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	<title>Arquivos Pedro Gonçalves Ribeiro - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>25ª Mostra de Cinema Tiradentes: O Resto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Jan 2022 13:16:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dona Iolanda vai para uma consulta médica e lá fica ciente de que foi considerada pelo Estado como morta. Diante desta descoberta, ela começa a tentar a reverter a situação. É sobre esta luta da protagonista em voltar para vida que trata o documentário de Pedro Gonçalves Ribeiro. Todavia, o curta-metragem O Resto é mais que isso. Em um misto de sensibilidade, tom poético, reflexões sobre Belo Horizonte e o próprio processo de envelhecimento, a figura central da obra é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Iolanda vai para uma consulta médica e lá fica ciente de que foi considerada pelo Estado como morta. Diante desta descoberta, ela começa a tentar a reverter a situação. É sobre esta luta da protagonista em voltar para vida que trata o documentário de Pedro Gonçalves Ribeiro. Todavia, o curta-metragem <em><strong>O Resto</strong> </em>é mais que isso.</p>
<p>Em um misto de sensibilidade, tom poético, reflexões sobre Belo Horizonte e o próprio processo de envelhecimento, a figura central da obra é tratada com pluralidade. Entre imagens de Iolanda, a revolta e incredulidade da mesma diante da sua situação e suas memórias, o Universo mostrado na tela é expandido.</p>
<p>Se para Minas Gerais ela está morta, Minas também está morrendo para ela. Pedaço por pedaço do lugar que conhecia está sendo substituído. O seu mundo está desaparecendo progressivamente. São dois fantasmas que envelhecem, como Pedro diz em sua narração.</p>
<p>E este sentimento transborda na tela, seja pelo texto na voz do diretor, pelos planos gerais, que deixam o espectador melancólico ou pelos fluxos de pensamento de Iolanda. Há uma paciência para revelar todas estas emoções. O tom sereno de Pedro, combinado com o tempestuoso de sua personagem principal incrementam as camadas do filme.</p>
<p>No entanto, <em><strong>O Resto</strong> </em> vai além do fantasmagórico e deixa espaço para que o público se aproxime do contexto. A forma como Iolanda narra a sua desventura também é um ponto alto aqui. A impressão é de que estamos na sala da protagonista, ao lado de sua neta, em um final de tarde, ouvindo uma história impressionante – ou uma fofoca, talvez.</p>
<p>Trazer a explosão de Iolanda, que caminha ao lado de sua advogada, que tenta acalmá-la, também eleva a força da obra, que não deixa que ela pareça, em nenhum instante, passiva diante do seu problema. Neste jogo de complexidades, um único incômodo é uma ausência de um arremate no desfecho da sessão.</p>
<p>Não há também uma espécie de continuidade dada no discurso final. Desta maneira, fica uma sensação de falta de conclusão, no final das contas. Contudo, não é algo necessariamente que comprometa a sua totalidade, mas que diminui um pouco de sua potência.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Gonçalves Ribeiro</p>
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