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	<title>Arquivos Pedro Sodré - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>26º Festival Cine PE: Rama Pankararu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Dec 2022 21:33:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesclando ficção com uma perspectiva do real, Rama Pankararu convida o espectador a ficar imerso na realidade dos Pankararu, no sertão de Pernambuco. Com um clima que junta investigação, romance e o desvendar das camadas de suas personagens, o longa-metragem acerta ao conseguir equilibrar os seus elementos discursivos, técnicos e de transmissão das emoções, principalmente pelo tanto de informações que o mesmo traz para a narrativa. Assim, durante 98 minutos, o espectador acompanha a vida de duas mulheres de mundos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Mesclando ficção com uma perspectiva do real, <strong><em>Rama Pankararu</em></strong> convida o espectador a ficar imerso na realidade dos Pankararu, no sertão de Pernambuco. Com um clima que junta investigação, romance e o desvendar das camadas de suas personagens, o longa-metragem acerta ao conseguir equilibrar os seus elementos discursivos, técnicos e de transmissão das emoções, principalmente pelo tanto de informações que o mesmo traz para a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, durante 98 minutos, o espectador acompanha a vida de duas mulheres de mundos completamente distintos, que se encontram e se unem por uma causa em comum. </span><span style="font-weight: 400;">Bia (Bia Pankararu) e Paula (Tássia Leite) pertencem a universos diferentes e elas ganham voz, mas sem perder de vista a luta pertence a Bia. Ela é a voz e a representação dos Pankararu em formato de protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o longa explora a química entre a dupla. Não há pressa em colocá-las como um casal, tampouco o foco central é perdido por conta disso. Na verdade, a obra entrega esta parceria delas progressivamente e com atenção aos detalhes, deixando pistas do enlace das duas lentamente. </span><span style="font-weight: 400;">Este fato também é um registro importante da personalidade de Bia, uma mulher indígena, militante e LGBTQIAP+, que pega emprestadas as características da Bia da “vida real”, fazendo com que a Bia “ficcional” seja  tão cheia de características ricas em sua construção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além dos traços da personalidade da personagem, Bia, que estreia como atriz nesta produção, conta com um recurso inteligente para deixar fluída e orgânica a sua atuação. Através do método das ações físicas, Bia Pankararu imprime uma espécie de naturalidade cotidiana ao seu texto, deixando os “bifes” mais longos palatáveis, dinâmicos e críveis. </span><span style="font-weight: 400;">Na realidade, esta noção do uso das ações está presente no elenco inteiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta estratégia é inteligente, porque a maior parte do elenco é formada de não atores. Ao dar atividades práticas para cada intérprete &#8211; atender o telefone, enquanto calça a meia, catar grãos em uma vasilha etc -, o público ganha cenas com organicidade e fé cênica, mas também consegue adentrar com maior força na rotina das personagens. Neste sentido, esta é a maior qualidade do filme: inserir quem assiste de forma profunda no enredo, através de escolhas simples e não pretensiosas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é justamente por existir tanto contexto, que a direção sóbria de Pedro Sodré se sobressai. A câmera é registro e memória da luta de um povo e quando a produção se aproxima do documental, é possível ver algo mais cru, que tem foco em revelar, na verdade, as dimensões dos protestos ou de como, por exemplo, as escolas incendiadas ficaram. Mas, quando o direcionamento é o íntimo de Bia e Paula, a direção, ainda que permaneça sóbria, direciona o olhar do espectador para as emoções da dupla. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem poucos movimentos de câmera e o tempo dos planos são mais demorados. Um exemplo é a cena do jantar entre Bia e Paula. O quadro fica no rosto de Paula, quando Bia pergunta se ela não quer ficar mais. Logo, fica subentendido o flerte. Os signos e significados construídos por esta dinâmica de Sodré são amplificados. Inclusive, esta é uma sequência difícil, porque Bia possui um texto extenso, mas a própria paquera dela com Paula e a duração de cada frame conferem um tipo de respiro, que alivia o peso deste momento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O único problema de <strong><em>Rama Pankararu</em></strong> é a ausência de know-how para concluir o enredo. No final do terceiro ato, após a briga de Bia e Paula, os acontecimentos chegam truncados e a própria resolução do conflitos entre elas chega com uma saída abrupta, que deixa os instantes derradeiros da projeção um pouco artificiais. Talvez este embate do casal seja importante, porém a condução foi solta, deixando até algumas sequências repetitivas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isto não compromete de forma total o longa, mas a conclusão poderia ser um pouco mais firme. Mesmo assim, <strong>Rama Pankararu</strong> é forte, criativo, honesto em sua proposta, de grande relevância discursiva, mas também um cinema cuidadoso, mas sem pretensão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Pedro Sodré</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Bia Pankararu, Tássia Leite</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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