</p>
<p>Além disso, a cuidadosa inserção do personagem de Bruce Wayne é ainda mais gloriosa. Importante e contundente, mas passageira como deveria ser. O foco ali não é no Batman, definitivamente. Mas nos leva a questionamentos sobre uma possível interseção deste <strong><em>Coringa</em> </strong>com o Batman de Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bom Comportamento</em></a>), que deve chegar aos cinemas em 2021.</p>
<p>A grandeza do personagem é respeitada desde a sua construção inicial. A primeira cena do filme já vale a magnífica atuação de Phoenix no filme inteiro. E sim, sinto cheiro de Oscar para o papel, o que será muito merecido. Ele está incorporado no <strong><em>Coringa</em></strong>, de corpo e alma. Todas as angústias, frustrações e desesperos traduzidos em olhares e mudanças de expressão. É uma performance intensa, profunda e sem exageros. Ele consegue deixar o espectador sem ar, mas não beira o caricato. O que só prova a sua magnitude.</p>
<p>Além disso, o filme não tem grandes coadjuvantes. E não digo isso sobre as atuações dos demais. Temos Robert De Niro, por exemplo, que está ótimo, como sempre. Mas o filme não é sobre os coadjuvantes. Eles só estão ali para dar ainda mais espaço para o protagonista. E levar um filme inteiro praticamente sozinho não é tarefa para qualquer ator. Mas Phoenix já havia feito isso em <em>Ela</em> e repete o padrão aqui, com ainda mais complexidade e intensidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11449" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É curioso pensar que o diretor Todd Phillips, que tem filmes como <em>Se Beber, Não Case</em> e <em>Cães de Guerra</em> como principais na filmografia, conseguiria nos apresentar um trabalho tão aparado e sem arestas como esse. <em><strong>Coringa</strong> </em>é um filme lapidado, sem excessos ou faltas. Todos os pontos são preenchidos e com muita maestria. Ele conta ainda com a produção de Bradley Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nasce-uma-estrela/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Nasce Uma Estrela</em></a>), que tem cada vez mais se filiado a projetos grandiosos.</p>
<p>E na finalização, o filme foi ainda mais assertivo. O cuidado de deixar claro que o <strong><em>Coringa</em> </strong>não é um herói, embora a sociedade o coloque neste lugar. Ele é um reflexo personificado das doenças e mazelas daquelas pessoas abandonadas pelo apoio político. Ele é a unicidade de tantos sentimentos ruins e, por isso, não deve ser entendido como herói. O <strong><em>Coringa</em> </strong>é a sombra do que somos de pior como humanos. E o filme não se poda ao nos mostrar isso.</p>
<p>Para quem já gosta das versões anteriores do <strong><em>Coringa</em></strong>, com destaque especial ao de Nicholson e Ledger, é surpreendente como nem lembramos deles ao assistir o de Phoenix. É como se fosse a evolução casada e perfeita dos dois, que chegou ao ápice agora.</p>
<p><strong><em>Coringa</em> </strong>é um filme que vai muito além de uma banal adaptação de quadrinhos. É uma produção que insere sub-textos de política, discussões sociais e doenças mentais. Tudo isso orquestrado por uma trilha sonora poderosa e calculista, que sabe exatamente onde se mostrar e onde dar a vez da atuação crua. Uma produção fascinante e memorável!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips<br />
<strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Douglas Hodge, Glenn Fleshler,</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/jfVTJm9NilA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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