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	<title>Arquivos O Quinto Poder - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Resenha DVD/Blu-Ray: O Quinto Poder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2014 22:14:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Benedict Cumberbatch]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1376" aria-describedby="caption-attachment-1376" style="width: 638px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-1376" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5.jpg" alt="benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5" width="638" height="368" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5.jpg 1122w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/benedict-cumberbatch-in-the-fifth-estate-movie-5-750x433.jpg 750w" sizes="(max-width: 638px) 100vw, 638px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1376" class="wp-caption-text">O fascínio pelo misterioso Julian Assange: filme sustenta-se com a interpretação esforçada de Benedict Cumberbatch</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O australiano Julian Assange foi uma das figuras mais controversas da última década. Fundador do WikiLeaks, organização que publica em um endereço da Internet informações sigilosas de governos e empresas fornecidas por fontes anônimas, Assange deu início a discussões sobre a confidencialidade e a vigilância em tempos nos quais os jornais não têm a primazia da informação e esta pode ser fornecida não apenas por aqueles que detém o controle de grandes grupos de comunicação, mas por qualquer cidadão. O que permanece é um corolário, informação é poder. E com isso em mente e sua página do WikiLeaks a todo vapor, Julian Assange cravou o seu nome no debate internacional ao tornar públicos, por exemplo, uma série de relatórios norta-americanos que revelavam a morte indiscriminada de civis durante as ações dos EUA no Afeganistão e no Iraque.</p>
<p>Não demoraria muito para que produtores de cinema se interessassem pela história de Assange e da origem do WikiLeaks, sobretudo depois dele tornar-se um dos homens procurados pela Interpol com duas acusações de estupro nas costas e de correr o risco de ser extraditado para os EUA e acusado de espionagem, fraude e abuso de computadores pela Justiça norte-americana após perder a cidadania sueca. O porta-voz do WikiLeaks mobilizou defensores da liberdade ao acesso de informações  oficiais, que levantam a bandeira de que o site contribuiu para desmascarar determinadas ações escusas dos governos de diversos países, mas também inspira seus &#8220;inimigos&#8221; a contestarem seu discurso de messias do século XXI e os reais benefícios desse escancaramento de informações. O responsável por cuidar desse &#8220;pepino&#8221; é o diretor Bill Condon, que popularizou-se com os três últimos filmes de <em>Crepúsculo</em>, mas que antes disso fez  <em>Deuses e</em> Monstros, <em>Kinsey</em>, o <em> </em>musical <em>Dreamgirls</em> e cuidou do roteiro do vencedor do Oscar <em>Chicago</em>.</p>
<figure id="attachment_1377" aria-describedby="caption-attachment-1377" style="width: 657px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1377" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate.jpg" alt="stanley-tucci-the-fifth-estate" width="657" height="368" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate.jpg 1093w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/stanley-tucci-the-fifth-estate-750x420.jpg 750w" sizes="(max-width: 657px) 100vw, 657px" /></a><figcaption id="caption-attachment-1377" class="wp-caption-text">Participações ilustres: Laura Linney e Stanley Tucci vivem algumas das &#8220;vítimas&#8221; do WikiLeaks de Assange.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Podemos dizer que Condon ficou completamente perdido diante de tamanho &#8220;abacaxi&#8221;. A condução de <em>O Quinto Poder</em>, nome do filme em questão e que chega no Brasil diretamente para o mercado doméstico, tendo uma recepção decepcionante nos cinemas dos EUA, é complexa e espinhosa. Existem diversas demandas que os seus envolvidos devem administrar: a própria narrativa, desembaraçando um gigante novelo que se forma em torno da sua trama de espionagem global; a construção do seu personagem central em toda a sua natureza controversa, o que o diretor e o roteirista parecem deixar completamente nas mãos do incrível Benedict Cumberbatch; e, por fim, a relação da obra com o espectador, apresentando uma história complicada como essa de maneira didática, mas sem subestimar o seu público.  Assistindo o resultado final de <em>O Quinto Poder</em>, a impressão que temos é que Bill Condon e seu roteirista Josh Singer  ficaram completamente desnorteados com tantas exigências naturais ao projeto e trazem para a audiência um filme confuso, sem personalidade definida e com personagens trabalhados nas suas superfícies ou estereótipos.</p>
<p>O projeto adota como fonte de inspiração o livro de Daniel Berg, um dos colaboradores de Assange no WikiLeaks e que desvinculou-se do site por divergências com a forma como o australiano conduzia a organização. Berg é interpretado aqui pelo competente Daniel Brühl, que faz um trabalho digno e coerente como contraponto a Assange, ele mostra-se como um homem fascinado pelo poder da informação, mas temeroso pelas ambições do seu parceiro de trabalho. No entanto, é claro que as atenções recaem para o Julian Assange de Benedict Cumberbatch que está muito interessante ao retratar o fundador do WikiLeaks como uma figura antisocial, de ética questionável, mas de passado doloroso. Cumberbatch trabalha muito bem os elementos externos do personagem, como voz e expressão corporal, mas principalmente os recursos internos dele, sobretudo os seus sentimentos conflituosos, sua difícil relação com o &#8220;outro&#8221; e seu temperamento imprevisível. É uma pena que o roteiro de Singer não ofereça a esse ator que em poucos anos fez trabalhos tão interessantes um tratamento mais refinado para a personalidade de Assange. A impressão que temos é que Cumberbatch fez o possível com o material que tinha em mãos e só não avançou mais em função dessas limitações do filme. Há ainda participações pontuais de atores como Laura Linney (ótima), Stanley Tucci, Peter Capaldi e David Thewlis como personagens que transitam na órbita de Assange para caçá-lo pelo temor do seu poder ou tê-lo ao seu lado pelo fascínio que ele exerce.</p>
<figure id="attachment_1378" aria-describedby="caption-attachment-1378" style="width: 636px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/the-fifth-estate-peter-capaldi-dan-stevens-600x400.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1378" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/the-fifth-estate-peter-capaldi-dan-stevens-600x400.jpg" alt="the-fifth-estate-peter-capaldi-dan-stevens-600x400" width="636" height="355" /></a><figcaption id="caption-attachment-1378" class="wp-caption-text">Informação é poder: Dan Stevens e Peter Capaldi interpretam jornalistas do The Guardian que se rendem a competência do WikiLeaks.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>No fim das contas, a impressão que temos é que <em>O Quinto Poder </em>é o filme de um homem só, Benedict Cumberbatch, que só não decolou ainda mais com sua composição nesse projeto pelos freios e pela maneira desnorteada como a trama é conduzida pelo seu diretor e por seu roteirista. Determinadas reflexões que poderiam ser discutidas e que foram suscitadas ao longo da década passada e do início da atual sobre o WikiLeaks foram sufocadas pela inabilidade dos responsáveis pelo filme, que preferiram dar espaço a tradicional narrativa cronológica dos fatos e tiveram medo de adentrar com mais profundidade na personalidade de Assange, a grande chave das indagações sobre a ética do veículo. No final, Condon e Singer tentam se justificar intercalando uma reprodução de uma entrevista de Assange, interpretada por Cumberbatch, com a narração da atual situação dos personagens. Nela, o Assange de Cumberbatch diz que essa história não é sobre ele, mas sobre nós, ou seja, sobre a forma como somos manipulados e vendados por governos. É uma fagulha, um lampejo para o que Bill Condon poderia ter feito &#8211; e sabemos que ele tem capacidade pela sua filmografia &#8211; e não fez em <em>O Quinto Poder</em>.</p>
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