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	<title>Arquivos Mostra de SP - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Mostra de São Paulo: Lidando com a Morte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Oct 2021 01:00:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A morte é a certeza derradeira de todos que habitam o Planeta. A única diferença, talvez, seja a forma como cada pessoa, cada povo, lida com a despedida final de seus entende queridos. Pensando nesta perspectiva aqui em Lidando com a Morte, uma empresa que oferta serviços funerários, especializados em multicultura, na Holanda, decide fazer uma ampla pesquisa com estrangeiros. O objetivo, teoricamente, é entregar melhores condições possíveis de negócio, em sua nova sede. A figura central que agencia os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A morte é a certeza derradeira de todos que habitam o Planeta. A única diferença, talvez, seja a forma como cada pessoa, cada povo, lida com a despedida final de seus entende queridos. Pensando nesta perspectiva aqui em <strong><em>Lidando com a Morte</em></strong>, uma empresa que oferta serviços funerários, especializados em multicultura, na Holanda, decide fazer uma ampla pesquisa com estrangeiros. O objetivo, teoricamente, é entregar melhores condições possíveis de negócio, em sua nova sede.</p>
<p>A figura central que agencia os encontros com pessoas de diversos países é Anita Van Loon e é do ponto de vista dela que <strong><em>Lidando com a Morte</em></strong> conta a sua história. Aqui, temos um ponto principal que é consequência desta escolha. O fato de Anita ser uma mulher branca europeia mostra o quanto a população deste continente tem em seu imaginário um pensamento de superioridade.</p>
<p>Um exemplo disto é a cena na qual Anita conversa com um empresário e eles comentam sobre como é importante que a população “autêntica” da Holanda também entre nos planos de cobertura da instituição. Além disso, enquanto Anita se reúne com os supostos outsiders e tenta aprender um pouco da cultura deles, há desconforto e até constrangimento nela e em seus colegas de trabalho, em sua maioria homens e todos brancos.</p>
<p>Em meio a risos nervosos e surpresas com as demandas, a vergonha é sentida do outro lado da tela, passando o sentimento para o espectador. Neste contexto, o documentário tenta se eximir de emitir alguma opinião sobre o que é mostrado. Aparentemente, o diretor e roteirista Paul Rigter (Crush) procura emular um olhar de fora, que observa as situações sem interferir nelas.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14698" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lidando-com-a-morte-documentario-img00.jpg" alt="Lidando com a Morte" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lidando-com-a-morte-documentario-img00.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lidando-com-a-morte-documentario-img00-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lidando-com-a-morte-documentario-img00-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/10/lidando-com-a-morte-documentario-img00-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A câmera de <strong><em>Lidando com a Morte</em></strong> é onisciente, mas sem revelar suas intervenções. É como se as personagens não fossem influenciadas pela filmagem. O tom de naturalidade é uma busca central aqui. No entanto, a estratégia de Rigter não é tão bem sucedida, pois, como já se é sabido, a neutralidade é um mito. O que mais chama atenção no longa é, justamente, a centralização da figura de Anita.</p>
<p>Quem ela escuta não tem espaço mais amplo na obra, não são ouvidos, nem acompanhados. A cada sequência, o público pode sentir um distanciamento maior em relação aos estrangeiros. Seus atos e ritos são registrados, porém sempre como se estivessem longe do foco principal, porque suas vozes não são efetivamente escutadas. deixando nítida a seleção de Rigter e o que ele quer contar, de fato.  Não parece ser a intenção da produção compreender múltiplas opiniões sobre Anita e o local que ela trabalha.</p>
<p>Inclusive, a própria decupagem confirma esta sensibilidade para com Van Loon, que ganha planos mais fechados em suas expressões faciais e emoções, bem como um tempo de tela com menos movimentações de câmera, fazendo com que quem assiste possa ser envolvido com a sua dinâmica, sua forma de ver o que a cerca. Do outro lado, tem-se justamente o oposto.</p>
<p>Desta forma, o conteúdo é bastante enviesado em <strong><em>Lidando com a Morte</em></strong>. Ainda que seja impossível realizar qualquer produto imparcial, pois ninguém é nulo de experiências prévias e ideologias, a tentativa em chegar o mais próximo disto poderia ser válida. Porque, no final das contas, o filme acaba se perdendo na narrativa de Anita e em todo estranhamento cultural blasé holandês e gasta a chance de realmente investigar e entender as distintas maneiras de se lidar com a morte.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paul Rigter</p>
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