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	<title>Arquivos Rob Savage - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Host (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Sep 2021 14:16:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Com a pandemia do Coronavírus veio a necessidade de se fazer o isolamento social. A partir deste contexto, o cenário do audiovisual mundial trouxe uma espécie de reinvenção em suas lógicas narrativas. Valendo-se de estratégias que não são tão novas assim, diga-se de passagem, mas que começaram a ser usadas com mais intensidade, o espectador se deparou com uma quantidade enorme de produções filmadas em casa, que utilizavam recursos da internet. Esta é a realidade de Host e a primeira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com a pandemia do Coronavírus veio a necessidade de se fazer o isolamento social. A partir deste contexto, o cenário do audiovisual mundial trouxe uma espécie de reinvenção em suas lógicas narrativas. Valendo-se de estratégias que não são tão novas assim, diga-se de passagem, mas que começaram a ser usadas com mais intensidade, o espectador se deparou com uma quantidade enorme de produções filmadas em casa, que utilizavam recursos da internet. Esta é a realidade de <strong><em>Host</em> </strong>e a primeira coisa que talvez se pense é: “Ah! Lá vem mais um filme fruto da pandemia”.</p>
<p>Sim, é bem verdade que a produção se constrói através de práticas comuns aos tempos nos quais vivemos, pois, na maior parte das cenas, cada personagem está em sua casa e todos conversam a partir da plataforma Zoom. A grande questão, no entanto, é o como são feitos estes usos e como a narrativa se desenvolve a partir disto. Através de uma chamada de vídeo, um grupo de amigos decide fazer contato com espíritos, com a ajuda de uma xamanista. Obviamente, a situação sai do controle e o pânico se estabelece.</p>
<p>É curioso observar que em sua pouca duração, o média-metragem consegue trabalhar bem com a progressão dramática. Ainda que, desde o seu início, seja estabelecido um clima de tensão, já na casa da protagonista Haley (Haley Bishop), a formulação da exposição dos fatos do enredo toma o tempo necessário, sem que este fique dilatado. Há uma combinação entre explorar as personalidades e relações das personagens, com a instalação do medo, através da situação assustadora que eles estão vivendo.</p>
<p>Além disso, o jogo da crença e da descrença do grupo faz com que a potencialidade dos sustos e da suspensão seja elevada, já que existe, principalmente até a metade da projeção, uma dúvida sobre o que é da ordem do “natural” ou do sobrenatural. Nesta dinâmica, existe um balanço entre tensionamento e relaxamento, o que faz com que o desfecho do média seja ainda mais intenso. Principalmente pelo fato de que esta estrutura vai se desfazendo, à medida em que a certeza de que há uma presença negativa as cercando cresce.</p>
<p>Desta maneira, o terceiro ato de <strong><em>Host </em></strong>se faz neste clímax que foi sendo elaborado progressivamente. Para que este feito acontecesse, os elementos técnicos, além do roteiro cuidadoso de Gemma Hurley (<em>Dashcam</em>), Jed Shephard (<em>Ghosts</em>) e Rob Savage (<em>Strings</em>) – sendo que o terceiro também é o diretor –, há uma coesão entre a fotografia, direção de arte e desenho de som, que coloca quem assiste num estado de proximidade com as personagens, aumentando o pânico do que estar por vir dentro da trama.</p>
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<p>Objetos considerados assustadores pela sociedade – como palhaços e caixinhas de música –, focos de iluminação que podem ser vistos atrás dos amigos no Zoom e ruídos que somem e aparecem repentinamente são alguns exemplos que ilustram esta conexão de ideias que fazem a qualidade de <strong><em>Host</em> </strong>ser elevada. Outro ponto é a escolha de filmar apenas pelo computador ou pelo celular. Durante toda a exibição, o ponto de vista da plateia é sempre o da câmera destes aparatos. Esta escolha de execução é mais algo que aumenta a imersão com a história. A direção e a montagem trabalham para que esta concepção funcione.</p>
<p>Este estilo de gravação poderia tornar a sessão cansativa, mas, aqui, pelo contrário, a criatividade da decupagem e os cortes com raccords e jump cuts, transmitem uma sensação de intimidade com o grupo de amigos e ainda revela o potencial de realização cinematográfica, por conseguir trazer movimentos de câmera e enquadramentos do cinema, dentro de sua dinâmica. Neste sentido, é possível perceber influências do found footage aqui. <strong><em>Host</em> </strong>– e perdão se eu estiver exagerando – é quase uma versão contemporânea de <em>A Bruxa de Blair</em>. Por meio da tecnologia do atual momento, a equipe sabe como negociar estratégias do real com o ficcional, nestas aproximações com espectador versus recursos de filmagem.</p>
<p>Nesta lógica, a seleção por colocar os nomes dos atores como os das personagens, bem como a própria inserção de uma chamada de vídeo, faz com que o público se sinta dentro da ligação também. Após tanto tempo em reuniões e encontros on-line e lives, é como se quem olhasse para o ecrã estivesse acompanhando algo que realmente está acontecendo. A angústia, assim, fica mais intensa e palpável. Desta forma, <strong><em>Host</em> </strong>é um filme que vale a pena ser visto, sobretudo para quem vai sem tantas expectativas, pois a ideia é justamente embarcar em uma experiência que remeta a um dia comum, no qual se senta para ver mais um evento na internet.</p>
<p>É preciso deixar nítido que em seus sustos e investigações da personalidade das figuras ali apresentadas, falta saber conduzir o seu desfecho de uma maneira mais assertiva. Há uma dada pressa em finalizar o terceiro ato, que quebra um pouco da dinâmica pacientemente feita durante toda exibição. Isto não é algo que comprometa sua totalidade, mas que reduz o seu impacto, em alguma medida.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rob Savage</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Haley Bishop, Jemma Moore, Radina Drandova, Emma Louise Webb</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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