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	<title>Arquivos Michael Goi - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Possessão de Mary</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jan 2020 13:41:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>De um lado, as salas de cinema dão espaço aos filmes da temporada de premiações, mas de outro, os circuitos comerciais se inundam com estreias ruins. Pelo segundo ano consecutivo, o mês de janeiro foi presenteado com filmes problemáticos. Projetos engavetados por estúdios (como Kursk &#8211; A Última Missão) ou os debutes tardios são os atores secundários desse período do ano. Para não perder o costume, um dos lançamentos da semana &#8211; e um dos primeiros de seu gênero &#8211; [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>De um lado, as salas de cinema dão espaço aos filmes da temporada de premiações, mas de outro, os circuitos comerciais se inundam com estreias ruins. Pelo segundo ano consecutivo, o mês de janeiro foi presenteado com filmes problemáticos. Projetos engavetados por estúdios (como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-kursk-a-ultima-missao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Kursk &#8211; A Última Missão</em></a>) ou os debutes tardios são os atores secundários desse período do ano. Para não perder o costume, um dos lançamentos da semana &#8211; e um dos primeiros de seu gênero &#8211; é um terror assustadoramente ruim. O longa-metragem estrelado por Gary Oldman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-destino-de-uma-nacao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Destino de uma Nação</em></a>, de 2017) e Emily Mortimer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-retorno-de-mary-poppins/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Retorno de Mary Poppins</em></a>, de 2018) se apresenta como um produto audiovisual preguiçoso e genérico, pronto para entediar qualquer espectador. <em><strong>A Possessão de Mary</strong></em> chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23).</p>
<p>Após comprar um velho navio escondido de sua família, David (Gary Oldman) decide se dedicar inteiramente à embarcação para renová-la. Depois da embarcação reformada, David convence sua esposa, Sarah (Emily Mortimer), e suas duas filhas de fazer uma viagem para aproximar a família e começar uma nova etapa em suas vidas. Logo que cheguem em alta mar, coisas perturbadoras começam a atravessar o cotidiano deles. Os dias passam e a família se vê atormentada por alguma força incomum. Um por um, os familiares se dividem e passam a questionar uns aos outros e a si mesmos.</p>
<p>Lançar <strong><em>Mary</em></strong> (título original) num mesmo período que se tem <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Farol</em></a> (2019) nos cinemas é um chute para fora. Ambos dividem o mesmo universo do horror e, apesar de terem execuções, contextos e narrativas bem diferentes, se inspiram num mesmo tipo de mitologia. O cântico das sereias e os mistérios do mar são peças fundamentais na construção das duas histórias. Dessa forma, é inevitável que o espectador compare-os ou escolha um dos dois para assistir &#8211; e quando isso é feito a dupla Robert Pattinson e Willem Dafoe vence em disparada.</p>
<p>Quando se pensa na premissa de <strong><em>Mary</em></strong>, existe expectativa de um bom resultado. Brincar com criaturas mitológicas, por mais manjado que seja, é uma boa opção. Isso mexe com o imaginário do público. Mexe com lembranças, contos, histórias assombradas. Portanto, discutir uma maldição de uma criatura meio sereia, meio fantasmagórica é possível e pode render um produto interessante. São as escolhas da produção, distribuída pela Paris Filmes, que levam o resultado final ao precipício. A estrutura do roteiro, o desenvolvimento das personagens e suas paranoias, o ritmo e a construção da atmosfera de medo; todos esses elementos carecem algo. <strong><em>A Possessão de Mary</em></strong> não passa de uma produção órfã de uma boa execução.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12255" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/a-possessao-de-mary.jpg" alt="A Possessão de Mary" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/a-possessao-de-mary.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/a-possessao-de-mary-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/01/a-possessao-de-mary-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Para começar, o roteiro tem dois momentos importantes de viradas. A primeira é a revelação do mistério da criatura que assombra a família, enquanto a segunda é no final do longa. Toda a narrativa é supostamente construída para intensificar esses dois momentos. Se feito de forma correta, poderiam ser picos de tensão e susto para o espectador. No entanto, a descoberta da criatura é puro <em>jump scare</em> e o <em>plot twist</em> do final é óbvio e preguiçoso. A elaboração e construção do que deveriam ser os ápices do filme, falha terrivelmente. O público consegue prever cada passo sem nem precisar dar 100% de sua atenção para à tela.</p>
<p>A narrativa se desenvolve de forma tão sem propósito que até o elenco some. Mesmo com a presença de Oldman e Mortimer, os acontecimentos rasos não permitem que eles deem um levantada nas cenas. A situação se agrava ainda mais quando o espectador se depara com uma história dividida em passado e presente. Esses cortes temporais, ao mesmo tempo que ajudam a dinamizar o filme, atrapalham o desenvolvimento de suas partes. Os cortes de períodos acabam sendo um agente definidor nessa confusão. Em vez de intensificar a tensão, potencializar o mistério e gerar ansiedade no espectador, a montagem com <em>flashbacks</em> agrava a problemática produção.</p>
<p>O elemento assertivo do longa-metragem é o seu tempo. Os 84 minutos de trama são suficientes para a história entregue. Seu ritmo, em contrapartida, por vezes é lento demais e acaba por entediar o público. <strong><em>A Possessão de Mary</em></strong> se assemelha à muitas produções que tem uma boa ideia, mas uma má execução. O universo do horror tem uma vasta lista que pode ser comparado ao filme em questão (como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-sereia-lago-dos-mortos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>A Sereia – Lago dos Mortos</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-manicomio/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Manicômio</em></a>, ambos de 2019, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-exterminadores-do-alem-contra-a-loira-do-banheiro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro</em></a>, de 2018). Nada salva a preguiça e o mal cuidado dessa produção. Ao final da sessão, não se sabe quem vai conseguir se recuperar do desastre: Oldman, Mortimer, o estúdio ou o público.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Goi<br />
<strong>Elenco:</strong> Gary Oldman, Emily Mortimer, Owen Teague, Manuel Garcia-Rulfo, Jennifer Esposito, Stefanie Scott, Michael Landes</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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