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	<title>Arquivos Nu - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Nu - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>27º Festival Regard: Nu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Mar 2023 12:41:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É curioso observar como Olivier Labonté LeMoyne consegue mesclar a comicidade e o terror de maneira equilibrada, no roteiro e na direção de seu curta-metragem Nu. Entre as tensões estabelecidas pela trama e os absurdos que as circundam, o filme chama atenção pela sua predisposição em arriscar. Mesmo que dentro de uma narrativa linear.  O risco está em não subestimar o público e criar lacunas para construir a atmosfera de medo. Para realizar tal intento, para além de estratégias comuns [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">É curioso observar como Olivier Labonté LeMoyne consegue mesclar a comicidade e o terror de maneira equilibrada, no roteiro e na direção de seu curta-metragem <strong><em>Nu</em></strong>. Entre as tensões estabelecidas pela trama e os absurdos que as circundam, o filme chama atenção pela sua predisposição em arriscar. Mesmo que dentro de uma narrativa linear. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O risco está em não subestimar o público e criar lacunas para construir a atmosfera de medo. Para realizar tal intento, para além de estratégias comuns do terror &#8211; como névoa, sombras e figuras meio zumbi para convocar o susto -, é na vulnerabilidade  do protagonista que se encontra o sucesso principal do curta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiramente, Will (Étienne Galloy) é o primeiro a notar que ele e sua namorada Cath (Roxane Tremblay-Marcotte) não estão sozinhos. A forma como o rapaz reage a situação é querer ir embora da floresta, na qual o casal parou o carro. Sem apresentar traços de masculinidade tóxica &#8211; que geralmente estão estampadas em personagens principais de produções do gênero -, Will é “gente como a gente”, tem medo e quer fugir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, não há artificialidade em seu pânico e mesmo que a obra seja breve, o espectador consegue acompanhar Will digerindo o quão é estranho o que está ocorrendo ao redor dele. Assim, cria-se um paralelo na história. De um lado, existe o que há de extra-cotidiano, de sobrenatural, vindo do zumbis sem roupas, escondidos no mato. Já do outro lado, existem os seres humanos comuns.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16596" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nu_1920x1080.jpg" alt="NU" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nu_1920x1080.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nu_1920x1080-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nu_1920x1080-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Nu_1920x1080-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Will e Cath não agem de maneira performática diante do perigo. Existe o medo e o susto, porém as reações são mais silenciosas do que verbalizadas. Por isso, o espectador pode se sentir mais imerso e próximo do enredo. Mas, mesmo contando com aspectos positivos, </span><i><span style="font-weight: 400;"><strong>Nu</strong> </span></i><span style="font-weight: 400;">também possui algumas falhas, que acabam interferindo no resultado geral. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro é a presença de Cath. O jeito como ela é apresentada e colocada no roteiro é de alguém que tem descontrole de suas ações e de seu destino. Inclusive, é simbólico que ela desapareça em algumas cenas, ficando invisível. Para suavizar esta impressão em relação a Cath, talvez, o curta pudesse escolher exatamente qual era a função dela para a história e desenvolver mais a sua participação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o final do filme é um tanto ingênuo. O que Olivier sabe fazer é estabelecer o clima de tensão até o clímax. Depois disso, a sessão desanda, aparentando um ausência de firmeza para desenvolver o desenlace da obra. Falta também conhecimento sobre a própria mitologia ali apresentada e Olivier Labonté LeMoyne decide caminhar para o óbvio, criando metáforas vazias ou rasas, como o fogo no carro, enquanto Cath e Will transam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, este é um trabalho que fica no flerte entre o ingênuo e o perspicaz. É uma boa ideia colocar um casal, que vai fazer sexo no meio do nada, dentro de um carro, sendo perseguido por um grupo de pessoas nuas. Ao mesmo tempo, esta é uma premissa um tanto boba e até infantil. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se ao menos Olivier tivesse pensado em um desfecho menos previsível, o pendulo cairia mais para o instigante do que para o ingênuo. De todo modo, <strong><em>Nu</em> </strong>vale a pena de ser conferido por conseguir prender a atenção de quem assiste e provocar até algumas risadas. A comicidade é um ganho do roteiro juntamente com a atuação de Étienne que revela um olhar tão incrédulo, que chega a ser cômico. E são por todas estas razões que o curta fica ali, na média, mas sem passar grandes vergonhas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Olivier Labonté LeMoyne</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Étienne Galloy, Roxane Tremblay-Marcotte</span></p>
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