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	<title>Arquivos Otavio Muller - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Otavio Muller - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Silêncio da Chuva (Globoplay)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Jan 2022 18:27:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Adaptação do romance policial homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, O Silêncio da Chuva é um tanto irregular. Contendo momentos nos quais existem elementos técnicos e discursivos bem trabalhados e algumas questões incômodas, que podem gerar desconfortos,  a avaliação geral do longa-metragem pode variar pela importância que o espectador vai dar para cada um destes pontos. A maneira como a obra aborda o racismo, a misoginia e o elitismo, por exemplo, é um acerto. Durante a projeção, enquanto a investigação da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Adaptação do romance policial homônimo de Luiz Alfredo Garcia-Roza, <strong><em>O Silêncio da Chuva</em></strong> é um tanto irregular. Contendo momentos nos quais existem elementos técnicos e discursivos bem trabalhados e algumas questões incômodas, que podem gerar desconfortos,  a avaliação geral do longa-metragem pode variar pela importância que o espectador vai dar para cada um destes pontos.</p>
<p>A maneira como a obra aborda o racismo, a misoginia e o elitismo, por exemplo, é um acerto. Durante a projeção, enquanto a investigação da dupla de policiais Daia (Thalita Carauta) e Espinosa (Lázaro Ramos) acontece, frases preconceituosas e/ou degradantes são emitidas pelas personagens que os cercam. Há um equilíbrio criado entre o estabelecimento de tensão por conta do mistério que envolve a morte de Ricardo (Guilherme Fontes) junto com questões sociais que são evocadas constantemente.</p>
<p>Inclusive, neste jogo de direcionar o olhar do público para os conflitos dos ricos que desejam manter seus privilégios sempre e, por isso, possuem muito a esconder, é que a trama surpreende em seu desfecho. O vilão principal, Aurélio (Otávio Müller), é o típico homem branco pegajoso, que faz “piadas” indigestas e que, diversas vezes, é posto como um bobo que apenas fala e não faz nada.</p>
<p>Aqui, fica colocado como o crápula do cotidiano também oferta perigo e suas falas machistas devem ser notadas e observadas sempre. Neste sentido, a atuação de Müller contribui para a elaboração desta figura que é cuidadosamente trabalhada para soar como inofensiva em suas ações, até o momento da virada, quando seu Aurélio passa a ser perturbador.</p>
<p>O grande ganho de Müller em <em><strong>O Silêncio da Chuva</strong></em> foi utilizar as mesmas movimentações, posturas e gestos corporais, mudando somente o tom e a velocidade da fala. A sua contracena também cresce ao lado de Lázaro e Thalita. Além de elevarem o potencial de Otávio em cena, ambos conseguem criar uma dinâmica jogo cena crível e possuem bastante química. O destaque aqui é ainda maior para Thalita, que entrega em sua Daia uma personagem orgânica e de carisma intenso.</p>
<p>A forma como a intérprete colore o texto vai para um realismo/naturalismo forte, o que não é necessariamente algo positivo ou negativo, porém nesta produção funciona para aumentar a credibilidade para seu papel e fomentar o ritmo das cenas. Em suas acelerações e fluxos ágeis de pensamento, Thalita Carauta sabe selecionar os momentos de peso e relaxamento presentes no texto, aumentando ou diminuindo as tensões.</p>
<p>Ela consegue ser o respiro e o sufocamento em uma mesma sequência ou em mais de uma. Talvez, a atriz seja o ponto alto da obra. Ainda assim, existem mais dois elementos que chamam a atenção de uma forma positiva dentro do longa. A primeira que se pode apontar é a forma como o espaço do Rio de Janeiro é ressignificado para contar uma história policial.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15102" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna.jpg" alt="O Silêncio da Chuva " width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/lazaro_ramos_-photo_by_mariana_vianna-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Escolhendo locações  que ficam no centro do Rio, vê-se um lado pesado, urbano e de tons soturnos da cidade. A direção de Daniel Filho (<em>A Partilha</em>) eleva essa potencialidade, justamente nestes planos gerais de prédios e construções mais sóbrias, sendo aqui o segundo destaque apontável. O olhar de Filho nesta adaptação colabora com a ambientação policial.</p>
<p>Todavia, a seleção de planos e movimentações falha em uma determinada parte do filme. Uma das questões mais debatidas em relação ao cinema é a utilização de cenas de estupro no audiovisual. Além do “tê-las ou não”, o como as rodar é um foco de atenção nestes debates. Em <strong><em>O Silêncio da Chuva</em></strong> duas saídas seriam realizáveis. Uma: mudar a forma como Aurélio é derrotado ou criar uma decupagem que deixasse esta sequência menos explícita e violenta, principalmente a primeira parte dela.</p>
