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	<title>Arquivos Pixote - a Lei do Mais Fraco - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>15ª CineOP: Pixote &#8211; A Lei do Mais Fraco</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2020 21:58:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A infância é um tempo tido como especial, no qual as nostalgias habitam. Este também é um momento em que, talvez, as pessoas mais precisem de guia e proteção. É ali que se aprende o certo e o errado e se faz necessário o amparo diante de problemas. Isto, porque, teoricamente, as soluções ainda não foram ensinadas. Esses pensamentos podem vir recorrentemente enquanto a projeção de Pixote – A Lei do Mais Fraco acontece. Dirigido por Hector Babenco (Carandiru), o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A infância é um tempo tido como especial, no qual as nostalgias habitam. Este também é um momento em que, talvez, as pessoas mais precisem de guia e proteção. É ali que se aprende o certo e o errado e se faz necessário o amparo diante de problemas. Isto, porque, teoricamente, as soluções ainda não foram ensinadas. Esses pensamentos podem vir recorrentemente enquanto a projeção de <strong><em>Pixote – A Lei do Mais Fraco</em></strong> acontece.</p>
<p>Dirigido por Hector Babenco (<em>Carandiru</em>), o filme é baseado no livro <em>Pixote – Infância dos Mortos</em>, de José Louzeiro. No enredo é mostrada a trajetória de um garoto de 11 anos, que entra na vida do crime, passando por um reformatório, fazendo parte de uma espécie de gangue e cometendo todos os tipos de delitos possíveis. O tempo inteiro, a obra deixa esta sensação amarga de quem é aquela personagem ilustrada na tela: uma criança, mas que está à margem. Os seus sofrimentos são revelados, mas também as suas forças e seus ímpetos de coragem para continuar sobrevivendo naquela realidade injusta e cruel que reside.</p>
<p>Sempre que o local da infância surge como um lampejo, vem a quebra para os atos de Pixote (Fernando Ramos da Silva) e de seus amigos, também menores de idade, que deveriam estar protegidos e não subjugados, porém que precisam continuar neste embate por suas próprias existências. Estes elementos são fomentados pela técnica, que eleva a potencialidade da narrativa, através de enquadramentos que traduzem os sentimentos das personagens, como na cena de Pixote com Lilica (Jorge Julião) na praia. O público se depara com um momento de lazer deles, mas também do constante lembrete de que a dupla está sempre em tensão. O quadro traz eles um do lado do outro, mas contemplativos, em alguns momentos dos diálogos, como se mesmo que sempre buscassem escapar isto fosse impossível.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13194" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/cats-3.jpg" alt="Pixote - A Lei do Mais Fraco" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/cats-3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/cats-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/09/cats-3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A iluminação também contribui para as atmosferas criadas, principalmente quando eles estão no reformatório. É como se a luz sempre informasse os estabelecimentos de poder e/ou ações dentro das sequências. Há o contraponto do que poderia ser visto ou não neste jogo e também nas sugestões de suspensão e relaxamento, diante do que ocorre no longa. Um exemplo do ápice desta característica é a cena em que alguns garotos são levados de carro para longe e dois deles são assassinados. O que é visto ou não provoca sensações. A dúvida do que está por vir também enerva quem assiste aos fatos, justamente porque há esta composição feita com as sombras e a luminosidade, além do som e das vozes que sugerem mais do que expõem com obviedade.</p>
<p>Por fim, em termos positivos, pode-se destacar três figuras do elenco que trazem composições equilibradas e que conseguem jogar em cena com os jovens intérpretes, fazendo as atuações deles crescerem. São eles: Tony Tornado (<em>Rei do Rio</em>), Marília Pêra (<em>Central do Brasil</em>) e Elke Maravilha (<em>Zuzu Angel</em>). São figuras ficcionais que trazem um peso e marcas consigo. Além disso, eles, cada um de seu modo, infligem pressão e certo temor para as crianças, evocando um ar de distanciamento, principalmente em gestos contidos que explodem e em olhares fixos.</p>
<p>Há, no entanto, um incômodo que perpassa a produção. Quando é preciso se fazer as transições de fases que Pixote passa (entrada no reformatório, fuga, encontro com Cristal etc) há sempre uma queda rítmica e certa demora para a liga da história retornar. Entre as perdas dos companheiros, por qualquer que sejam os motivos, a força do papel principal vai se esvaindo, quando ele deveria segurar o que já havia sido construído.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Hector Babenco</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Fernando Ramos da Silva, Marília Pêra, Tony Tornado</p>
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