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	<title>Arquivos Praia do Silêncio - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Praia do Silêncio </title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 11:19:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre planos longos e ruídos de mar e do vento, Praia do Silêncio é uma amostragem de como o audiovisual pode estar realmente à serviço de uma narrativa. A estratégia dos diretores, Francisco Garcia (Borrasca)  e Gabriel Campos parece ser a de ativar emoções profundas, através da inserção da extensa contemplação. Juntamente a isso estão os ruídos da praia e da floresta, desse casulo que o protagonista criou para ele mesmo. Neste sentido, investigar este pai alcoólatra, que abandonou a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre planos longos e ruídos de mar e do vento, <em>Praia do Silêncio</em> é uma amostragem de como o audiovisual pode estar realmente à serviço de uma narrativa. A estratégia dos diretores, Francisco Garcia (Borrasca)  e Gabriel Campos parece ser a de ativar emoções profundas, através da inserção da extensa contemplação. Juntamente a isso estão os ruídos da praia e da floresta, desse casulo que o protagonista criou para ele mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, investigar este pai alcoólatra, que abandonou a mulher e a filha, torna-se uma missão para quem assiste. O espectador pode criar ojeriza à essa figura, posta como decadente, solitária e egoísta. Nas cartas de sua ex-mulher é possível saber, inclusive, que a criança ficou surda e sem nenhum suporte do pai. Essas características que provocam tantas emoções fortes na plateia</span><span style="font-weight: 400;"> está presente tanto no roteiro de Garcia com Gabriel Campos, quanto na atuação de André Gatti (Avante Popolo).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui há todo esse contexto vivenciado por esta família quebrada, mas também existe algo na vulnerabilidade do pai que apazigua o julgamento para com ele. É importante este tempo de tela que cada personagem central ganha, seja o pai ou a filha, porque este contraponto é elaborado. A construção de sentido é a de que o público acompanha pessoas comuns, com erros, dores e perdas comuns. Quando ele é posto sozinho na tela, assombrado por suas falhas, algum tipo de empatia por esse senhor parece surgir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de luz e uso de temperaturas, outra dicotomia é criada. O azul e o bege da praia evocam melancolia e desespero. Já as sombras, vêm com algo amarelado/alaranjado, que imprime um certo conforto. Essa escolha revela a inteligência da equipe que consegue explicar visualmente como esse homem se esconde e se conforta na escuridão. j</span><span style="font-weight: 400;">untamente aos longos quadros contemplativos e os sons ambiente — emulados também, mas que passam essa ideia —, existem também as vozes em off. Escutar a narração da mãe é tomar consciência do que aconteceu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela chega como um eco do passado, assim como a presença ausente da filha. O tom poético dos textos balanceiam a força cortante do que realmente ocorreu com a mãe e a criança, após a partida do pai. Este é um elemento importante de abordar, porque esses versos quase poéticos poderiam soar como um fator de distanciamento, uma quebra com a trama. No entanto, pelo contrário, essa estratégia fortalece a imersão com a obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro deste universo, o enredo ainda conta com pontuações políticas, presentes nas cartas da mãe. Essa é uma questão que os roteiristas exageraram. O filme é muito íntimo e os fatos históricos poderiam servir como respiros de todo a dramaticidade da história do trio, mas soam artificiais. Faltou organicidade para trazer esses momentos para o filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De toda maneira, <em>A Praia do Silêncio</em> é intenso e corajoso, ao convidar sua plateia para contemplar longamente as emoções de um homem que se sente derrotado por si mesmo. Entre cores, sons e momentos completamente silenciosos, a produção é também uma chance de realizar uma autorreflexão e uma avaliação perturbadora e importante sobre as figuras paternas na sociedade.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção</strong>: <span style="font-weight: 400;"> Francisco Garcia e Gabriel Campos</span></p>
<p><strong>Elenco</strong>: André Gatti, Ana Abbott</p>
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