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	<title>Arquivos Oscar 2024 - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Ficção Americana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 23:07:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Ficção Americana, um escritor e professor de literatura entra em conflito com o contexto de produção e apreciação de obras literárias produzidas por afro-americanos. Tudo começa quando seu livro passa a ser taxado como um romance que &#8220;não é negro o suficiente&#8221; por não conter elementos que o público e as instâncias de consagração valorizam nas obras de autores negros. Em meio a toda essa crise profissional, o protagonista lida com alguns problemas na sua família, como um luto recente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em <strong><em>Ficção Americana</em></strong>, um escritor e professor de literatura entra em conflito com o contexto de produção e apreciação de obras literárias produzidas por afro-americanos. Tudo começa quando seu livro passa a ser taxado como um romance que &#8220;não é negro o suficiente&#8221; por não conter elementos que o público e as instâncias de consagração valorizam nas obras de autores negros. Em meio a toda essa crise profissional, o protagonista lida com alguns problemas na sua família, como um luto recente e o preconceito vivenciado pelo irmão que acaba de se divorciar após assumir-se gay.</p>
<p><strong><em>Ficção Americana</em></strong> acerta com a sua crítica metalinguística. Os pontos que o filme pretende &#8220;atacar&#8221; a respeito da indústria criativa são pertinentes e muito bem pontuados pela obra. De fato é angustiante notar como artistas pertencentes a &#8220;minorias&#8221; sociais só conquistam qualquer tipo de consagração quando suas obras tematizam suas próprias mazelas: gays realizando romances LGBTs que tematizam a homofobia e destacam finais trágicos, mulheres contando histórias sobre a opressão causada pela misoginia e negros revisitando a escravidão em dramas históricos. Esse tipo de história costuma ser celebrada por críticos e lembradas em prêmios, como o Oscar, curiosamente, instância que reconheceu os méritos de <em>Ficção Americana</em> indicando-o a cinco categorias, entre elas, a de melhor filme.</p>
<p><strong><em>Ficção Americana</em></strong> entende que o reconhecimento dessas obras surge como forma de expurgar a culpa de grupos privilegiados pelas opressões que historicamente causaram. É dessa forma que, por exemplo, uma comissão composta por três escritores brancos e dois negros elegem uma obra literária que tematiza a vida nos guetos americanos, entendendo-a como &#8220;importante&#8221;, mesmo que os dois representantes da &#8220;minoria&#8221; presentes na reunião apontem as falhas dessa obra. A reunião é encerrada com um solene e irônico &#8220;essas vozes precisam ser reconhecidas&#8221; depois que os escritores brancos desconsideram os alertas dos integrantes negros do grupo sobre os equívocos dessa obra no que tange a representatividade. O longa de Cord Jefferson abre esse importante vão de discussão a respeito de uma urgente necessidade de amadurecimento nessa discussão sobre representatividade na indústria criativa, algo que muitas vezes confina alguns artistas a estereótipos e demandas programadas por um único tipo de história e tratamento de personagens.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17794" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1.png" alt="Ficção Americana" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/03/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Tudo isso gera um conflito na história sobretudo porque não é esse tipo de narrativa que o protagonista deseja criar. As demandas da indústria para autores negros se contrapõem ao tipo de realidade que o interessa, o inspira e que lhe toma no seu cotidiano. A vida de Thelonious, personagem de Jeffrey Wright, é marcada por dramas banais do cotidiano de uma classe média e não pela realidade dos guetos.</p>
<p>As preocupações e angústias da comunidade artística afro-americana já não estão mais restritas à revisão de um passado marcado pela escravidão ou à luta intensa pelos direitos civis, ainda que ambas questões sigam trazendo ecos na existência contemporânea dessa população e mereçam lembrança constante (a própria discussão sobre a apreciação das obras literárias presente no filme indica isso). O problema é quando a capacidade produtiva desse grupo de artistas fica atrelado em exclusividade a essas possibilidades criativas, excluindo qualquer outro tipo de abordagem.  O filme problematiza de forma bem pertinente esse atrito entre a indústria (ainda predominantemente branca, diga-se de passagem), demandando dos artistas o mesmo tipo de história, e o desejo que muitos deles nutrem de amadurecer um pouco mais as pautas ou mesmo de não se sentirem obrigados a levantá-las.</p>
<p>O grande problema de <strong><em>Ficção Americana</em></strong>  é o invólucro que Cord Jefferson insere essa tão acertada crítica sobre as artes na contemporaneidade. O insight do filme sobre esse contexto é certeiro, o problema de <em>Ficção Americana</em> é a condução arrastada do diretor e roteirista para a história. Temos uma direção e um roteiro que levam tempo demais para chegar no cerne da história. Além disso, parte do humor do filme se dilui pela presença aborrecida e monocórdica de um protagonista que não gera muita comoção no público &#8211;  propositadamente, é verdade, mas que inevitavelmente ressoa negativamente na apreciação da obra. Thelonious é uma figura ensimesmada, que não desperta torcida ou engajamento do espectador. Nesse sentido, resta aos personagens coadjuvantes garantir qualquer tipo de empatia no espectador, como é o caso da defensora pública e namorada do escritor vivida por Erika Alexander, além do irmão gay de Theolonious vivido por Sterling K. Brown. Uma pena que apesar da presença interessante de ambos seus personagens sejam desenvolvidos com uma certa superficialidade pelo roteiro &#8211; Brown sai levemente favorecido com algumas camadas de discussão a mais.</p>
