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	<title>Arquivos O ano que o frevo não foi pra rua - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>29º Cine PE: O Ano em que o frevo não foi pra rua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jun 2025 10:04:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os filmes mais difíceis de escrever sobre são aqueles que não provocam nenhuma sensação mais apaixonada, seja para o positivo ou o negativo. O ano em que o frevo não foi pra rua se encaixa exatamente nesta categoria. Não há aqui nenhum elemento odioso ou sensacional. Pelo contrário, o documentário, sobre o carnaval de Recife e Olinda (!!!), é morno. A estrutura do longa-metragem segue uma lógica padrão de docs de entrevistas. Diversos relatos de artistas pernambucanos importantes para os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os filmes mais difíceis de escrever sobre são aqueles que não provocam nenhuma sensação mais apaixonada, seja para o positivo ou o negativo. <strong><em>O ano em que o frevo não foi pra rua</em> </strong>se encaixa exatamente nesta categoria. Não há aqui nenhum elemento odioso ou sensacional.</p>
<p>Pelo contrário, o documentário, sobre o carnaval de Recife e Olinda (!!!), é morno. A estrutura do longa-metragem segue uma lógica padrão de docs de entrevistas. Diversos relatos de artistas pernambucanos importantes para os festejos são escutados.</p>
<p>Em alguns instantes pontuais, emulações dramatizadas de carnaval são feitas. No entanto, a maior parte da projeção é feita de entrevistas filmadas com câmera parada, em plano médio.</p>
<p>Essa estrutura, sem muita inventividade da direção, deixa a projeção —  de apenas 70 minutos!!!! — exaustiva. Além disso, algumas escolhas parecem ser aleatórias em termos estéticos, mas que pioram a impressão de desconexão do espectador com a narrativa.</p>
<p>O primeiro ponto que chama atenção é a seleção do p&amp;b, que não se justifica em termos de linguagem à serviço da narrativa. O longa mostra o impacto do cancelamento do carnaval de 2021, devido à pandemia do Covid-19.</p>
<p>A ideia do preto e branco pode vir desse estado de melancolia que Pernambuco viveu neste período. Todavia, quando a obra passa a mostrar os trechos gravados em 2022 e 2023 em cores, fica um questionamento rondando a mente de quem assiste.</p>
<p>E o questionamento é: por que patavinas 2022 é colorido se não teve carnaval? Por que as temperaturas e quadros são iguais em 2022 e 2023? A sensação que a equipe passa é a de que houve um despreparo e/ou uma falta de planejamento para conduzir a trama caso o carnaval de 2022 também fosse cancelado.</p>
<p>Nesta lógica, talvez fosse mais interessante selecionar o formato de curta-metragem, já que o filme não rende os seus 70 minutos, nem nas falas e nem na visualidade. Para fomentar essa impressão, os discursos dos entrevistados são bastante repetitivos.</p>
<p>Assim, fica uma impressão de que as perspectivas das fontes diferentes não foram pensadas. Ouvir mais autoridades pernambucanas, moradores da cidade, comerciantes etc.</p>
<p>Isto nem ao menos ocorreu em termos de uso de tipos distintos de materiais. De repente, investir em trazer para a diegese o que a equipe fez de pesquisa documental sobre o carnaval, já que a produção foi gravada na pandemia.</p>
<p>Recortes de jornais, trechos de outros documentários ou de programa de televisão poderiam ser algumas das opções. Mas, essa estratégia somente funcionaria se a montagem fosse feita por outra pessoa.</p>
<p>Caso contrário, a obra talvez ficasse ainda mais cansativa. Com diversos fades (<em>in</em> e <em>out</em>), durante todo o longa, a dinâmica de velocidades e tons fica abalada. Por ter esses cortes abruptos e intensos, além da conexão com as entrevistas serem cortadas, a impressão de finalização de assunto cria um sentido constante de desfecho da trama.</p>
<p>Existem diversas opções de recursos de montagem que deixariam a produção mais fluida, mas que não foram aplicadas. Desta maneira, <strong><em>O ano em que o frevo não foi pra rua</em> </strong>é ingênuo em acreditar que a potencialidade dos talentos pernambucanos dará conta de forma completa dentro de um longa-metragem.</p>
<p>Sem criar coesão entre suas passagens, apostando no mínimo — doc de “cabeças flutuantes” —, sem trazer para a tela composição de planos e de luz, cuidado com a banda sonora e roteiro conectado com todos os entrevistados, o filme é exaustivo de acompanhar.</p>
<p>Apesar de ser um registro de um momento histórico crucial do início do século XXI, é necessário se esforçar muito para se manter na cadeira durante um pouco mais de uma hora.</p>
<p>E para fechar com chave de ouro os incômodos com o longa, em pleno 2021 — que não se tinha nem vacina de Corona —, muitos indivíduos surgem sem usar máscara. Mesmo que seja em uma ou duas sequências, é angustiante observar este fato.</p>
<p>Por todos estes motivos que o documentário parece descuidado. Faltou um zelo da equipe e, talvez, até mesmo comprometimento com o potencial da ideia que tinham em mãos.</p>
<p>Direção: Mariana Soares; Bruno Mazzoco</p>
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