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	<title>Arquivos Os irmãos Segreto - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>8 ½ Festa do Cinema Italiano: Entrevista com diretor Federico Ferrone</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 09:06:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Federico Ferrone é um artista com uma trajetória marcada pelo interesse na memória e por imagens de arquivo. Dentro deste contexto, o diretor lança em 2026, ao lado de Michele Manzolini, o documentário Os Irmãos Segreto. De acordo com Ferrone, a obra, que é uma coprodução entre Itália e Brasil, é o sexto filme que faz com Manzolini. Para o cineasta há em Segreto essa contínua busca da dupla em explorar o passado para olhar para o presente. “Imagens de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Federico Ferrone é um artista com uma trajetória marcada pelo interesse na memória e por imagens de arquivo. Dentro deste contexto, o diretor lança em 2026, ao lado de Michele Manzolini, o documentário <em>Os Irmãos Segreto</em>.</p>
<p>De acordo com Ferrone, a obra, que é uma coprodução entre Itália e Brasil, é o sexto filme que faz com Manzolini. Para o cineasta há em <em>Segreto</em> essa contínua busca da dupla em explorar o passado para olhar para o presente.</p>
<p>“Imagens de arquivo frequentemente possuem um poder que transcende os filtros e as construções mentais do presente”, explica. Entre refletir sobre história e cinema, o diretor conversa com o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> sobre seu processo criativo, sua carreira e a parceria com Manzolini.</p>
<p><strong>ENTREVISTA COMPLETA</strong></p>
<p><strong>Enoe Lopes Pontes</strong> &#8211; Como aconteceu a sua conexão com o cinema de memória e arquivo e por qual motivo?</p>
<p><strong>Federico Ferrone</strong> &#8211; Eu sempre sonhei de fazer filmes, e já na escola comecei a trabalhar como crítico de cinema de várias revistas e jornais italianos. No mesmo tempo estudei história na Universidade de Bolonha. Sempre fui fascinado pelo passado e pela memória, mas nunca imaginei que esses dois caminhos convergiriam. O encontro aconteceu quase por acaso quando Michele Manzolini e eu fizemos o filme “Il Treno va a Mosca” (um filme de 2014 que foi premiado também no Recine — Festival Internacional de Cinema de Arquivo do Rio de Janeiro). Queríamos contar as histórias de militantes comunistas na Itália e, ao descobrir filmagens amadoras feitas por alguns deles, percebemos o poder daquelas imagens. Imagens de arquivo não encerram uma narrativa, mas abrem outras. É por isso, acredito, que nos sentimos tão atraídos por elas.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Em um momento de imagens efêmeras, qual a importância você vê em um cinema contemplativo e reflexivo como o seu?</p>
<p><strong>FF</strong> &#8211; Espero que esse seja precisamente o ponto: em um mundo onde as imagens se multiplicam e, consequentemente, perdem o seu valor, um cinema feito de imagens raras, profundas e surpreendentes nos permite focar em apenas uma coisa. Quando conseguimos alcançar isso, acredito que os filmes permittem mesmo um verdadeiro descanso — no sentido de que nos permitem deixar de lado as preocupações e o estresse da vida moderna, pelo menos por uma hora.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Você possui uma outra marca em sua carreira que é o intercâmbio entre culturas e que é um aspecto cada vez mais explorado em nosso mundo globalizado. Como você cria essas conexões durante o seu processo criativo?</p>
<p><strong>FF</strong> &#8211; Tive a sorte de viajar bastante e sempre nutri um forte desejo de explorar — muitas vezes de maneira improvisada ou pouco convencional. Acredito que a curiosidade e as conexões humanas vêm em primeiro lugar, e é a partir delas os filmes se desenvolvem. Gosto de trabalhar em histórias que tenham raízes nas minhas próprias experiências de vida. Nosso primeiro documentário, “Merica”, surgiu das minhas experiências na Itália e das de Michele Manzolini no Brasil. Meu único filme de ficção, “La cosa migliore”, nasceu quase naturalmente, após anos viajando e observando o mundo muçulmano, especialmente no Marrocos. E agora “Os irmaos Segreto” é fruto de conexões humanas e pessoais entre nós diretores, os produtores brasileiros e italianos, a Cinemateca do MAM no Rio e e os muitos pesquisadores que trabalharam no filme.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; E já pegando esse gancho, em termos de processo criativo, como funciona ele para você, desde a seleção dos negativos ou da construção do roteiro, do tema etc., por onde você começa e como cria essa coesão dentro da obra?</p>
<p><strong>FF</strong> &#8211; Até o último dia de trabalho, os filmes permanecem com uma estrutura bastante aberta. Geralmente, começamos fascinados por um tema — que pode ser muito amplo, como o nascimento do cinema no Brasil, a Segunda Guerra Mundial (“Il Varco/ A Passagem”) ou o colonialismo italiano (o filme em que estamos trabalhando atualmente). Segue-se uma longa fase de pesquisa e análise de materiais: filmes, mas também fotografias, músicas, diários pessoais e livros. São as imagens de arquivo que, no fim das contas, definem a direção inicial. Não existe um roteiro &#8220;fechado&#8221;; em vez disso, começamos a juntar as peças como em um quebra-cabeça. Há um vai e vem constante entre a montagem, a música e a escrita — um método artesanal próprio que nos da muita liberdade. É por isso que frequentemente trabalho (seja solo ou em filmes codirigidos com Michele) com as mesmas pessoas — como a montadora Maria Fantastica Valmori e o músico e designer de som Simoníaca Laitempergher —, que são, essencialmente, coautoras.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Por fim, gostaria de saber como é trabalhar ao lado de Michele Manzolini e como funcionou a dinâmica de vocês em Os Irmãos Segreto.</p>
<p><strong>FF</strong> &#8211; Michele foi a pessoa inicialmente procurada pela Cinemateca do MAM para este filme e me trouxe a bordo desde o início. Depois de vinte anos e seis filmes, somos como um velho casal; nos conhecemos bem e trabalhamos juntos quase sem precisar nos explicar. Não conseguiria dizer quais foram as contribuições específicas dele para um filme e quais foram as minhas. Só posso dizer que fazer um filme é sempre um ato coletivo, moldado tanto pelas circunstâncias e pelo acaso quanto por qualquer outra coisa.</p>
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