<p>O encontro de soluções para reduzir este trato do corpo e da figura da mulher violentada no audiovisual cabe aos realizadores. Assim, esta conclusão é difícil de acompanhar, pois a brutalidade do ocorrido ganha destaque nos enquadramentos e movimentações. Todavia, a queda qualitativa não é exclusividade desta cena. D</p>
<p>evido a outros problemas, obviamente, existem problemas durante a sessão. Um deles é a iluminação. É bem verdade que há uma vontade de colocar no ecrã um Rio de Janeiro distinto do que se está acostumado a ver. Esta estratégia é louvável. No entanto, a forma com a luz é utilizada compromete a fruição das ações ou reduz o impacto dos acontecimentos ali mostrados.</p>
<p>Além disso, existe um desnível rítmico. Ainda que a atuação de Thalita consiga empurrar e direcionar as velocidades durante a projeção, melhorando o desenvolvimento da narrativa, algumas voltas dentro do enredo provocam uma sensação de tédio. Quem está assistindo já compreendeu boa parte da situação colocada no longa e fica ansiando por ver as situações se encaminharem, porém sequências semelhantes causam um <em>deja vu</em> que tem, como consequência, um tédio e uma dispersão.</p>
<p>Desta maneira, no geral, <strong><em>O Silêncio da Chuva</em></strong> possui um resultado quase médio. Contendo instantes bem elaborados de suspense, ação e até comédia, ele vale ser visto, ainda que com momentos intragáveis ou um pouco tediosos.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Daniel Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lázaro Ramos, Thalita Carauta, Cláudia Abreu.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/zuLbmAZXEU0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Homem Só</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2016 20:45:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Claudia Jouvin]]></category>
		<category><![CDATA[Eliane Giardini]]></category>
		<category><![CDATA[Ingrid Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Ximenes]]></category>
		<category><![CDATA[Otavio Muller]]></category>
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		<category><![CDATA[Vladimir Brichta]]></category>
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<p>Imagine ter a possibilidade de se afastar do seu emprego insuportavelmente maçante, do seu relacionamento fadado ao fracasso, enfim, da sua própria existência &#8220;medíocre&#8221;. <i>Um Homem Só</i>, estreia na direção da roteirista Cláudia Jouvin (de <i>O Gorila </i>e <i>Entre Idas e Vindas</i>), traz para o espectador essa hipótese através da história de Arnaldo, personagem interpretado por Vladimir Brichta.</p>
<p>No longa, Arnaldo é um homem infeliz no casamento e no seu trabalho dentro de uma repartição. Através de colegas de escritório, Arnaldo fica sabendo de uma clínica clandestina especializada em criar clones que substituem os seus pacientes em suas respectivas rotinas. O protagonista se submete ao experimento sem ter ciência dos riscos que o mesmo trará a sua própria vida, sobretudo quando se apaixona por Josie, vivida por Mariana Ximenes, que ajuda sua madrasta em um cemitério para animais.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6758" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/10/umhomemso_creditopapricafotografia_300326.jpg" alt="umhomemso_creditopapricafotografia_300326" width="610" height="348" /></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Trabalhando com o universo do fantástico, Jouvin procura refletir metaforicamente sobre temas profundamente humanos. Assim, <i>Um Homem Só </i>lança luz sobre o potencial que temos de nos reinventar criando versões melhores de nós mesmos. Esse é o caso de Arnaldo que descobre ter muitas diferenças com o seu clone na maneira de se portar na vida, com as pessoas e de se lançar em novas experiências, vivências que até então não faziam parte da sua entediante biografia.</p>
<p>O longa não é de todo irretocável, ele demora a decolar no seu ritmo e traz a leve sensação de retroalimentação de filmes com propostas semelhantes de abordagem, e, nesse sentido, Cláudia Jouvin se apropria de todo o <i>modus operandi </i>do cinema <i>indie </i>norte-americano, inclusive na sua trilha sonora afetivamente sedutora com clássicos da cultura pop e achados do circuito alternativo. Contudo, o filme é muito honesto em sua mensagem e preciso na costura do seu roteiro. Além disso, Jouvin conta com um elenco afiado que se apoia no complicado trabalho de Vladimir Brichta, que tira de letra a composição de duas personagens sutilmente opostas, e Mariana Ximenes, jovial como a encantadora Josie. Ximenes, por sinal, protagoniza um dos desfecho mais líricos que você poderá ver no cinema esse ano.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/4-0FL0xtzzY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
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