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	<title>Arquivos Matilde Morillo Sánchez - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival Olhar de Cinema: Noite Perpétua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2020 18:45:14 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Silêncio e despedida marcam o curta-metragem <strong><em>Noite Perpétua</em></strong>. Narrando os últimos minutos de Matilde Morillo Sánchez  com a família, o filme é coberto de pela imensidão de sensações e percepções, dentro de um ambiente fechado que a  sua residência. Aqui, sob o nome de Paz (Paz Couso), há uma crescente de sua relação com a casa e os moradores dela. Dentro desta lógica, existe um ambiente sufoca, pelo fato das personagens estarem enclausuradas ali durante toda exibição, este é, no entanto, também o refúgio do que é esperado do lado de fora. A obra traz o exato momento da chegada dos falangistas que irão levar Sánchez embora. Na época, a Guerra Civil Espanhola havia acabado de terminar. Paz era esposa de um dirigente socialista. Os relatos históricos revelam que a mulher jamais retornou e seu corpo nunca foi encontrado.</p>
<p>Esta angústia de uma derrota anunciada é fomentada pela pouca luminosidade do ambiente, no qual não se vê completamente todos os detalhes do local ou até das personagens. Em um jogo de luz e sombras, as atrizes e atores de <em><strong>Noite Perpétua</strong></em> se posicionam revelando mais ou menos os seus rostos e corpos. Esta estratégia fomenta a sensação de uma noite difícil e de tristeza. Esta tensão também é impressa pela câmera que pouco se movimenta e somente o faz com mais vigor em momentos de virada da narrativa. Um exemplo é quando a rotina noturna de Paz e sua família é interrompida pelo anúncio de que ela terá que ir embora. Mantendo a imagem em quem segura o neném, filha caçula da protagonista, a cena somente volta acompanhar Paz quando ela se dirige até a porta. Em um <em>zoom out</em>, a figura opressiva destes homens é colocada, ainda que eles estejam de costas. Desta maneira, o autoritarismo se faz presente, mas o foco principal da ação ficam sendo as emoções de Couso, que procura esconder seu temor diante daquela situação. Lentamente, o quadro vai se fechando, em um <em>zoom in</em>, aumentado a possibilidade de investigação dos sentimentos dela, que mistura expressões de clamor e revolta.</p>
<p>Logo em seguida, há uma outra virada, quando Paz fecha porta. Em um rápido <em>zoom out,</em> o rosto de Couso se modifica em poucos segundos e sua consternação é acompanhada. A produção toma seu tempo para compor o cenário de lamento que se instala na tela. Paz e as duas mulheres que estão ali, sentam ao seu lado para vê-la amamentar a sua filha pela última vez. Há, neste instante, assim como em toda projeção, apenas os ruídos daquele espaço. Contudo, eles passam a sensação de serem mais fortes, pelas trocas de olhares das intérpretes, juntamente com o quadro imóvel e a ausência de palavras.</p>
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<p>Estes recursos provocam e cooperam para a criação da atmosfera desejada. No entanto, toda a sequência que acontece a partir da cena de Paz alimentando seu bebê retira a força da produção. Aparentemente, nem o roteirista e nem o diretor sabiam muito bem como lidar com a conclusão do enredo. Há sobras em um curta de pouco mais de 17 minutos. Se até a sua primeira metade a pouca iluminação, os sons, angulações etc.,  favoreciam para o estabelecimento das tensões, na segunda parte são técnicas semelhantes que vão se esvaziando de sentido.</p>
<p>O desfecho em si, o quadro final que convoca quem assiste <em><strong>Noite Perpétua</strong></em> a conhecer, finalmente, o lado de fora, vem de um <em>zoom in</em>, indo de um plano médio das janelas e da parede, até chegar na área externa. O que ocorre é que esta ideia que tenta ser poética e imprimir uma ideia de finitude, talvez, não crie nem uma conclusão mais prática de um cinema tradicional e nem um desfecho metafórico, com signos que levem para outros lugares. Ao final da sessão, resta o pensamento de que a busca por uma forma mais elaborada prevaleceu, mas não foi alcançada. Assim, a trama intensa e trágica se enfraquece.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Pedro Peralta</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Paz Couso, Sara Piris, Domicilia Nunes</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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