<p><strong><em>Ficção Americana</em></strong> é o típico caso do filme que apresenta boas ideias, a maior parte delas bem originais e produtivas para a reflexão da própria indústria. O grande problema é que o filme apresenta tudo a partir de uma condução que prejudica a experiência de assisti-lo. Não é um filme que engaja, não tem humor e não tem um protagonista que desperta grande empatia, elementos que prejudicam bastante a experiência do espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cord Jefferson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jeffrey Wright, Tracee Ellis Ross, John Ortiz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_vR1BPaVvLo?si=FImpmyyqqt_kNYPa" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vidas Passadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Feb 2024 20:52:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vidas Passadas é um dos longas que está indicado na categoria de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original do Oscar 2024 e que com certeza merece a sua atenção. O drama conta a história de Nora (Greta Lee, Jogo do Dinheiro) e Hae Sung (Teo Yoo, Quando Te Conheci), dois jovens amigos e confidentes que viviam na Coreia do Sul e acabam se separando quando a família da garota resolve imigrar para o Canadá. Acompanhamos várias etapas da vida da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Vidas Passadas</strong></em> é um dos longas que está indicado na categoria de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original do Oscar 2024 e que com certeza merece a sua atenção. O drama conta a história de Nora (Greta Lee, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jogo-do-dinheiro/"><em>Jogo do Dinheiro</em></a>) e Hae Sung (Teo Yoo, <em>Quando Te Conheci</em>), dois jovens amigos e confidentes que viviam na Coreia do Sul e acabam se separando quando a família da garota resolve imigrar para o Canadá. Acompanhamos várias etapas da vida da protagonista, que está atualmente casada com um americano e acaba tendo que lidar com memórias do passado que ressurgem.</p>
<p>O que mais nos chama a atenção neste filme é que ele é um romance que quebra completamente a lógica do romance tradicional que estamos acostumados. Daqueles em que a sua alma gêmea é arrebatadora e você vai mover o mundo para estar ao lado dela e finalmente viverem um conto de fadas. A vida real é um tanto diferente e é sobre isso que <strong><em>Vidas Passadas</em></strong> se concentra.</p>
<p>Com uma delicadeza impar, a diretora e roteirista Celine Song nos introduz à história completa da vida de Nora e como as coisas evoluíram até o lugar que ela ocupa hoje. Uma garotinha sonhadora que teve boas oportunidades e foi se transformando ao longo dos anos. Isso fica muito claro com a mudança dos sonhos que ela vai tendo com o passar o tempo, se tornando mais realistas e menos inspiradores. Tal qual a nossa vida a medida que entramos na fase adulta.</p>
<p>Do outro lado, Hae Sung um apaixonado rapaz que nunca esqueceu o seu amor de infância e teve uma vida bem tradicional na Coreia. E ele tem expectativas que atendem a esse propósito, enquanto ela abriu asas e saiu voando. Essa dinâmica de vidas opostas que voltam a se cruzar vai sendo costurada com as diferenças principais do estado de cada um, como trabalho, expectativas e realidades.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17684" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-1-1.png" alt="Vidas Passadas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-1-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-1-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-1-1-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image-1-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O mais incrível de <strong><em>Vidas Passadas</em> </strong>é nos mostrar as nuances do amor verdadeiro e o amor romântico. O quanto que é possível compreender as facetas da paixão em face da realidade que nos bate à porta. Então por mais que uma pessoa tenha a sensação de ter encontrado a sua alma gêmea (e pode ser isso mesmo), não necessariamente a sua vida estará atrelada a ela, já que existem vários formatos que englobam a vida adulta.</p>
<p>Nora percebe que não casou com o príncipe encantado de conto de fadas e que teve motivações muito práticas que envolveram seu matrimônio. Mas seu marido oferece inúmeras qualidades importantes na vida adulta, como companheirismo, respeito, afeto e parceria. Dentro da realidade deles (que, diga-se de passagem, é muito real), eles são, sim, o casal perfeito, já que encontram perfeição na realidade palpável.</p>
<p>Em dado momento, nos damos conta de que aquele amor puro e verdadeiro que existe entre Nora e Hae Sung é uma construção do passado e que deve ficar lá, como uma memória incrível e distante. Eles falam sobre o conceito oriental de In-Yun, que significa destino, e é completamente incrível. Segundo o conceito, quando duas pessoas cruzam as suas vidas, significa que elas já se cruzaram milhares de vezes antes, em vidas passadas. Então esse elo que os une é muito mais profundo do que eles mesmos podem entender.</p>
<p>A grandeza de <em><strong>Vidas Passadas</strong> </em>é nos mostrar que é possível ter vários In-Yun, de diversas formas, sob várias óticas. E que por mais que a sensação de &#8220;e se?&#8221; possa passar por nossas mentes em algum momento, não significa que não estamos vivendo plenamente e intensamente a vida que escolhemos.</p>
<p>Muito mais do que um romance cheio de ternura, <strong><em>Vidas Passadas</em></strong> é uma reflexão profunda e acolhedora da vida adulta como ela é e das conexões que nos inspiram todos os dias. É um filme que fica com você por um bom tempo, promovendo ótimos questionamentos sobre as nossas próprias vidas. É de uma delicadeza e ternura sensacional!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Celine Song</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Greta Lee, Yoo Teo, John Magaro, Seung-ah Moon, Seung-min Leem, Ji-Hye Yun, Choi Won Young</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/pK73iGzO6jE?si=o8nvPIsgJs0nq75Q" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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