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	<title>Arquivos Men - Faces do Medo - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Men &#8211; Faces do Medo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Sep 2022 21:59:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema de horror moderno trouxe para as telonas a prova de que o gênero não sobrevive apenas com filmes recheados de sustos vazios e excesso de sangue ou violência. A tradução de um medo, uma situação ou até mesmo um sentimento são possibilidades num filme do gênero onde a preocupação maior é o subtexto e não a bilheteria. Assim, as ansiedades, os temores e as dores do cotidiano se tornam pautas frequentes em obras de horror que se permitem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema de horror moderno trouxe para as telonas a prova de que o gênero não sobrevive apenas com filmes recheados de sustos vazios e excesso de sangue ou violência. A tradução de um medo, uma situação ou até mesmo um sentimento são possibilidades num filme do gênero onde a preocupação maior é o subtexto e não a bilheteria. Assim, as ansiedades, os temores e as dores do cotidiano se tornam pautas frequentes em obras de horror que se permitem ir além do óbvio.</p>
<p>A produtora e distribuidora A24 é uma das principais representantes de Hollywood que traz para o circuito comercial, longas-metragens que tenham as marcas do horror, sem perder de vista a profundidade das discussões e dos dilemas humanos. A produtora que já trouxe aos cinemas projetos como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ex-machina-instinto-artificial/"><em>Ex Machina: Instinto Artificial</em></a> (2014), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hereditario/"><em>Hereditário</em> </a>(2018), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-midsommar-o-mal-nao-espera-a-noite/"><em>Midsommar: O Mal Não Espera a Noite</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/"><em>O Farol</em></a> (ambos de 2019) distribui mais um título com esse caráter metafórico e reflexivo. Com a estreia marcada para esta quinta-feira (8), <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong> entrará para o hall das gloriosas obras de horror distribuídas pela produtora.</p>
<p>Após o suicídio de seu ex marido, Harper (Jessie Buckley) decide se isolar numa casa do campo para se recuperar. Nessa tentativa de fugir do caos que sua vida se encontra, a jovem descobre que seu pior pesadelo pode surgir a qualquer momento. Enquanto tenta buscar paz, Harper se vê perseguida por um homem no meio da mata. O episódio pavoroso começa a escalar quando ela percebe que existe um mal ainda maior vagando por perto.</p>
<p>É impossível refletir sobre uma obra sem pensar em seu criador e pensar em <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong> é ver o trabalho de Alex Garland (<em>Dredd</em>, de 2012, e Aniquilação, de 2018) ganhando cada vez mais corpo. O cineasta e roteirista inglês foi o responsável, pela segunda vez, por assumir roteiro e direção de um longa. <strong><em>Men</em></strong>, como seu terceiro filme, já demonstra o amadurecimento no fazer e criar cinematográfico. É graças a essa intensidade que a produção alcança um lugar inimaginável.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15880" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/11-2.jpg" alt="Men - Faces do Medo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/11-2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/11-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/11-2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/11-2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Diferente de seus filmes anteriores, <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong> trabalha mais com a materialidade da discussão. Apesar do cunho metafórico e da construção fantástica de um dos temores do cotidiano feminino, Garland consegue deixar claro o que quer falar, sem, em nenhum momento, empobrecer sua discussão. A narrativa é perspicaz ao não ir direto ao ponto dos acontecimentos que cercam o suicídio do ex marido de Harper para que a tensão e a antecipação sejam mantidas.</p>
<p>A sacada da dilatação do relacionamento tóxico da personagem de Jessie Buckley (<em>Estou Pensando em Acabar com Tudo</em>, de 2020 e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-filha-perdida-netflix/"><em>A Filha Perdida</em></a>, de 2021) através da montagem, somado pano de fundo fantástico são o ponto alto do roteiro de <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong>. A assertividade de Garland é impecável. Ele consegue, ainda que no lugar de observador da situação, descrever com emoção, sensibilidade e força as dores de uma mulher que está tentando não se afogar nas memórias de um relacionamento abusivo.</p>
<p>Com esse subtexto, o cineasta inglês é capaz de chegar num patamar de um horror com trama e um subtexto de tirar o fôlego. E, o maior mérito de Garland com <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong> é lembrar que o maior horror da vida de uma pessoa pode ser o outro. A metáfora que brinca com a toxicidade masculina enquanto cria um contexto místico por trás merece ser aplaudida. O resultado não poderia ser outro que não um longa coeso e completo, honrando as possibilidades do gênero na atualidade.</p>
<p>No entanto, é preciso dar crédito ao elenco principal, formado apenas por Jessie e Rory Kinnear (<em>Penny Dreadful</em>, de 2014 a 2016, e <em>Nossa Bandeira é a Morte</em>, de 2022), porque, sem eles, esta produção não teria alcançado voos tão altos. A entrega do casal de atores é inquestionável. A dinâmica entre eles em cena é uma linda coreografia de emoções. E, ainda que Buckley dê o seu melhor e seja o destaque de <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong>, o trabalho de Kinnear e suas múltiplas interpretações é simplesmente brilhante. Sua performance enriquece o resultado da produção.</p>
<p>E é neste ballet de horror que Alex Garland traz para o público mais uma produção impactante. O machismo estrutural escancarado de uma forma que jamais foi mostrada antes. É essa capacidade de criar imagens aterradoras e um texto limpo que fazem de <strong><em>Men: Faces do Medo</em></strong> um destaque em meio às novas produções do gênero. Além, é claro, de se tornar mais um exemplo de qualidade em que mostra ao espectador que o horror pode ser uma metáfora perfeita para descrever &#8211; seja fantasiosamente ou não &#8211; os temores, as dores e os medos da humanidade</p>
<p><strong>Direção:</strong> Alex Garland</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jessie Buckley, Rory Kinnear, Paapa Essiedu, Gayle Rankin</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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